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Brasil – África: Uma Relação Revigorada – Nehsc

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Brasil – África: Uma Relação Revigorada

Brasil – África: Uma Relação Revigorada

O futuro das relações empresarias entre o Brasil e  o continente africano exige em primeiro lugar que a África, particularmente sua costa Atlântica seja conhecida. Hoje, esta realidade é desconhecida. Conseqüentemente, o potencial de ingresso de quadros técnicos, produtos e tecnologia brasileiras é pouco aventado e o pouco que existe é nos demandado, basicamente, das áreas de influencia dos países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP.

 As possibilidades de incrementar a corrente de comercio bilateral no contexto do Atlântico Sul são inúmeras, dada a disposição de consumo e renda existentes neste continente tão bem conhecido dos europeus e praticamente à margem dos fluxos de comércio do Brasil. Tão perto e tão longe a África por razões históricas está, desde sempre, vinculada ao Brasil e por vários séculos as relações comerciais foram muito mais intensas do que com a Europa.

 África para a diplomacia brasileira contemporânea teve significativa importância nas decadas de 60 e 70. Com o fim do processo de descolonização   e as recorrentes dificuldades econômicas que afligiram o Brasil nas últimas décadas, a presença brasileira oficial e empresarial rarefez-se. Nas últimas décadas enquanto a União Européia estreitava suas posições junto aos países africanos culminando com a Conferencia de Lomé, franqueando à produção africana isenções tarifarias, o Brasil perdia terreno, de tal forma que hoje a corrente de comércio nos é deficitária.

 Em contrapartida o Brasil, seus produtos e suas expressões culturais, tem na franja atlântica e por razões históricas em Moçambique, um diferencial de aceitabilidade impar, que merece atenção do  empresariado brasileiro,  que hoje na necessidade de diversificar mercados, pode vir a ter relevância na introdução de nossas manufaturas e serviços, atendendo às especificidades técnicas nas quais as empresas brasileiras de todos os portes, poderão estar concorrendo com as empresas locais e de origem européia. Este diferencial se dá pelas nossas vantagens comparativas que nossas empresas e empreendedores possuem em termos de semelhanças culturais, aclimatação e mão-de-obra.

 Os caminhos da nova oportunidade de maior presença do Brasil no continente africano, estimulando as relações Sul – Sul está novamente sendo dado pela nossa chancelaria, acatando as novas diretrizes de política externa do país, recuperando esforços que foram sendo sistematizados nas décadas passadas até o encerramento do período do Pragmatismo Diplomático. Nesta nova iniciativa abre-se uma nova demanda ao setor privado da economia brasileira, pois ao contrario dos períodos passados não há mais como direcionar investimentos públicos para vender as qualidades dos produtos e serviços brasileiros. Agora, o que se desafia ao empreendedor brasileiro é sua presença nas missões percursoras oficiais, a investir no mercado africano por sua conta e risco, disputando mercados com empresas européias e ultimamente norte- americanas. É nesta disputa por corações e mentes dos consumidores africanos que os diferenciais de cultura e de produtos de um pais não colonialista são ainda relevantes.

 Para que esta empreitada seja efetiva algumas questões são elegíveis prioritariamente, a começar pelo restabelecimento de adequados sistemas logísticos que eliminem os transbordos e a triangulação, característicos das últimas duas decadas. O reforço da presença oficial brasileira no continente está em processo mas a ela cabe o amparo de entidades de classe e de seus associados, tanto na elaboração de estudos quanto na presença em feiras e encontros empresariais e profissionais que tenham lugar nos diferentes quadrantes do continente africano. Também, exige-se um novo esforço das empresas de comunicação brasileiras que necessitam informar, em primeira mão ao público local, o que é e o que acontece na África.

 De Nairobi a Durban, de Adis Adeba a Dacar a presença do empreendedor e dos produtos e serviços brasileiros é desejada. Faltam as informações que possibilitem aos nossos empresários a  coragem em empreender.

Jean-Claude E. Silberfeld

Gerente Relações Internacionais – Fecomercio SP

Economista, mestre em História do Brasil – PUC SP

Professor de Economia Mundial e Relações Internacionais – FAAP

SP, 07/05/2003

Jean-Claude Silberfeld

● Gerente Relações Internacionais – Fecomercio SP ● Economista, mestre em História do Brasil – PUC SP ● Professor de Economia Mundial e Relações Internacionais – FAAP

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