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China: Bebês do Sexo Feminino – Nehsc

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China: Bebês do Sexo Feminino

China: Bebês do Sexo Feminino

Cinqüenta anos atrás, conheci um médico americano que estivera como missionário na China, em Shanghai, antes da guerra. O grande trabalho que ele tinha, assim me contou, era de sair com um grupo pelas montanhas, todas as noites, apanhando os bebês de sexo feminino, que tinham sido abandonadas pelos pais, para trazê-las para o hospital e orfanato da missão, em uma tentativa de salvar suas vidas, ou simplesmente para dar-lhes um enterro condigno.

Meninas eram rejeitadas pela cultura chinesa, que as consideravam, e evidentemente ainda as consideram, como um estorvo na vida de uma família. Relatou-me ainda, que na maioria dos casos as crianças já estavam mortas, ou a ponto de morrer, com pneumonia, especialmente no inverno, por causa do frio, tendo sido abandonadas nuas ou com pouca roupa que as esquentassem. Afirmava ele que esse fora o trabalho mais doloroso que tivera de fazer em toda sua vida. A presente política chinesa de limitar os casais a um único filho, sem dúvida, apenas piorou essa situação, que é multimilenar na China.

É bom lembrar que no Brasil, em eras coloniais e no Brasil Império, havia as famosas rodas dos enjeitados, nos conventos católicos, onde as mães abandonavam os recém-nascidos enjeitados, tocavam uma campainha e iam embora. As freiras os iam buscar e os criavam, quando as crianças sobreviviam. Daí terem sido encontradas tantas ossadas de bebês enterradas nos terrenos dos conventos, que muitos pensaram terem sido bebês paridos pelas freiras, em conúbio adulterino com os padres.

Já nos Estados Unidos da América, em plena Filadélfia, assim relatou Hipólito da Costa, em seu livro “Diário de Minha Viagem a Filadélfia”, a situação estava mais para a China de hoje. Afirmou ter encontrado, quase que diariamente, inúmeros fetos jogados em latas de lixo, naquela que foi a primeira capital dos Estados Unidos. Teria sido isso verdade, ou seria apenas uma daquelas “verdades” que os viajantes brasileiros às vezes contam sem medo de serem desmentidos? De tudo que li, até hoje, da história americana, jamais encontrei referências a tais práticas, em um país que naquela época ainda era extremamente religioso.

Apenas menciono esse fato, por ser algo parecido com o que acontece hoje em dia na China, aliás sempre aconteceu por lá. Não é nada novo na China, ainda que extremamente chocante e repulsivo.

Cabe aos historiadores sociais e especialistas em costumes e história da China o aprofundamento do tema. Fica a sugestão.

David Gueiros Vieira

● PHD em História da América Latina, Mestre em história dos Estados Unidos da América, conferencista e um dos maiores especialistas brasileiros em História da Questão Religiosa do Brasil.

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