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{"id":71,"date":"2015-03-09T01:13:47","date_gmt":"2015-03-09T01:13:47","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/2015\/03\/09\/a-logica-da-arte\/"},"modified":"2021-02-02T01:28:20","modified_gmt":"2021-02-02T01:28:20","slug":"a-logica-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2015\/03\/09\/a-logica-da-arte\/","title":{"rendered":"A L\u00f3gica da \u201cArte\u201d"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">\u00a0Pode algo quebrado valer mais que a pe\u00e7a inteira? Aparentemente n\u00e3o. Mas no Brasil j\u00e1 aconteceu isto, talvez pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade. Vamos contar esse mist\u00e9rio&#8230;<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> Foi na d\u00e9cada de 40 \/ 50 do s\u00e9culo passado. Voltemos a esse tempo. A cidade de S\u00e3o Paulo era servida por duas ind\u00fastrias cer\u00e2micas principais. Um dos produtos dessas cer\u00e2micas era um tipo de lajota cer\u00e2mica quadrada (algo como 20\u00d720cm) composta por quatro pe\u00e7as iguais. Essas lajotas eram produzidas nas cores vermelha (a mais comum e mais barata), amarela e preta. Era usada para piso de resid\u00eancias de classe m\u00e9dia ou com\u00e9rcio.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> No processo industrial da \u00e9poca, sem maiores preocupa\u00e7\u00f5es com qualidade, aconteciam muitas quebras, e esse material quebrado, sem interesse econ\u00f4mico, era juntado e enterrado em grandes buracos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> Nessa \u00e9poca os chamados \u201clotes oper\u00e1rios\u201d, na Grande S\u00e3o Paulo, eram de 10\u00d730m ou, no m\u00ednimo, 8 x 25m, ou seja, eram lotes com \u00e1rea suficientemente grandes para jardins e quintais, revestidos at\u00e9 ent\u00e3o com cimentado, com sua mon\u00f3tona cor cinza, pois os oper\u00e1rios n\u00e3o tinham dinheiro para comprar as lajotas cer\u00e2micas que eles mesmos produziam.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> Certo dia, um dos empregados de uma das f\u00e1bricas cer\u00e2micas, que estava terminando sua casa, n\u00e3o tinha dinheiro para comprar o cimento para cimentar todo o seu terreno. Ent\u00e3o lembrou do refugo da f\u00e1brica, caminh\u00f5es e caminh\u00f5es que levavam esse refugo diariamente para ser enterrado num terreno abandonado perto da f\u00e1brica. O empregado ent\u00e3o pediu para recolher parte do refugo e usar na pavimenta\u00e7\u00e3o do terreno de sua nova casa. Claro que a cer\u00e2mica topou na hora, e ainda deu o transporte de gra\u00e7a, pois com isso deixava de gastar dinheiro com a disposi\u00e7\u00e3o do lixo.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> E \u00e9 a\u00ed que a hist\u00f3ria come\u00e7ou a mudar, por uma coisa que se chama \u201carte\u201d. A maior parte do refugo recebida pelo empregado era de cacos cer\u00e2micos vermelhos, mas havia tamb\u00e9m alguns cacos amarelos e pretos. O oper\u00e1rio, ao assentar os cacos cer\u00e2micos, fez inserir aqui e ali cacos pretos e amarelos, quebrando a monotonia do vermelho cont\u00ednuo. Assim a entrada da casa do simples oper\u00e1rio ficou bonitinha e gerou coment\u00e1rios dos vizinhos, tamb\u00e9m trabalhadores da f\u00e1brica. Ent\u00e3o o assunto pegou fogo e todos come\u00e7aram a pedir caquinhos, o que a cer\u00e2mica adorou, pois parte do seu refugo come\u00e7ou a ter uso e sua disposi\u00e7\u00e3o passou a ser menos onerosa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> Mas o belo \u00e9 contagiante e a solu\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a virar moda. At\u00e9 os jornais noticiavam a nova \u201cmania paulistana\u201d. A classe m\u00e9dia ent\u00e3o se interessou pela \u201carte\u201d e tamb\u00e9m come\u00e7ou a adotar a solu\u00e7\u00e3o do caquinho cer\u00e2mico vermelho com inclus\u00f5es pretas e amarelas. E como a procura come\u00e7ou a crescer, a diretoria comercial de uma das cer\u00e2micas descobriu ali uma fonte de renda e passou a vender &#8211; a pre\u00e7os m\u00f3dicos \u00e9 claro, pois refugo \u00e9 refugo &#8211; os cacos cer\u00e2micos. E o pre\u00e7o do metro quadrado do caquinho cer\u00e2mico era da ordem de 30% da lajota \u00edntegra (de boa fam\u00edlia).<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> At\u00e9 aqui tudo \u00e9 racional e l\u00f3gico, pois refugo \u00e9 refugo e material principal \u00e9 material principal. Mas n\u00e3o contaram isso para os paulistanos, e a onda da \u201carte\u201d do caquinho cer\u00e2mico cresceu e cresceu e, acredite quem quiser, come\u00e7ou a faltar caquinho cer\u00e2mico no mercado, o qual come\u00e7ou a ser t\u00e3o valioso quanto a pe\u00e7a \u00edntegra e impoluta. Ah o mercado, com suas leis il\u00f3gicas, mas implac\u00e1veis&#8230;<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> A\u00ed aconteceu o inacredit\u00e1vel. Na falta de cacos, as pe\u00e7as inteiras come\u00e7aram a ser quebradas pela pr\u00f3pria f\u00e1brica cer\u00e2mica. E \u00e9 claro que os caquinhos subiram de pre\u00e7o, ou seja, o metro quadrado do refugo era mais caro que o metro quadrado da pe\u00e7a inteira\u2026 A desculpa dada para tal foi o custo industrial da opera\u00e7\u00e3o de quebra, embora ningu\u00e9m tenha descontado deste custo a perda industrial que originalmente gerara o problema, ou melhor, que gerara a febre do caquinho cer\u00e2mico.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> O fato \u00e9 que um produto economicamente negativo, sem valor comercial, passou a ser um produto com algum valor comercial e, depois, a valer mais que o produto original, de boa fam\u00edlia\u2026<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> A hist\u00f3ria termina nos anos sessenta, com o surgimento dos pr\u00e9dios em condom\u00ednio e a classe m\u00e9dia, que usava esse caquinho, indo morar nesses pr\u00e9dios, onde n\u00e3o havia quintais a serem ladrilhados. J\u00e1 a classe mais simples, passou a ter lotes menores (4 x15m) ou povoar as favelas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> S\u00e3o hist\u00f3rias da vida que precisam ser contadas para, no m\u00ednimo, se dizer:<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"> \u2013 A arte cria o belo, e o marketing tenta explicar o mist\u00e9rio da pe\u00e7a quebrada valer mais que a pe\u00e7a inteira\u2026\u201c&#8230;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Pode algo quebrado valer mais que a pe\u00e7a inteira? Aparentemente n\u00e3o. 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