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{"id":39,"date":"2015-01-08T01:40:07","date_gmt":"2015-01-08T01:40:07","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/2015\/01\/08\/leda-maria-pereira-rodrigues\/"},"modified":"2015-01-08T01:40:07","modified_gmt":"2015-01-08T01:40:07","slug":"leda-maria-pereira-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2015\/01\/08\/leda-maria-pereira-rodrigues\/","title":{"rendered":"LEDA MARIA PEREIRA RODRIGUES"},"content":{"rendered":"<p>A Irm\u00e3 Leda que eu conheci<\/p>\n<p>A Professora Doutora Leda Maria Pereira Rodrigues, irm\u00e3 Leda como eu a chamava, para outros irm\u00e3 Maria \u00c2ngela, em 18 de junho, nos precedeu na partida definitiva. Deixou-nos toda uma hist\u00f3ria de vida por contar toda ela marcada pelo seu papel de mestra, de religiosa fundindo-se numa vida plena de atos e de convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Formada em Filosofia (Sedes-38), lecionou na gradua\u00e7\u00e3o e no Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Hist\u00f3ria exercendo tamb\u00e9m os cargos de Diretora do Centro de Ex-Alunos e o de Vice-Reitora Administrativa na Gest\u00e3o 1988-92. Idealizadora do Centro de Ex-Alunos considerava que nenhum deles poderia ser, na pr\u00e1tica, um ex-aluno da PUC. A id\u00e9ia de desenvolver o v\u00ednculo do ex-aluno com a Universidade estruturou-se como um feliz conceito de relacionamento numa id\u00e9ia de integra\u00e7\u00e3o desejada tal como vira em visitas a v\u00e1rias universidades estrangeiras. Atuante e inovadora em quest\u00f5es de grande import\u00e2ncia social e pol\u00edtica compreendia a comunidade de ex-alunos como fator importante da sustentabilidade da pr\u00f3pria universidade. L\u00facida, inteligente e politizada era ainda autora citada e festejada como produtora de um cl\u00e1ssico: A Instru\u00e7\u00e3o Feminina em S\u00e3o Paulo. SP: Faculdade de Filosofia \u2018Sedes Sapientiae\u2019.<\/p>\n<p>Nesse trabalho ela nos conta sobre o como as escolas particulares funcionavam \u201cquase sempre na pr\u00f3pria casa das professoras e mantinham algumas alunas internas. Nessa situa\u00e7\u00e3o estava o Col\u00e9gio de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, dirigido por Da. Guilhermina Glotilde da Cunha e Silva e instalado em 07 de janeiro de 1848, \u00e0 Rua das Flores, em Sorocaba.\u201d<\/p>\n<p>Os usos e costumes de ent\u00e3o s\u00e3o minuciosamente descritos na sua pena de historiadora contundente. \u201cO prospecto dessa institui\u00e7\u00e3o, diz ela, era um bonito impresso, muito convidativo e apresentava a possibilidade de 3 tipos de classes de educandas: internas, externas e semi-internas. As internas pagavam por m\u00eas 15$000, sendo inclu\u00eddo &#8216;almo\u00e7o, jantar, merenda, roupa lavada e engomada; e as semi-internas 8$000. Aquelas deveriam trazer: leito com colch\u00e3o, roupa de cama, bacia, escovas de roupa, cabelo e dentes, pentes, bastidor, toalhas de m\u00e3o, uma cadeira pequena e tamb\u00e9m um ba\u00fa para guardar roupa.<\/p>\n<p>O programa se particularizava em esp\u00e9cies de trabalhos manuais: &#8216;renda de agulha de meia, costura, marcar, bordar a branco, matiz, prata, cabelo, missanga, froque; fazer flores de l\u00e3, seda, vidrilho e a fazer pulseiras, colares, an\u00e9is do mesmo material. Depois dessa apresenta\u00e7\u00e3o persuasiva de variedades de &#8216;prendas dom\u00e9sticas&#8217;, a Diretora mandava imprimir: &#8216;As alunas tamb\u00e9m aprendem a ler, escrever e contar. \u2018Havia aulas de franc\u00eas e de piano, mas eram extraordin\u00e1rias.\u201d<\/p>\n<p>Durante o \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XIX ela ainda nos descreve no cap\u00edtulo IX as contribui\u00e7\u00f5es de Rangel Pestana e sua esposa Damiana Quirino (p. 187-188), assim como o trabalho pioneiro de Martha Watts e Marie Rennotte na Piracicaba dos anos 1880.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e0 parte, a constata\u00e7\u00e3o de sua trajet\u00f3ria profissional devo reconhecer que constru\u00edda a partir de fragmentos da lembran\u00e7a, essa an\u00e1lise sobre uma mulher s\u00e1bia como a Irm\u00e3 Leda, custou para ganhar vida no papel. Principalmente, lembrava-me dela quando ingressei na PUC-SP, ainda aluna do Curso de Doutorado em Hist\u00f3ria da USP levada pelo Dr. Joel Martins com o aval da ent\u00e3o coordenadora do Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Hist\u00f3ria, Professora Doutora Yvone Dias Avelino e dela mesma, Irm\u00e3 Leda. Sempre me dizia que mesmo em aula expositiva, procurasse ver nos alunos exemplos de aceita\u00e7\u00e3o das diferentes dimens\u00f5es da vida s\u00f3cio-afetiva de cada um deles. Quero, pois assim, agradecer alguns dos seus parcos, mas excelentes conselhos. Ouvindo e dela indagando, colhi algumas opini\u00f5es que muito ajudaram a esclarecer, ampliar e construir modelos para os cursos de Hist\u00f3ria Oral, os primeiros a serem ofertados em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em todo o Brasil com os t\u00edtulos de Documenta\u00e7\u00e3o Oral I e II. Escolhido o tema da monografia caso o aluno fosse usar entrevistas gravadas ia a preparar-se para a sua execu\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e pr\u00e1tica. Um pioneirismo da PUC-SP, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Ainda agora, resulta-me numa inc\u00f3gnita como uma hist\u00f3ria de vida como a dela, vida de religiosa impec\u00e1vel e professora e pesquisadora competente, poderia n\u00e3o ter desejado participar, registrar suas impress\u00f5es para a Hist\u00f3ria da PUC-SP em testemunhos orais, projeto que ela mesma incentivava? Outros historiadores e profissionais de v\u00e1rios Programas, funcion\u00e1rios, ex-reitores e diretores da P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o como o Dr. Joel Martins sempre ficavam admirados em saber que ela n\u00e3o desejava falar nada sobre a sua hist\u00f3ria na PUC onde estava desde 1955 e onde permaneceu at\u00e9 2008. Era quase uma comemora\u00e7\u00e3o envolver-se com a s\u00e9rie de depoimentos orais sobre a hist\u00f3ria da Universidade. Os alunos empolgavam-se, festejavam. At\u00e9 ent\u00e3o, a hist\u00f3ria de vida da universidade, a inf\u00e2ncia da universidade n\u00e3o havia recebido a aten\u00e7\u00e3o especial e nem o advento dos novos programas com nomes valiosos como o da Dra. Aniela, dentre outros.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o status de educadora da Irm\u00e3 Leda pode ser dado como resultado das suas virtudes e compet\u00eancia na execu\u00e7\u00e3o de seus trabalhos. Noutras palavras, de sua vida significativa de pesquisadora s\u00e9ria e pouca afeita a elogios f\u00fateis. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que sua mem\u00f3ria permanecer\u00e1 ligada ao pr\u00f3prio nome da universidade que tanto amava.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, era dona de uma personalidade rica em detalhes e inova\u00e7\u00f5es criativas guardando a fidelidade em rela\u00e7\u00e3o a sua forma de ser e de pensar. Cuidava com desvelo do n\u00facleo central de suas preocupa\u00e7\u00f5es, a Hist\u00f3ria, de alta significa\u00e7\u00e3o para ela. Propunha-se sempre a colaborar pondo-se com disposi\u00e7\u00e3o quase em seq\u00fc\u00eancia ritual, ao dispor dos interesses da Coordena\u00e7\u00e3o. Sua presen\u00e7a tinha como um valor simb\u00f3lico para o grupo que ali realizava os seus trabalhos evitando sempre maledic\u00eancias e reprova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, tive a oportunidade de observar que mesmo com todas as diferen\u00e7as dentro do ambiente universit\u00e1rio onde encontramos diferen\u00e7as formais entre os participantes de cada grupo, a sua figura era um diferencial. Com certa distin\u00e7\u00e3o, provavelmente decorrente de valores pr\u00f3prios a respeito da sinceridade de suas a\u00e7\u00f5es \u2013 fruto de sua religiosidade \u2013 e das rela\u00e7\u00f5es de sociabilidade ela sempre era franca, direta, racional e objetiva.<\/p>\n<p>Acode-me que o seu senso de pontualidade era quase sempre exemplar. Chegava sempre saudando a todos com um largo sorriso. Desfazia mal entendidos e, malgrado as diferen\u00e7as sociais e culturais presentes em qualquer organiza\u00e7\u00e3o, sua opini\u00e3o era dada sempre com frases marcantes e elementos de orienta\u00e7\u00e3o mesmo que indireta.<\/p>\n<p>Relembrando a sua figura esguia, em primeiro lugar, ao v\u00ea-la surgir rosada, corpo esculpido pela nata\u00e7\u00e3o, tinha-se logo a impress\u00e3o de uma sa\u00fade forte e de um esp\u00edrito determinado.<\/p>\n<p>Na conversa, que eu sempre procurava puxar, dava-se como o delimitar de uma fronteira de um ritual definido como um indicador do tipo: hoje ela tem tempo de falar e vai faz\u00ea-lo, ou n\u00e3o. Tudo dentro de uma ordem de afetividade, intimidade e da sociabilidade centrada no seu interesse pelo tema da conversa.<\/p>\n<p>Assim, meio reticente, como preparando o ambiente para uma conversa, consegui satisfazer algumas das minhas curiosidades sobre, por exemplo, a vida fascinante da pedagoga e m\u00e9dica Marie Rennote. At\u00e9 creio que se identificava com esse g\u00eanero de mulheres pioneiras e avan\u00e7adas no seu tempo.<\/p>\n<p>O jogo de claro\/escuro que acompanha a vida necessita ser enquanto vida, um todo significativo. Em primeiro lugar, a vida \u00e9 como uma vela acesa, que como elemento simb\u00f3lico aparece em tantos outros rituais, como em cultos religiosos. A vela acesa \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 um s\u00edmbolo do valor da vida, mas de esperan\u00e7a, f\u00e9 e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A chama acesa significa a vida que se renova. A luz que se apaga significa um tempo inicial em que a vida, para os que t\u00eam f\u00e9 se vai refazer. O relembrar a vida \u00e9 um acender das luzes das recorda\u00e7\u00f5es. Celebrar a vida da Irm\u00e3 Leda Maria Pereira Rodrigues \u00e9 uma esperan\u00e7a que se renova. O jogo de luz versus escurid\u00e3o, clara alus\u00e3o \u00e0 dial\u00e9tica da vida e da morte, do fim e do inicio da vida \u00e9, ao mesmo tempo, a certeza oriunda da f\u00e9 de que ela pode nos ver l\u00e1 do c\u00e9u, sua nova morada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Irm\u00e3 Leda que eu conheci A Professora Doutora Leda Maria Pereira Rodrigues, irm\u00e3 Leda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-39","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-memorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}