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{"id":1913,"date":"2013-04-04T01:07:54","date_gmt":"2013-04-04T01:07:54","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1913"},"modified":"2021-03-23T23:40:48","modified_gmt":"2021-03-23T23:40:48","slug":"venezuela-x-eua-longe-do-espelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2013\/04\/04\/venezuela-x-eua-longe-do-espelho\/","title":{"rendered":"Venezuela X EUA: Longe do Espelho"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p><strong>Embora Caracas tenha se tornado um problema cont\u00ednuo para Washington \u00e0 \u00e9poca da administra\u00e7\u00e3o Bush, o significado do desafio venezuelano permanece um interrogante. \u00a0Definir o que o presidente Hugo Chavez pretende, enquanto est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o o que se denomina \u201crevolu\u00e7\u00e3o bolivariana\u201d, em seu pa\u00eds, poderia, talvez, ser uma investiga\u00e7\u00e3o distante dos interesses norte &#8211; americanos.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>O tema prende o interesse e sua an\u00e1lise est\u00e1 sempre &#8211; o que \u00e9 \u00f3timo &#8211; relacionado \u00e0s mais diversas \u00f3ticas.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pretende ignorar que a Venezuela e os Estados Unidos, embora de modos diversos, t\u00eam um interesse comum a lig\u00e1-los: o fio do petr\u00f3leo. Em primeiro lugar, a liga\u00e7\u00e3o Caracas-Havana tornou-se \u00edntima com Cuba, e Chavez vem estimulando e influenciando muitos pa\u00edses latinos americanos, o que n\u00e3o parece ser do agrado de Washington.<\/p>\n<p>Chavez chegou ao poder (1999) por uma elei\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Na pr\u00e1tica, desmontou o\u00a0<em>status quo<\/em>\u00a0vigente que dominava a Venezuela durante anos. Como oficial do ex\u00e9rcito, j\u00e1 havia conduzido uma tentativa fracassada de golpe, em 1992 ,e esteve na pris\u00e3o por isso.\u00a0 O seu caminho para a presid\u00eancia, entretanto, n\u00e3o foi marcado por uma ideologia clara, al\u00e9m das diverg\u00eancias com o regime existente. Sua continuidade no governo foi um desmentido a convic\u00e7\u00e3o existente no momento de sua elei\u00e7\u00e3o, de que ele simplesmente seria o criador de mais um epis\u00f3dio sem solidez na Am\u00e9rica Latina. Mais al\u00e9m, pensava-se que seu linguajar abrupto e jactancioso era um tipo de modismo e eram alimentadas as suposi\u00e7\u00f5es que Chavez seria rapidamente corrompido pelas oportunidades abertas a ele e aos que o levaram ao poder como presidente. A par disso, imaginava-se que cederia \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de enriquecimento il\u00edcito, permitindo neg\u00f3cios irregulares dos quais se beneficiaria. Tratava-se de um engano, pois apesar de suas falas exc\u00eantricas e aus\u00eancia de traquejo diplom\u00e1tico, a exemplo de outros presidentes, dentro e fora da Am\u00e9rica Latina, ele sempre percebeu a import\u00e2ncia potencial da Venezuela, e n\u00e3o s\u00f3 como pa\u00eds exportador de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>A Venezuela \u00e9 um dos principais exportadores do produto, com uma companhia nacional a Petr\u00f3leos Venezuela S.A. (PDVSA), com dom\u00ednio da t\u00e9cnica de refino, e a varejista Petr\u00f3leo de Citgo Corp. O petr\u00f3leo, contudo, n\u00e3o vem representando a reden\u00e7\u00e3o da Venezuela e, por isso, tantas vezes, seus governantes tentaram diversificar a economia nacional, mesmo permanecendo o petr\u00f3leo como o seu grande esteio. Em outras palavras, o estado venezuelano continua a confundir-se com a sua pr\u00f3pria ind\u00fastria petroleira. Assim, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil ao presidente Chavez enfrentar um desafio de tal envergadura. O primeiro grande problema centrou-se na forma como deveria ser usada a renda do petr\u00f3leo; o segundo a ser equacionado era o de estabelecer o n\u00edvel permitido \u00e0s companhias estrangeiras do produto, com respeito \u00e0 influ\u00eancia na ind\u00fastria no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao ser eleito presidente, Chavez j\u00e1 havia prometido \u00e0s massas venezuelanas uma melhor divis\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o da renda do petr\u00f3leo necess\u00e1ria ao financiamento de uma s\u00e9rie de inadi\u00e1veis benef\u00edcios sociais. \u00c8 prov\u00e1vel que, do ponto de vista presidencial, o tema da divis\u00e3o de renda do petr\u00f3leo versasse em torno de uma poss\u00edvel apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita por parte da alta classe venezuelana e as companhias estrangeiras de petr\u00f3leo. Assim, a pol\u00edtica de benef\u00edcios sociais, na qual o governo apostava ,levou-o a mover o aparato t\u00e9cnico de PDVSA e a atuar contra as companhias estrangeiras.<\/p>\n<p>Aliada a uma oposi\u00e7\u00e3o interna crescente, surgiu-lhe um dilema adicional vinculado \u00e0s suas atua\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o petroleira. \u00c9 que, para fortalecer a sua base pol\u00edtica, Chavez necessitava das rendas oriundas do petr\u00f3leo e, por sua vez, de investimentos no setor. Sua pol\u00edtica necessitava cumprir metas desfavorecidas pelo clima pol\u00edtico, que lhe era adverso, o que n\u00e3o estimulava o investimento das \u00a0companhias\u00a0 estrangeiras de petr\u00f3leo no pa\u00eds. Por outro lado, a PDVSA e seus peritos t\u00e9cnicos tinham dificuldades em operar nos n\u00edveis anteriores de produ\u00e7\u00e3o obtidos, dificultando a estrat\u00e9gia pol\u00edtica de Chavez.<\/p>\n<p>Dois epis\u00f3dios o favoreceram e resolveram o dilema em favor dele. Em primeiro lugar, um mal preparado e curto golpe contra n\u00e3o vingou (abril de 2002). \u00a0Sua captura e envio para uma ilha, subestimaram e facilitaram, por disputas superficiais internas, a sua volta ao poder. Chavez voltou a Caracas e ao pal\u00e1cio presidencial de Miraflores, reassumindo o governo menos de 48 horas depois de iniciado o levante.<\/p>\n<p>O golpe frustrado permitiu ao presidente Chavez a cria\u00e7\u00e3o de uma plataforma contr\u00e1ria aos Estados Unidos. De fato, ele nunca se pronunciou a favor dos norte americanos, mas os rumores de inspira\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds\u00a0 permitiu-lhe \u00a0reivindicar \u00a0o feito como uma tentativa dos \u00a0Estados Unidos\u00a0 para o derrocar. \u00a0N\u00e3o se pode comprovar a suspeita, mas as anteriores a\u00e7\u00f5es da CIA na Am\u00e9rica do Sul tampouco o desautorizam. Por outro lado, as a\u00e7\u00f5es da CIA na regi\u00e3o resultaram competentes. Assim, a reivindica\u00e7\u00e3o de Chavez n\u00e3o era t\u00e3o improv\u00e1vel. Seus seguidores acreditaram, e o feito fez crescer e ampliar a sua base de apoio, atraindo \u00a0patriotas venezuelanos \u00a0que, com justi\u00e7a, \u00a0abominam a interfer\u00eancia americana nos \u00a0seus neg\u00f3cios \u00a0internos.<\/p>\n<p>Afortunadamente, Chavez foi beneficiado, num segundo momento, pela alta de pre\u00e7os do petr\u00f3leo. As especula\u00e7\u00f5es sobre ter sido poss\u00edvel o desmoronamento do se governo debaixo de press\u00e3o social, caso os pre\u00e7os mundiais de petr\u00f3leo tivessem permanecido baixos, pode ser verdadeira. Embora a Venezuela tenha ainda problemas econ\u00f4micos significativos e a tecnologia de ponta n\u00e3o presida a sua ind\u00fastria petroleira, a receita do petr\u00f3leo, contudo, confere-lhe espa\u00e7o para muitas manobras.<\/p>\n<p>O conjunto desses fatos proporcionou o fortalecimento das aproxima\u00e7\u00f5es com Cuba.\u00a0 Com a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os cubanos tiveram cortados os subs\u00eddios de petr\u00f3leo e n\u00e3o possu\u00edam condi\u00e7\u00f5es para compra frente aos pre\u00e7os ofertados pelo mercado mundial. Ao proporcionar o petr\u00f3leo a Cuba, a Venezuela restabeleceu condi\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para sustentar a economia cubana. Em troca deste apoio, Chavez pode valer-se do maior recurso que Cuba pode ofertar. Refiro-me ao aparato de intelig\u00eancia, racionalidade e seguran\u00e7a altamente profissional dispon\u00edvel. Os Estados Unidos n\u00e3o ignoram que Chavez usou peritos cubanos na constru\u00e7\u00e3o de seu sistema particular de seguran\u00e7a, todo ele projetado para a sua prote\u00e7\u00e3o pessoal e a do seu governo, bem como o treinamento de pessoal venezuelano para os mesmos fins. Inclusive, o forte tom antiamericanista do presidente n\u00e3o d\u00e1 sinais de inquietar aos EUA. O rude tom adotado parece pretender justificar algumas das atitudes repressivas do governo Chavez, como a censura \u00e0 imprensa, medida que n\u00e3o se coaduna com um governo democr\u00e1tico.\u00a0 O n\u00edvel popular de aprova\u00e7\u00e3o do presidente baseia-se no melhoramento de algumas estruturas, como a da sa\u00fade, numa c\u00f3pia de algumas experi\u00eancias cubanas. Assim, a rela\u00e7\u00e3o entre os governantes, antecedentes ao golpe contra Chavez, favorece a ambos. \u00a0Leve-se em conta nesta an\u00e1lise que uma \u201cdemocracia\u201d controlada pode apresentar \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o de Chavez ao cargo de presidente da Venezuela coincidiu com um tipo de resist\u00eancia \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina. No in\u00edcio dos anos da d\u00e9cada de 1990, temas como livre-mercado, reformas, com\u00e9rcio e investimentos estrangeiros foram discutidos em quase toda regi\u00e3o, for\u00e7ando posi\u00e7\u00f5es dos defensores da liberaliza\u00e7\u00e3o.. Pa\u00edses como a Argentina, Brasil e Bol\u00edvia vivenciaram problemas econ\u00f4micos que se refletiram no seu quadro pol\u00edtico, mas o antiamericanismo como bandeira permanecia subjacente. Na vis\u00e3o de alguns analistas\u00a0 pol\u00edticos dos EUA , o sentimento latino- americano e marxista aparecia mais quieto e silencioso nesse per\u00edodo, e ele s\u00f3 reaparece sob um cunho populista com suas \u00a0doutrinas fundamentais em\u00a0 economias\u00a0 com baixas possibilidades de evolu\u00e7\u00e3o. \u00a0Ele volta com Chavez como bandeira. Acrescido da alian\u00e7a com Cuba, a esquerda v\u00ea em Chavez um tipo de her\u00f3i. Contudo, a impopularidade dos EUA na regi\u00e3o pode servir como isca, para que n\u00e3o se tenha uma serena vis\u00e3o na verdadeira an\u00e1lise de situa\u00e7\u00f5es como a vivida pela Venezuela. \u00a0\u00a0Ser\u00e1 Chavez um her\u00f3i? Buscar\u00e1 estabelecer um tipo novo de lideran\u00e7a na Am\u00e9rica do Sul? \u00a0Quais s\u00e3o suas verdadeiras ambi\u00e7\u00f5es?\u00a0 Com certeza elas ultrapassam as medidas de ser declarado o mais popular governante da Venezuela.\u00a0 Ora, a revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana n\u00e3o o transforma num novo Simon Bol\u00edvar.<\/p>\n<p>Do ponto de vista concreto, a habilidade de Chavez para desafiar os Estados Unidos \u00e9 limitada.\u00a0 Pode existir a amea\u00e7a ocasional de corte das exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo para os Estados Unidos, mas a Venezuela tamb\u00e9m se prejudicaria, pois o pa\u00eds \u00e9 o maior mercado para o petr\u00f3leo venezuelano.\u00a0\u00a0 Esta realidade torna um pouco sem sentido conversa\u00e7\u00f5es com a China e com outros pa\u00edses sobre a cria\u00e7\u00e3o de mercados alternativos. Os venezuelanos poderiam absorver os custos de transporte envolvidos na opera\u00e7\u00e3o, vendendo para China ou para a Europa, mas tamb\u00e9m se pode esperar que os produtores que prov\u00eaem, atualmente, esses pa\u00edses trocassem as suas pr\u00f3prias exporta\u00e7\u00f5es para preencher as necessidades dos Estados Unidos.\u00a0 Dificilmente a Venezuela poder\u00e1 sobreviver muito tempo sem as suas exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo. De fato, enquanto o governo Chavez controlar a Citgo e o governo dos EUA n\u00e3o estiverem tentando obter o seu controle, a tend\u00eancia \u00e9 a de que continuem a entenderem-se comercialmente.<\/p>\n<p>Aparentemente, Washington n\u00e3o se preocupa com o que Chavez deseja ou faz. Algo assim, como no final das contas, o que conta mesmo \u00e9 a continuidade do fornecimento de petr\u00f3leo aos Estados Unidos. \u00a0Do ponto de vista norte americano, Chavez , menos que Fidel Castro, \u00e9 simplesmente um pedregulho no sapato de Washington, por n\u00e3o oferecer uma amea\u00e7a s\u00e9ria. Como regra geral, a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 tratada como zona fora de interesse de Washington.\u00a0 Trata-se de certo ponto de consenso na pol\u00edtica dos EUA, balizada pelo senso estrat\u00e9gico de sua pol\u00edtica externa. \u00a0Assim, s\u00f3 na hip\u00f3tese da Am\u00e9rica do Sul ou qualquer dos seus pa\u00edses integrarem uma forma de poder que os ameace diretamente ou aos seus interesses, a pol\u00edtica dos EUA para o Continente se alterar\u00e1, tal como aconteceu no caso das bases sovi\u00e9ticas em Cuba. Para eles, a Doutrina Monroe inteira foi constru\u00edda ao redor do princ\u00edpio de neutralizar uma poss\u00edvel e t\u00e3o pr\u00f3xima amea\u00e7a e sua pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o.\u00a0 Um outro exemplo \u00a0foram os acontecimentos na Nicar\u00e1gua e no Chile quando a \u00a0interfer\u00eancia dos Estados Unidos ocorreu em raz\u00e3o das possibilidades de cria\u00e7\u00e3o de oportunidades que os sovi\u00e9ticos poderiam explorar. Sempre na linha mestra de seus interesses estrat\u00e9gicos, podemos observar o interesse dos EUA com respeito \u00e0 presen\u00e7a de elementos nazistas na Argentina antes do final da Segunda Grande Guerra, em 1945, e a sua indiferen\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o ao mesmo tema depois do final da guerra.<\/p>\n<p>No reverso do espelho, onde se mira Washington, n\u00e3o se pode deixar de perceber que, apesar do foco do interesse dos EUA em Cuba ser\u00a0 anterior a 1999, suas tentativas de desestabiliza\u00e7\u00e3o da ilha foram permanentes. Do mesmo modo, o governo Bush, costumeiramente, demonstrou seu desagrado frente \u00e0 pol\u00edtica estabelecida por Chavez na Venezuela. N\u00e3o \u00e9 segredo que a Washington seria agrad\u00e1vel a sua retirada como presidente do governo. \u00a0Mesmo sem manifestar um interesse obsessivo pelos assuntos internos venezuelanos, os EUA, t\u00eam em Chavez um inc\u00f4modo que gostariam de anular, notamente, agora quando se aproximam da vizinha Col\u00f4mbia. \u00c0 parte o fantasma das drogas e a atua\u00e7\u00e3o guerrilheira das FARCS, motivo invocado para o acordo de estabelecimento de bases americanas em territ\u00f3rio colombiano, o momento atual \u00e9 de prud\u00eancia.\u00a0 Uma m\u00e1 atua\u00e7\u00e3o do presidente da Venezuela, em epis\u00f3dios na fronteira com a Col\u00f4mbia, pode agravar os riscos de desaven\u00e7as. O mal esclarecido caso de armas suecas compradas pelo seu governo irem parar nas m\u00e3os da guerrilha colombiana \u00e9 um ingrediente inusitado.\u00a0 Ao contr\u00e1rio do pensamento ir\u00f4nico de muitos analistas pol\u00edticos, a entrada dos Estados Unidos no jogo independe da presen\u00e7a \u201cde terroristas do Isl\u00e3 na Venezuela\u201d.<\/p>\n<p>Do ponto de vista dos EUA, uma interven\u00e7\u00e3o que derrocasse Chavez teria dificuldades em ser levada a cabo.\u00a0 A necessidade e o fornecimento do petr\u00f3leo venezuelano n\u00e3o s\u00e3o, por\u00e9m, nenhuma garantia para que tal n\u00e3o aconte\u00e7a.\u00a0 Um golpe surpresa na Venezuela, certamente seria facilitado pelos norte americanos \u00a0e ,mesmo que assim n\u00e3o fosse, os antecedentes\u00a0 criados pelos Estados Unidos \u00a0na regi\u00e3o o tornariam suspeito. O aumento do sentimento antiamericano, na Am\u00e9rica Latina, pode n\u00e3o ser significante, mas \u00e9 no m\u00ednimo desconfort\u00e1vel.\u00a0 Obama sabe que, nesse momento, o aumento da hostilidade aos Estados Unidos faria aflorar os ressentimentos dos dias do golpe contra Allende, ainda uma recorda\u00e7\u00e3o amarga. Os Estados Unidos t\u00eam, portanto, raz\u00f5es para tentar uma reconquista regional, com um m\u00ednimo de respaldo que seja. O pa\u00eds j\u00e1 tem \u00a0problemas com europeus, palestinos, \u00e1rabes e n\u00e3o resolveram as situa\u00e7\u00f5es de minorias como os curdos, em nome das quais permitiram a forma b\u00e1rbara de justi\u00e7ar Saddham Hussein no Iraque. Isto sem mencionar a cupidez pelo petr\u00f3leo iraquiano.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica norte americana idealizada para a Venezuela parece se encaminhar para uma tentativa de lev\u00e1-la ao isolamento.\u00a0 Apesar das considera\u00e7\u00f5es de n\u00e3o poder a Venezuela \u201cferir os Estados Unidos\u201d, as coisas n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o simples. A premissa de que se toda a Am\u00e9rica Latina aderisse ao ideal bolivariano de Chavez tal n\u00e3o se constituiria um problema para os EUA \u00e9 no m\u00ednimo jactanciosa. Mesmo estando ausentes como um poder global significante para desafiar os Estados Unidos, a ideologia de Chavez, propagada por toda a Am\u00e9rica Latina, claramente aumentaria a distancia com Washington, revelando-se n\u00e3o se constituir em assunto puramente s\u00f3 de interesse latino americano. \u00a0As amea\u00e7as dentro do quadro de pol\u00edtica externa tamb\u00e9m repousam, s\u00f3 para exemplificar, na aus\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o, na s retic\u00eancias de ades\u00e3o a um acordo de interesse externo, no n\u00e3o cumprimento de compromissos acordados, na n\u00e3o vota\u00e7\u00e3o acompanhando as posi\u00e7\u00f5es de uma grande pot\u00eancia, dentre outras dificuldades e restri\u00e7\u00f5es. Assim, os atritos verbais com Bush e as indiretas do presidente Obama, dirigidas a Chavez demonstram um mal estar crescente entre os dois pa\u00edses e a falta de h\u00e1bito dos EUA de se verem diretamente \u201calfinetados\u201d. A amea\u00e7a que a Venezuela possa representar aos Estados Unidos, portanto, pode se distanciar dos riscos da n\u00e3o oferta do seu petr\u00f3leo, independente dos preju\u00edzos para o pa\u00eds. Isto explica, em parte, o endurecimento das rela\u00e7\u00f5es entre a Venezuela e os Estados Unidos e o fato da manuten\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o fechada e restrita \u00e0 compra e venda do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Para os venezuelanos, os pre\u00e7os altos do produto, subsidiam os seus programas sociais e fortalecem a sua posi\u00e7\u00e3o como aliados regionais. Para a paz regional, \u00e9 do interesse sul americano o bom andamento desse acordo m\u00fatuo entre os EUA e a Venezuela na \u00e1rea do petr\u00f3leo. A nenhum pa\u00eds do Continente interessa uma guerrilha no Amaz\u00f4nia Ambos os pa\u00edses podem continuar fazendo desse interesse comum os cernes de suas rela\u00e7\u00f5es, pois esta \u00e9 a parte do assunto no qual eles concordam. Visto por um \u00e2ngulo, longe do espelho, realmente n\u00e3o h\u00e1 um problema significativo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora Caracas tenha se tornado um problema cont\u00ednuo para Washington \u00e0 \u00e9poca da administra\u00e7\u00e3o Bush,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1914,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-1913","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-relacoes-internacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1913"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1915,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1913\/revisions\/1915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}