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{"id":1904,"date":"2013-04-04T00:20:38","date_gmt":"2013-04-04T00:20:38","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1904"},"modified":"2021-03-19T00:44:04","modified_gmt":"2021-03-19T00:44:04","slug":"a-rainha-dos-maxabombos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2013\/04\/04\/a-rainha-dos-maxabombos\/","title":{"rendered":"A Rainha dos Maxabombos"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p align=\"justify\"><strong>RESUMO:\u00a0Com toda a boa vontade e estupidez, criamos um territ\u00f3rio praticamente estrangeiro em \u00e1rea que outrora fora sacrossanto territ\u00f3rio nacional.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p align=\"justify\">Rainha dos Maxabombos? Que \u00e9 isso?, perguntar\u00e3o os leitores. Ser\u00e1 alguma rainha de uma nova escola de samba? N\u00e3o, mas tem a ver com a nova Reserva Montanha Raposa do Sol, em Roraima.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Rainha dos Maxabombos de fato existiu. Apareceu em 1884, na \u00c1frica, na Bechuanaland, depois chamada Rhodesia, que naquele ano tornou-se propriedade da British South \u00c1frica Company. A antiga Rhodesia est\u00e1 divida hoje, passando a ser os pa\u00edses de nome Z\u00e2mbia e Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 1884, tendo assinado um \u201ctratado de prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua\u201d com a Rainha dos Maxabombos, o Governo Brit\u00e2nico invadiu aquela \u00e1rea, a fim de \u201cproteger\u201d aquela senhora aliada. Surprise! Surprise! A dita regi\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o portuguesa, possu\u00eda os mais ricos dep\u00f3sitos de diamantes no mundo, compar\u00e1veis aos das fant\u00e1sticas minas de Kimberley, na \u00c1frica do Sul. Evidentemente, os portugueses n\u00e3o sabiam da exist\u00eancia desses dep\u00f3sitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A invas\u00e3o inglesa fora manobrada por Sir Cecil Rhodes. Este senhor j\u00e1 fizera sua fortuna com as mencionadas minas de diamantes Kimberley e passara a cobi\u00e7ar os dep\u00f3sitos diamant\u00edferos no territ\u00f3rio portugu\u00eas, ao norte. A companhia de Sir Cecil Rhodes seria mais tarde consolidada com o nome De Beers Consolidated Mines Company. Esta ainda hoje controla praticamente todo mercado de diamantes no mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como j\u00e1 dito, anteriormente aquela regi\u00e3o fora portuguesa. Ou seja, o navegador lusitano Fernando P\u00f3 a descobrira, ainda no s\u00e9culo XV. Os portugueses ent\u00e3o colocaram ali pequenas \u201cfatorias\u201d ao longo da costa e l\u00e1 ficaram at\u00e9 1884. Limitaram-se, por\u00e9m, a apenas negociar com os nativos, no com\u00e9rcio de escravos e produtos da terra. Efetivamente n\u00e3o ocuparam o interior da col\u00f4nia, visto que Portugal n\u00e3o possu\u00eda suficiente popula\u00e7\u00e3o para realmente colonizar todos os territ\u00f3rios que descobrira, em todo o mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na d\u00e9cada de 1880, pressionadas pela nova e rec\u00e9m-unificada Alemanha, que tardiamente entrava na competi\u00e7\u00e3o imperialista colonial, as pot\u00eancias europ\u00e9ias assinaram um tratado, na Confer\u00eancia Internacional de Berlim, dividindo entre si mesmas todas as terras ainda \u201cn\u00e3o efetivamente ocupadas\u201d, em todo o mundo, especialmente as da \u00c1frica. \u00c0 Alemanha coube a Costa dos Camar\u00f5es que passou a ser chamada de Kamerun. A Gr\u00e3 Bretanha imediatamente assumiu a Bechuanaland, tendo para isso assinado o j\u00e1 mencionado \u201ctratado de prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua\u201d, com a desconhecida \u201crainha\u201d dos desconhecidos maxabombos, dando-lhes o direito legal de assim proceder.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os coitados portugueses protestaram, alegando ser deles aquela terra que os ingleses ocuparam. Houve passeatas de protesto em Lisboa, Porto e outras cidades. As propostas feitas pelos patriotas portugueses ao governo portugu\u00eas, para efetivamente ocupar a regi\u00e3o, chegavam a ser rid\u00edculas. Faltava gente em Portugal para tamanho empreendimento. Os brit\u00e2nicos ignoraram os argumentos lusitanos. Alegaram que os portugueses, cada vez que se pediam provas de estarem efetivamente ocupando algum territ\u00f3rio, apenas apresentavam \u201cprovas arqueol\u00f3gicas\u201d de que tinham estado l\u00e1, mas n\u00e3o de que naquele momento efetivamente ocupavam a \u00e1rea.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando o protesto portugu\u00eas tornou-se incomodativo demais, com amea\u00e7as ao com\u00e9rcio do vinho do Porto e \u00e0s importa\u00e7\u00f5es inglesas, os brit\u00e2nicos, que h\u00e1 pouco tinham bombardeado Alexandria, no Egito, mandaram uma belonave para a costa de Portugal. Isso foi suficiente para que os lusitanos se calassem e entrassem em entendimentos com a Gr\u00e3 Bretanha. Os ingleses gargalharam. Seus jornais n\u00e3o se cansavam de ridicularizar o medo dos portugueses que se renderam \u00e0 presen\u00e7a de uma simples belonave inglesa.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cCovardia!\u201d gritavam os portugueses patriotas mas ningu\u00e9m os ouvia em Lisboa. A Bechuanaland passou a ser chamada Rhodesia e efetivamente tornou-se propriedade do ingl\u00eas Sir Cecil Rhodes, conhecido como \u201co rei dos diamantes\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">H\u00e1 uma grande similaridade entre a quest\u00e3o da Rhodesia e a da Reserva Montanha Raposa do Sol, em Roraima, que sob press\u00e3o estrangeira foi agora formal e legalmente declarado territ\u00f3rio ind\u00edgena, pelo governo brasileiro. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil ver a semelhan\u00e7a entre o que ocorreu na \u00c1frica, na d\u00e9cada de 1880, e o que ocorre no Brasil de hoje.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 necess\u00e1rio primeiro perguntar: a quem interessa alienar esse territ\u00f3rio nacional? A resposta \u00e9 a de sempre: \u00e0s ONGs. Essas organiza\u00e7\u00f5es misteriosas, americanas e europ\u00e9ias, t\u00eam agora condi\u00e7\u00f5es legais de assumir a \u201cdefesa\u201d dos chamados \u201cpovos da floresta\u201d naquele novo territ\u00f3rio. Quantos seriam esses povos da floresta na mencionada reserva? Contando todas as diferentes tribos e etnias ali presentes, sabe-se que esses chegam a apenas 14 ou 15 mil pessoas, a quem \u00e9 doado um territ\u00f3rio do tamanho do Estado de Sergipe!<\/p>\n<p align=\"justify\">Pergunta-se ainda: por que estrangeiros envidariam tantos esfor\u00e7os e colocariam tanta press\u00e3o no governo brasileiro, para alienar exatamente \u00e1reas de concentra\u00e7\u00e3o de riqu\u00edssimos minerais, como o estanho, ouro, pedras preciosas, e acima de tudo minerais estrat\u00e9gicos, como o ni\u00f3bio? O Brasil det\u00e9m 75% dos dep\u00f3sitos mundiais de ni\u00f3bio, concentrados especialmente naquela regi\u00e3o. Este metal \u00e9 utilizado na carapa\u00e7a dos m\u00edsseis intercontinentais e nas naves espaciais, dando \u00e0s mesmas a resist\u00eancia necess\u00e1ria \u00e0s grandes press\u00f5es e ao calor causados pela fric\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica. E a\u00ed est\u00e1 uma boa indica\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias raz\u00f5es do grande interesse dessas ONG\u2019s, financiadas e administradas s\u00f3 Deus sabe por quem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pergunta-se ainda: quem ser\u00e1 o Cecil Rhodes do presente s\u00e9culo que est\u00e1 de olho nessas riquezas brasileiras? Mais ainda: de que maneira esses interesses alien\u00edgenas descaradamente se apoderar\u00e3o desse riqu\u00edssimo botim?<\/p>\n<p align=\"justify\">Como j\u00e1 visto, o modelo de invas\u00e3o de territ\u00f3rios n\u00e3o efetivamente ocupados foi montado na \u00c1frica pelos europeus, na d\u00e9cada de 1880. Esse depois foi imitado, muitas vezes, pelos norte-americanos no M\u00e9xico, Am\u00e9rica Central e Caribe, especialmente no caso dos \u00edndios misquitos, da Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p align=\"justify\">A metodologia \u00e9 simples: cria-se um governo fict\u00edcio de \u201cnativos\u201d, que solicita o aux\u00edlio de uma pot\u00eancia estrangeira. Esta imediatamente vai ao socorro do \u201caliado\u201d. Dita metodologia, como aplicada nas mencionadas regi\u00f5es do Hemisf\u00e9rio Norte, foi muito bem estudada por Lester D. Langley, em seu livro intitulado The Banana Wars, infelizmente ainda n\u00e3o traduzido para o portugu\u00eas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com a cria\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.midiasemmascara.com.br\/artigo.php?sid=3698\">territ\u00f3rio ind\u00edgena da Reserva Montanha Raposa do Sol<\/a>, o governo brasileiro se afastar\u00e1 daquela regi\u00e3o, por obriga\u00e7\u00e3o legal, levando consigo tudo o que h\u00e1 de \u201cbrasileiro\u201d: os militares que a protegiam e mantinham a ordem local; os fazendeiros que estavam desenvolvendo sua agricultura; os servi\u00e7os de sa\u00fade \u2013 por mais prec\u00e1rios que tenham sido \u2013 e tudo aquilo que a na\u00e7\u00e3o brasileira fornecia, ou efetivamente deveria fornecer. Estabelece-se ent\u00e3o um v\u00e1cuo de poder em um territ\u00f3rio de fronteira. Em retorno &#8211; e em exerc\u00edcio de futurologia &#8211; \u00e9 de se imaginar que as ONGs logo se encarregar\u00e3o de criar um \u201cgoverno ind\u00edgena\u201d naquela \u00e1rea \u2013 s\u00f3 Deus sabe como, pois s\u00e3o tribos distintas e at\u00e9 de etnias e de l\u00ednguas distintas. Esse novo \u201cgoverno\u201d ser\u00e1 uma vers\u00e3o hodierna da \u201cRainha dos Maxabombos\u201d, da antiga Rhodesia, que alegadamente pediu socorro aos ingleses, contra um perigo que n\u00e3o existia. Tal governo ind\u00edgena ter\u00e1 ent\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de apelar para a ONU, ou algum pa\u00eds estrangeiro, que alagremente assumir\u00e1 um protetorado sobre essa regi\u00e3o de fronteira.<\/p>\n<p align=\"justify\">Destarte, com toda a boa vontade e estupidez, criamos um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.midiasemmascara.com.br\/artigo.php?sid=2399\">territ\u00f3rio praticamente estrangeiro<\/a>\u00a0em \u00e1rea que outrora fora sacrossanto territ\u00f3rio nacional. As riquezas ali existentes poder\u00e3o ent\u00e3o ser levadas para o exterior, sem que o Brasil tome conhecimento do que ocorre, ou mesmo arrecade os impostos devidos. A \u201cRainha dos Maxabombos\u201d finalmente reinar\u00e1 mais uma vez, agora em territ\u00f3rio tupiniquim. Quem viver ver\u00e1.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pesando bem: est\u00e1 a\u00ed um bom tema para um desfile de escola de samba no carnaval de 2006: A Rainha dos Maxabombos! \u201cJo\u00e3ozinho Trinta\u201d bem que poderia tomar conhecimento dessa sugest\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO:\u00a0Com toda a boa vontade e estupidez, criamos um territ\u00f3rio praticamente estrangeiro em \u00e1rea que<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1905,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-1904","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-relacoes-internacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1904"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1907,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1904\/revisions\/1907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}