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{"id":1830,"date":"2013-04-04T00:21:15","date_gmt":"2013-04-04T00:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1830"},"modified":"2021-02-12T22:23:24","modified_gmt":"2021-02-12T22:23:24","slug":"fidel-ainda-choro-por-el-guajiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2013\/04\/04\/fidel-ainda-choro-por-el-guajiro\/","title":{"rendered":"Fidel, Ainda Choro por &#8220;El Guajiro&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p align=\"justify\"><strong>RESUMO:\u00a0Com a derrocada dos partidos democratas cubanos, meus amigos ex-companheiros de faculdade, amedrontados, fugiram quase todos para os Estados Unidos da Am\u00e9rica. O &#8220;Guajiro&#8221;, no entanto, ficou em Cuba.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">NOTA DO AUTOR:\u00a0Cada vez que Fidel Castro tem vindo ao Brasil, tenho tentado publicar o artigo abaixo, sem, no entanto, obter acolhida nos jornais brasileiros, para os quais enviei. O nome de \u201cel Guajiro\u201d, que dou ao meu amigo, executado por Fidel Castro, ficar\u00e1 assim mesmo. Recuso dar seu nome real, pois a fam\u00edlia ainda mora em Cuba, e sem duvida sofrer\u00e1 severas repres\u00e1lias de Fidel Castro, se \u00e9 que algum deles ainda \u00e9 vivo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Seus companheiros cubanos chamavam-no de &#8220;el Guajiro&#8221;. Era neto de imigrantes espanh\u00f3is, e dono de uma pequena fazenda no interior de Cuba. Da\u00ed seu apelido de &#8220;Guajiro&#8221;, que no falar cubano quer dizer matuto, capiau. Os outros colegas eram de Havana, Santiago e Camag\u00fcey.<\/p>\n<p align=\"justify\">Do av\u00f4 espanhol, o &#8220;Guajiro&#8221; herdara uma velha espingarda de ca\u00e7a. Pela descri\u00e7\u00e3o da mesma, essa estava mais para um velho bacamarte do que para uma espingarda moderna. Era toda encravada de prata, afirmava ele. Uma j\u00f3ia daquela fam\u00edlia espanhola, guardada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Para um garoto de 19 anos, aquela velha arma era o objeto mais precioso que possu\u00eda, do qual constantemente falava e se gabava aos amigos. Por isso mesmo, estes sempre faziam chacota sobre a tal espingarda preciosa.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9ramos um pequeno grupo de latino-americanos, em 1949, estudantes de uma faculdade presbiteriana, no sul dos Estados Unidos, egressos de escolas presbiterianas do Brasil e Cuba. A revolu\u00e7\u00e3o de Fidel Castro ainda estava para acontecer, dez anos depois.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na revista\u00a0<em>Bohemia<\/em>, que os cubanos recebiam, sempre vinham reportagens sobre os movimentos estudantis naquele pa\u00eds. Lembro-me distintamente do retrato de um dos l\u00edderes universit\u00e1rios da \u00e9poca. Era um tipo gordote, usando um bigode fino, muito em moda naqueles tempos.\u00a0<span lang=\"ES\">&#8220;Este es un revolucionario comunista, muy peligroso&#8221;, informavam-me os cubanos.\u00a0<\/span>Mais tarde eu veria aquele mesmo retrato em revistas norte-americanas, identificado como sendo de Fidel Castro, o revolucion\u00e1rio da Sierra Maestra.<\/p>\n<p align=\"justify\">Confesso que n\u00e3o entendia como a imprensa norte-americana, sob a influ\u00eancia do jornalista Tad Szulc, do New York Times, chamava o gordote de &#8220;grande democrata&#8221;. Se meus amigos cubanos j\u00e1 o haviam identificado como<em>&#8220;revolucionario comunista muy peligroso&#8221;,<\/em>\u00a0como podia a imprensa americana identific\u00e1-lo como &#8220;democrata&#8221;? Cheguei a suspeitar que Tad Szulc fosse tamb\u00e9m daquela mesma ideologia. Engano meu. Fora apenas mais um jornalista estrangeiro ludibriado pelo &#8220;Comandante&#8221;, como explicaria Jean-Paul Sartre, em um livro sobre a revolu\u00e7\u00e3o cubana, infelizmente nunca publicado no Brasil. Sartre fora a Cuba e ouvira todos os detalhes da revolu\u00e7\u00e3o da boca do pr\u00f3prio Fidel, com todos os detalhes de como ele havia enganado a burguesia cubana e os americanos. \u00c9 obra que deveria ainda ser traduzida para o portugu\u00eas, pois d\u00e1 uma vers\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o cubana, bem diferente daquela que o ditador Fidel Castro ainda hoje conta pelo mundo a fora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao final do bacharelado, em 1952, o grupo latino-americano daquela faculdade se desfez, indo cada um para seu lado. Perdi contato com quase todos os ex-colegas cubanos, exceto um, que fora trabalhar em Nova Iorque. Foi atrav\u00e9s deste que, eventualmente, recebi not\u00edcias do grupo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sete anos depois, em 1959, o gordote da fotografia na revista cubana deixara crescer a barba, e se transformara no &#8220;el comandante&#8221; revolucion\u00e1rio da Sierra Maestra. O \u201ccomandante\u201d Fidel eventualmente faria uma grande trai\u00e7\u00e3o &#8211; na descri\u00e7\u00e3o de Sartre &#8211; \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o contra Fulgencio Batista, na realidade liderada e levada a efeito pelos partidos democratas cubanos, que foram os verdadeiros respons\u00e1veis pela derrubada do governo daquele ditador. Foi um golpe de mestre, dado naqueles partidos burgueses e \u201creacion\u00e1rios\u201d \u2013 assim afirmou Sartre, em seu livro, intitulado, em ingl\u00eas,\u00a0<em>Sartre on Cuba<\/em>. Esse golpe trouxera Fidel ao poder. Que tremenda falta fez aqui no Brasil aquele honest\u00edssimo livro de Sartre, contando com toda a fidelidade os detalhes da revolu\u00e7\u00e3o cubana!<\/p>\n<p align=\"justify\">Com a chegada de Fidel Castro em Havana, comandando um \u201cex\u00e9rcito\u201d de camponeses, que ele fora angariando aos poucos, na sua viagem entre a Serra Maestra e Havana &#8211; prometendo terras aos mesmos &#8211; Fidel intimidara os partidos democratas. Chegou \u00e0 Havana com um ex\u00e9rcito de camponeses armados e desarmou a todos os dos partidos democratas. Esses camponeses, no final, foram tamb\u00e9m ludibriados, pois lhes tinham sido prometidas terras. Em vez disso, receberam como compensa\u00e7\u00e3o t\u00edtulos de terras que n\u00e3o existiam e que por isso mesmo n\u00e3o eram descritas no papel. O papel lia algo com: \u201cEste documento certifica que o portador, cidad\u00e3o cubano, \u00e9 dono de tantos e quantos metros quadrados de terra cubana\u201d. Era apenas mais um engodo perpetrado contra o povo cubano. Os camponeses foram ent\u00e3o postos a trabalhar nas fazendas comunit\u00e1rias do Estado. Os camponeses s\u00f3, n\u00e3o. Todos e quantos eram declarados de mentalidade burguesa, eram para l\u00e1 enviados a fim de serem \u201creeducados\u201d. Os ditos \u201cinimigos da revolu\u00e7\u00e3o\u201d eram fuzilados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com a derrocada dos partidos democratas cubanos, meus amigos ex-companheiros de faculdade, amedrontados, fugiram quase todos para os Estados Unidos da Am\u00e9rica. O &#8220;Guajiro&#8221;, no entanto, ficou em Cuba. Sem entender o que estava se passando, ele assumira a administra\u00e7\u00e3o da fazenda familiar, pois aparentemente n\u00e3o queria abandonar uma propriedade que seus av\u00f3s tinham adquirido com tanto esfor\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Veio ent\u00e3o uma ordem de Fidel Castro a todos os cubanos: entregar todas as armas de fogo que possu\u00edssem. O &#8220;Guajiro&#8221; entregou todas, exceto uma: o famoso velho arcabuz, todo encravado de prata, que herdara do av\u00f4 e que ele tanto amava. Cuidadosamente embrulhou a velha arma em pl\u00e1stico e enterrou-a, talvez na esperan\u00e7a de algum dia poder recuper\u00e1-la. Sua a\u00e7\u00e3o, no entanto, foi testemunhada por funcion\u00e1rios da fazenda, que o denunciaram \u00e0s autoridades. Foi declarado \u201ctraidor\u201d da revolu\u00e7\u00e3o. Na vis\u00e3o dos fidelistas, havia ainda dois terr\u00edveis agravantes contra ele, al\u00e9m daquele de possuir o velho arcabuz: estudara em um col\u00e9gio americano em Cuba e em uma faculdade nos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Esses eram crimes que n\u00e3o podiam ser perdoados. Foi preso, obrigado a desenterrar a arma, e sumariamente fuzilado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os detalhes do fuzilamento do &#8220;Guajiro&#8221; me foram contados pelos outros companheiros cubanos. Tendo eu mesmo presenciado os horrores dos quase que novecentos fuzilamentos sum\u00e1rios, ocorridos em Cuba, logo ap\u00f3s a tomada do poder por Fidel Castro, e levados a efeito em pleno campo de esportes de Havana &#8211; com a multid\u00e3o gritando &#8220;al pared\u00f3n, al pared\u00f3n&#8221; &#8211; fuzilamentos esses testemunhados por todo o mundo civilizado, atrav\u00e9s da televis\u00e3o, jamais duvidei do relato que me fizeram da morte do &#8220;Guajiro&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Antes de ser fuzilado, assim relataram-me os companheiros, \u201cel Guajiro\u201d fora levado a um hospital, onde lhe tiraram quase todo o sangue. Era argumento de Fidel Castro, que os &#8220;traidores da p\u00e1tria&#8221; deviam pelo menos &#8220;doar&#8221; seu sangue \u00e0 mesma. Que se saiba, todos aqueles que foram declarados \u201ctraidores\u201d foram tratados desta mesma maneira. T\u00e3o fraco ficara o &#8220;Guajiro&#8221;, com a retirada de quase todo seu sangue que, para ser fuzilado, teve de ser atado a um poste.<\/p>\n<p align=\"justify\">A fam\u00edlia do morto, ainda n\u00e3o compreendendo aquele novo tipo de governo, que fora imposto \u00e0 Cuba, solicitou o corpo do parente, para enterr\u00e1-lo condignamente. Mais ainda, exigiu c\u00f3pia do processo criminal que resultara naquela senten\u00e7a de morte. As autoridades cubanas, ainda tentando parecer &#8220;democr\u00e1ticas&#8221; &#8211; o pr\u00f3prio Fidel fora aos Estados Unidos em 1961, para convencer os americanos disso &#8211; depois de v\u00e1rias semanas enviaram \u00e0 fam\u00edlia os documentos solicitados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ocorre que ditos pap\u00e9is claramente demonstravam ter o rapaz sido julgado<em>post-mortem<\/em>, e que sua senten\u00e7a s\u00f3 fora pronunciada um m\u00eas ap\u00f3s sua execu\u00e7\u00e3o, e apenas para valid\u00e1-la.<\/p>\n<p align=\"justify\">E assim prosseguiu a gloriosa revolu\u00e7\u00e3o cubana, dita &#8220;democr\u00e1tica&#8221;, ainda hoje louvada por tantos incautos, que t\u00eam acesso apenas \u00e0 propaganda do governo de Fidel Castro.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 contei v\u00e1rias vezes essa mesma hist\u00f3ria do \u201cGuajiro\u201d. As verdades hist\u00f3ricas, desse tipo, devem ser contadas e recontadas, e mais uma vez recontadas para que n\u00e3o sejam jamais esquecidas. Esconder os detalhes de eventos desse tipo seria um crime de lesa hist\u00f3ria, visto que a imagem de Fidel Castro &#8211; hoje geralmente aceita &#8211; \u00e9 de ser ele apenas um velho e bondoso &#8220;tio&#8221; que, aqui e ali, tem apenas negado os &#8220;direitos civis&#8221; de algumas pessoas. Falta-nos um Kruschev cubano, para contar todos os detalhes dos crimes contra a humanidade, ocorridos em Cuba desde a revolu\u00e7\u00e3o de Fidel Castro, em 1959\u00a0<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/relacoes_internacionais_arquivos\/ri_014.htm#[1]\" name=\"[1]_voltar\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por essa raz\u00e3o, mais uma vez envio esta mensagem ao tiranete cubano: Fidel, ainda hoje choro pelo meu amigo &#8220;el Guajiro&#8221;, que tu t\u00e3o covardemente assassinaste.<\/p>\n<p>a\u00b2b<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/relacoes_internacionais_arquivos\/ri_014.htm#[1]_voltar\" name=\"[1]\">[1]<\/a>\u00a0Desde que primeiro escrevi este artigo, apareceram livros de v\u00e1rios ex-companheiros de Fidel Castro, contando tudo o que acima descrevo, e at\u00e9 mais ainda. Infelizmente, a propaganda de Fidel, com o apoio da esquerda brasileira, \u00e9 mais forte ainda, e tem conseguido abafar os gritos dos parentes dos mortos, e dos torturados nas pris\u00f5es pol\u00edticas cubanas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO:\u00a0Com a derrocada dos partidos democratas cubanos, meus amigos ex-companheiros de faculdade, amedrontados, fugiram quase<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1831,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-1830","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-relacoes-internacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1830"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1832,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1830\/revisions\/1832"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1831"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}