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{"id":1795,"date":"2015-03-08T21:41:05","date_gmt":"2015-03-08T21:41:05","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1795"},"modified":"2021-02-10T00:30:07","modified_gmt":"2021-02-10T00:30:07","slug":"carapinima-ecos-e-icones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2015\/03\/08\/carapinima-ecos-e-icones\/","title":{"rendered":"Carapinima Ecos e Icones"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p align=\"justify\">Seu livro, Rua Carapinima- Ecos e Icones, resgatou e imortalizou o carrossel da minha infancia, por isso, sou-lhe enormemente grata. Nunca pensei, quando recebi de voce este presente, que tal leitura fosse desencadear em mim lembrancas e emocoes tao intensas quantas as que agora sinto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Atraves de sua memoria fotografica, voce narrou e descreveu, com detalhada fidelidade e surpreendente sensibilidade, a viva poesia das bem-aventurancas de um tempo em que, como disse, a rua, o bairro, a igreja, as escolas e a farta natureza eram uma extensao da nossa propria casa e da nossa propria familia. A sua rua, Carapinima, a minha rua, Padre Francisco Pinto\/Vila Santana, e o nosso bairro Gentilandia ( que belo nome: terra dos Gentis, familia tradicional de nossa cidade) eram o nosso referencial universal. Seus icones e seu ecos, creio, fazem parte da memoria coletiva da maioria das pessoas que, naquele tempo, la viveu. Meus icones sao quase todos os mesmos que os seus: Dona Estela Viana, a professora que nos alfabetizou, Dr. Jose Arthur de Carvalho, farmaceutico, fitoterapeuta, e pianista, dono da farmacia com seu nome, que, como disse meu irmao Henry na entrevista ao final do livro, era como o posto de saude do bairro, Dr. Antonio Antero , engenheiro que fez parte da comissao da construcao do Cristo Redentor, Dr. Jose Bastos, agronomo e cientista, Murilo Viana, jornalista, Moreira Campos, premiado contista, Dr. Montezuma, economista, professor Jaime Alberto da Silva, professor e artista, Dra. Rita Barreto, professora de frances no Liceu do Ceara, Emilia Correa Lima, que foi Miss Brasil, meu pai, jornalista e politico, que escreveu em varios jornais de Fortaleza, foi um dos fundadroes da ACI ( Associacao Cearense de Imprensa), organizou a primeira antologia de escritores cearenses, foi secretario de seu tio, Desembargador Faustino de Albuqueque, governador do Ceara; Seu Joca e Seu Moises, com suas sortidas mercearias, Seu Pedrinho, o barbeiro do bairro, Dona Julhinha, professora de catecismo, Padre Cornelio, o belo padre holandes com voz e olhos azuis de gala de cinema, as senhoras maes de familia e donas de casa. E tantos e tantos outros&#8230;Voce falou ate em um rapaz por quem eu sentia uma inocente &#8220;paixao platonica&#8221;, embora nunca tenhamos trocado uma so palavra. Por coincidencia, e tambem medico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os colegios, os clubes, o primeiro zoologico, a psicultura, as feiras livres nas belas pracas, os banhos de chuva nas ruas, os sitios com suas fruteiras e suas arvores, as centenas de mangueiras, que eram parte essencial do cenario bucolico e bulicoso do bairro, as rolinhas, os pombos, os bem-te-vis&#8230;tudo voce nos trouxe de volta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Voce tem razao: a rua palpitava- ate quando dormia. E quando despertava, aos sons do sino da igreja dos Remedios ( cujo centenario foi recentemente comemorado ) ja era ricamente sonora e animada, com o grito do padeiro, do leiteiro ( Seu Oscar) que chegava montado em seu cavalo, dos homens que vendiam frutas, dos que vendiam peixe (cavala)- e cuja saudacao era mesmo um cantado &#8221; Alo, fregues&#8221;- da chegada das lavadeiras nas casas para levarem, depois de feito um rol, as roupas sujas para serem lavadas nas lagoas; nos, criancas alegres e despreocupadas, caminhando fardadas com os colegas para as escolas, os adultos, caminhando para as paradas dos onibus, porque muitos, creio que a maioria, nao tinham carro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ah, que colorida galeria de lembrancas, das coisas e dos costumes, voce, como um romancista nato, utilizando todos os recursos sensoriais, descreveu. Os jardins das casas e dos colegios, a limpeza e a ordem impecaveis do Dispensario dos Pobres, onde iamos visitar minha tia freira, Irma Luiza, e comiamos os retalhos que sobravam depois que as hostias eram recortadas e enviadas para a igreja. As conversas das pessoas do bairro, nas calcadas e no patamar da igreja, depois da missa, pois, naquele tempo, iamos a pe para a igreja e dispunhamos de tempo para conversarmos com as pessoas. La tambem, os inocentes flertes e os namoros se inicavam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Meu caro, voce nada esqueceu: procurar no ceu o Cruzeiro do Sul e as Tres Marias, ver na lua o movimento do cavalo de Sao Jorge, as assombracoes da mula- sem- cabeca; as novenas, as procissoes, os jejuns da Semana Santa, os retiros durante o carnaval, os comicios politicos, o simbolo da vassoura de Janio Quadros, colocada dentro de uma ampolinha de vidro, e da espadinha em miniatura dourada, do candidato da oposicao, Teixeira Lott. Lembro-me da comemoracao festiva e entusiastica la em casa, quando Janio venceu as eleicoes. Teve bolo, salgadinhos e refigerantes- exigencias esperancosas do meu pai.<\/p>\n<p align=\"justify\">Obrigada por incluir no seu livro duas pequenas fotos do colegio Santa Cecilia, onde estudei no segundo ano primario!!! Quando olhei-as, fechei os olhos e voltei nitidamente aos meus sete anos, quando entrava no colegio pelo portao da frente, e seguia naquele caminho comprido, ladeado por contiguas pitangueiras, elegantemente podadas, como se fossem muros verdes, enfeitados com as pequeninos frutas de cor amarela e laranja. Na entrada do colegio tinha uma varanda, e nela, varias cadeiras de balanco dispostas lado a lado, em linha reta. La sentavam, na hora do nosso recreio, onde brincavamos sob as frondosas mangueiras no chao de areia branca e frouxa, Dona Beatriz, minha professora, limpissima e perfumada, e as outras professoras, Diva Albuquerque, elegante e classica, prima do meu pai, Dona Alba, Madre Maria Lucia e outras.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nao sei lhe dizer o que mais me emocionou no seu livro- porque tudo me emocionou. Mas talvez, uma das mais belas e comoventes passagens foi a sua descricao da nossa mais verdadeira alegria quando diziamos &#8220;La vem o trem&#8221;:<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Movida a lenha, transportada no tender, provocava aquela fumaca e rebocava uma longa fila de vagoes de carga ou de passageiros num ruidoso desfile. Sua passagem pela Carapinima provaca um abalo semelhante a um terremoto, sentido em toda a redondeza , em razao do deslocamento dos pesados vagoes. Passava deixando no ar os seus apitos alegres e seus torvelhinhos de fumaca que deitavam pelo chao e escureciam o ambiente.<\/p>\n<p align=\"justify\">A passagem do trem era formidavel e o maquinista, alvo de admiracao. Que alegria dizermos: &#8220;La vem o trem!&#8221;. A um so tempo emocionava e amedrontava. A comprida e pesada maquina, sacolejando sua composicao pela rodovia, resfolegava como um dragao, soltando pela chamine e cilindros de expansao uma fumaca escura. Fazia um cadenciado barulho e suas luzes esmaeciam a proporcao que se perdiam na escuridao. Como um vaga-lume, cortava a noite, transportando gente do povo, fardo de algodao, feijao, farinha, oleo vegetal de origem do prorpio caroco do algodao, da mamona e da oiticica. Bovinos, equinos e suinos provenientes de Lavras da Mangabeira, Cedro, Iguatu, Senador Pompeu e de outras cidades eram transportados em vagoes chamados de gaiola. O apito repetido e espalhafatoso repercutia cmo uma saudacao aos moradores da Rua Carapinima, sentados nas calcadas.&#8221; Lindo!!!<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje despertei com uma mansa chuva de outono tocando no telhado. O outono e a estacao que com maior intensidade me faz sentir o fluir do tempo e em que, instintivamente, faco uma arqueologia da vida.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seu livro, Rua Carapinima- Ecos e Icones, resgatou e imortalizou o carrossel da minha infancia,<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":1796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[310],"tags":[],"class_list":["post-1795","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resenhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1795","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1795"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1795\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1797,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1795\/revisions\/1797"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1795"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1795"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1795"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}