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{"id":1729,"date":"2020-04-03T12:51:18","date_gmt":"2020-04-03T12:51:18","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1729"},"modified":"2021-02-09T23:47:52","modified_gmt":"2021-02-09T23:47:52","slug":"entrevista-dr-osvaldo-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2020\/04\/03\/entrevista-dr-osvaldo-pontes\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Dr. Osvaldo Pontes"},"content":{"rendered":"<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Gostaria de cumprimentar o senhor por todo o seu hist\u00f3rico de servi\u00e7os ao Cear\u00e1 e louvar a FACIC por essa iniciativa de reunir t\u00e9cnicos, homens de Governo, parlamentares para debater o problema da seca. O senhor acha que isso mostra bem a evid\u00eancia, o grau de evolu\u00e7\u00e3o do empresariado nordestino contribuindo na solu\u00e7\u00e3o dos magnos problemas da nossa regi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Com certeza! Inicialmente, eu queria resumir o conceito de seca como n\u00f3s do DNOCS procuramos encarar o fen\u00f4meno. Este conceito n\u00e3o \u00e9 de hoje, este conceito est\u00e1 muito bem expresso e resumido numa magistral defini\u00e7\u00e3o do primeiro Diretor Geral do DNOCS, o grande homem p\u00fablico, cientista, que foi Miguel Arrojado Lisboa, que, j\u00e1 em 1913, definia como ele concebia o fen\u00f4meno da seca. J\u00e1 naquela \u00e9poca, dizia Arrojado Lisboa, \u201cSeca, num rigor l\u00e9xico, significa estiagem, falta de umidade. Da chuva, prov\u00e9m a \u00e1gua necess\u00e1ria \u00e0 vida na Terra. O problema da seca, assim encarado, seria simplesmente o problema da \u00e1gua, isto \u00e9, o do seu suprimento. Mas a palavra seca referida a uma por\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio habilitado p4elo homem tem significa\u00e7\u00e3o muito mais compreensiva. Com efeito, o fen\u00f4meno f\u00edsico da escassez da chuva influi no homem pela opera\u00e7\u00e3o profunda que dela decorrer para as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da regi\u00e3o, que por sua vez, se refletem na ordem social. Assim encarada, a seca \u00e9 um fen\u00f4meno muito vasto, de natureza tanto f\u00edsica como econ\u00f4mica e social. O problema das secas \u00e9, portanto, um problema m\u00faltiplo, verdadeiramente, n\u00e3o h\u00e1 um problema, h\u00e1 problemas. Encarado sob este aspecto de vista, n\u00f3s ter\u00edamos que situar o problema das secas na regi\u00e3o nordestina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Sabemos que o Nordeste \u00e9 uma regi\u00e3o semi\u00e1rida, de baixa pluviometria, pluviometria m\u00e9dia de 600 a 700 mm. Mas esta n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica exclusiva do Nordeste Brasileiro, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Sim, outras regi\u00f5es do mundo, como a Austr\u00e1lia, Estados Unidos, h\u00e1 tamb\u00e9m regi\u00f5es semi\u00e1rida de baixa pluviosidade. Entretanto, estas regi\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o submetidas ao flagelo das secas, ao flagelo das popula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o flageladas quando ocorre normalmente esse fen\u00f4meno. O problema do Nordeste \u00e9 agravado porque \u00e9 uma regi\u00e3o onde a regi\u00e3o semi\u00e1rida \u00e9 densamente povoada. N\u00f3s temos no Nordeste uma densidade populacional da ordem de 18 habitantes por quil\u00f4metros quadrados, superior \u00e0 m\u00e9dia nacional que \u00e9 11 habitantes por quil\u00f4metros quadrados. Nas outras regi\u00f5es semi\u00e1ridas do mundo, mesmo em pa\u00edses altamente desenvolvidos, como os Estados Unidos, h\u00e1 regi\u00f5es semi\u00e1ridas e n\u00e3o t\u00eam uma densidade populacional desta magnitude. Isto mostra que o Nordeste brasileiro disp\u00f5e de recursos naturais capazes de suportar uma popula\u00e7\u00e3o bastante grande.<\/p>\n<p>Considerando outro fator caracter\u00edstico do Nordeste, que \u00e9 o clima, o clima quente, temperatura m\u00e9dia de 23 a 27 graus, com um grande grau de insola\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos 2.800 horas de insola\u00e7\u00e3o por ano, temos uma precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 600 a 700 mm e temos uma evapora\u00e7\u00e3o m\u00e9dia superior a 2.000mm, significa um balan\u00e7o h\u00eddrico deficit\u00e1rio, normalmente deficit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Considerando estas caracter\u00edsticas todas poder\u00edamos abordar o problema numa primeira indaga\u00e7\u00e3o. Hipoteticamente seria poss\u00edvel mudar o clima?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Veja, os conhecimentos cient\u00edficos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do homem indicam que n\u00e3o temos hoje recursos tecnol\u00f3gicos seguros para a modifica\u00e7\u00e3o do clima. Ent\u00e3o, embora sejam v\u00e1lidas todas as pesquisas, que inclusive a SUDENE vem desenvolvendo, nesse sentido, com a colabora\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, programas desenvolvidos pela FUNCEME, pesquisas e experimenta\u00e7\u00f5es tentando a provoca\u00e7\u00e3o de chuvas, todas essas iniciativas s\u00e3o v\u00e1lidas, no entanto, n\u00f3s n\u00e3o temos uma tecnologia segura que permita ao homem modificar o clima em qualquer regi\u00e3o. Isto significa que n\u00f3s devemos conduzir as nossas a\u00e7\u00f5es no sentido de conviver com este clima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Bom, caracterizado o problema dessa forma, eu diria que, como o Governo Federal tem agido diante do problema?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">A partir, principalmente, da grande seca de 1877 o Governo Federal vem se preocupando com o problema da seca no Nordeste, com o problema de criar condi\u00e7\u00f5es para a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dessa popula\u00e7\u00e3o. Considerando este problema caracter\u00edstico do Nordeste, este fato essencial para a economia da regi\u00e3o, que \u00e9 o fator \u00e1gua, o DNOCS procurou criar, inicialmente, uma infraestrutura de \u00e1gua, todas as a\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o foram, prioritariamente, desenvolvidas para se criar uma reserva de \u00e1gua que pudesse ficar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Desta forma, foram constru\u00eddos j\u00e1 253 grandes reservat\u00f3rios p\u00fablicos na regi\u00e3o. O DNOCS introduziu no Nordeste a tecnologia de constru\u00e7\u00e3o de barragens de terra, que foi assimilada, inclusive, pelos propriet\u00e1rios rurais, e a quantidade de a\u00e7udes constru\u00eddos nas propriedades rurais \u00e9 muito grande. De maneira que h\u00e1 um potencial de \u00e1gua consider\u00e1vel j\u00e1 a disposi\u00e7\u00e3o do Nordeste.<\/p>\n<p>Outra fonte de \u00e1gua que foi explorada e desenvolvida pelo Nordeste foi a \u00e1gua subterr\u00e2nea, apesar das limita\u00e7\u00f5es de ordem geol\u00f3gica, que n\u00f3s sabemos que o Nordeste, em mais de 50% de sua \u00e1rea est\u00e1 num embasamento cristalino, portanto, onde a reserva de \u00e1gua \u00e9 insignificante. Mesmo assim, se desenvolveu um grande trabalho de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os. Temos hoje, j\u00e1 perfurados pelo DNOCS, mais de 12 mil po\u00e7os na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m iniciado pelo DNOCS e depois pelos \u00f3rg\u00e3os setoriais, foi criada em toda a regi\u00e3o do Nordeste uma infraestrutura de estradas, ferrovias, aeroportos e uma infraestrutura social de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Tudo isso vem facilitar o encaminhamento do problema. Devemos ressaltar, dentro dessa pol\u00edtica de atua\u00e7\u00e3o do Governo no Nordeste, o problema da eletrifica\u00e7\u00e3o, quer dizer, a cria\u00e7\u00e3o da CHESF e a extensa malha de rede de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, que hoje cobre todo o Nordeste, tem sido um fator de grande import\u00e2ncia para a fixa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e para o desenvolvimento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda nesse sentido, considerando que para viver com o problema da seca, o essencial era o fortalecimento da economia da regi\u00e3o, o Governo veio tamb\u00e9m dotar o Nordeste do instrumento eficaz para o fortalecimento da sua economia, que foi a cria\u00e7\u00e3o do Banco do Nordeste, cuja atua\u00e7\u00e3o dispensa maiores coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, considerando que chegamos a um ponto tal, que havia necessidade de uma integra\u00e7\u00e3o de todas essas a\u00e7\u00f5es do Governo, foi criada a SUDENE, como \u00f3rg\u00e3o de planejamento e coordena\u00e7\u00e3o de toda a a\u00e7\u00e3o do Governo na regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Mais uma indaga\u00e7\u00e3o: aplicadas todas essas medidas, adotadas todas essas provid\u00eancias, com a atua\u00e7\u00e3o desses \u00f3rg\u00e3os, quais foram os resultados obtidos?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">De modo muito global, apesar de todos os problemas que, ainda, a regi\u00e3o enfrenta, n\u00f3s constatamos um fortalecimento da economia do Nordeste, apesar de todas suas limita\u00e7\u00f5es, a economia do Nordeste vem se desenvolvendo e vem se fortalecendo.<\/p>\n<p>Sabemos que para se desenvolver a economia de uma regi\u00e3o deve ser considerado 4 fatores b\u00e1sicos. N\u00f3s dir\u00edamos que s\u00e3o b\u00e1sicos para o desenvolvimento da economia de uma regi\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos humanos, a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, tecnologia e capital. Esses 4 componentes indispens\u00e1veis para o desenvolvimento da economia v\u00eam sendo utilizados racionalmente no Nordeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>O senhor pode se deter mais particularmente nas a\u00e7\u00f5es do DNOCS para, na sua contribui\u00e7\u00e3o, para a minimiza\u00e7\u00e3o dos efeitos da seca?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Primeiro, atrav\u00e9s do programa da irriga\u00e7\u00e3o. O programa da irriga\u00e7\u00e3o que, apesar de ter sido uma preocupa\u00e7\u00e3o constante do DNOCS, desde o seu nascimento, somente vem tomando um desenvolvimento mais efetivo a partir de 1970. E este programa de irriga\u00e7\u00e3o, que eu considero como problema b\u00e1sico para o desenvolvimento da agricultura nordestina, do meio rural nordestino, ele engloba os 4 fatores do desenvolvimento da economia, ele envolve, na forma como o DNOCS vem concebendo e desenvolvendo seus projetos, uma utiliza\u00e7\u00e3o intensiva dos recursos humanos da regi\u00e3o. Os programas de irriga\u00e7\u00e3o desenvolvidos pelo DNOCS s\u00e3o altamente absorvedores de m\u00e3o de obra. \u00c9 claro que n\u00f3s poder\u00edamos desenvolver projetos automatizados, grandemente mecanizados, com muito mais rentabilidade econ\u00f4mica do que os projetos do sistema que estamos desenvolvendo atrav\u00e9s da empresa familiar que absorve grande parcela da m\u00e3o de obra. Ent\u00e3o os recursos humanos s\u00e3o absorvidos, a m\u00e3o de obra aproveitada e empregada no sentido do aproveitamento racional dos recursos naturais, principalmente dos recursos de \u00e1gua e solo. Eu diria tamb\u00e9m os recursos de clima, do sol, que \u00e9 um grande recurso \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Nordeste.<\/p>\n<p>O programa de irriga\u00e7\u00e3o emprega, tamb\u00e9m, capital, porque os investimentos num projeto de irriga\u00e7\u00e3o s\u00e3o grandes investimentos, provenientes do Governo Federal, ent\u00e3o, \u00e9 uma maneira de se transferir para a regi\u00e3o recursos de capital para desenvolver a regi\u00e3o. Esses fatores conjugados t\u00eam dado, no projeto de irriga\u00e7\u00e3o no Nordeste, excelentes resultados. O adiantado da hora n\u00e3o me permite entrar em maiores considera\u00e7\u00f5es, mas n\u00f3s j\u00e1 temos, no Nordeste, 24 projetos conclu\u00eddos ou em fase de conclus\u00e3o, j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o, com milhares de fam\u00edlias de colonos j\u00e1 assentados, produzindo com resultados bastante compensadores. No ano passado n\u00f3s tivemos projetos em que a m\u00e9dia da renda l\u00edquida obtida pelos colonos foi superior a 90 mil cruzeiros, a produtividade das diversas culturas tem sido muito superior \u00e0 m\u00e9dia do Brasil e atingindo \u00e0s m\u00e9dias alcan\u00e7adas em pa\u00edses como Israel, Espanha, onde a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolvida com alta tecnologia. Esta produtividade \u00e9 obtida gra\u00e7as a fatores clim\u00e1ticos do Nordeste, gra\u00e7as \u00e0 temperatura uniforme e constante durante o ano, a grande insola\u00e7\u00e3o que favorece o desenvolvimento biol\u00f3gico, como \u00e9 conhecido.<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que a irriga\u00e7\u00e3o, devido, principalmente, ao fator limitante no Nordeste, que \u00e9 a \u00e1gua, n\u00e3o poder\u00e1 atingir a mais do que 2% a 3% da \u00e1rea nordestina. Contanto, \u00e9 um programa absolutamente v\u00e1lido, mas limitado. De maneira que ele n\u00e3o poderia resolver, sozinho, todo o problema do setor agr\u00edcola do Nordeste.<\/p>\n<p>Com esta constata\u00e7\u00e3o, o DNOCS passou a introduzir uma nova forma de explora\u00e7\u00e3o dos seus projetos de irriga\u00e7\u00e3o, com vistas a beneficiar uma \u00e1rea maior e a uma popula\u00e7\u00e3o maior. Surgiram ent\u00e3o os projetos mistos que s\u00e3o projetos que conjugam a irriga\u00e7\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de sequeiro.\u00a0 V\u00e1rios destes projetos j\u00e1 est\u00e3o em plena opera\u00e7\u00e3o, como o Projeto V\u00e1rzea do Boi, em Tau\u00e1, uma das regi\u00f5es mais secas do Nordeste, onde o projeto \u00e9 concebido de forma a que cada fam\u00edlia receba dois hectares irrigados e uma \u00e1rea de seca de 70 a 90ha. O ano passado foi um ano de teste para o Projeto V\u00e1rzea do Boi, foi um ano em que praticamente n\u00e3o choveu na regi\u00e3o dos Inhamus. E o projeto se desenvolveu dentro da sua concep\u00e7\u00e3o e o resultado obtido pelos colonos, no ano passado, que est\u00e1 praticamente no primeiro ano de opera\u00e7\u00e3o do projeto, onde as fam\u00edlias n\u00e3o tinham ainda assimilado todas aquelas t\u00e9cnicas, n\u00e3o estavam ainda perfeitamente conscientes e preparados, o projeto j\u00e1 ofereceu resultados bastante satisfat\u00f3rios, porque a renda m\u00e9dia das fam\u00edlias do Projeto V\u00e1rzea do Boi, no ano passado, foi superior a 12 mil cruzeiros por fam\u00edlia, descontadas todas as despesas das culturas, inclusive, pagamento de taxa de \u00e1gua, impostos e o pr\u00f3prio sustento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Com esta concep\u00e7\u00e3o do projeto misto, a \u00e1rea a ser transformada e melhorada \u00e9 bastante aumentada. De maneira que, nestes projetos, estamos introduzindo uma tecnologia para explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea seca, que \u00e9 uma tecnologia de introdu\u00e7\u00e3o, nestas \u00e1reas, de pastagens resistentes a seca, resultado de experimentos que o DNOCS vem desenvolvendo em 6 fazendas experimentais de \u00e1rea seca, com resultados bastante satisfat\u00f3rios. De maneira que com a introdu\u00e7\u00e3o, principalmente de pastagens ex\u00f3ticas, resistentes a seca, como o cons\u00f3rcio do\u00a0<em>Buffel Grass-Stylosanthes Humilis,<\/em>\u00a0tem dado resultados bastante satisfat\u00f3rios e a seca do ano passado que n\u00e3o quer\u00edamos, mas serviu para n\u00f3s como um grande laborat\u00f3rio de testar estes experimentos.<\/p>\n<p>Desta forma, n\u00f3s vamos ampliando a malha, cobrindo o Nordeste. E com este objetivo j\u00e1 estamos desenvolvendo outro tipo de projeto que n\u00f3s chamamos Projeto da Zona de Transi\u00e7\u00e3o.\u00a0 Sabemos que os nossos projetos de irriga\u00e7\u00e3o s\u00e3o, geralmente, concebidos e instalados pr\u00f3ximos aos cursos d\u2019\u00e1gua, junto \u00e0 aluvi\u00e3o. Existe entre a aluvi\u00e3o e o cristalino, realmente, uma faixa de solos melhorados, de solos profundos que permite um tipo de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de melhor porte, \u00e9 a chamada zona de transi\u00e7\u00e3o ou os tabuleiros, como s\u00e3o conhecidos. Para estes projetos para essas \u00e1reas, estamos desenvolvendo outro tipo de projeto, \u00e9 o projeto que j\u00e1 est\u00e1, para a zona de transi\u00e7\u00e3o de Morada Nova, totalmente conclu\u00eddo, e vai ser iniciada sua implanta\u00e7\u00e3o este ano, projeto em que cada fam\u00edlia recebe um hectare irrigado e uma m\u00e9dia de 30 a 36 hectares de sequeiro. De maneira que \u00e9 um projeto com menores investimentos por fam\u00edlia, se pode dar melhor condi\u00e7\u00e3o de fixa\u00e7\u00e3o do homem ao solo.<\/p>\n<p>O DNOCS vem se ocupando de aproveitamento mais racional das \u00e1reas de montantes dos a\u00e7udes p\u00fablicos. Estas \u00e1reas que ficam no per\u00edmetro dos grandes a\u00e7udes t\u00eam um potencial muito grande a ser aproveitado. A \u00e1gua est\u00e1 pr\u00f3xima e, com a evapora\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do a\u00e7ude para os projetos de irriga\u00e7\u00e3o, vai descobrindo uma faixa \u00famida de solo que poder\u00e1 ser aproveitada mais racionalmente. J\u00e1 estamos com oito projetos sendo desenvolvidos para a implanta\u00e7\u00e3o nas grandes \u00e1reas dos grandes a\u00e7udes p\u00fablicos do Nordeste, com vistas \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de maior n\u00famero de fam\u00edlias com condi\u00e7\u00e3o semelhante a que t\u00eam os irrigantes, assistidos e com toda assist\u00eancia t\u00e9cnica, assist\u00eancia de capital e assist\u00eancia social, para que eles se integrem no processo produtivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Ainda com vistas ao aproveitamento dos recursos naturais do Nordeste, ainda est\u00e3o desenvolvendo um aproveitamento mais racional da capacidade dos a\u00e7udes para a produ\u00e7\u00e3o de peixe?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Este \u00e9 um trabalho j\u00e1 tradicional do DNOCS, estamos hoje desenvolvendo um trabalho para organizar os pescadores em col\u00f4nias de pescadores, no sentido de que eles possam aproveitar mais racionalmente esse potencial dos a\u00e7udes, para a produ\u00e7\u00e3o de pescado. N\u00f3s sabemos que o peixe \u00e9 um alimento de alto valor proteico e que pode ser oferecido \u00e0s popula\u00e7\u00f5es do Nordeste a baixo custo. \u00c9 uma maneira de se ajudar a popula\u00e7\u00e3o a melhorar a sua dieta, a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. Esse trabalho vem se desenvolvendo e j\u00e1 temos um conv\u00eanio assinado com a SUDEP \u2013 Superintend\u00eancia do Desenvolvimento da Pesca e o PESCAR que \u00e9 o Programa de Pesca Artesanal, no sentido de organizar melhor estes pescadores.\u00a0 No ano passado tivemos 11.200 pescadores registrados e cadastrados em 100 a\u00e7udes que s\u00e3o cadastrados pelo DNOCS. Apesar de no ano passado termos liberado a pesca nos a\u00e7udes, naquelas \u00e1reas que estavam assoladas pela seca, apesar de termos tomado esta provid\u00eancia, esses 11.200 pescadores produziram mais de 15 mil toneladas de pescado, no valor bruto de produ\u00e7\u00e3o superior a 65 milh\u00f5es de cruzeiros. Esse potencial de pesca poder\u00e1 ser grandemente aumentado e melhorado. O apoio tecnol\u00f3gico para esse programa \u00e9 dado pelo Centro de Pesquisas Ideol\u00f3gicas, que o DNOCS mant\u00e9m junto ao a\u00e7ude Pentecostes, em Pentecoste, e que vem desenvolvendo grandes trabalhos para a solicita\u00e7\u00e3o de peixes do Amazonas e de outras bacias com vistas a melhorar o rendimento da pesca.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, outro programa que procura completar o atendimento a estas popula\u00e7\u00f5es, dentro desta programa\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o da economia nordestina, economia rural nordestina, programa que foi lan\u00e7ado pelo Presidente da Rep\u00fablica no ano passado, em agosto, na reuni\u00e3o da SUDENE, e que todas as provid\u00eancias para a sua implementa\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o sendo adotadas e dever\u00e1 ser iniciado ainda agora no m\u00eas de mar\u00e7o, com o primeiro contrato de financiamento para o projeto sertanejo que ser\u00e1 assinado com o DNOCS e o Banco do Nordeste e um agricultor da regi\u00e3o de Sousa, na para\u00edba, \u00e9 o Projeto Sertanejo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Pode falar melhor dos objetivos do Projeto Sertanejo?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O Projeto Sertanejo tem como objetivo principal o fortalecimento da propriedade rural para resistir aos efeitos da seca. Visa levar para a propriedade, a n\u00edvel de propriedade, toda aquela tecnologia desenvolvida nos Projetos de irriga\u00e7\u00e3o e nos Projetos Mistos, de irriga\u00e7\u00e3o e sequeiro. Pretende-se criar, em cada propriedade uma fonte de \u00e1gua e um projeto, um miniprojeto de aproveitamento racional dessa \u00e1gua e dos solos da propriedade. Em cada propriedade, pretende-se instalar um projeto de irriga\u00e7\u00e3o m\u00ednimo, de 2 a 3 h\u00e1 e desenvolver uma tecnologia para aproveitamento da pastagem nativa e das pastagens ex\u00f3ticas, que ser\u00e3o produzidas de acordo com os experimentos que j\u00e1 temos. A mesma filosofia que est\u00e1 sendo adotada no Projeto V\u00e1rzea do Boi.<\/p>\n<p>Esse projeto tem como concep\u00e7\u00e3o geral, aproveitar toda a tecnologia desenvolvida pelas ger\u00eancias dos per\u00edmetros de irriga\u00e7\u00e3o, e levar essa tecnologia para beneficiar uma \u00e1rea maior. O Projeto prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o, at\u00e9 1980, de 66 n\u00facleos, cada n\u00facleo teria um raio de a\u00e7\u00e3o de 30 quil\u00f4metros, portanto, cada n\u00facleo teria, inicialmente, um raio de a\u00e7\u00e3o de 202 mil hectares, e se prev\u00ea que cada n\u00facleo ir\u00e1 beneficiar, transformar, uma m\u00e9dia de 200 propriedades por ano instalados, 14 a 16 n\u00facleos, as provid\u00eancias para 12 n\u00facleos j\u00e1 est\u00e3o definidas e, possivelmente os recursos permitir\u00e3o a instala\u00e7\u00e3o de mais alguns n\u00facleos. De maneira que este Projeto Sertanejo visa cobrir essa malha que, associado aos grandes projetos de irriga\u00e7\u00e3o, associado aos projetos mistos de irriga\u00e7\u00e3o e sequeiros associados aos projetos da zona de transi\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o projetos governamentais, que ser\u00e3o assistidos pelo Governo, visa tamb\u00e9m assistir aos propriet\u00e1rios naquelas \u00e1reas n\u00e3o atendidas por este projeto. Ao lado disso, teremos ainda, dentro do meio rural nordestino, os projetos agropecu\u00e1rios do FINOR, que s\u00e3o tamb\u00e9m, projetos de grandes propriedades, porque o Projeto Sertanejo visa somente atender as pequenas propriedades, at\u00e9 500 hectares.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Ent\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o do Governo, atrav\u00e9s de todos estes programas, naturalmente, n\u00e3o poder\u00e3o oferecer resultados imediatos, resultados a curto prazo que possam eliminar de vez o flagelo da seca, quando essa ocorrer eventualmente, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Mas, a continua\u00e7\u00e3o desses programas \u00e9 essencial para que a m\u00e9dio e longo prazo se possa minimizar esses flagelos, esses efeitos danosos que a seca traz para a popula\u00e7\u00e3o nordestina. Achamos que a a\u00e7\u00e3o do Governo deve sempre se orientar para esses programas a m\u00e9dio e longo prazo, sem, no entanto, descuidar aqueles problemas assistenciais que dever\u00e3o ser implementados, no caso da ocorr\u00eancia de seca e que continuar\u00e3o a ser inevit\u00e1vel, at\u00e9 que estes programas atinjam um grau de implementa\u00e7\u00e3o que elimine o problema. Achamos que as a\u00e7\u00f5es que devem ser desenvolvidas, devem ser no sentido da continuidade a esse programa, de fortalecer os \u00f3rg\u00e3os regionais, principalmente a SUDENE &#8211;\u00a0Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste, o Banco do Nordeste, o DNOCS &#8211;\u00a0<em>Departamento Nacional de Obras Contra as Secas<\/em>\u00a0e a CODEFASF &#8211;\u00a0Companhia de Desenvolvimento dos Vales do S\u00e3o Francisco e do Parna\u00edba, para que disponham de melhor estrutura\u00e7\u00e3o, de melhores recursos humanos, materiais e tecnol\u00f3gicos, para que esses programas tenham continuidade, principalmente recursos financeiros, evitando a descontinuidade que foi uma caracter\u00edstica, principalmente, dos anos anteriores a 64. A hist\u00f3ria nos mostra, se n\u00f3s analisarmos os or\u00e7amentos do DNOCS, verificamos a intermit\u00eancia do afluxo de recursos que eram postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do DNOCS, de maneira que as a\u00e7\u00f5es que o \u00f3rg\u00e3o desenvolvia n\u00e3o tinham continuidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>E quanto ao aspecto de apoio tecnol\u00f3gico?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Devemos ressaltar que o Governo, recentemente, instalou, no Nordeste, alguns centros de pesquisas que dever\u00e3o, a curto prazo, come\u00e7ar a influir nessas provid\u00eancias, melhorar o aspecto do apoio tecnol\u00f3gico a esses programas do Governo, na regi\u00e3o. Eu me refiro ao Centro de Pesquisas Tr\u00f3pico Semi\u00e1rido, instalado em Petrolina, j\u00e1 com equipe de 43 t\u00e9cnicos da mais alta capacita\u00e7\u00e3o, inclusive com cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no exterior e que j\u00e1 veem estudando todos os problemas inerentes \u00e0s caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do Nordeste, principalmente no que se diz respeito ao aproveitamento dos recursos naturais, a planta xer\u00f3fila, a pastagem nativa e outros recursos que s\u00e3o naturais do Nordeste.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a IMBRAPA j\u00e1 instalou em campina grande o Centro Nacional de pesquisas do Algod\u00e3o, que \u00e9 uma grande riqueza, uma grande xer\u00f3fila, tem uma grande import\u00e2ncia na economia nordestina. J\u00e1 instalou em Cruz das Almas, na Bahia, o Centro Nacional de Pesquisas da Mandioca e da Fruticultura. J\u00e1 criou e est\u00e1 em fase de instala\u00e7\u00e3o, em Sobral, no Cear\u00e1, o Centro Nacional de Caprinocultura. Esses Centros de Pesquisas dever\u00e3o desenvolver aqueles estudos para fornecer o apoio tecnol\u00f3gico da melhoria desses programas de Governo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>E quanto a quest\u00e3o das fontes de servi\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">H\u00e1 muita gente que pensa que a frente de servi\u00e7o \u00e9 uma improvisa\u00e7\u00e3o, que na frente de servi\u00e7o o Governo \u00e9 tomado de surpresa, na ocorr\u00eancia de uma seca, e por falta de outra medida mais planejada, de melhor efeito, se improvisa a frente de servi\u00e7o, o que n\u00e3o ocorre mais. A SUDENE tem uma larga experi\u00eancia na condu\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia aos flagelados e disp\u00f5e de um plano anual que \u00e9 elaborado com a participa\u00e7\u00e3o dos governos estaduais e dos \u00f3rg\u00e3os que atuam na regi\u00e3o. Esse plano visa ordenar as provid\u00eancias que devem ser desencadeadas t\u00e3o logo ocorra o fen\u00f4meno da seca.<\/p>\n<p>Neste plano s\u00e3o previstas todas as a\u00e7\u00f5es de todos os \u00f3rg\u00e3os envolvidos; prev\u00ea todas as obras que dever\u00e3o ser atacadas, no caso de ocorrer a seca; j\u00e1 prev\u00ea, inclusive, a estocagem em determinados pontos estrat\u00e9gicos e ferramentas para serem rapidamente usadas no caso da ocorr\u00eancia de seca. Enfim, a a\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia, em caso de ocorr\u00eancia de seca, est\u00e1 toda ela concebida, dentro de um plano, que, rapidamente, poder\u00e1 ser implementado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Creio que a seca tem que ser concebida como uma emerg\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, uma cat\u00e1strofe que ocorre. \u00c9 como ocorre cat\u00e1strofes em outras regi\u00f5es do mundo. Nenhum pa\u00eds se aparelha, se prepara para atender terremotos, quando estes ocorrem. Mobiliza-se todos os instrumentos de Governo para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o flagelada. \u00c9 a mesma coisa que ocorre com o problema da seca. N\u00f3s n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de nos manter, toda uma estrutura ociosa montada, prontinha, esperando a ocorr\u00eancia de seca para ser acionada.<\/p>\n<p>Este problema n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mas tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o constante de todos os \u00f3rg\u00e3os, tanto da SUDENE, quanto do DNOCS, quanto dos governos estaduais, procurar tirar o melhor proveito poss\u00edvel daquelas frentes de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>No ano passado, j\u00e1 ficou muito patenteada esta preocupa\u00e7\u00e3o. As frentes de servi\u00e7o, por exemplo, do DNOCS, foram, de prefer\u00eancia, deslocadas para projetos de irriga\u00e7\u00e3o, com vistas a que o trabalho ali desenvolvido fosse uma contribui\u00e7\u00e3o real ao problema geral que se procura resolver, implementar, dar uma contribui\u00e7\u00e3o ao projeto de irriga\u00e7\u00e3o. Isso j\u00e1 foi feito o ano passado.<\/p>\n<p>Outra m\u00e3o de obra de emerg\u00eancia foi, tamb\u00e9m utilizada no ano passado, na constru\u00e7\u00e3o de pequenos e m\u00e9dios a\u00e7udes e que, inclusive, estamos procurando, aqueles que est\u00e3o a cargo do DNOCS, recursos para concluir esses a\u00e7udes, mesmo que esteja conclu\u00eddo o per\u00edodo de seca, com vistas a que os vultosos recursos que foram empregados naquelas frentes de servi\u00e7os, tenham um resultado mais positivo.<\/p>\n<p>Acredito que, no momento, n\u00e3o exista, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, outra solu\u00e7\u00e3o para atender \u00e0 emerg\u00eancia, a n\u00e3o ser as frentes de servi\u00e7o. O que n\u00f3s devemos nos preocupar \u00e9, realmente, tirar o melhor proveito desta m\u00e3o de obra, destes recursos que s\u00e3o despendidos nas frentes de servi\u00e7o para que contribuam para o programa geral, a longo prazo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>A \u00e1gua \u00e9 fator limitativo, mas s\u00e3o reconhecidos os resultados dos a\u00e7udes constru\u00eddos em coopera\u00e7\u00e3o com particulares, pergunto se n\u00e3o seria aconselh\u00e1vel o retorno da pol\u00edtica antiga de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes em coopera\u00e7\u00e3o, serviria para possibilitar irriga\u00e7\u00e3o a baixo custo e ao mesmo tempo aumentar a possibilidade da produ\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O DNOCS desenvolveu, durante algum tempo, aquele programa de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes pelo sistema de coopera\u00e7\u00e3o. O DNOCS elaborava o projeto e entrava com o pr\u00eamio que equivale a 50% do valor da constru\u00e7\u00e3o. Posteriormente, esse programa foi desativado, considerando que era paternalista e n\u00e3o devia o Governo doar um pr\u00eamio ao propriet\u00e1rio. Mas esse programa de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes vai ser retomado, agora, atrav\u00e9s do Projeto Sertanejo, em condi\u00e7\u00f5es muito melhores do que aquele programa anterior, simplesmente da constru\u00e7\u00e3o do a\u00e7ude.<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que o a\u00e7ude \u00e9 importante no Nordeste, em virtude do problema da \u00e1gua, h\u00e1 necessidade de reparar \u00e1gua, h\u00e1 necessidade de criar em cada propriedade uma fonte de \u00e1gua que independa da chuva. Mas o a\u00e7ude, sozinho, n\u00e3o resolve o problema, ele tem que ser complementado com seu aproveitamento, ou atrav\u00e9s da irriga\u00e7\u00e3o ou outro qualquer aproveitamento. E o Projeto Sertanejo, como que inspirado no programa de a\u00e7udagem em coopera\u00e7\u00e3o, voltar com esse programa, mas numa roupagem bem mais eficiente, porque o Projeto Sertanejo vai permitir que o propriet\u00e1rio pequeno e m\u00e9dio construa seu a\u00e7ude e sua irriga\u00e7\u00e3o, com financiamento do Governo, em condi\u00e7\u00f5es extremamente favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Projeto Sertanejo prev\u00ea o financiamento at\u00e9 450 mil cruzeiros por propriedade, em condi\u00e7\u00f5es de juro de 2% ao ano, com o prazo de 20 anos para pagar e 6 anos de car\u00eancia. Quer dizer, estas condi\u00e7\u00f5es de financiamento s\u00e3o as mais favor\u00e1veis que j\u00e1 foram postas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio. N\u00e3o temos d\u00favida nenhuma de que o Projeto Sertanejo \u00e9 muito superior \u00e0quele projeto de coopera\u00e7\u00e3o que o DNOCS hoje n\u00e3o est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Sempre se fala em a\u00e7udagem, po\u00e7os profundos, e ficou esquecido, justamente, a grande ajuda a estas \u00e1reas da irriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 sabido que nossos rios, durante os per\u00edodos de chuva corre com abundante \u00e1gua, levando umidade \u00e0s suas margens. Logo que termina o per\u00edodo de chuva os rios secam e acontece o fen\u00f4meno contr\u00e1rio, passam a ser drenos naturais. Por que n\u00e3o se desenvolve o regime das barragens vertedoras e das barragens submersas?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O problema \u00e9 o seguinte. O DNOCS hoje est\u00e1 desenvolvendo sua a\u00e7\u00e3o nos grandes vales. E, hoje, n\u00f3s iniciamos o estudo do vale como um plano diretor para o desenvolvimento do vale. Estamos desenvolvendo, atualmente, estudos como foi feito para o Vale do Jaguaribe. No Vale do Jaguaribe, a partir de 1962, atrav\u00e9s da miss\u00e3o francesa foram estudados todos os recursos do Vale do Jaguaribe e elaborado um Plano Diretor para o desenvolvimento do vale. Esse plano diretor envolvia o Vale do Gurgueia, o Baixo Parna\u00edba, o Acara\u00fa, o Apodi, o A\u00e7u etc.<\/p>\n<p>De acordo com estes estudos s\u00e3o indicadas todas as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de serem implementadas para o desenvolvimento daquele vale, para um aproveitamento, principalmente, com vistas ao aproveitamento racional de \u00e1gua e solo existentes no vale.<\/p>\n<p>De maneira que esse mesmo estudo vai ser feito a n\u00edvel de propriedade, no caso do Projeto Sertanejo, a n\u00edvel de n\u00facleo que ser\u00e1 um estudo mais integrado e desenvolvido pela SUDENE, e a n\u00edvel de cada propriedade ser\u00e1 desenvolvido, indicado o projeto de transforma\u00e7\u00e3o daquela propriedade, indicando todas as obras que ter\u00e3o de ser feitas para tornar aquelas propriedades resistentes a seca.<\/p>\n<p>De maneira que o problema da barragem submersa, da barragem vertedora \u00e9 um caso a ser estudado de acordo com as condi\u00e7\u00f5es locais. Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande, hoje, em todo o Governo, no problema do aproveitamento e da preserva\u00e7\u00e3o dos recursos de \u00e1gua no Nordeste, da defini\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do Nordeste. A SUDENE j\u00e1 est\u00e1 desenvolvendo estudos neste sentido, porque este problema da constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes deve obedecer a uma disciplina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>O que o senhor acha do aproveitamento da m\u00e3o de obra ociosa, por ocasi\u00e3o das secas, nas pr\u00f3prias propriedades rurais atingidas? Para o deputado Ernesto Valente, por meio de financiamentos banc\u00e1rios ou de bolsas de trabalho, com financiamento subsidiado, juros subsidiados, prazo de car\u00eancia a longo prazo, ao inv\u00e9s do deslocamento da imensa massa de trabalhadores para as frentes de trabalho, representam o ordenamento de plano da SUDENE. Isto porque se d\u00e1 o aproveitamento dessa massa humana de trabalhadores nas pr\u00f3prias propriedades agr\u00edcolas?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O problema levantado pelo Deputado Ernesto Valente \u00e9 um problema que j\u00e1 foi analisado, principalmente pela SUDENE, o problema se reveste de uma complexidade muito grande. Realmente, o ideal e o que se procura fazer com o Projeto Sertanejo, com programas de irriga\u00e7\u00e3o, com programas de \u00e1reas mistas etc, \u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o do homem na propriedade. A longo prazo, s\u00e3o todos esses programas que est\u00e3o sendo desenvolvidos, mas quando ocorre a seca, naturalmente, o propriet\u00e1rio n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es, devido a estrutura de sua propriedade, de reter aqueles seus moradores. Ent\u00e3o, aquela m\u00e3o de obra fica dispon\u00edvel e procura assist\u00eancia. Como assisti-la?<\/p>\n<p>Assisti-lo na propriedade, o Governo procura faz\u00ea-lo atrav\u00e9s dos financiamentos. Se o Governo, por exemplo, no ano passado, ofereceu condi\u00e7\u00f5es para investimentos, cr\u00e9ditos a condi\u00e7\u00f5es extremamente favor\u00e1veis para aqueles propriet\u00e1rios que quisessem empregar sua m\u00e3o de obra dispon\u00edvel, melhorar sua estrutura da propriedade, para faturamento e o tornar mais resistente a seca.<\/p>\n<p>Mas a forma que o Deputado Ernesto Valente levantou, do Governo dar o dinheiro ao propriet\u00e1rio para, simplesmente, pagar a m\u00e3o de obra e ela ficar na propriedade, at\u00e9 agora n\u00e3o foi considerada v\u00e1lida, pela SUDENE, tornar-se-ia extremamente dif\u00edcil o controle da frequ\u00eancia dessa m\u00e3o de obra, o controle do pagamento, o controle do rendimento dessa m\u00e3o de obra. Mas, as linhas de cr\u00e9dito j\u00e1 existem para isso. O Dr. Salmito pode informar, no ano passado, quais foram as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito oferecidos aos propriet\u00e1rios, especiais, em fun\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia e somente aplicados naquelas \u00e1reas onde estava ocorrendo a seca.<\/p>\n<p>Uma ideia do Senhor Mauro Rangel \u00e9 um programa em que cada empresa apresentaria, previamente, um plano para fazer aplica\u00e7\u00f5es, aqueles investimentos que tornam a propriedade mais resistente, menos vulner\u00e1vel, no caso de seca. Nesse plano se definiria os itens a serem cumpridos, a m\u00e3o de obra necess\u00e1ria e um or\u00e7amento. Esse plano seria encaminhado, para que fosse estendido a todo o Nordeste, a ideia final dever\u00e1 ser esta, \u00e0 SUDENE ent\u00e3o a SUDENE teria, de cada propriedade agr\u00edcola, um plano que seria executado no caso de se configurar uma seca. Para tornar-se mais f\u00e1cil o controle, os agentes financeiros, os bancos oficiais, os bancos estaduais \u00e9 que caberiam liberar estes recursos. Ent\u00e3o, os recursos para financiar seriam esses que o Governo utiliza para manter a frente de servi\u00e7o, e a frente de servi\u00e7o ficaria como uma reserva estrat\u00e9gica, seria o seguro de desemprego, ent\u00e3o ela n\u00e3o seria, na verdade, extinta mas permaneceria como uma reserva e essa massa de recursos seria ent\u00e3o alocada nas propriedades, naquelas condi\u00e7\u00f5es do Projeto Sertanejo, ou seja, 20 anos, 2% de juro ou at\u00e9 a fundo perdido.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Gostaria de cumprimentar o senhor por todo o seu hist\u00f3rico de servi\u00e7os ao Cear\u00e1 e louvar a FACIC por essa iniciativa de reunir t\u00e9cnicos, homens de Governo, parlamentares para debater o problema da seca. O senhor acha que isso mostra bem a evid\u00eancia, o grau de evolu\u00e7\u00e3o do empresariado nordestino contribuindo na solu\u00e7\u00e3o dos magnos problemas da nossa regi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Com certeza! Inicialmente, eu queria resumir o conceito de seca como n\u00f3s do DNOCS procuramos encarar o fen\u00f4meno. Este conceito n\u00e3o \u00e9 de hoje, este conceito est\u00e1 muito bem expresso e resumido numa magistral defini\u00e7\u00e3o do primeiro Diretor Geral do DNOCS, o grande homem p\u00fablico, cientista, que foi Miguel Arrojado Lisboa, que, j\u00e1 em 1913, definia como ele concebia o fen\u00f4meno da seca. J\u00e1 naquela \u00e9poca, dizia Arrojado Lisboa, \u201cSeca, num rigor l\u00e9xico, significa estiagem, falta de umidade. Da chuva, prov\u00e9m a \u00e1gua necess\u00e1ria \u00e0 vida na Terra. O problema da seca, assim encarado, seria simplesmente o problema da \u00e1gua, isto \u00e9, o do seu suprimento. Mas a palavra seca referida a uma por\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio habilitado p4elo homem tem significa\u00e7\u00e3o muito mais compreensiva. Com efeito, o fen\u00f4meno f\u00edsico da escassez da chuva influi no homem pela opera\u00e7\u00e3o profunda que dela decorrer para as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da regi\u00e3o, que por sua vez, se refletem na ordem social. Assim encarada, a seca \u00e9 um fen\u00f4meno muito vasto, de natureza tanto f\u00edsica como econ\u00f4mica e social. O problema das secas \u00e9, portanto, um problema m\u00faltiplo, verdadeiramente, n\u00e3o h\u00e1 um problema, h\u00e1 problemas. Encarado sob este aspecto de vista, n\u00f3s ter\u00edamos que situar o problema das secas na regi\u00e3o nordestina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Sabemos que o Nordeste \u00e9 uma regi\u00e3o semi\u00e1rida, de baixa pluviometria, pluviometria m\u00e9dia de 600 a 700 mm. Mas esta n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica exclusiva do Nordeste Brasileiro, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Sim, outras regi\u00f5es do mundo, como a Austr\u00e1lia, Estados Unidos, h\u00e1 tamb\u00e9m regi\u00f5es semi\u00e1rida de baixa pluviosidade. Entretanto, estas regi\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o submetidas ao flagelo das secas, ao flagelo das popula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o flageladas quando ocorre normalmente esse fen\u00f4meno. O problema do Nordeste \u00e9 agravado porque \u00e9 uma regi\u00e3o onde a regi\u00e3o semi\u00e1rida \u00e9 densamente povoada. N\u00f3s temos no Nordeste uma densidade populacional da ordem de 18 habitantes por quil\u00f4metros quadrados, superior \u00e0 m\u00e9dia nacional que \u00e9 11 habitantes por quil\u00f4metros quadrados. Nas outras regi\u00f5es semi\u00e1ridas do mundo, mesmo em pa\u00edses altamente desenvolvidos, como os Estados Unidos, h\u00e1 regi\u00f5es semi\u00e1ridas e n\u00e3o t\u00eam uma densidade populacional desta magnitude. Isto mostra que o Nordeste brasileiro disp\u00f5e de recursos naturais capazes de suportar uma popula\u00e7\u00e3o bastante grande.<\/p>\n<p>Considerando outro fator caracter\u00edstico do Nordeste, que \u00e9 o clima, o clima quente, temperatura m\u00e9dia de 23 a 27 graus, com um grande grau de insola\u00e7\u00e3o, n\u00f3s temos 2.800 horas de insola\u00e7\u00e3o por ano, temos uma precipita\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 600 a 700 mm e temos uma evapora\u00e7\u00e3o m\u00e9dia superior a 2.000mm, significa um balan\u00e7o h\u00eddrico deficit\u00e1rio, normalmente deficit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Considerando estas caracter\u00edsticas todas poder\u00edamos abordar o problema numa primeira indaga\u00e7\u00e3o. Hipoteticamente seria poss\u00edvel mudar o clima?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Veja, os conhecimentos cient\u00edficos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do homem indicam que n\u00e3o temos hoje recursos tecnol\u00f3gicos seguros para a modifica\u00e7\u00e3o do clima. Ent\u00e3o, embora sejam v\u00e1lidas todas as pesquisas, que inclusive a SUDENE vem desenvolvendo, nesse sentido, com a colabora\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, programas desenvolvidos pela FUNCEME, pesquisas e experimenta\u00e7\u00f5es tentando a provoca\u00e7\u00e3o de chuvas, todas essas iniciativas s\u00e3o v\u00e1lidas, no entanto, n\u00f3s n\u00e3o temos uma tecnologia segura que permita ao homem modificar o clima em qualquer regi\u00e3o. Isto significa que n\u00f3s devemos conduzir as nossas a\u00e7\u00f5es no sentido de conviver com este clima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Bom, caracterizado o problema dessa forma, eu diria que, como o Governo Federal tem agido diante do problema?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">A partir, principalmente, da grande seca de 1877 o Governo Federal vem se preocupando com o problema da seca no Nordeste, com o problema de criar condi\u00e7\u00f5es para a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dessa popula\u00e7\u00e3o. Considerando este problema caracter\u00edstico do Nordeste, este fato essencial para a economia da regi\u00e3o, que \u00e9 o fator \u00e1gua, o DNOCS procurou criar, inicialmente, uma infraestrutura de \u00e1gua, todas as a\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o foram, prioritariamente, desenvolvidas para se criar uma reserva de \u00e1gua que pudesse ficar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Desta forma, foram constru\u00eddos j\u00e1 253 grandes reservat\u00f3rios p\u00fablicos na regi\u00e3o. O DNOCS introduziu no Nordeste a tecnologia de constru\u00e7\u00e3o de barragens de terra, que foi assimilada, inclusive, pelos propriet\u00e1rios rurais, e a quantidade de a\u00e7udes constru\u00eddos nas propriedades rurais \u00e9 muito grande. De maneira que h\u00e1 um potencial de \u00e1gua consider\u00e1vel j\u00e1 a disposi\u00e7\u00e3o do Nordeste.<\/p>\n<p>Outra fonte de \u00e1gua que foi explorada e desenvolvida pelo Nordeste foi a \u00e1gua subterr\u00e2nea, apesar das limita\u00e7\u00f5es de ordem geol\u00f3gica, que n\u00f3s sabemos que o Nordeste, em mais de 50% de sua \u00e1rea est\u00e1 num embasamento cristalino, portanto, onde a reserva de \u00e1gua \u00e9 insignificante. Mesmo assim, se desenvolveu um grande trabalho de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os. Temos hoje, j\u00e1 perfurados pelo DNOCS, mais de 12 mil po\u00e7os na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m iniciado pelo DNOCS e depois pelos \u00f3rg\u00e3os setoriais, foi criada em toda a regi\u00e3o do Nordeste uma infraestrutura de estradas, ferrovias, aeroportos e uma infraestrutura social de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Tudo isso vem facilitar o encaminhamento do problema. Devemos ressaltar, dentro dessa pol\u00edtica de atua\u00e7\u00e3o do Governo no Nordeste, o problema da eletrifica\u00e7\u00e3o, quer dizer, a cria\u00e7\u00e3o da CHESF e a extensa malha de rede de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, que hoje cobre todo o Nordeste, tem sido um fator de grande import\u00e2ncia para a fixa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e para o desenvolvimento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda nesse sentido, considerando que para viver com o problema da seca, o essencial era o fortalecimento da economia da regi\u00e3o, o Governo veio tamb\u00e9m dotar o Nordeste do instrumento eficaz para o fortalecimento da sua economia, que foi a cria\u00e7\u00e3o do Banco do Nordeste, cuja atua\u00e7\u00e3o dispensa maiores coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, considerando que chegamos a um ponto tal, que havia necessidade de uma integra\u00e7\u00e3o de todas essas a\u00e7\u00f5es do Governo, foi criada a SUDENE, como \u00f3rg\u00e3o de planejamento e coordena\u00e7\u00e3o de toda a a\u00e7\u00e3o do Governo na regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Mais uma indaga\u00e7\u00e3o: aplicadas todas essas medidas, adotadas todas essas provid\u00eancias, com a atua\u00e7\u00e3o desses \u00f3rg\u00e3os, quais foram os resultados obtidos?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">De modo muito global, apesar de todos os problemas que, ainda, a regi\u00e3o enfrenta, n\u00f3s constatamos um fortalecimento da economia do Nordeste, apesar de todas suas limita\u00e7\u00f5es, a economia do Nordeste vem se desenvolvendo e vem se fortalecendo.<\/p>\n<p>Sabemos que para se desenvolver a economia de uma regi\u00e3o deve ser considerado 4 fatores b\u00e1sicos. N\u00f3s dir\u00edamos que s\u00e3o b\u00e1sicos para o desenvolvimento da economia de uma regi\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos humanos, a utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, tecnologia e capital. Esses 4 componentes indispens\u00e1veis para o desenvolvimento da economia v\u00eam sendo utilizados racionalmente no Nordeste.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>O senhor pode se deter mais particularmente nas a\u00e7\u00f5es do DNOCS para, na sua contribui\u00e7\u00e3o, para a minimiza\u00e7\u00e3o dos efeitos da seca?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Primeiro, atrav\u00e9s do programa da irriga\u00e7\u00e3o. O programa da irriga\u00e7\u00e3o que, apesar de ter sido uma preocupa\u00e7\u00e3o constante do DNOCS, desde o seu nascimento, somente vem tomando um desenvolvimento mais efetivo a partir de 1970. E este programa de irriga\u00e7\u00e3o, que eu considero como problema b\u00e1sico para o desenvolvimento da agricultura nordestina, do meio rural nordestino, ele engloba os 4 fatores do desenvolvimento da economia, ele envolve, na forma como o DNOCS vem concebendo e desenvolvendo seus projetos, uma utiliza\u00e7\u00e3o intensiva dos recursos humanos da regi\u00e3o. Os programas de irriga\u00e7\u00e3o desenvolvidos pelo DNOCS s\u00e3o altamente absorvedores de m\u00e3o de obra. \u00c9 claro que n\u00f3s poder\u00edamos desenvolver projetos automatizados, grandemente mecanizados, com muito mais rentabilidade econ\u00f4mica do que os projetos do sistema que estamos desenvolvendo atrav\u00e9s da empresa familiar que absorve grande parcela da m\u00e3o de obra. Ent\u00e3o os recursos humanos s\u00e3o absorvidos, a m\u00e3o de obra aproveitada e empregada no sentido do aproveitamento racional dos recursos naturais, principalmente dos recursos de \u00e1gua e solo. Eu diria tamb\u00e9m os recursos de clima, do sol, que \u00e9 um grande recurso \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Nordeste.<\/p>\n<p>O programa de irriga\u00e7\u00e3o emprega, tamb\u00e9m, capital, porque os investimentos num projeto de irriga\u00e7\u00e3o s\u00e3o grandes investimentos, provenientes do Governo Federal, ent\u00e3o, \u00e9 uma maneira de se transferir para a regi\u00e3o recursos de capital para desenvolver a regi\u00e3o. Esses fatores conjugados t\u00eam dado, no projeto de irriga\u00e7\u00e3o no Nordeste, excelentes resultados. O adiantado da hora n\u00e3o me permite entrar em maiores considera\u00e7\u00f5es, mas n\u00f3s j\u00e1 temos, no Nordeste, 24 projetos conclu\u00eddos ou em fase de conclus\u00e3o, j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o, com milhares de fam\u00edlias de colonos j\u00e1 assentados, produzindo com resultados bastante compensadores. No ano passado n\u00f3s tivemos projetos em que a m\u00e9dia da renda l\u00edquida obtida pelos colonos foi superior a 90 mil cruzeiros, a produtividade das diversas culturas tem sido muito superior \u00e0 m\u00e9dia do Brasil e atingindo \u00e0s m\u00e9dias alcan\u00e7adas em pa\u00edses como Israel, Espanha, onde a irriga\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolvida com alta tecnologia. Esta produtividade \u00e9 obtida gra\u00e7as a fatores clim\u00e1ticos do Nordeste, gra\u00e7as \u00e0 temperatura uniforme e constante durante o ano, a grande insola\u00e7\u00e3o que favorece o desenvolvimento biol\u00f3gico, como \u00e9 conhecido.<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que a irriga\u00e7\u00e3o, devido, principalmente, ao fator limitante no Nordeste, que \u00e9 a \u00e1gua, n\u00e3o poder\u00e1 atingir a mais do que 2% a 3% da \u00e1rea nordestina. Contanto, \u00e9 um programa absolutamente v\u00e1lido, mas limitado. De maneira que ele n\u00e3o poderia resolver, sozinho, todo o problema do setor agr\u00edcola do Nordeste.<\/p>\n<p>Com esta constata\u00e7\u00e3o, o DNOCS passou a introduzir uma nova forma de explora\u00e7\u00e3o dos seus projetos de irriga\u00e7\u00e3o, com vistas a beneficiar uma \u00e1rea maior e a uma popula\u00e7\u00e3o maior. Surgiram ent\u00e3o os projetos mistos que s\u00e3o projetos que conjugam a irriga\u00e7\u00e3o com a explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de sequeiro.\u00a0\u00a0V\u00e1rios destes projetos j\u00e1 est\u00e3o em plena opera\u00e7\u00e3o, como o Projeto V\u00e1rzea do Boi, em Tau\u00e1, uma das regi\u00f5es mais secas do Nordeste, onde o projeto \u00e9 concebido de forma a que cada fam\u00edlia receba dois hectares irrigados e uma \u00e1rea de seca de 70 a 90ha. O ano passado foi um ano de teste para o Projeto V\u00e1rzea do Boi, foi um ano em que praticamente n\u00e3o choveu na regi\u00e3o dos Inhamus. E o projeto se desenvolveu dentro da sua concep\u00e7\u00e3o e o resultado obtido pelos colonos, no ano passado, que est\u00e1 praticamente no primeiro ano de opera\u00e7\u00e3o do projeto, onde as fam\u00edlias n\u00e3o tinham ainda assimilado todas aquelas t\u00e9cnicas, n\u00e3o estavam ainda perfeitamente conscientes e preparados, o projeto j\u00e1 ofereceu resultados bastante satisfat\u00f3rios, porque a renda m\u00e9dia das fam\u00edlias do Projeto V\u00e1rzea do Boi, no ano passado, foi superior a 12 mil cruzeiros por fam\u00edlia, descontadas todas as despesas das culturas, inclusive, pagamento de taxa de \u00e1gua, impostos e o pr\u00f3prio sustento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Com esta concep\u00e7\u00e3o do projeto misto, a \u00e1rea a ser transformada e melhorada \u00e9 bastante aumentada. De maneira que, nestes projetos, estamos introduzindo uma tecnologia para explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea seca, que \u00e9 uma tecnologia de introdu\u00e7\u00e3o, nestas \u00e1reas, de pastagens resistentes a seca, resultado de experimentos que o DNOCS vem desenvolvendo em 6 fazendas experimentais de \u00e1rea seca, com resultados bastante satisfat\u00f3rios. De maneira que com a introdu\u00e7\u00e3o, principalmente de pastagens ex\u00f3ticas, resistentes a seca, como o cons\u00f3rcio do\u00a0<em>Buffel Grass-Stylosanthes Humilis,<\/em>\u00a0tem dado resultados bastante satisfat\u00f3rios e a seca do ano passado que n\u00e3o quer\u00edamos, mas serviu para n\u00f3s como um grande laborat\u00f3rio de testar estes experimentos.<\/p>\n<p>Desta forma, n\u00f3s vamos ampliando a malha, cobrindo o Nordeste. E com este objetivo j\u00e1 estamos desenvolvendo outro tipo de projeto que n\u00f3s chamamos Projeto da Zona de Transi\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0Sabemos que os nossos projetos de irriga\u00e7\u00e3o s\u00e3o, geralmente, concebidos e instalados pr\u00f3ximos aos cursos d\u2019\u00e1gua, junto \u00e0 aluvi\u00e3o. Existe entre a aluvi\u00e3o e o cristalino, realmente, uma faixa de solos melhorados, de solos profundos que permite um tipo de explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de melhor porte, \u00e9 a chamada zona de transi\u00e7\u00e3o ou os tabuleiros, como s\u00e3o conhecidos. Para estes projetos para essas \u00e1reas, estamos desenvolvendo outro tipo de projeto, \u00e9 o projeto que j\u00e1 est\u00e1, para a zona de transi\u00e7\u00e3o de Morada Nova, totalmente conclu\u00eddo, e vai ser iniciada sua implanta\u00e7\u00e3o este ano, projeto em que cada fam\u00edlia recebe um hectare irrigado e uma m\u00e9dia de 30 a 36 hectares de sequeiro. De maneira que \u00e9 um projeto com menores investimentos por fam\u00edlia, se pode dar melhor condi\u00e7\u00e3o de fixa\u00e7\u00e3o do homem ao solo.<\/p>\n<p>O DNOCS vem se ocupando de aproveitamento mais racional das \u00e1reas de montantes dos a\u00e7udes p\u00fablicos. Estas \u00e1reas que ficam no per\u00edmetro dos grandes a\u00e7udes t\u00eam um potencial muito grande a ser aproveitado. A \u00e1gua est\u00e1 pr\u00f3xima e, com a evapora\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do a\u00e7ude para os projetos de irriga\u00e7\u00e3o, vai descobrindo uma faixa \u00famida de solo que poder\u00e1 ser aproveitada mais racionalmente. J\u00e1 estamos com oito projetos sendo desenvolvidos para a implanta\u00e7\u00e3o nas grandes \u00e1reas dos grandes a\u00e7udes p\u00fablicos do Nordeste, com vistas \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de maior n\u00famero de fam\u00edlias com condi\u00e7\u00e3o semelhante a que t\u00eam os irrigantes, assistidos e com toda assist\u00eancia t\u00e9cnica, assist\u00eancia de capital e assist\u00eancia social, para que eles se integrem no processo produtivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Ainda com vistas ao aproveitamento dos recursos naturais do Nordeste, ainda est\u00e3o desenvolvendo um aproveitamento mais racional da capacidade dos a\u00e7udes para a produ\u00e7\u00e3o de peixe?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Este \u00e9 um trabalho j\u00e1 tradicional do DNOCS, estamos hoje desenvolvendo um trabalho para organizar os pescadores em col\u00f4nias de pescadores, no sentido de que eles possam aproveitar mais racionalmente esse potencial dos a\u00e7udes, para a produ\u00e7\u00e3o de pescado. N\u00f3s sabemos que o peixe \u00e9 um alimento de alto valor proteico e que pode ser oferecido \u00e0s popula\u00e7\u00f5es do Nordeste a baixo custo. \u00c9 uma maneira de se ajudar a popula\u00e7\u00e3o a melhorar a sua dieta, a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. Esse trabalho vem se desenvolvendo e j\u00e1 temos um conv\u00eanio assinado com a SUDEP \u2013 Superintend\u00eancia do Desenvolvimento da Pesca e o PESCAR que \u00e9 o Programa de Pesca Artesanal, no sentido de organizar melhor estes pescadores.\u00a0\u00a0No ano passado tivemos 11.200 pescadores registrados e cadastrados em 100 a\u00e7udes que s\u00e3o cadastrados pelo DNOCS. Apesar de no ano passado termos liberado a pesca nos a\u00e7udes, naquelas \u00e1reas que estavam assoladas pela seca, apesar de termos tomado esta provid\u00eancia, esses 11.200 pescadores produziram mais de 15 mil toneladas de pescado, no valor bruto de produ\u00e7\u00e3o superior a 65 milh\u00f5es de cruzeiros. Esse potencial de pesca poder\u00e1 ser grandemente aumentado e melhorado. O apoio tecnol\u00f3gico para esse programa \u00e9 dado pelo Centro de Pesquisas Ideol\u00f3gicas, que o DNOCS mant\u00e9m junto ao a\u00e7ude Pentecostes, em Pentecoste, e que vem desenvolvendo grandes trabalhos para a solicita\u00e7\u00e3o de peixes do Amazonas e de outras bacias com vistas a melhorar o rendimento da pesca.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, outro programa que procura completar o atendimento a estas popula\u00e7\u00f5es, dentro desta programa\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o da economia nordestina, economia rural nordestina, programa que foi lan\u00e7ado pelo Presidente da Rep\u00fablica no ano passado, em agosto, na reuni\u00e3o da SUDENE, e que todas as provid\u00eancias para a sua implementa\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o sendo adotadas e dever\u00e1 ser iniciado ainda agora no m\u00eas de mar\u00e7o, com o primeiro contrato de financiamento para o projeto sertanejo que ser\u00e1 assinado com o DNOCS e o Banco do Nordeste e um agricultor da regi\u00e3o de Sousa, na para\u00edba, \u00e9 o Projeto Sertanejo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Pode falar melhor dos objetivos do Projeto Sertanejo?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O Projeto Sertanejo tem como objetivo principal o fortalecimento da propriedade rural para resistir aos efeitos da seca. Visa levar para a propriedade, a n\u00edvel de propriedade, toda aquela tecnologia desenvolvida nos Projetos de irriga\u00e7\u00e3o e nos Projetos Mistos, de irriga\u00e7\u00e3o e sequeiro. Pretende-se criar, em cada propriedade uma fonte de \u00e1gua e um projeto, um miniprojeto de aproveitamento racional dessa \u00e1gua e dos solos da propriedade. Em cada propriedade, pretende-se instalar um projeto de irriga\u00e7\u00e3o m\u00ednimo, de 2 a 3 h\u00e1 e desenvolver uma tecnologia para aproveitamento da pastagem nativa e das pastagens ex\u00f3ticas, que ser\u00e3o produzidas de acordo com os experimentos que j\u00e1 temos. A mesma filosofia que est\u00e1 sendo adotada no Projeto V\u00e1rzea do Boi.<\/p>\n<p>Esse projeto tem como concep\u00e7\u00e3o geral, aproveitar toda a tecnologia desenvolvida pelas ger\u00eancias dos per\u00edmetros de irriga\u00e7\u00e3o, e levar essa tecnologia para beneficiar uma \u00e1rea maior. O Projeto prev\u00ea a instala\u00e7\u00e3o, at\u00e9 1980, de 66 n\u00facleos, cada n\u00facleo teria um raio de a\u00e7\u00e3o de 30 quil\u00f4metros, portanto, cada n\u00facleo teria, inicialmente, um raio de a\u00e7\u00e3o de 202 mil hectares, e se prev\u00ea que cada n\u00facleo ir\u00e1 beneficiar, transformar, uma m\u00e9dia de 200 propriedades por ano instalados, 14 a 16 n\u00facleos, as provid\u00eancias para 12 n\u00facleos j\u00e1 est\u00e3o definidas e, possivelmente os recursos permitir\u00e3o a instala\u00e7\u00e3o de mais alguns n\u00facleos. De maneira que este Projeto Sertanejo visa cobrir essa malha que, associado aos grandes projetos de irriga\u00e7\u00e3o, associado aos projetos mistos de irriga\u00e7\u00e3o e sequeiros associados aos projetos da zona de transi\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o projetos governamentais, que ser\u00e3o assistidos pelo Governo, visa tamb\u00e9m assistir aos propriet\u00e1rios naquelas \u00e1reas n\u00e3o atendidas por este projeto. Ao lado disso, teremos ainda, dentro do meio rural nordestino, os projetos agropecu\u00e1rios do FINOR, que s\u00e3o tamb\u00e9m, projetos de grandes propriedades, porque o Projeto Sertanejo visa somente atender as pequenas propriedades, at\u00e9 500 hectares.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td width=\"530\"><em>Ent\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o do Governo, atrav\u00e9s de todos estes programas, naturalmente, n\u00e3o poder\u00e3o oferecer resultados imediatos, resultados a curto prazo que possam eliminar de vez o flagelo da seca, quando essa ocorrer eventualmente, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Mas, a continua\u00e7\u00e3o desses programas \u00e9 essencial para que a m\u00e9dio e longo prazo se possa minimizar esses flagelos, esses efeitos danosos que a seca traz para a popula\u00e7\u00e3o nordestina. Achamos que a a\u00e7\u00e3o do Governo deve sempre se orientar para esses programas a m\u00e9dio e longo prazo, sem, no entanto, descuidar aqueles problemas assistenciais que dever\u00e3o ser implementados, no caso da ocorr\u00eancia de seca e que continuar\u00e3o a ser inevit\u00e1vel, at\u00e9 que estes programas atinjam um grau de implementa\u00e7\u00e3o que elimine o problema. Achamos que as a\u00e7\u00f5es que devem ser desenvolvidas, devem ser no sentido da continuidade a esse programa, de fortalecer os \u00f3rg\u00e3os regionais, principalmente a SUDENE &#8211;\u00a0Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste,\u00a0o Banco do Nordeste, o DNOCS &#8211;\u00a0<em>Departamento Nacional de Obras Contra as Secas<\/em>e a CODEFASF &#8211;\u00a0Companhia de Desenvolvimento dos Vales do S\u00e3o Francisco e do Parna\u00edba, para que disponham de melhor estrutura\u00e7\u00e3o, de melhores recursos humanos, materiais e tecnol\u00f3gicos, para que esses programas tenham continuidade, principalmente recursos financeiros, evitando a descontinuidade que foi uma caracter\u00edstica, principalmente, dos anos anteriores a 64. A hist\u00f3ria nos mostra, se n\u00f3s analisarmos os or\u00e7amentos do DNOCS, verificamos a intermit\u00eancia do afluxo de recursos que eram postos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do DNOCS, de maneira que as a\u00e7\u00f5es que o \u00f3rg\u00e3o desenvolvia n\u00e3o tinham continuidade.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>E quanto ao aspecto de apoio tecnol\u00f3gico?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">Devemos ressaltar que o Governo, recentemente, instalou, no Nordeste, alguns centros de pesquisas que dever\u00e3o, a curto prazo, come\u00e7ar a influir nessas provid\u00eancias, melhorar o aspecto do apoio tecnol\u00f3gico a esses programas do Governo, na regi\u00e3o. Eu me refiro ao Centro de Pesquisas Tr\u00f3pico Semi\u00e1rido, instalado em Petrolina, j\u00e1 com equipe de 43 t\u00e9cnicos da mais alta capacita\u00e7\u00e3o, inclusive com cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no exterior e que j\u00e1 veem estudando todos os problemas inerentes \u00e0s caracter\u00edsticas pr\u00f3prias do Nordeste, principalmente no que se diz respeito ao aproveitamento dos recursos naturais, a planta xer\u00f3fila, a pastagem nativa e outros recursos que s\u00e3o naturais do Nordeste.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a IMBRAPA j\u00e1 instalou em campina grande o Centro Nacional de pesquisas do Algod\u00e3o, que \u00e9 uma grande riqueza, uma grande xer\u00f3fila, tem uma grande import\u00e2ncia na economia nordestina. J\u00e1 instalou em Cruz das Almas, na Bahia, o Centro Nacional de Pesquisas da Mandioca e da Fruticultura. J\u00e1 criou e est\u00e1 em fase de instala\u00e7\u00e3o, em Sobral, no Cear\u00e1, o Centro Nacional de Caprinocultura. Esses Centros de Pesquisas dever\u00e3o desenvolver aqueles estudos para fornecer o apoio tecnol\u00f3gico da melhoria desses programas de Governo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>E quanto a quest\u00e3o das fontes de servi\u00e7o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">H\u00e1 muita gente que pensa que a frente de servi\u00e7o \u00e9 uma improvisa\u00e7\u00e3o, que na frente de servi\u00e7o o Governo \u00e9 tomado de surpresa, na ocorr\u00eancia de uma seca, e por falta de outra medida mais planejada, de melhor efeito, se improvisa a frente de servi\u00e7o, o que n\u00e3o ocorre mais. A SUDENE tem uma larga experi\u00eancia na condu\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia aos flagelados e disp\u00f5e de um plano anual que \u00e9 elaborado com a participa\u00e7\u00e3o dos governos estaduais e dos \u00f3rg\u00e3os que atuam na regi\u00e3o. Esse plano visa ordenar as provid\u00eancias que devem ser desencadeadas t\u00e3o logo ocorra o fen\u00f4meno da seca.<\/p>\n<p>Neste plano s\u00e3o previstas todas as a\u00e7\u00f5es de todos os \u00f3rg\u00e3os envolvidos; prev\u00ea todas as obras que dever\u00e3o ser atacadas, no caso de ocorrer a seca; j\u00e1 prev\u00ea, inclusive, a estocagem em determinados pontos estrat\u00e9gicos e ferramentas para serem rapidamente usadas no caso da ocorr\u00eancia de seca. Enfim, a a\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia, em caso de ocorr\u00eancia de seca, est\u00e1 toda ela concebida, dentro de um plano, que, rapidamente, poder\u00e1 ser implementado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Creio que a seca tem que ser concebida como uma emerg\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Sim, uma cat\u00e1strofe que ocorre. \u00c9 como ocorre cat\u00e1strofes em outras regi\u00f5es do mundo. Nenhum pa\u00eds se aparelha, se prepara para atender terremotos, quando estes ocorrem. Mobiliza-se todos os instrumentos de Governo para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o flagelada. \u00c9 a mesma coisa que ocorre com o problema da seca. N\u00f3s n\u00e3o podemos nos dar ao luxo de nos manter, toda uma estrutura ociosa montada, prontinha, esperando a ocorr\u00eancia de seca para ser acionada.<\/p>\n<p>Este problema n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil mas tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o constante de todos os \u00f3rg\u00e3os, tanto da SUDENE, quanto do DNOCS, quanto dos governos estaduais, procurar tirar o melhor proveito poss\u00edvel daquelas frentes de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>No ano passado, j\u00e1 ficou muito patenteada esta preocupa\u00e7\u00e3o. As frentes de servi\u00e7o, por exemplo, do DNOCS, foram, de prefer\u00eancia, deslocadas para projetos de irriga\u00e7\u00e3o, com vistas a que o trabalho ali desenvolvido fosse uma contribui\u00e7\u00e3o real ao problema geral que se procura resolver, implementar, dar uma contribui\u00e7\u00e3o ao projeto de irriga\u00e7\u00e3o. Isso j\u00e1 foi feito o ano passado.<\/p>\n<p>Outra m\u00e3o de obra de emerg\u00eancia foi, tamb\u00e9m utilizada no ano passado, na constru\u00e7\u00e3o de pequenos e m\u00e9dios a\u00e7udes e que, inclusive, estamos procurando, aqueles que est\u00e3o a cargo do DNOCS, recursos para concluir esses a\u00e7udes, mesmo que esteja conclu\u00eddo o per\u00edodo de seca, com vistas a que os vultosos recursos que foram empregados naquelas frentes de servi\u00e7os, tenham um resultado mais positivo.<\/p>\n<p>Acredito que, no momento, n\u00e3o exista, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, outra solu\u00e7\u00e3o para atender \u00e0 emerg\u00eancia, a n\u00e3o ser as frentes de servi\u00e7o. O que n\u00f3s devemos nos preocupar \u00e9, realmente, tirar o melhor proveito desta m\u00e3o de obra, destes recursos que s\u00e3o despendidos nas frentes de servi\u00e7o para que contribuam para o programa geral, a longo prazo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>A \u00e1gua \u00e9 fator limitativo, mas s\u00e3o reconhecidos os resultados dos a\u00e7udes constru\u00eddos em coopera\u00e7\u00e3o com particulares, pergunto se n\u00e3o seria aconselh\u00e1vel o retorno da pol\u00edtica antiga de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes em coopera\u00e7\u00e3o, serviria para possibilitar irriga\u00e7\u00e3o a baixo custo e ao mesmo tempo aumentar a possibilidade da produ\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O DNOCS desenvolveu, durante algum tempo, aquele programa de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes pelo sistema de coopera\u00e7\u00e3o. O DNOCS elaborava o projeto e entrava com o pr\u00eamio que equivale a 50% do valor da constru\u00e7\u00e3o. Posteriormente, esse programa foi desativado, considerando que era paternalista e n\u00e3o devia o Governo doar um pr\u00eamio ao propriet\u00e1rio. Mas esse programa de constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes vai ser retomado, agora, atrav\u00e9s do Projeto Sertanejo, em condi\u00e7\u00f5es muito melhores do que aquele programa anterior, simplesmente da constru\u00e7\u00e3o do a\u00e7ude.<\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que o a\u00e7ude \u00e9 importante no Nordeste, em virtude do problema da \u00e1gua, h\u00e1 necessidade de reparar \u00e1gua, h\u00e1 necessidade de criar em cada propriedade uma fonte de \u00e1gua que independa da chuva. Mas o a\u00e7ude, sozinho, n\u00e3o resolve o problema, ele tem que ser complementado com seu aproveitamento, ou atrav\u00e9s da irriga\u00e7\u00e3o ou outro qualquer aproveitamento. E o Projeto Sertanejo, como que inspirado no programa de a\u00e7udagem em coopera\u00e7\u00e3o, voltar com esse programa, mas numa roupagem bem mais eficiente, porque o Projeto Sertanejo vai permitir que o propriet\u00e1rio pequeno e m\u00e9dio construa seu a\u00e7ude e sua irriga\u00e7\u00e3o, com financiamento do Governo, em condi\u00e7\u00f5es extremamente favor\u00e1veis.<\/p>\n<p>O Projeto Sertanejo prev\u00ea o financiamento at\u00e9 450 mil cruzeiros por propriedade, em condi\u00e7\u00f5es de juro de 2% ao ano, com o prazo de 20 anos para pagar e 6 anos de car\u00eancia. Quer dizer, estas condi\u00e7\u00f5es de financiamento s\u00e3o as mais favor\u00e1veis que j\u00e1 foram postas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio. N\u00e3o temos d\u00favida nenhuma de que o Projeto Sertanejo \u00e9 muito superior \u00e0quele projeto de coopera\u00e7\u00e3o que o DNOCS hoje n\u00e3o est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Sempre se fala em a\u00e7udagem, po\u00e7os profundos, e ficou esquecido, justamente, a grande ajuda a estas \u00e1reas da irriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 sabido que nossos rios, durante os per\u00edodos de chuva corre com abundante \u00e1gua, levando umidade \u00e0s suas margens. Logo que termina o per\u00edodo de chuva os rios secam e acontece o fen\u00f4meno contr\u00e1rio, passam a ser drenos naturais. Por que n\u00e3o se desenvolve o regime das barragens vertedoras e das barragens submersas?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O problema \u00e9 o seguinte. O DNOCS hoje est\u00e1 desenvolvendo sua a\u00e7\u00e3o nos grandes vales. E, hoje, n\u00f3s iniciamos o estudo do vale como um plano diretor para o desenvolvimento do vale. Estamos desenvolvendo, atualmente, estudos como foi feito para o Vale do Jaguaribe. No Vale do Jaguaribe, a partir de 1962, atrav\u00e9s da miss\u00e3o francesa foram estudados todos os recursos do Vale do Jaguaribe e elaborado um Plano Diretor para o desenvolvimento do vale. Esse plano diretor envolvia o Vale do Gurgueia, o Baixo Parna\u00edba, o Acara\u00fa, o Apodi, o A\u00e7u etc.<\/p>\n<p>De acordo com estes estudos s\u00e3o indicadas todas as solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de serem implementadas para o desenvolvimento daquele vale, para um aproveitamento, principalmente, com vistas ao aproveitamento racional de \u00e1gua e solo existentes no vale.<\/p>\n<p>De maneira que esse mesmo estudo vai ser feito a n\u00edvel de propriedade, no caso do Projeto Sertanejo, a n\u00edvel de n\u00facleo que ser\u00e1 um estudo mais integrado e desenvolvido pela SUDENE, e a n\u00edvel de cada propriedade ser\u00e1 desenvolvido, indicado o projeto de transforma\u00e7\u00e3o daquela propriedade, indicando todas as obras que ter\u00e3o de ser feitas para tornar aquelas propriedades resistentes a seca.<\/p>\n<p>De maneira que o problema da barragem submersa, da barragem vertedora \u00e9 um caso a ser estudado de acordo com as condi\u00e7\u00f5es locais. Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o muito grande, hoje, em todo o Governo, no problema do aproveitamento e da preserva\u00e7\u00e3o dos recursos de \u00e1gua no Nordeste, da defini\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do Nordeste. A SUDENE j\u00e1 est\u00e1 desenvolvendo estudos neste sentido, porque este problema da constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes deve obedecer a uma disciplina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>O que o senhor acha do aproveitamento da m\u00e3o de obra ociosa, por ocasi\u00e3o das secas, nas pr\u00f3prias propriedades rurais atingidas? Para o deputado Ernesto Valente, por meio de financiamentos banc\u00e1rios ou de bolsas de trabalho, com financiamento subsidiado, juros subsidiados, prazo de car\u00eancia a longo prazo, ao inv\u00e9s do deslocamento da imensa massa de trabalhadores para as frentes de trabalho, representam o ordenamento de plano da SUDENE. Isto porque se d\u00e1 o aproveitamento dessa massa humana de trabalhadores nas pr\u00f3prias propriedades agr\u00edcolas?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">O.P.<\/td>\n<td width=\"530\">O problema levantado pelo Deputado Ernesto Valente \u00e9 um problema que j\u00e1 foi analisado, principalmente pela SUDENE, o problema se reveste de uma complexidade muito grande. Realmente, o ideal e o que se procura fazer com o Projeto Sertanejo, com programas de irriga\u00e7\u00e3o, com programas de \u00e1reas mistas etc, \u00e9 a fixa\u00e7\u00e3o do homem na propriedade. A longo prazo, s\u00e3o todos esses programas que est\u00e3o sendo desenvolvidos, mas quando ocorre a seca, naturalmente, o propriet\u00e1rio n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es, devido a estrutura de sua propriedade, de reter aqueles seus moradores. Ent\u00e3o, aquela m\u00e3o de obra fica dispon\u00edvel e procura assist\u00eancia. Como assisti-la?<\/p>\n<p>Assisti-lo na propriedade, o Governo procura faz\u00ea-lo atrav\u00e9s dos financiamentos. Se o Governo, por exemplo, no ano passado, ofereceu condi\u00e7\u00f5es para investimentos, cr\u00e9ditos a condi\u00e7\u00f5es extremamente favor\u00e1veis para aqueles propriet\u00e1rios que quisessem empregar sua m\u00e3o de obra dispon\u00edvel, melhorar sua estrutura da propriedade, para faturamento e o tornar mais resistente a seca.<\/p>\n<p>Mas a forma que o Deputado Ernesto Valente levantou, do Governo dar o dinheiro ao propriet\u00e1rio para, simplesmente, pagar a m\u00e3o de obra e ela ficar na propriedade, at\u00e9 agora n\u00e3o foi considerada v\u00e1lida, pela SUDENE, tornar-se-ia extremamente dif\u00edcil o controle da frequ\u00eancia dessa m\u00e3o de obra, o controle do pagamento, o controle do rendimento dessa m\u00e3o de obra. Mas, as linhas de cr\u00e9dito j\u00e1 existem para isso. O Dr. Salmito pode informar, no ano passado, quais foram as condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito oferecidos aos propriet\u00e1rios, especiais, em fun\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia e somente aplicados naquelas \u00e1reas onde estava ocorrendo a seca.<\/p>\n<p>Uma ideia do Senhor Mauro Rangel \u00e9 um programa em que cada empresa apresentaria, previamente, um plano para fazer aplica\u00e7\u00f5es, aqueles investimentos que tornam a propriedade mais resistente, menos vulner\u00e1vel, no caso de seca. Nesse plano se definiria os itens a serem cumpridos, a m\u00e3o de obra necess\u00e1ria e um or\u00e7amento. Esse plano seria encaminhado, para que fosse estendido a todo o Nordeste, a ideia final dever\u00e1 ser esta, \u00e0 SUDENE ent\u00e3o a SUDENE teria, de cada propriedade agr\u00edcola, um plano que seria executado no caso de se configurar uma seca. Para tornar-se mais f\u00e1cil o controle, os agentes financeiros, os bancos oficiais, os bancos estaduais \u00e9 que caberiam liberar estes recursos. Ent\u00e3o, os recursos para financiar seriam esses que o Governo utiliza para manter a frente de servi\u00e7o, e a frente de servi\u00e7o ficaria como uma reserva estrat\u00e9gica, seria o seguro de desemprego, ent\u00e3o ela n\u00e3o seria, na verdade, extinta mas permaneceria como uma reserva e essa massa de recursos seria ent\u00e3o alocada nas propriedades, naquelas condi\u00e7\u00f5es do Projeto Sertanejo, ou seja, 20 anos, 2% de juro ou at\u00e9 a fundo perdido.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td width=\"530\"><em>Eu tamb\u00e9m, acho v\u00e1lida, porque o objetivo final \u00e9 fixar o homem na propriedade.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L.F. 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