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{"id":1716,"date":"2014-11-29T13:27:01","date_gmt":"2014-11-29T13:27:01","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1716"},"modified":"2021-02-03T00:26:00","modified_gmt":"2021-02-03T00:26:00","slug":"a-poetisa-cora-coralina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2014\/11\/29\/a-poetisa-cora-coralina\/","title":{"rendered":"A Poetisa Cora Coralina"},"content":{"rendered":"<p><strong>A poetisa em\u00e9rita Cora Coralina era geralmente descrita por muitos como \u201cuma mulherzinha do povo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Nada poderia ser mais errado. Pessoa que passou por maus bocados na inf\u00e2ncia, sim, mas \u201cmulherzinha do povo\u201d jamais.<\/p>\n<p>Ana Lins dos Guimar\u00e3es Peixoto, que assinava suas poesias com o nome de Cora Coralina, descendia de duas linhagens nobres de Pernambuco: os Lins e os Guimar\u00e3es Peixoto, que produziram muitos nomes de grande distin\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria do Brasil. Mais ainda, era prima leg\u00edtima do poeta Olavo Bilac, cujo nome completo era Olavo de Br\u00e1s Martins dos Guimar\u00e3es Bilac.<\/p>\n<p>O genealogista Borges da Fonseca, em seu estudo, intitulado Nobiliarquia Pernambucana, informa que a fam\u00edlia Lins chegou a Pernambuco atrav\u00e9s dos irm\u00e3os Crist\u00f3v\u00e3o e Sebaldo Lins, que traziam carta de apresenta\u00e7\u00e3o do Gr\u00e3o Duque de Toscana. Nessa carta eram descritos como \u201citalianos\u201d, e \u201cde antiga fam\u00edlia do nosso ducado\u201d. Seus nomes eram grafados nesse documento como Christophoro e Ciobaldo Lins. Vieram ao Brasil atuando como agentes de banqueiros Fuggers, judeus alem\u00e3es, que financiavam as planta\u00e7\u00f5es de cana de a\u00e7\u00facar de Pernambuco. Dita carta lhes dava a cidadania italiana, e fazia-os crist\u00e3os, ficando assim livres de quaisquer acusa\u00e7\u00f5es de que fossem judeus.<\/p>\n<p>Na realidade tratavam-se dos irm\u00e3os Christoph and Sebald Linz (com Z), origin\u00e1rios de Ulm, Alemanha. Por que raz\u00e3o alem\u00e3es insistiriam em se declararem italianos? Sem d\u00favida para esconder algum outro tipo de ancestralidade n\u00e3o aceita no Brasil colonial.<\/p>\n<p>Os Linz alem\u00e3es tra\u00e7am sua ancestralidade a partir da cidade de Ulm, sendo que a primeira men\u00e7\u00e3o desse nome teria aparecido ali em 1389, assim afirmou o jornalista Albrecht Rieder &#8211; no jornal Ulm Teigeizeitung, em 20 de outubro de 1930. Uma vers\u00e3o brasileira desse artigo, ainda n\u00e3o publicada, \u00e9 intitulada \u201cChristoph Linz veleja ao Brasil. Uma fam\u00edlia antiga de Ulm conquista o mundo\u201d. Rieder afirmou que esses irm\u00e3os alem\u00e3es vieram ao Brasil e se tornaram pr\u00f3speros donos de muitos engenhos, na regi\u00e3o de Porto Calvo, em Alagoas. Sabendo-se que Rieder escreveu isso nos tempos de Adolph Hitler, esse artigo sem d\u00favida pretendia comprovar que os Linz alem\u00e3es eram de pura ancestralidade ariana. Seria isso verdade? Como \u00e9 que alem\u00e3es goi \u2013 n\u00e3o judeus \u2013 teriam sido enviados como agentes de uma casa banc\u00e1ria judaica? \u00c9 dif\u00edcil acreditar nisso.<\/p>\n<p>Conforme j\u00e1 dito, os irm\u00e3os Linz foram primeiramente enviados a Portugal, como agentes da casa banc\u00e1ria dos Fuggers, que financiava os plantadores de cana de a\u00e7\u00facar em Pernambuco. Subseq\u00fcentemente vieram ao Brasil. Ao chegar a Pernambuco, Christoph se casou com Inez Fernandez, neta de Arnau de Holanda, nobre holand\u00eas-alem\u00e3o que chegara ao Brasil em 1535, com Duarte Coelho Pereira, donat\u00e1rio da capitania de Pernambuco. Arnau de Holanda por sua vez se casara com uma filha da famosa judia Branca Dias, e seu marido Diogo Fernandes, donos do engenho da Muribeca. Arnau de Holanda alegadamente era filho de uma irm\u00e3 do Papa Adriano VI, o primeiro e \u00fanico papa holand\u00eas da Igreja Cat\u00f3lica. Sem d\u00favida alguma os Lins de Pernambuco descendiam de gente de estirpe nobre.<\/p>\n<p>O lado Guimar\u00e3es Peixoto, de Cora Coralina, n\u00e3o deixa de ser menos nobre. O primeiro desse nome no Brasil foi o Dr. Domingos Ribeiro dos Guimar\u00e3es Peixoto, Bar\u00e3o de Iguara\u00e7u. Era m\u00e9dico da Imperial C\u00e2mara, e como tal assistiu os nascimentos de D. Pedro II, bem como os de suas irm\u00e3s. Dentro dessa tradi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, os Guimar\u00e3es Peixoto produziram toda uma linhagem de m\u00e9dicos pernambucanos desse mesmo nome, bem como juristas renomados. O pai de Ana Lins dos Guimar\u00e3es Peixoto foi o desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimar\u00e3es Peixoto, de Goi\u00e1s Velho, ent\u00e3o a capital do Estado de Goi\u00e1s. Esse jurista pernambucano fora para Goi\u00e1s por nomea\u00e7\u00e3o de D. Pedro II.<\/p>\n<p>O Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimar\u00e3es Peixoto tendo falecido prematuramente, numa \u00e9poca quando n\u00e3o havia nenhum sistema de benef\u00edcio governamental ou prote\u00e7\u00e3o aos \u00f3rf\u00e3os e vi\u00favas dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, sua fam\u00edlia ficou destitu\u00edda e passou por maus bocados. No entanto, na minha \u00f3tica, essa condi\u00e7\u00e3o de pobreza eventual, n\u00e3o fazia de Cora Coralina \u201cuma mulherzinha do povo\u201d, como afirmam aqueles que ignoram os antecedentes nobres da poetisa goiana, descendente do Bar\u00e3o de Iguara\u00e7u, e prima leg\u00edtima do poeta Olavo dos Guimar\u00e3es Bilac.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lido\u00a0<strong>2552<\/strong>\u00a0vezes<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poetisa em\u00e9rita Cora Coralina era geralmente descrita por muitos como \u201cuma mulherzinha do povo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1718,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[304],"tags":[],"class_list":["post-1716","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1716"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1719,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716\/revisions\/1719"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}