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{"id":1684,"date":"2014-11-29T13:03:42","date_gmt":"2014-11-29T13:03:42","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1684"},"modified":"2021-02-02T01:54:22","modified_gmt":"2021-02-02T01:54:22","slug":"os-tabajaras-e-a-localizacao-de-tribos-circunvizinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2014\/11\/29\/os-tabajaras-e-a-localizacao-de-tribos-circunvizinhas\/","title":{"rendered":"Os Tabajaras e a Localiza\u00e7\u00e3o de Tribos Circunvizinhas"},"content":{"rendered":"<p>A origem dos tabajaras \u2013 Os costumes dos tabajaras<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os principais \u2013 Um tipo de parlamento \u2013 A vida<\/p>\n<p>Social dos tabajaras \u2013 As tribos na Ibiapaba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dispers\u00e3o da grande fam\u00edlia Tupi-guarani parece ter sido das mais remotas.Bem mais remota que a verificada com os Aruaques. Sua origem seria dos protomalaios que, em v\u00e1rias correntes, acostaram no istmo do Panam\u00e1. (1) Esses precursores rumaram ao sul, donde se deslocaram para o sudoeste e pela cordilheira dos Andes atingiram o ponto NW, j\u00e1 na bacia amaz\u00f4nica. Em meio \u00e0 selva, um pouco mais adiante, estabeleceram-se numa \u00e1rea dif\u00edcil de ser precisada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o racial, miragem entre os afluentes Madeiras e Xingu, e da\u00ed se irradiaram com rapidez. As migra\u00e7\u00f5es tupis pelo litoral deram-se por \u00faltimo e deixaram sempre, por onde passaram, algumas tribos. Ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa do litoral da Bahia, Pernambuco e Capitania do Rio, recrudesceram as vindas de ind\u00edgenas deste grupo para as costas do Maranh\u00e3o, Cear\u00e1 e Rio Grande do Norte. A difus\u00e3o do grupo Tupi-guarani facilitou a forma\u00e7\u00e3o de numerosos dialetos importantes como o dos potiguares, no litoral entre o Cear\u00e1 e a Para\u00edba; tupinamb\u00e1s, no litoral da Bahia e do Maranh\u00e3o; caet\u00e9s, no litoral de Pernambuco e de Alagoas, finalmente, o dos tabajaras, na serra da Ibiapaba e na parte litor\u00e2nea da Para\u00edba e de Pernambuco (2).<\/p>\n<p>Observe-se que nos referimos ao grupo Tupi-guarani e que o povoamento, n\u00e3o s\u00f3 do Cear\u00e1 mas tamb\u00e9m dos Estados vizinhos foi feito paulatinamente em \u00e9pocas e est\u00e1gios diversificados.No caso de uma refer\u00eancia expl\u00edcita aos tabajaras, eles possivelmente atingiram o planalto da Ibiapaba um ou dois s\u00e9culos antes do descobrimento do Brasil. Desse modo a sua presen\u00e7a naquela \u00e1rea nos parece anterior \u00e0 corrente migrat\u00f3ria Tupi (3) proveniente do litoral, criada em fun\u00e7\u00e3o da press\u00e3o colonizadora portuguesa.Quando muito, os que ganharam o planalto nessa \u00e9poca fizeram aumentar o contingente num\u00e9rico do grupo j\u00e1 ali estabelecido, que dominava os torairius tapuios a quem, com certeza, haviam expulsado das melhores zonas da serra.Em in\u00edcios do s\u00e9culo XVII, os europeus que visitaram essas bandas j\u00e1 encontraram \u00edndios adaptados e estabelecidos.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>Exposi\u00e7\u00e3o feita por Thomas Pompeu Sobrinho in \u201cPr\u00e9-hist\u00f3ria Cearense\u201d, p\u00e1gina 99. Refuta ele a hip\u00f3tese de Paul Radin, levantada in \u201c\u00cdndias of South Am\u00e9rica\u201d (1946), de que os tupi irradiaram-se do Guair\u00e1, na regi\u00e3o m\u00e9dia do Paran\u00e1, fundamentando essa hip\u00f3tese em semelhan\u00e7as de car\u00e1ter cultural entre os tupis e os ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Norte, com quem teriam estreitas liga\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da corrente antiliana. Possivelmente teriam estes passado ao continente subindo o rio Amazonas, estabelecendo-se na sua parte sul, na regi\u00e3o entre o Xingu e o tapaj\u00f3s.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>Thomaz Pompeu Sobrinho; op. cit., p\u00e1gina 194.<\/li>\n<li>\u201cOs tabajaras, diziam-se os povos mais antigos do Brasil, isso quer dizer que eles foram aquela tribo dos tupis que primeiro chegou ao Brasil , e que conservou sempre as suas primeiras sedes entre o rio Parna\u00edba e a serra da Ibiapaba\u201d. Cf.Ludwig Schwennhagen, Antiga Hist\u00f3ria do Brasil de 1.100 a 1.500 A.C. p\u00e1g. 45. Desse\u00a0 relato \u00e9 pois de se encaminhar para a conclus\u00e3o de que os tabajaras foram precedidos pelos cariris no povoamento do Cear\u00e1, e antecederam aos potiguares dentro da divis\u00e3o denominada de grupo Bras\u00edlia (4). Para Ludwig Schwennhagen (5) os fen\u00edcios transportaram os tupis, palavra que significa filho de Tupan, de lugar onde est\u00e1 hoje o Mar das Caribas onde havia\u201dum grande peda\u00e7o de terra firme, chamado Cara\u00edba (isto \u00e9, terra dos caras ou caris). Nessa Cara\u00edba e nas ilhas em redor viviam naquela \u00e9poca as sete tribos da na\u00e7\u00e3o tupi que foram refugiados da desmoronada Atl\u00e2ntida, chamaram-se Caris, e eram ligados aos povos c\u00e1rios, do Mar Mediterr\u00e2neo&#8230;O pa\u00eds Cara\u00edba&#8230;teve a mesma sorte que a Atl\u00e2ntida. Todos os anos desligava-se em peda\u00e7os at\u00e9 que desapareceu inteiramente afundado no mar. Contam que os \u00a0tupis salvaram-se em pequenos botes, rumando para o continente onde j\u00e1 est\u00e1 a Rep\u00fablica da Venezuela&#8230; Quando chegaram os primeiros padres espanh\u00f3is na Venezuela, contaram-lhes os piegas aqueles acontecimentos do passado. Disseram que a metade da popula\u00e7\u00e3o das ilhas, amea\u00e7adas pelo mar, retirou-se em pequenos navios para a Venezuela, mas que morreram milhares na travessia. A outra metade foi levada em grandes navios para o Sul onde encontraram terras novas e firmes. Varnhagem, Visconde de Porto Seguro, confirma na sua Hist\u00f3ria Brasileira, que essa tradi\u00e7\u00e3o a respeito da emigra\u00e7\u00e3o dos Caris-tupis, da Cara\u00edba para o Norte\u00a0 do continente sul-americano, vive ainda entre o povo ind\u00edgena da Venezuela. O padre Antonio Vieira, o grande ap\u00f3stolo dos ind\u00edgenas brasileiros, assevera em diversos pontos de seus livros, que os Tupinamb\u00e1s, como os Tabajaras, contaram-lhe que os povos tupis imigraram para o Norte do Brasil pelo mar, vindos dum pa\u00eds que n\u00e3o existia mais\u201d.(6) Segundo esta tese os fen\u00edcios, amigos dos tupis, exigiam como pagamento pelo transporte o fornecimento de soldados para garantirem e policiarem suas empresas no interior.Tupigarani que teria sido modificado pelos padres portugueses para tupi-guarani significaria \u201cguerreiro da ra\u00e7a tupi\u201d. Os primeiros emigrantes teriam aportado em Tut\u00f3ia e da\u00ed se dividiram em tr\u00eas povos: Tabajaras, entre o rio Parna\u00edba e a serra da Ibiapaba; os Potiguares al\u00e9m do rio Poti, e Cariris que tomaram as terra da Ibiapaba para o nascente. A segunda leva de emigrantes veio dar a um segundo ponto escolhido pelos fen\u00edcios: a ilha do Maranh\u00e3o que denominaram Tupaon (burgo de Tupan) e ali fundaram v\u00e1rias vilas, das quais existiam vinte e sete ao tempo da vinda dos europeus. Os Tabajaras duvidaram da legitimidade de tupi de tais emigrantes pois eles trouxeram antigos ind\u00edgenas Cara\u00edbas que para eles trabalhavam. Adotaram eles ent\u00e3o o nome referencial de Tupinamb\u00e1s. Quanto aos guaranis foram os leg\u00edtimos tupis e se armaram com armas de bronze que lhes forneceram os fen\u00edcios.(7)<\/li>\n<li>Tipos \u00e9tnicos cuja \u00e1rea pr\u00f3pria situa-se aproximadamente na parte norte cisandina da bacia amaz\u00f4nica, de onde se difundiu. Como agricultores que eram, preferiram as terras com florestas, e no Nordeste do Brasil, os locais de aridez m\u00ednima, como as margens do rio S\u00e3o Francisco. Quanto ao aspecto f\u00edsico, eram de estatura baixa, uma m\u00e9dia de 1,6 metro para O homem; 1,47 metro para mulher; cara larga, nariz um tanto chato, musculatura desenvolvida, cabe\u00e7a um tanto quanto baixa e curta. No campo cultural,\u00a0 as\u00a0\u00a0 suas\u00a0\u00a0 ind\u00fastrias\u00a0 eram neol\u00edticas e evolu\u00edram gradativamente, prova de que fizeram dela uso inteligente.As grandes fam\u00edlias desse grupo radial inclu\u00edram, al\u00e9m dos Tupi-guaranis, os Aruaques e os\u00a0 grupos dos Cara\u00edbas e Pebas. In Thomas Pompeu Sobrinho, \u201cPr\u00e9-Hist\u00f3ria Cearense\u201d p\u00e1ginas 84\/89<\/li>\n<li>Autor de uma Antiga Hist\u00f3ria do Brasil de 1.100 a.C. a 1.500 d.C. d\u00e1 os fen\u00edcios como os primeiros descobridores do Brasil. Nasceu na Alemanha e morreu no Nordeste em local n\u00e3o precisado. Nota da Autora.<\/li>\n<li>Ludwig Schwennhagen, Antiga Hist\u00f3ria do Brasil de 1.100 a.C. a 1.500 d.C. p\u00e1g.44-45.<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li>\u00a0Sobre os fen\u00edcios cf. maiores dados\u00a0 nas\u00a0 notas\u00a0 introdut\u00f3rias de\u00a0 Moacir\u00a0 Lopes\u00a0 na\u00a0\u00a0 Antiga\u00a0 Hist\u00f3ria do Brasil de Ludwig Schwennhagen. Dando como fonte \u201cO Dia\u201d, de Maio de 1968, Transcreve not\u00edcia de que o professor americano Cyrus Gordon,\u00a0\u00a0 especialista\u00a0 em\u00a0 assuntos Mediterr\u00e2neos, decifrou s\u00edmbolos encontrados\u00a0 na\u00a0\u00a0 Para\u00edba\u00a0 que\u00a0 provam\u00a0 que\u00a0 aquele\u00a0 povo esteve entre n\u00f3s \u201cpelo menos dois mil anos antes de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo descobrir a Am\u00e9rica e Cabral chegar ao Brasil.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>OS TABAJARAS<\/strong><\/p>\n<p>Quando os brancos chegaram \u00e0 Ibiapaba ali viviam \u00edndios de l\u00edngua geral, ocupando o ter\u00e7o norte do Planalto. A eles rendiam vassalagem os outros Tapuias\u00a0 da serra. Poucos tinham cabelos brancos. Nenhum calvo. Por h\u00e1bito, arrancavam os pelos do corpo, inclusive sobrancelhas e a barba.<\/p>\n<p>Vaidosos quanto a honrarias e a postos eram supersticiosos. Desordenados no beber, no que se iniciavam desde os sete anos. Eram os Tabajaras. (8)<\/p>\n<p>Suas festas eram animadas com flautas e tambores, valendo a lembran\u00e7a de que poucas lendas nos ficaram dos nativos, sendo o fato atribu\u00eddo \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria, preocupada em \u201capag\u00e1-las e em substitu\u00ed-las\u201d. (9)<\/p>\n<p><strong>O PARLAMENTO &amp; A ALDEIA<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA Na\u00e7\u00e3o Tabajara, entre todas as do Brasil, \u00e9 a de melhor ju\u00edzo\u201d. (10). Todas as decis\u00f5es eram tomadas em forma de consultas, e, para tanto, havia no centro de cada aldeia uma casa-parlamento. Ali os interessados, especialmente fidalgos e velhos, armavam suas redes e debatiam at\u00e9 que chegassem a um acordo. Geralmente os debates eram longos, cabendo ao Principal decidir sobre o que haviam de fazer. As aldeias eram estruturadas com o Principal ou Maioral, fidalgos e velhos, havendo uma hierarquia de feiticeiros. Em cada grupo que se formava em aldeia, o local escolhido para a constru\u00e7\u00e3o de suas habita\u00e7\u00f5es era sede do aldeamento por cinco ou seis anos, quando constru\u00edam novas aldeias que recebiam nome da anterior. As cabanas eram constru\u00eddas todas sem separa\u00e7\u00e3o. As miss\u00f5es dos jesu\u00edtas e as constantes persegui\u00e7\u00f5es limitaram logicamente esse costume.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>Tabajaras \u2013\u201csenhores do rosto\u201dporque conservavam o rosto limpo de lavores artificiosamente perp\u00e9tuos. Abeville conta uma outra vers\u00e3o: numa festa uma mulher e um companheiro brigaram e os \u00edndios se dividiram, chamando uns aos outros tabajaras.\u00a0 \u201cTu \u00e9s meu inimigo\u201d.\u00a0 \u201cEu\u00a0sou teu inimigo\u201d. Segundo Jos\u00e9 de Alencar e Theodoro Sampaio, o significado de tabajaras ou\u00a0tabaijaras, \u00e9 o de alde\u00f5es ou senhores de aldeias (taba-aldeia; yara-senhor). Isto \u00e9 tamb\u00e9m\u00a0 de\u00a0acordo com Prazeres Maranh\u00e3o (1867), In \u201cHist\u00f3ria da Companhia de Jesus\u201d, todavia, o padre\u00a0Serafim Leite emite a grafia \u201ctobojara\u201d que j\u00e1 fora adotado pelo\u00a0 padre\u00a0 Ascenso\u00a0 Gago (1695) Significando \u00a0\u201csenhores do rosto\u201d. \u00a0A \u00a0etimologia\u00a0 \u00a0seria ent\u00e3o\u00a0 \u00a0toba(ti)\u00a0 \u00a0oba-rosto \u00a0de gente\u00a0yara-senhor\u00a0 ou\u00a0 dono\u00a0 dos\u00a0 rostos.\u00a0 Para Hansstaden,\u00a0\u00a0 in\u00a0 \u201cViagem ao Brasil\u201d,\u00a0 traduzido\u00a0 por Alberto Lofgren,\u00a0\u00a0 tobojara\u00a0 viria\u00a0 de\u00a0 abaiara- (os contr\u00e1rios, inimigos do \u00edndio).\u00a0 O voc\u00e1bulo\u00a0 Abaiara pode ainda significar primo ou irm\u00e3o da esposa,\u00a0 palavra\u00a0 que\u00a0 por\u00a0 se\u00a0 referir\u00a0 a gente\u00a0leva o \u201cT\u201d. O padre Luiz Figueira, em sua Rela\u00e7\u00e3o, n\u00e3o menciona os \u00edndios da serra por este\u00a0nome, talvez porque n\u00e3o tenha ouvido tal nomeentre eles. Elementos de\u00a0 \u201cTr\u00eas Documentos\u00a0do\u00a0 Cear\u00e1 Colonial \u201c, p\u00e1ginas 156\/157.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>Capistrano de Abreu, in \u201cCap\u00edtulos da Hist\u00f3ria Colonial\u201d, p\u00e1g. 55.<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li>\u00a0Padre Ascenso Gago, carta anua de 1\u00ba de outubro de 1695. Cultivavam a macaxeira, tamb\u00e9m chamadas de mandioca mansa. No s\u00e9culo XVII conseguiam sal atrav\u00e9s de incipientes rela\u00e7\u00f5es de troca com tribos que habitavam o litoral. Os que n\u00e3o conseguiam esse produto, usavam cinzas de determinadas plantas, como fosse sal. O palmito era extra\u00eddo da parte tenra do baba\u00e7u, uma esp\u00e9cie de palmeira.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O CASAMENTO E A OUTRA VIDA<\/strong><\/p>\n<p>Entre os tabajaras bastava a licen\u00e7a do pai ou do irm\u00e3o para que se considerassem casados, sem cerim\u00f4nia e sem indissolubilidade. Os filhos eram sustentados at\u00e9 se casarem. O casamento era feito em idades de 9 e 10 anos. Os esposos podiam ser repudiados, tanto pelo homem como pela mulher. A poligamia, por\u00e9m, era privativa do homem, que podia ter tantas mulheres quantas pudesse sustentar, sendo alguns deles encontrados com 40 ou 50 mulheres, mas havia a mais querida, a quem cabia coordenar o trabalho das demais. Alguns casavam com duas irm\u00e3s e muitos com suas cunhadas pois era obedecida cegamente a lei segundo a qual o irm\u00e3o vivo ficaria com a mulher do irm\u00e3o morto.<\/p>\n<p>O poder espiritual representou sempre o maior dos poderes. O poder do feiticeiro era imenso. \u00c9 assim explic\u00e1vel a atitude de neutralidade um tanto quanto hostil com que esses dirigentes espirituais acolheram os mission\u00e1rios. De in\u00edcio a maioria dos \u00edndios reagiu contra a catequese, chamando a igreja romana de \u201cmoanga\u201d (11) e a doutrina de \u201cmarandubas\u201d de \u201cabares\u201d. (12) Os que freq\u00fcentavam as capelas eram ironizados. Os velhos afirmavam que s\u00f3 se batizariam quando Deus encarnasse uma segunda vez (13). Acreditavam na exist\u00eancia de tr\u00eas aldeias embaixo da terra para onde iriam depois de mortos (14). Assim, de algum modo acreditava na encarna\u00e7\u00e3o uma outra vez, sob certas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A VISITA<\/strong><\/p>\n<p>Os Tabajaras costumavam ter no terreiro uma casa aberta para aqueles que chegassem de visita. Essa casa era pr\u00f3xima \u00e0 moradia do Principal. Ali estava armada uma rede, onde se deitava, ap\u00f3s um determinado cerimonial, o visitante. O visitante acolhido, chegava o Principal indagando \u201cEm Jur O\u00e2n\u201d ao que respondia o visitante \u201cAujuron\u201d (15). Ao sentar-se o Principal, entravam os outros, pela ordem de import\u00e2ncia na tribo e faziam a mesma pergunta. Em seguida um grupo de mulheres, tendo \u00e0 frente a mulher do Principal, colocava defronte ao visitante cuias com comidas e bebidas, essas feitas de ra\u00edzes ou farinha de pau. Feito isso, as mulheres se retiravam, sem dizer nenhuma palavra. O visitante pedia a cuia trazida pela mulher do Principal e depois todas as outras comidas e bebidas, como parte do ritual, para evitar ressentimentos. Satisfeito o visitante, retiradas as cuias, levantava-se o Principal dando as boas vindas e dizia, primeiro, ter conhecimento antecipado da chegada do visitante pelos avisos da natureza e pelo v\u00f4o dos p\u00e1ssaros. Passava, ent\u00e3o, a relatar, com a presen\u00e7a de todos, as gl\u00f3rias da tribo e suas gl\u00f3rias pessoais, especialmente de participa\u00e7\u00e3o em combate. A sua fala era geralmente conclu\u00edda com aplausos da aldeia que dizia \u201csapirupi, sapirupi\u201d (16). O visitante falava, ap\u00f3s o acontecido, dos motivos de sua viagem. Havia m\u00fasica e dan\u00e7as, e, ao final, lhe eram oferecidas mulheres.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>Falsa. Da tradu\u00e7\u00e3o da Rela\u00e7\u00e3o de Vieira.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>\u201cPatranha de Padres\u201d IDEM.<\/li>\n<li>A primeira tinha nascido como branco. Agora que voltasse de uma donzela \u00edndia. Nota da Autora.<\/li>\n<li>Chamavam-se aldeias\u00a0 Ibirupiguaya,\u00a0 Inhambuapixar\u00e9,\u00a0 Anhamari.\u00a0 Da\u00a0 Rela\u00e7\u00e3o\u00a0 de Vieira\u00a0 p\u00e1g. 120.<\/li>\n<li>J\u00e1 vieste? J\u00e1 vim. Tradu\u00e7\u00e3o, in \u201cTr\u00eas Documentos do Cear\u00e1 Colonial \u201c, p\u00e1g. 26\/27.<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li>\u00a0\u00c9 verdade. \u00c9 verdade. Tradu\u00e7\u00e3o e costume, in \u201cTr\u00eas Documentos do Cear\u00e1 Colonial \u201c, p\u00e1g. 26\/27.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>O ENTERRO<\/strong><\/p>\n<p>Da rela\u00e7\u00e3o de Figueira podemos concluir que no costume de enterrar seus mortos os tabajaras o ritual da mesma na\u00e7\u00e3o que habitava outros lugares. Dobravam o cad\u00e1ver formando um bloco ou fardo numa posi\u00e7\u00e3o que imitava a situa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a no ventre materno. Depois de amarrado e apertado com cord\u00e3o ou corda de algod\u00e3o, era colocado num grande recipiente de cer\u00e2mica, que era fechado e ent\u00e3o enterravam num buraco fundo.<\/p>\n<p>Outro, por\u00e9m, era o costume de tribos que tamb\u00e9m habitavam a Ibiapaba e que rendiam vassalagem aos tabajaras, como os tocariuns. Seus mortos tinham os ossos cremados e misturados a infus\u00f5es, suas carnes eram comidas. Se assim faziam nada os ligava \u00e0 antropofagia como culto de sobreviv\u00eancia, mas tal costume lhes era pertencente como um ritual para \u201cevitar saudade\u201d, fazendo seus mortos participarem de suas pr\u00f3prias exist\u00eancias, o que n\u00e3o impede, contudo, que se veja nisso uma pr\u00e1tica em que a natureza humana procurava suprir as defici\u00eancias alimentares digerindo, inclusive, as entranhas de seus mortos.<\/p>\n<p><strong>AS TRIBOS NA IBIAPABA<\/strong><\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o de tribos em torno do maci\u00e7o da Ibiapaba quando da chegada do elemento branco, tinha a seguinte distribui\u00e7\u00e3o: tapuias rerius a leste (nos sert\u00f5es) juntamente com os Wanac\u00e9s; ao norte e ao nordeste, os acongua\u00e7us; &#8211; ao sul e ao suleste viviam os quiratiuns ou caratius. Do lado ocidental, no atual territ\u00f3rio do Piau\u00ed, al\u00e9m dos carijus, tacarins ou tocarijus, os anaperus. Para o norte, percorrendo as praias, os trememb\u00e9s. Para o sul, os quixarius, nos altos sert\u00f5es dos Inhamuns. Tribos menores habitavam as zonas vizinhas e at\u00e9 mesmo sob a chapada, ainda que por algum tempo, como foi o caso dos anac\u00e9s e, tamb\u00e9m, dos azimins.Os acongua\u00e7us eram os mesmos acamu\u00e7us e guacongua\u00e7us. Os wanac\u00e9s, o mesmo que os guanac\u00e9s e aguanac\u00e9s. Os caratius ou cratius do rio Poti s\u00e3o os mesmos quiratius e caratis. O problema da plural\u00edstica denomina\u00e7\u00e3o das tribos ind\u00edgenas se deve ao fato de que conhecemos tais tribos n\u00e3o pelo seu nome mas pelos nomes que lhes impuseram os tupis que assistiam aos colonos exploradores ou conquistadores. Outras, levavam o nome de seu chefe mais not\u00e1vel, daquele que os levava ao \u00eaxito de aventuras guerreiras, sendo que esse Principal tapulo tomava, \u00e0s vezes, nome tupi. Um exemplo \u00e9 o da na\u00e7\u00e3o Atxicaina, conhecida pelo nome de tamariu, ou pelo seu chefe, Janduin e Andui ou Nandui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>AZEVEDO, J. L\u00facio de OS JESUITAS NO GR\u00c3O: PARA SUAS MISS\u00d5ES E A COLOZA\u00c7\u00c3O. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Coimbra: 1930.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>BARROSO, Gustavo.\u00a0 A MARGEM DA HIST\u00d3RIA DO CEAR\u00c1.\u00a0\u00a0 Fortaleza: Imprensa Universit\u00e1ria do Cear\u00e1: 1962.<\/li>\n<li>DABEVILLE, Claude.\u00a0\u00a0 HIST\u00d3RIA\u00a0 DA\u00a0 MISS\u00c3O\u00a0 DOS\u00a0 PADRES CAPUCHINHOS NA ILHA\u00a0 DO\u00a0 MARANH\u00c3O\u00a0 E\u00a0 TERRAS\u00a0 CIRCUNVIZINHAS EM QUE SE TRATA\u00a0 DAS SINGULARIDADES\u00a0 ADMIR\u00c1VEIS\u00a0 DOS\u00a0 COSTUMES\u00a0 ESTRANHOS\u00a0 DOS\u00a0 \u00cdNDIOS HABITANTES DO PA\u00cdS; Livraria Martins Editora: 1945.<\/li>\n<li>FIGUEIRA,\u00a0 Lu\u00eds\u00a0\u00a0\u00a0 \u201c \u00a0RELA\u00c7\u00c3O \u00a0DO \u00a0MARANH\u00c3O\u201d; \u00a0INTRODU\u00c7\u00c3O,\u00a0 NOTAS\u00a0 E COMENT\u00c1RIOS,\u00a0 Thomas\u00a0 Pompeu\u00a0 Sobrinho.\u00a0 TR\u00caS\u00a0 DOCUMENTOS\u00a0 DO\u00a0 CEAR\u00c1\u00a0 COLONIAL. Cole\u00e7\u00e3o Hist\u00f3ria e Cultura. Fortaleza: Imprensa Oficial. 1967.<\/li>\n<li>GUERREIRO , Fern\u00e3o.\u00a0 \u201c DA\u00a0 MISS\u00c3O\u00a0 QUE\u00a0 FIZERAM\u00a0 O\u00a0 PADRE\u00a0\u00a0 FRANCISCO PINTO E\u00a0 O\u00a0 PADRE\u00a0 LU\u00cdS\u00a0 FIGUEIRA\u00a0 AO\u00a0 RIO\u00a0 MARANH\u00c3O\u201d,\u00a0\u00a0 REVISTA\u00a0\u00a0 DO\u00a0 INSTITUTO DO CEAR\u00c1. Tomo XXI (1902) 249-252.<\/li>\n<li>JOSEPH, Juv\u00eancio.\u00a0\u00a0 LU\u00cdS\u00a0\u00a0 FIGUEIRA\u00a0\u00a0 E\u00a0\u00a0 FRANCISCO\u00a0\u00a0 PINTO,\u00a0\u00a0 REVISTA\u00a0\u00a0 DO INSTITUTO DO CEAR\u00c1, Vol. XXII (1909) \u2013 64\/65.<\/li>\n<li>LISBOA, Cristovam de \u201cSobre hum memorial que fez Lu\u00eds Figueira religioso da Companhia de Jesus sobre as coisas tocantes a conquista do Maranh\u00e3o\u201d,\u00a0 REVISTA DO\u00a0 INSTITUTO\u00a0 DO CEAR\u00c1, Tomo XX (1906) \u2013 324-338.<\/li>\n<li>MORAES, Jos\u00e9 . HIST\u00d3RIA DA COMPANHIA DE JESUS,\u00a0 coligida\u00a0\u00a0 e\u00a0\u00a0 anotada\u00a0\u00a0 por\u00a0 C\u00e2ndido Mendes de Almeida, Tomo I. Tipografia do Com\u00e9rcio. 1860.<\/li>\n<li>SCHEWENNHAGEN, Ludwig .\u00a0 ANTIGA \u00a0HIST\u00d3RIA \u00a0DO \u00a0BRASIL DE 1.100 A.C\u00a0 a 1.500 D.C., \u00a0apresenta\u00e7\u00e3o de Moacir L. Lopes, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o: Rio de Janeiro. Livraria e Editora C\u00e1tedra. 1970.<\/li>\n<li>SERAFIM, Leite.\u00a0 HIST\u00d3RIA\u00a0 DA\u00a0 COMPANHIA\u00a0 DE JESUS NO BRASIL, 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o ,vol. III. S\u00e3o Paulo: Imprensa Nacional, 1943.<\/li>\n<li>SOBRINHO, Thomas Pompeu. HIST\u00d3RIA DO CEAR\u00c1 PR\u00c9-HIST\u00d3RIA CEARENSE.Fortaleza: Editora Instituto do Cear\u00e1, 1955.<\/li>\n<li>STUDART FILHO, Carlos.\u00a0\u00a0 O\u00a0\u00a0 ANTIGO\u00a0\u00a0 ESTADO\u00a0\u00a0 DO\u00a0\u00a0 MARANH\u00c3O\u00a0\u00a0 E\u00a0\u00a0 SUAS\u00a0 CAPITANIAS FEUDAIS,\u00a0\u00a0 Biblioteca\u00a0 da\u00a0 Cultura,\u00a0 s\u00e9rie\u00a0 b \u2013\u00a0 Estudos Pesquisas \u2013 vol. I.\u00a0 Fortaleza: Imprensa Universit\u00e1ria do Cear\u00e1, 1960.<\/li>\n<li>VIEIRA, Antonio; C\u00f3pia de uma\u00a0 carta a El-rey\u00a0 sobre\u00a0 as\u00a0 Miss\u00f5es do Cear\u00e1, do Maranh\u00e3o, do Par\u00e1 e das Amazonas, REVISTA DO INSTITUTO DO CEAR\u00c1, Tomo X (1896),\u00a0 106 \u2013<\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li>\u00a0VIEIRA, Antonio. Rela\u00e7\u00e3o\u00a0 da\u00a0 miss\u00e3o\u00a0 da\u00a0 serra\u00a0 de Ibiapaba pelo padre Antonio Vieira\u00a0 da Companhia de Jesus, REVISTA DO INSTITUTO DO CEAR\u00c1. Tomo XVIII (1904), 8-138.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A origem dos tabajaras \u2013 Os costumes dos tabajaras &nbsp; Os principais \u2013 Um tipo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[304],"tags":[],"class_list":["post-1684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1684"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1686,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684\/revisions\/1686"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}