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{"id":1680,"date":"2013-04-03T12:41:29","date_gmt":"2013-04-03T12:41:29","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1680"},"modified":"2021-02-02T01:49:49","modified_gmt":"2021-02-02T01:49:49","slug":"comunicacao-e-cultura-industrial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2013\/04\/03\/comunicacao-e-cultura-industrial\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o e &#8220;Cultura Industrial&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A tentativa do sincretismo buscando uniformizar e priorizar a informa\u00e7\u00e3o vem procurando o sensacionalismo da noticia. Privilegia-se o ex\u00f3tico, o inesperado e o chocante na vida cotidiana como atrativo similar ao das telenovelas, com \u00eanfase nos pseudo-herois que imitam a vida ou na vida \u201cglamourosa\u201d de modelos, atrizes e da realeza. Real e imagin\u00e1rio associam-se no campo de diversifica\u00e7\u00e3o e aumento da audi\u00eancia na comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 dentro dessa l\u00f3gica associativa, entre a real e imagin\u00e1rio, que se move a ind\u00fastria cultural que, como qualquer produ\u00e7\u00e3o de massa, destina-se ao consumo. Assim, teatro, cinema, r\u00e1dio e televis\u00e3o experimentam receitas de sucesso usando mais ou menos os mesmos ingredientes: sexo, amor, viol\u00eancia e uma pitada de humor. Numa busca de agradar a todos os gostos, d\u00e1-se uma a\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e homog\u00eanea que impede do veiculo de transmiss\u00e3o a ser usado. Tudo em nome do esfor\u00e7o na obten\u00e7\u00e3o de uma linguagem universal que tende a se uniformizar na comunica\u00e7\u00e3o globalizada. Formas e linguagem obedecem a um padr\u00e3o que se afirma repetindo uma ret\u00f3rica permanente em obedi\u00eancia a uma gama de que se afirma repetindo uma ret\u00f3rica permanente em obedi\u00eancia a uma gama de interesses que movem a engrenagem da ind\u00fastria cultural.<\/p>\n<p>J\u00e1 no principio o s\u00e9culo esbo\u00e7ou-se a tend\u00eancia \u00e0 ruptura de compartimentos estanques que limitam o p\u00fablico, por n\u00edveis culturais, educando, idade e classes sociais.<sup>\u00a0[1]<\/sup>Focando esta ruptura, Estados Unidos e Fran\u00e7a foram os primeiros a principiarem na imprensa um esfor\u00e7o para fazer ruir barreiras e atingir, diversificadamente, seus leitores. No r\u00e1dio e no cinema inclu\u00edram-se variedade e a informa\u00e7\u00e3o ganhou novo realce com a guerra. Foi na imprensa, por\u00e9m, que surgiram mais n\u00edtidas as influencias sobre o publico masculino e feminino, reafirmando essa dicotomia. Com o florescimento dos quadrinhos deu-se uma forma ampla de comunica\u00e7\u00e3o norteada pelos elementos da ind\u00fastria cultural. Houve como que um preparo industrial de aprendizagem para a \u201ccultura de massas\u201d\u00a0<sup>[2]<\/sup>. Os quadrinhos unificaram o p\u00fablico em torno de fotos e personagens, como Mickey e Pateta. Curiosamente, em muitos casos, a imprensa inclinou-se a privilegiar o feminino, lutos, dores e suspiros de separa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 mais tarde o sincretismo aliaria o conte\u00fado violento e agressivo da cinematografia \u00e0s caracter\u00edsticas privilegiadas pelo feminino.<\/p>\n<p>Embora a imprensa tenha ido a primeira a romper com os compartimentos estanques, foi o cinema que primeiro uniu em suas casas de espet\u00e1culo, individuo de todas as classes sociais, fossem das cidades ou dos campos. Privilegiaram-se informa\u00e7\u00f5es, esportes e enredos de amor, aglutinando-se um p\u00fablico variado. As programa\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e as revistas de grande circula\u00e7\u00e3o, especializadas ou n\u00e3o, seguiram os mesmos passos, at\u00e9 que, em sua plenitude, o sincretismo abolisse quaisquer outros resqu\u00edcios de fronteiras. Isto significa dizer que a pontua\u00e7\u00e3o dos institutos de comunica\u00e7\u00e3o particularizou outros circuitos de audi\u00eancia e incentivou a cria\u00e7\u00e3o de outras dicotomias. Assim, ouvintes e telespectadores foram diferenciados por novos r\u00f3tulos: intelectual, popular e burgu\u00eas. Deu-se uma correspond\u00eancia entre diversos \u201cstatus\u201d sociais e a capacidade salarial, despertados pelos valores comuns de consumo, os quais, por sua vez, continuam fazendo crescer, em r\u00e1pido progresso, outros determinados valores. Em torno disso, adotou-se uma nova dicotomia: ricos e pobres e a distribui\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia em correntes burguesa e popular.<\/p>\n<p>Dos Estados unidos, ber\u00e7o da cultura industrial irradiou-se a tend\u00eancia ao sincretismo na comunica\u00e7\u00e3o, tentando dominar as outras culturas. A cultura industrial norte-americana adaptou musicas e ritmos de outros pa\u00edses e regi\u00f5es, fez filmes em co-produ\u00e7\u00e3o e transplanta\u00e7\u00f5es de \u00e1reas culturais numa f\u00faria cosmopolita e globalizante. Trata-se, hoje, de vender o produto do sincretismo da cultura industrial. \u00c9 a universaliza\u00e7\u00e3o do homem, \u00e9 a caracter\u00edstica global quem agora deve ser o \u201cdenominador comum\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 pela televis\u00e3o que se d\u00e1, de forma mais evidente, essa universaliza\u00e7\u00e3o de valores. Ela \u00e9 o nosso cinema dentro de casa; trazendo um pouco de r\u00e1dio, cinema e teatro: tudo ao nosso dispor ao\u00a0girar de um bot\u00e3o. A corrente burguesa poder\u00e1 preferir o romance moderno, fruto do sonho e do realismo, reprise de grandes cl\u00e1ssicos e a emaranhada teia das intrigas pol\u00edticas. \u00c9, contudo, da fiel corrente popular que surge com maior vigor o fasc\u00ednio por temas como raptos, s\u00f3sias, identidades falsas, crimes misteriosos e disfarces. D\u00e1-se como tra\u00e7o unificador das duas correntes, que tendem a se afirmar substituindo os deuses por her\u00f3is de \u201ccapa e espada\u201d, at\u00e9 formas como a do jornalismo justiceiro. Nesta condi\u00e7\u00e3o, temas educativos e os vinculados \u00e0 cidadania n\u00e3o polarizam aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Certamente legaremos ao s\u00e9c. XXI o acirramento da competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o avan\u00e7o da cultura industrial. Nesta passagem de s\u00e9culo, o mundo quantificado e materializado n\u00e3o encontrou o retorno \u00e0s suas fontes de afetividade. \u201cA divis\u00e3o \u201cpopular\u201d e burguesa\u201d tem, pois, como denominador comum a desagrega\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias culturas. Esta desagrega\u00e7\u00e3o vem acompanhada de novas integra\u00e7\u00f5es, todas dependentes da absor\u00e7\u00e3o pela \u201ccultura de massa\u201d; tudo produzido em nome da \u201ccomunica\u00e7\u00e3o globalizada\u201d, massificando o particular e o nacional.<\/p>\n<p>D\u00e1-se como uma na\u00e7\u00e3o unilateral da \u201cmass-m\u00eddia\u201d sobre o p\u00fablico, principalmente como resultado do teor da mensagem ofertada, de modo especial pela televis\u00e3o, aliada ao efeito sobre o ouvinte. Os efeitos da \u201cmass-m\u00eddia\u201d, de forma direta ou indireta, tendem a enfraquecer o livre-arb\u00edtrio, independente das convic\u00e7\u00f5es do consumidor. Parto da id\u00e9ia de que a convic\u00e7\u00e3o sobre todos os assuntos n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio do ser humano. Ainda que ele possa recusar o que lhe contraria \u00e0 \u201cintelec\u00e7\u00e3o, projec\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o\u201d, a insist\u00eancia da mensagem, sob a embalagem dourada da felicidade, paz, auto-estima e bem-estar n\u00e3o podem ser subestimados.<\/p>\n<p>O curso novo dado ao sincretismo da \u201ccultura industrial\u201d atinge em particular o homem da nova sociedade burocratizada, encerrada entre t\u00e9cnicas, n\u00fameros e m\u00e1quinas. Doaremos ao futuro uma literatura que \u201cvai dar um sentido \u00e0 vida por meio da exclus\u00e3o do contra-sendo da morte\u201d\u00a0<sup>[3]<\/sup>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nesta passagem de s\u00e9culo, a dial\u00e9tica produ\u00e7\u00e3o-consumo busca neutralizar a dicotomia masculino-feminino, via \u201ccultura industrial\u201d, revisando-se valores, induzindo-se prefer\u00eancias, introduzindo-se revistas femininas de nus masculinos e de autom\u00f3veis e a pr\u00e1tica do futebol para mulheres. O masculino \u00e9 pressionado a ceder com a introdu\u00e7\u00e3o de novos conceitos de beleza e moda \u201cunissex\u201d, tidos, anteriormente, como femininos. Noutra vertente, o sensacionalismo busca novas vedetes, al\u00e9m das consagradas, infringindo a ordem das coisas, violando antigos tabus e compelindo al\u00e9m dos limites a for\u00e7a das paix\u00f5es. Frutifica em nossos dias a trag\u00e9dia como espet\u00e1culo. Destacam-se situa\u00e7\u00f5es de grande carga afetiva e emocional. Retirou-se do anonimato o criminoso comum elevando-o a condi\u00e7\u00e3o de privilegiado do Olimpo. Esse tipo de noticia evoluiu dos dramas di\u00e1rios da vida de personagens famosos como Lady Diana, e mesclou-se a facetas da vida do \u201cman\u00edaco do parque\u201d. Nessa forma invertida de valores, o olimpianismo requer deuses modernos equivalentes, resvalando para imagens distorcidas, desenvolvendo a nosso olhos o horror e o terror, banalizando a criminalidade. A televis\u00e3o tornou isso vi\u00e1vel. Multiplicou as oportunidades de retirar delinq\u00fcentes do anonimato, colocando-os entre enigmas e vitimas da sociedade. \u00c8 quase um contraponto ou uma varia\u00e7\u00e3o da outra ponta da oferta: sucesso, fidelidade, amor e \u00eaxito. Oferta-se um outro tipo de aventura real no mundo burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A morte violenta vem sendo apresentada como rotina. N\u00e3o s\u00f3 a televis\u00e3o, mas os jornais tamb\u00e9m fazem da viol\u00eancia uma not\u00edcia atrativa. Alguns se especializam nela. N\u00e3o se pode ignorar o efeito que os meios de comunica\u00e7\u00e3o exercem sobre os jovens que foram criados \u201csobre o brilho de uma viol\u00eancia incessante nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e de uma incita\u00e7\u00e3o a todo tipo de deprava\u00e7\u00e3o em atos e esp\u00edrito. Os filmes podem apresentar dezenas de assassinatos em duas horas, competindo entre si para ilustrar m\u00e9todos cada vez mais horrorosos, sendo muitos s\u00e3o logo imitados nas ruas. Os comerciais de TV ensinam que um rapaz precisa ter um t\u00eanis de 120 d\u00f3lares novo por semana\u201d\u00a0<sup>[4]<\/sup>. O apelo ao consumo passou a ser na maioria dos casos uma press\u00e3o impr\u00f3pria no novo modo de comunicar. A tenta\u00e7\u00e3o de impor, o risco de homogeneiza\u00e7\u00e3o cultural trouxe a possibilidade de signos comuns de linguagens partilhadas e de generaliza\u00e7\u00e3o de viv\u00eancias e experi\u00eancias. \u201cPara essa cultura estruturada, segundo os interesses do mercado, n\u00e3o h\u00e1 prescri\u00e7\u00f5es impostas nas imagens ou palavras\u201d que fazem apelo a imita\u00e7\u00f5es, conselhos e incita\u00e7\u00f5es publicit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Nas metamorfoses da cultura industrial os temas s\u00e3o universalizados. Ela os sincretiza em si mesma, junto a as estruturas da cultura impressa e da cultura folcl\u00f3rica tradicional e arcaica. A comunica\u00e7\u00e3o renova-os em novas formas numa resultante do sincretismo em constante avan\u00e7o buscando novos cursos onde se espraiar.<\/p>\n<p>Ao que parece, chegamos ao intimo da \u201ccultura industrial\u201d ela expele ang\u00fastia por todos os poros, em trepidante agita\u00e7\u00e3o, vemos diariamente informes sobre assaltos, drogas e tristeza. Num ritual de agonia e desmistifica\u00e7\u00e3o da morte. Um tipo de comunica\u00e7\u00e3o que tenta justificativa via um\u00a0\u201cjornalismo justiceiro\u201d, subproduto do apelo por justi\u00e7a social, em \u00faltima analise, uma tentativa de substitui\u00e7\u00e3o de Deus, na vida do homem, no s\u00e9culo que termina.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"655\">a\u00b2b<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"655\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"34\"><sup>[1]<\/sup><\/td>\n<td width=\"616\">Por\u00e9m, a literatura popular e infantil n\u00e3o estava bem delineada.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"34\"><sup>[2]<\/sup><\/td>\n<td width=\"616\">A no\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00eamica. Leva a contraposi\u00e7\u00e3o de termos como \u201cpopular\u201d e \u201cmassa\u201d. Para Jos\u00e9 M\u00e1rio Ramos a produ\u00e7\u00e3o cultural moderna exige que se repense os v\u00ednculos entre os dois dom\u00ednios. Garcia Canclini atenta para a necessidade de olharmos os cruzamentos de longa hist\u00f3ria entre os dois termos. Cf.\u00a0<em>Televis\u00e3o, publicidade e cultura de massa<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 1995.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"34\"><sup>[3]<\/sup><\/td>\n<td width=\"616\">Cf. Edgar Morim.\u00a0<em>Cultura de massas no s\u00e9c.\u00a0<\/em>XX \u2013 V.I: Neurose. Rio de Janeiro: Forense, 1997.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"34\"><sup>[4]<\/sup><\/td>\n<td width=\"616\">Adam Walinshy. A crise da ordem p\u00fablica.\u00a0<em>In: pol\u00edtica externa, v. 4, n. 2; set.\/95, p.39.<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tentativa do sincretismo buscando uniformizar e priorizar a informa\u00e7\u00e3o vem procurando o sensacionalismo da<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1682,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[304],"tags":[],"class_list":["post-1680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1680"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1681,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1680\/revisions\/1681"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}