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{"id":1646,"date":"2014-09-27T13:35:37","date_gmt":"2014-09-27T13:35:37","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1646"},"modified":"2021-01-27T00:26:50","modified_gmt":"2021-01-27T00:26:50","slug":"em-paris-com-antonio-bandeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2014\/09\/27\/em-paris-com-antonio-bandeira\/","title":{"rendered":"Em Paris, com Ant\u00f4nio Bandeira"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1648 alignleft\" src=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/antonio-bandeira-253x300.jpg\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/antonio-bandeira-253x300.jpg 253w, https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/antonio-bandeira.jpg 436w\" sizes=\"(max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/>Deliciosos, formid\u00e1veis, inesquec\u00edveis os anos sessenta, das mudan\u00e7as de comportamento, das nossas primeiras transgress\u00f5es, das novas descobertas para a juventude&#8230;<\/p>\n<p>Por aqui vivia-se um clima de franca e efervecente pr\u00e1tica democr\u00e1tica, do debate pol\u00edtico, com as mais variadas correntes de pensamento sendo postas em quest\u00e3o, em acaloradas discuss\u00f5es.<\/p>\n<p>No campo art\u00edstico surgiam os Beatles, no mundo, no rio, a bossa nova, e mais o cinema novo, a poesia concreta, as ousadias no teatro, na literatura e em outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas.<\/p>\n<p>Era um tempo plural e as mais variadas conversas corriam soltas pelos bancos das pra\u00e7as, pelas salas de aula, pelos ambientes de trabalho, pelos bares da vida e todos sonhavam com um Brasil desenvolvido, sem pobreza, independente das amarras do imperialismo e do grande capital, com uma sociedade de novo tipo, mais justa, mais humana,\u00a0 solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>De repente, em 1964, no dia da mentira, um primeiro de abril aconteceu o golpe militar.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m queria acreditar, mas era verdade: o popular presidente Jo\u00e3o Goulart deposto, exilado no Uruguai, congresso fechado, pol\u00edticos de esquerda cassados e perseguidos.<\/p>\n<p>Esta trai\u00e7\u00e3o ao povo brasileiro, apagando um sonho, sufocando\u00a0 esperan\u00e7as, logo se auto denominou de revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica brasileira e era tratada pelos bajuladores dos donos do poder, como\u00a0 &#8220;a redentora&#8217;, movimento monitorado pelo interesse do grande capital estrangeiro.<\/p>\n<p>&#8220;A redentora&#8221; intensificava\u00a0 pris\u00f5es e\u00a0 persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e os presos, considerados da mais alta periculosidade, foram confinados na ilha de Fernando de Noronha, de onde era imposs\u00edvel fugir, quanto mais se comunicar ou organizar qualquer revanche. Era um tempo de medo e de morda\u00e7a onde n\u00e3o havia espa\u00e7o para a livre manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento.<\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, eu, jovem\u00a0 universit\u00e1rio com mais dois colegas, inconformados com a ditadura ousamos desafi\u00e1-la, arquitetando plano secreto para participar do festival da juventude pela paz e amizade entre os povos que aconteceria na \u00c1frica,\u00a0 Arg\u00e9lia, reunindo pensadores e lideran\u00e7as de esquerda do mundo inteiro. Meu amigo F\u00e9lix Ximenes havia participado do \u00faltimo festival, acontecido na Finl\u00e3ndia,\u00a0 em 1962,\u00a0 e me contara maravilhas. Havia conhecido grandes personalidades, incont\u00e1veis experi\u00eancias socialistas nos pa\u00edses do leste europeu, e estado at\u00e9 em cuba, com Fidel Castro\u00a0 ent\u00e3o come\u00e7ando sua revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1651 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/amazonasguerreando.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/amazonasguerreando.jpg 480w, https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/amazonasguerreando-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/p>\n<p>A viagem do Felix acontecera\u00a0 a \u00e9poca da primavera democr\u00e1tica de Jo\u00e3o Goulart, dentro da maior legalidade, e eu teria que viajar do modo mais prec\u00e1rio quase clandestino pois viv\u00edamos em plena ditadura militar, com o cearense marechal Castelo Branco como o ditador de plant\u00e3o.\u00a0 Sem dinheiro comecei a vender tudo o que havia adquirido ao longo dos meus primeiros anos de trabalhador desde quando &#8220;cabista&#8221; (menor aprendiz, do BNB), coisas como m\u00e1quina de escrever, cole\u00e7\u00f5es de livros, aparelho de som, etc. Ao mesmo tempo n\u00e3o parava de enviar correspond\u00eancias para entidades culturais\u00a0 estrangeiras para montar um fict\u00edcio programa que justificasse minha aus\u00eancia do Brasil por pelo menos dez meses, tempo que eu imaginava permanecer no exterior. Como sempre incans\u00e1vel e determinado n\u00e3o desanimava.<\/p>\n<p>Apesar das in\u00fameras cartas sem resposta e das v\u00e1rias negativas que nos chegavam eu continuava com o projeto.<\/p>\n<p>Foram meses trabalhando na surdina e aos poucos conseguimos documentos para elaborar\u00a0 um programa de mentira, que jamais aconteceria, para justificar nossa aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o apoio do saudoso cunhado Luiz Edgard\u00a0 Cartaxo de Arruda, socialista, redigimos solicita\u00e7\u00e3o de afastamento do banco do nordeste, onde trabalh\u00e1vamos, para cumprir\u00a0 o tal programa de estudo no exterior.<\/p>\n<p>Com os parcos recursos que disp\u00fanhamos conseguimos comprar passagem apenas de ida (naqueles bons tempos ainda era poss\u00edvel) Recife\/Dakar, pela empresa Aerol\u00edneas Argentina, e come\u00e7amos a inacredit\u00e1vel e emocionante aventura de desafiar a ditadura.<\/p>\n<p>Com o passaporte na m\u00e3o apanhamos o semi-leito da expresso de luxo, rumo \u00e0 Recife, onde apanhar\u00edamos o avi\u00e3o.\u00a0\u00a0 L\u00e1 morava meu irm\u00e3o Francisco Franco que ficou pasmado parecendo nem acreditar no que estava acontecendo, quando falei que viajaria logo mais. Perguntou-me quanto eu levava em dinheiro e eu respondi, prontamente, quase 400 d\u00f3lares que era toda a &#8220;fortuna&#8221; que eu conseguira amealhar. Ele assustou-se mais ainda, dizendo-me que era imposs\u00edvel viajar daquela maneira.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1652 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/000190023013.jpg\" alt=\"\" width=\"582\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/000190023013.jpg 582w, https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/000190023013-300x247.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 582px) 100vw, 582px\" \/><\/p>\n<p>Eu o tranquilizei informando que tinha v\u00e1rios contatos secretos com o partido comunista franc\u00eas, que me apoiaria, tinha endere\u00e7os de brasileiros que moravam na Europa, mas ele n\u00e3o conseguia dissimular sua grande apreens\u00e3o. Assim, nem disse a ele o tempo que pretendia demorar\u00a0 no exterior com aquele pouco dinheiro que eu levava.\u00a0 Embarquei logo \u00e0 noitinha no\u00a0 avi\u00e3ozinho que me transportava para a capital do Senegal, do outro lado do atl\u00e2ntico, levando mais cem d\u00f3lares que o mano franco me entregou, nervoso, na hora da partida.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s as emo\u00e7\u00f5es do Senegal, Espanha, Portugal, finalmente chegamos de trem, em Paris, inebriados com o que j\u00e1 hav\u00edamos visto\u00a0 e, sobretudo, com o esplendor da cidade luz.<\/p>\n<p>Ainda atordoados, deslumbrados, fomos \u00e1 reda\u00e7\u00e3o do jornal l\u00b4humanit\u00e9, do partido comunista, para o primeiro contato, levando preciosa correspond\u00eancia de companheiro do nosso saudoso PCB, o querido partid\u00e3o, para ser entregue ao jornalista que coordenava a participa\u00e7\u00e3o das delega\u00e7\u00f5es que iriam ao festival fora dos tr\u00e2mites legais, precisando, por isto, de patroc\u00ednios, ajudas especiais.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em toda esta aventura eu estremeci, literalmente.o atencioso jornalista, gentil companheiro, nos dava a p\u00e9ssima not\u00edcia. Acabara de acontecer um golpe militar na Arg\u00e9lia. Assim, o festival da juventude pela paz e amizade\u00a0 fora transferido para o pr\u00f3ximo ano, na Bulg\u00e1ria. Ficamos realmente sem saber o que fazer, desesperados.<\/p>\n<p>O pouco\u00a0 dinheiro que disp\u00fanhamos nem contava. Passagem de volta, n\u00e3o t\u00ednhamos. Pior: como justificar volta t\u00e3o repentina ao Brasil?! Ser\u00edamos presos pela ditadura militar? Perder\u00edamos o emprego, no banco do nordeste? Comentamos tudo isto como jornalista que nos recebera e ele, prontamente, conseguiu para n\u00f3s, hospedagem gratuita no\u00a0 albergue da juventude do partido comunista, situado numa graciosa ch\u00e1cara, nos arredores de paris, onde fomos muito bem acolhidos.<\/p>\n<p>E agora, o que fazer ? Naqueles tempos nem se falava em liga\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica internacional e todos os contatos precisavam ser feitos pelos correios. Seguindo orienta\u00e7\u00f5es dos companheiros n\u00e3o demos a ningu\u00e9m o endere\u00e7o do albergue da juventude do partido comunista. Todas as cartas eram enviadas para o endere\u00e7o\u00a0 da embaixada do Brasil, na elegante Avenue Montaigne, onde pass\u00e1vamos, regularmente, em busca de mensagens esperando solu\u00e7\u00e3o para nossos graves\u00a0 problemas.<\/p>\n<p>Andava t\u00e3o \u00e0 deriva, desorientado mesmo, cheio de saudades e de temores que, num s\u00e1bado, nem me dei conta do dia, sa\u00ed cedo do albergue onde estava hospedado em busca de encontrar uma luz, alguma correspond\u00eancia salvadora, que\u00a0\u00a0 estivesse\u00a0 na embaixada.<\/p>\n<p>Foi um dia realmente inesquec\u00edvel. Era come\u00e7o de ver\u00e3o, dia claro, c\u00e9u muito azul, mas eu, talvez por me sentir t\u00e3o desprotegido, coloquei um chap\u00e9u de couro, artesanal, que eu levara imaginando oferecer a alguma importante personalidade, no tal festival, que n\u00e3o aconteceu, e com ele fui at\u00e9 a embaixada. Apertei, repetidas vezes, a sineta para chamar alguma pessoa j\u00e1 que as portas estavam cerradas. Apareceu uma esp\u00e9cie de zelador do pr\u00e9dio apontando para a placa met\u00e1lica onde estava o hor\u00e1rio de funcionamento da embaixada. E completou: hoje \u00e9 s\u00e1bado, volte segunda feira&#8230;<\/p>\n<p>Mais desolado ainda sa\u00ed a perambular pela elegant\u00edssima \u00e1rea de paris. Era cedo e mesmo sendo ver\u00e3o o movimento ainda era pequeno. Caminhando eu deslumbrava-me ante as lojas e caf\u00e9s da suntuosa regi\u00e3o quando, de repente, ouvi uma voz forte, que me assustou, um grito: &#8220;pau de arara !!!&#8221;\u00a0\u00a0 pensei comigo mesmo&#8230; Estou tendo alucina\u00e7\u00f5es ? Como pode algu\u00e9m gritar &#8220;pau de arara&#8221; em plena Avenida Chmps Elys\u00e9es? O grito repetiu-se e eu, tomei coragem, muito assustado,\u00a0 decidi\u00a0 voltar pela cal\u00e7ada e saber de onde vinha o grito, quando vejo\u00a0 o grande Ant\u00f4nio Bandeira, que eu conhecia de fotografias, a gargalhar, chamando-me para ir at\u00e9 onde ele estava, um caf\u00e9 encantador, com cadeiras na cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Logo ele acertou dizendo &#8220;j\u00e1 sei, vem do Cear\u00e1, n\u00e9 mesmo?&#8221;. Eu disse que sim, ele pediu-me para sentar e apresentou-me seu companheiro de mesa que era o mais afamado colunista social do Brasil, daqueles tempos, o Ibrahim Sued, muito bem trajado e sem conseguir dissimular sua rejei\u00e7\u00e3o ante aquele aventureiro desajeitado, de repente, convidado para tomar caf\u00e9 com eles.<\/p>\n<p>Ibrahim n\u00e3o disse uma \u00fanica palavra, durante todo o caf\u00e9,\u00a0 enquanto o bandeira n\u00e3o parava de falar. Ele parecia querer saber tudo de toda minha aventura e quando eu disse que n\u00e3o tinha vindo de pau de arara mas quase, pois em\u00a0 um\u00a0 semi-leito da expresso de luxo que me levara de fortaleza a recife, onde apanhei o avi\u00e3o, ele quase n\u00e3o parava mais de rir.\u00a0 Convidou-me para tomar caf\u00e9 dizendo que eu n\u00e3o pagaria nada, que era seu convidado, tudo num clima de bom humor que me fez muito bem.<\/p>\n<p>Eu estava me sentindo t\u00e3o satisfeito que esqueci as recomenda\u00e7\u00f5es dos companheiros de partido\u00a0 e, de repente,\u00a0 revelei que estava hospedado no albergue da juventude do partido comunista, o que pareceu incomodar ainda mais ao jornalista Ibrahim Sued, informando tamb\u00e9m que recebia correspond\u00eancias na embaixada, ali perto, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, mas que naquele dia ela estava fechada, tendo gerado assim o enorme prazer daquele encontro. &#8220;passo na embaixada quase todos os dias&#8221;, disse eu ao Bandeira.<\/p>\n<p>Certamente minha sinceridade, meu modo franco e espont\u00e2neo de falar, gerou uma certa cumplicidade entre n\u00f3s\u00a0 e, ao t\u00e9rmino do caf\u00e9, parecia que j\u00e1 \u00e9ramos velhos amigos.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o me disse seu endere\u00e7o, nem telefone tampouco tomei a liberdade de pedir. Mas foi uma manh\u00e3 inesquec\u00edvel que me devolveu a alegria de viver. Jamais imaginei que\u00a0 por sorte nos encontrar\u00edamos outra vez. Dois dias depois, passo na embaixada sempre em busca de correspond\u00eancia e recebo um envelope, nele um cart\u00e3o do\u00a0 Bandeira, convidando-me para jantar, deixando claro, numa frase grifada, que pagaria a conta. O jantar seria na noite daquele mesmo dia, eu fiquei super contente e\u00a0 compareci ao local marcado para o encontro, chegando antes da hora, bandeira chegou logo em seguida\u00a0 sa\u00edmos os dois caminhando peloquartier latin at\u00e9 um pequeno, mas super simp\u00e1tico restaurante, situado numa ruazinha transversal, onde ele parecia ser cliente bem conhecido.foi uma noitada memor\u00e1vel\u00a0 num clima da maior camaradagem, de generosidade e bom humor que ficou marcada em minha mente para sempre.<\/p>\n<p>Tivemos depois mais alguns poucos encontros felizes, saborosamente\u00a0 irrespons\u00e1veis, at\u00e9 que, um dia, ao nos despedirmos, ele me passou um papel com nome e telefone de uma pessoa e revelou-me tratar-se de um m\u00e9dico, grande amigo dele, a quem ele contara toda minha aventura. Completou dizendo\u00a0 que eu poderia recorrer ao tal m\u00e9dico, em caso de qualquer necessidade, que ele me atenderia, bastando dizer que era o &#8220;pau de arara&#8221;, amigo do bandeira. Fiquei assustado pois falou-me rapidamente que estaria ausente de paris por um tempo, s\u00fabito desapareceu na noite, sem dizer adeus, deixando a conta paga, talvez, no seu \u00edntimo, imaginando que n\u00e3o nos ver\u00edamos jamais.<\/p>\n<p>Nunca precisei telefonar para o tal m\u00e9dico pois logo os solid\u00e1rios companheiros conseguiram matr\u00edcula para mim na universidade, passei a comer barato, nos restaurantes estudantis,\u00a0 consegui uma viagem de estudo e trabalho, na Su\u00ed\u00e7a, depois por semanas percorri toda a It\u00e1lia, de norte a sul, veio a \u00e9poca do natal, passamos f\u00e9rias em casa de fam\u00edlia amiga, ali tamb\u00e9m consegui um trabalho tempor\u00e1rio que me deu algum dinheiro. Assim, se n\u00e3o vi o festival, consegui cumprir o programa de estudos e voltei ao Brasil para o carnaval, podendo comprar presentes, inclusive belo e rico vestido para g\u00f3diva pinto, trazendo ainda alguns d\u00f3lares no bolso que &#8220;torrei&#8221; no carnaval, onde organizamos o bloco &#8220;Le Blouson Noir&#8221;, no Maguary, uma certa homenagem domina a deliciosa loucura que foi esta inesquec\u00edvel viagem.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, vi na imprensa, Bandeira morreu em Paris,\u00a0 foi um momento de profunda tristeza solit\u00e1ria para mim.<\/p>\n<p>Quando, Maria Luiza Fontenele assumiu a prefeitura e convidou-me para sua equipe, meu gabinete ficava justo na galeria Ant\u00f4nio Bandeira, sub solo da Pra\u00e7a do Ferreira, onde realizamos hist\u00f3ricas e generosas promo\u00e7\u00f5es, inclusive a primeira campanha ostensiva de preven\u00e7\u00e3o da AIDS, com distribui\u00e7\u00e3o de preservativos, as populares camisinhas, em plena pra\u00e7a, assunto que mereceu coment\u00e1rios na imprensa nacional, e depois viria a servir de exemplos a campanhas institucionais de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Bandeira sempre lembrado e quando o ent\u00e3o prefeito Juraci Magalh\u00e3es decidiu reformar a Pra\u00e7a do Ferreira, extinguindo a galeria Ant\u00f4nio Bandeira, que ficava no seu sub-solo obtive a promessa, felizmente cumprida, que ela voltaria a existir, e ainda de melhor formato.<\/p>\n<p>Hoje a galeria Ant\u00f4nio Bandeira funciona no edif\u00edcio do antigo mercado central, onde tamb\u00e9m est\u00e1 o memorial de outra querida personalidade, Sinh\u00e1 D\u00b4Amora.<\/p>\n<p>S\u00e3o passados mais de quarenta anos, neste dia ensolarado de hoje, tenho o prazer de relembrar aquela manh\u00e3, quando conheci Bandeira, rememorando sua franca, generosa gargalhada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deliciosos, formid\u00e1veis, inesquec\u00edveis os anos sessenta, das mudan\u00e7as de comportamento, das nossas primeiras transgress\u00f5es, das<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":1647,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[304],"tags":[],"class_list":["post-1646","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1646"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1646\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1653,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1646\/revisions\/1653"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1647"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}