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{"id":1609,"date":"2014-11-29T13:20:44","date_gmt":"2014-11-29T13:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1609"},"modified":"2021-01-26T22:49:41","modified_gmt":"2021-01-26T22:49:41","slug":"a-hanseniase-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2014\/11\/29\/a-hanseniase-no-brasil\/","title":{"rendered":"A Hanseniase no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Embora considerada pela maioria leiga uma doen\u00e7a extinta do Brasil, a Hansen\u00edase ainda \u00e9 considerada um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica.<\/strong><\/p>\n<p>O nosso pa\u00eds \u00e9 o segundo do mundo em detec\u00e7\u00e3o de casos novos, estando atr\u00e1s somente da \u00cdndia; e nas Am\u00e9ricas ocupa o primeiro lugar.<\/p>\n<p>O agente causador tem predile\u00e7\u00e3o pela pele e por nervos perif\u00e9ricos, podendo atingir qualquer regi\u00e3o do corpo. Este tropismo pelos nervos perif\u00e9ricos confere a esta doen\u00e7a um grande potencial para desenvolver incapacidades f\u00edsicas, que podem evoluir para deformidades vis\u00edveis. Na realidade, representa uma das principais doen\u00e7as infecciosas que gera incapacidades permanentes, com impactos n\u00e3o apenas do ponto de vista f\u00edsico como tamb\u00e9m social e psicol\u00f3gico. Segundo dados da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade), 3 mil pessoas\/ano foram diagnosticadas com deformidade f\u00edsica no Brasil nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>O Brasil notificou em 2007, 40.126 casos novos, o que o caracteriza como um pa\u00eds hiperend\u00eamico. As principais regi\u00f5es end\u00eamicas s\u00e3o o norte, o centro-oeste e o nordeste brasileiro, em ordem decrescente de detec\u00e7\u00e3o. O Cear\u00e1 apresentou uma detec\u00e7\u00e3o de 30,16 casos novos por 100.000 habitantes, no ano de 2007, que o coloca na d\u00e9cima segunda posi\u00e7\u00e3o entre os estados da federa\u00e7\u00e3o e o quarto entre os estados nordestinos. No que se refere a detec\u00e7\u00e3o de casos novos em menores de 15 anos o Brasil apresenta \u00edndices muito alto e considerando-se que a ocorr\u00eancia destes casos sinaliza para uma din\u00e2mica de transmiss\u00e3o recente pela exist\u00eancia de fontes humanas ativas de infec\u00e7\u00e3o, esses dados s\u00e3o bastante significativos. A regi\u00e3o nordeste foi respons\u00e1vel por 47,0% de todos os casos em menores de 15 anos de idade no pa\u00eds em 2007. O Estado do Cear\u00e1 isoladamente foi respons\u00e1vel por 5,5% de todos os casos em menores de 15 anos de idade do pa\u00eds, o 6\u00ba lugar entre todas as unidades da Federa\u00e7\u00e3o em termos de n\u00famero absoluto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hansen\u00edase \u00e9 doen\u00e7a infectocontagiosa, de car\u00e1ter cr\u00f4nico, causada pela bact\u00e9ria Mycobacterium leprae. Ainda que o termo lepra (Leprosy) seja adotado na maioria dos pa\u00edses, no Brasil, pelo seu teor estigmatizante, foi substitu\u00eddo por hansen\u00edase. O agente causador tem predile\u00e7\u00e3o pela pele e por nervos perif\u00e9ricos, podendo atingir qualquer regi\u00e3o do corpo. Este tropismo pelos nervos perif\u00e9ricos confere a esta doen\u00e7a um grande potencial para desenvolver incapacidades f\u00edsicas, que podem evoluir para deformidades vis\u00edveis. Na realidade, representa uma das principais doen\u00e7as infecciosas que gera incapacidades permanentes, com impactos n\u00e3o apenas do ponto de vista f\u00edsico como tamb\u00e9m social e psicol\u00f3gico. Segundo dados da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade), 3 mil pessoas\/ano foram diagnosticadas com deformidade f\u00edsica no Brasil nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>A transmiss\u00e3o ocorre entre humanos, atrav\u00e9s do contato direto com secre\u00e7\u00f5es nasais, da orofaringe e solu\u00e7\u00f5es de continuidade (feridas) da pele dos pacientes com alta carga bacilar, que n\u00e3o se encontram em tratamento. O bacilo tem a caracter\u00edstica de possuir uma alta infectividade e baixa patogenicidade, ou seja, infectam uma grande quantidade de pessoas, mas apenas uma pequena parcela destes adoece. com nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a apresenta formas variadas de manifesta\u00e7\u00f5es, mas a mancha dormente \u00e9 a principal e a mais caracter\u00edstica forma de suspei\u00e7\u00e3o. Diversas les\u00f5es podem estar presentes na pele de um paciente com hansen\u00edase: manchas mal delimitadas, manchas bem delimitadas, les\u00f5es tubercul\u00f3ides, nodulares ou infiltrativas. No comprometimento neural as primeiras altera\u00e7\u00f5es ocorrem nas fibras sensitivas com d\u00e9ficit de sensibilidade t\u00e9rmica, dolorosa e t\u00e1til; progredindo para altera\u00e7\u00f5es motoras e auton\u00f4micas. O diagn\u00f3stico \u00e9 complexo exigindo do profissional m\u00e9dico conhecimento, destreza e habilidade em reconhecer as diversas formas de apresenta\u00e7\u00e3o desta doen\u00e7a. Na maioria das vezes n\u00e3o s\u00e3o empregados m\u00e9todos diagn\u00f3sticos auxiliares. O tratamento \u00e9 gratuito na rede de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e0 sa\u00fade, e a cura ocorre no final deste, ap\u00f3s seis ou dose meses, dependendo da classifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Apesar da elevada magnitude, o car\u00e1ter de doen\u00e7a negligenciada compromete sistematicamente o seu controle. O combate \u00e0 doen\u00e7a sempre desafiou conceitos e convic\u00e7\u00f5es sobre tratamento, propaga\u00e7\u00e3o, confinamento e regenera\u00e7\u00e3o, sob m\u00faltiplos significados epidemiol\u00f3gicos, m\u00e9dicos, culturais e sociais, referidos ao estigma da doen\u00e7a, do pecado e da impureza. O preconceito ainda \u00e9 um grande desafio enfrentado pelos portadores de hansen\u00edase e fundamentalmente influencia no seu tratamento e na expectativa de cura. Aliados a isto somam-se fatores clim\u00e1ticos, nutricionais, econ\u00f4micos, h\u00e1bitos de vida, movimentos migrat\u00f3rios e terapia inadequada que facilitam a propaga\u00e7\u00e3o da endemia. Por meio de uma an\u00e1lise das a\u00e7\u00f5es e resultados obtidos nas ultimas d\u00e9cadas, as dificuldades no processo de elimina\u00e7\u00e3o no Brasil poderiam ser atribu\u00eddas, entre outras, as seguintes raz\u00f5es: a complexidade do diagnostico e de alguns procedimentos administrativos referentes ao diagn\u00f3stico, algum grau de centraliza\u00e7\u00e3o e verticalidade do processo de controle da doen\u00e7a, falta de participa\u00e7\u00e3o dos gestores, no n\u00edvel local, nas a\u00e7\u00f5es de controle, sistema de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o totalmente confi\u00e1vel e a percep\u00e7\u00e3o negativa sobre a hansen\u00edase por parte da comunidade e mesmo por parte de muitos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>ANDRADE, A. R. C.; LEHMAN, L.; SCHREUDER, P. A.; FUZIKAWA, P.\u00a0<strong>Como reconhecer e tratar rea\u00e7\u00f5es hans\u00eanicas;<\/strong>\u00a0segunda ed. Belo Horizonte: 2007.<\/p>\n<p>ARA\u00daJO, H. S.\u00a0<strong>Hist\u00f3ria da Lepra no Brasil &#8211; Per\u00edodo Republicano (1890-1952);<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Departamento de Imprensa Nacional; 1956.<\/p>\n<p>BRANDSMA, J. W.; NUGTEREN, W. A.; ANDERSEN, J. B.; NAAFS, B. Functional changes of the ulnar nerve in leprosy patients following neurolysis.\u00a0<strong>Lepr. Rev.<\/strong>, v. 54, n. 1, p. 31-38, 1983.<\/p>\n<p>BRASIL &#8211; MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Documento de orienta\u00e7\u00e3o para condutas em casos de neurites em hansen\u00edase. Bauru; 2001.<\/p>\n<p>__________.\u00a0<strong>\u00c1rea t\u00e9cnica de Dermatologia Sanit\u00e1ria &#8211; Manual de Cirurgias;<\/strong>\u00a0Bras\u00edlia: 2002a.<\/p>\n<p>__________.\u00a0<strong>Cadernos de Aten\u00e7\u00e3o B\u00e1sica no. 10 &#8211; Guia para controle da hansen\u00edase;<\/strong>\u00a0Bras\u00edlia: 2002b.<\/p>\n<p>__________. Hanseniase &#8211; coeficientes de detec\u00e7\u00e3o e preval\u00eancia, 2007.<\/p>\n<p>BRITTON, W. J. Immunology of leprosy.\u00a0<strong>Trans. R. Soc Trop Med Hyg.<\/strong>, v. 87, n. 5, p. 508-514, 1993.<\/p>\n<p>CUNHA, S. S.; RODRIGUES, L. C.; MOREIRA, S.; CARVALHO, L. C.; BARRETO, M. L.; DOURADO, I. Upward trend in the rate of detection of new cases of leprosy in the State of Bahia, Brazil.\u00a0<strong>Int J Lepr. Other Mycobact. Dis.<\/strong>, v. 69, n. 4, p. 308-317, 2001.<\/p>\n<p>QUEIROZ, M. S. Hansen\u00edase no Brasil: uma perspectiva hist\u00f3rica das paradigmas e modelos institucionais de enfrentamento da doen\u00e7a. Em: CANESQUI, A. M. (Org.).<strong>Ci\u00eancias Sociais e Sa\u00fade para o ensino m\u00e9dico. Sa\u00fade em debate &#8211; S\u00e9rie Did\u00e1tica<\/strong>. primeira, FAPESP &#8211; Editora Hucitec, S\u00e3o Paulo, p. 143, 2000.<\/p>\n<p>SAMPAIO, E. P.; SARNO, E. N. Expression and cytokine secretion in the states of immune reactivation in leprosy.\u00a0<strong>Braz. J Med Biol. Res.<\/strong>, v. 31, n. 1, p. 69-76, 1998.<\/p>\n<p>SCHAMBERG, J. F. The Nature of the Leprosy of the Bible. From a Medical and Biblical Point of View.\u00a0<strong>The Biblical World<\/strong>, v. 13, n. 3, p. 162-169, 1899.<\/p>\n<p>SCOTT, H. H. Leprosy in Brazil.\u00a0<strong>British Medical Bulletin<\/strong>, v. 5 p. 233-236, 1947.<\/p>\n<p>WORLD HEALTH ASSEMBLY. Leprosy Resolution WHA 44.9 &#8211; 44th World Health Assembly. 1991.<\/p>\n<p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. Weekly epidemiological record no. 32. 2006.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora considerada pela maioria leiga uma doen\u00e7a extinta do Brasil, a Hansen\u00edase ainda \u00e9 considerada<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":1611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1609"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1610,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609\/revisions\/1610"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}