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{"id":1604,"date":"2014-11-29T13:14:53","date_gmt":"2014-11-29T13:14:53","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1604"},"modified":"2021-02-02T01:51:45","modified_gmt":"2021-02-02T01:51:45","slug":"os-politicos-e-o-transporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2014\/11\/29\/os-politicos-e-o-transporte\/","title":{"rendered":"Os Pol\u00edticos e o Transporte"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dizer que o progresso anda junto com o transporte n\u00e3o \u00e9 id\u00e9ia nova.<\/strong><\/p>\n<p>Desde muito tempo atr\u00e1s ela inspira os pol\u00edticos e encanta os cidad\u00e3os. Mesmo no Segundo Reinado, quando os eleitores eram os poucos homens de bens e os Presidentes da Prov\u00edncia do Cear\u00e1 eram escolhidos pelo Imperador, n\u00e3o faltavam pol\u00edticos que discursavam sobre as melhorias no transporte para ganhar prest\u00edgio entre a gente da terra. Por volta dos anos de 1860, quando o algod\u00e3o come\u00e7ava a se reabilitar no Cear\u00e1 depois de quase um s\u00e9culo de decl\u00ednio, o maior obst\u00e1culo para a prosperidade das fazendas era a falta de boas estradas e de transportes c\u00f4modos e baratos. E para agradar os agricultores, o Presidente da Prov\u00edncia Lafayette Rodrigues Pereira cuidou do caso durante seu discurso \u00e0 Assembl\u00e9ia Legislativa em 1864, prometendo se esfor\u00e7ar por melhores estradas e criar meios de levar a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 os portos.<\/p>\n<p>No embalo do algod\u00e3o, Fortaleza ganhou seus primeiros sopros de urbaniza\u00e7\u00e3o. As linhas de bondes urbanos puxados por burros, inauguradas em 1880, ligavam os principais pontos de com\u00e9rcio da Capital desde o caminho para o interior, dos lados da Estrada de Messejana at\u00e9 a via f\u00e9rrea de Baturit\u00e9 e a Praia do Peixe, onde ficava o porto. O Presidente do Cear\u00e1 naquela \u00e9poca tamb\u00e9m tratou de mostrar aos seus correligion\u00e1rios os benef\u00edcios dos bondes, demonstrando sua confian\u00e7a no aumento da produ\u00e7\u00e3o e nos resultados que augura o progresso de t\u00e3o \u00fatil empresa. Ent\u00e3o os bondes se embrenharam no cotidiano urbano, levando as pessoas de todas classes sociais que circulavam pelo Centro. \u00a0Conta-se que at\u00e9 o Intendente da cidade tinha bonde \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a do Ferreira para conduzi-lo de volta para casa sempre que os despachos se estendiam at\u00e9 depois do expediente.<\/p>\n<p>A chegada da eletricidade para movimentar os bondes a partir de 1913 tamb\u00e9m entusiasmou os progressistas de Fortaleza. Segundo o jornalista Jo\u00e3o Br\u00edgido, importante figura da intelectualidade cearense do come\u00e7o do s\u00e9culo 20, a energia el\u00e9trica era a maravilha dos tempos modernos que viria prestar seu concurso \u00e0s nossas ind\u00fastrias e trabalhos. Junto dela, entrava em cena a inglesa The Cear\u00e1 Tramway, Light and Power, \u00a0uma das maiores empresas do Cear\u00e1, que se transformaria, anos mais tarde, na concession\u00e1ria da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Capital. Com sua poderosa presen\u00e7a, a Light contribuiu para a segmenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, ao tempo que permitiu o crescimento de um grande contingente de trabalhadores em servi\u00e7os na cidade.<\/p>\n<p>Com os \u00f4nibus as expectativas de progresso para Fortaleza n\u00e3o foram diferentes. Eles representavam uma alternativa para os deslocamentos quando os bondes el\u00e9tricos j\u00e1 mostravam seus primeiros sinais de supera\u00e7\u00e3o. Nos anos de 1940, a freq\u00fc\u00eancia de homens p\u00fablicos nos \u00f4nibus era igual ou at\u00e9 maior do que nos bondes, principalmente pros lados da da Praia de Iracema, onde transitavam jornalistas, advogados, empres\u00e1rios e gente de destaque na cidade. O Seu Expedito Soares, motorista da linha, lembrava que at\u00e9 um senador da Rep\u00fablica chegou a se envolver numa briga dentro do seu \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Mas foi depois da II Guerra Mundial, com o entusiasmo da industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o, que o transporte virou moeda eleitoral de grande valor. A pr\u00f3pria encampa\u00e7\u00e3o da Light em 1948 rendeu grandes dividendos pol\u00edticos ao Prefeito Acrisio Moreira da Rocha. No mesmo ano, o in\u00edcio das obras do Abrigo Central, no Centro de Fortaleza coroavam o impulso de desenvolvimento que o Prefeito queria imprimir \u00e0 cidade. Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o, na C\u00e2mara Municipal os vereadores se digladiavam em disputas sobre reajuste de passagens e desenhos de linhas para atender seus redutos eleitorais. Em 1954, foi a vez do prefeito Paulo Cabral debru\u00e7ar-se sobre o tema do transporte p\u00fablico e emitir o primeiro regulamento para o servi\u00e7o, tentando moralizar hor\u00e1rios, filas e a conserva\u00e7\u00e3o dos \u00f4nibus, al\u00e9m do regime de concess\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0E afinal? Que quanta gente \u00e9 essa?<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0N\u00e3o \u00e9 \u201cfila\u201d n\u00e3o senhor. Esse neg\u00f3cio de \u201cfila\u201dj\u00e1 se acabou. Isso \u00e9 gente esperando a passagem do prefeito para aclama-lo e agradecer os \u00f4nibus novos, o fim dos abusos dos cobradores e a obrigatoriedade dos hor\u00e1rios&#8230;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0????<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0Vai por mim que \u201cta\u201d bem. O mais \u00e9 demagogia dos inimigos da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1955, O Povo publicou: Os transportes s\u00e3o t\u00e3o importantes na vida de um povo que \u00e9\u00a0 eles que se apegam os candidatos a cargos eletivos para atrair os votos populares. Uns demagogos, com falsas promessas, outros sinceros e resolvidos a encontrar o X do problema. E de fato, durante os anos dourados, as dificuldades de ir-e-vir representavam um obst\u00e1culo enorme ao progresso do Brasil. A produ\u00e7\u00e3o industrial crescia, a agricultura prosperava gra\u00e7as aos incentivos do Governo. Desde o Governo Dutra, estudos de planejamento se sucediam para modernizar o Brasil.<\/p>\n<p>O Plano de Metas, do Presidente Juscelino Kubistchek, com seu famoso bord\u00e3o dos 50 Anos em Cinco, admitia que um dos principais gargalos do progresso brasileiro era o transporte e, com isso, contabilizava a popularidade do presidente Bossa Nova. Os pol\u00edticos de bom senso da ocasi\u00e3o n\u00e3o deixavam de garantir seus compromissos para que as mercadorias chegassem com rapidez e pre\u00e7os baixos nos mercados e portos. Foi um tempo de constru\u00e7\u00e3o de estradas, de f\u00e1bricas de autom\u00f3veis espalhadas pa\u00eds afora, de cria\u00e7\u00e3o de reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, distribui\u00e7\u00e3o de cargos e de dinheiro. Em 1967 surgiu o Minist\u00e9rio dos Transportes, especialmente criado para cuidar dos caminh\u00f5es, \u00f4nibus, navios e avi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Fortaleza, udenistas, petebistas, pessepistas, integralistas e outros lutavam em torno da meia passagem \u2013 que reuniu os simpatizantes dos comunistas e do movimento estudantil\u00a0 \u2013, discutiam sobre os \u00f4nibus da meia noite e os gostos\u00f5es, Naquele tempo, as apreens\u00f5es de calhambeques pelos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o se multiplicaram. Apareceram os \u00f4nibus que rodavam a noite toda, os suburbanos e a rodovi\u00e1ria da cidade. Todas essas melhorias foram amplamente divulgadas como conquistas de pol\u00edticos, enquanto as oposi\u00e7\u00f5es esbravejavam contra os aumentos de tarifas, a gan\u00e2ncia dos empres\u00e1rios, a falta de coletivos, os atrasos e lota\u00e7\u00f5es. E donos de empresas de \u00f4nibus se arriscavam como deputados e vereadores para defender seus interesses.<\/p>\n<p>Prometer melhoria nos \u00f4nibus \u00e9 receita de sucesso nas urnas, porque o transporte \u00e9 fundamental para o progresso. E progresso, na nossa sociedade, significa riqueza, mas tamb\u00e9m melhoria na qualidade de vida das pessoas. Por isso, cada vez mais as plataformas pol\u00edticas dos candidatos t\u00eam enfatizado as sugest\u00f5es para democratizar o acesso ao transporte coletivo de qualidade e para incorpor\u00e1-lo harmoniosamente ao meio ambiente urbano.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio de Lafayette Rodrigues Pereira, Presidente do Cear\u00e1 em 1864.<\/p>\n<p>Fala de Jos\u00e9 J\u00falio de Albuquerque Barros, Presidente do Cear\u00e1 em 1880.<\/p>\n<p>Geraldo Nobre. Cear\u00e1 Energia e Progresso<\/p>\n<p>O Povo, 12 de janeiro de 2001.<\/p>\n<p>Gazeta de Not\u00edcias, Fortaleza, 04 de abril de 1954.<\/p>\n<p>O Povo, 04 de abril de 1955<\/p>\n<p>Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, 1972.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizer que o progresso anda junto com o transporte n\u00e3o \u00e9 id\u00e9ia nova. 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