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{"id":1444,"date":"2020-05-28T00:03:21","date_gmt":"2020-05-28T00:03:21","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1444"},"modified":"2021-10-20T18:51:58","modified_gmt":"2021-10-20T18:51:58","slug":"entrevista-do-dr-dorian-sampaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2020\/05\/28\/entrevista-do-dr-dorian-sampaio\/","title":{"rendered":"Entrevista com o Dr. D\u00f3rian Sampaio"},"content":{"rendered":"<p>Fortaleza, 22 de Julho de 1976<\/p>\n<p>Entrevista com o jornalista DORIAN SAMPAIO PARA O Programa de Hist\u00f3ria Oral da Universidade <strong>Federal<\/strong> do Cear\u00e1 com o Arquivo Nacional.<\/p>\n<p>.Entrevista concedida \u00e0 PROFESSORA LUCIARA SILVEIRA DE ARAG\u00c3O E FROTA respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o deste Conv\u00eanio.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>L.F.: LUCIARA FROTA<\/p>\n<p>D.S.: DORIAN SAMPAIO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Nesta nossa primeira sess\u00e3o de entrevista, o senhor poderia nos dar alguns dados de sua biografia? Falar de suas experi\u00eancias como um dos l\u00edderes do Centro Estudantil Cearense, por exemplo, a sua participa\u00e7\u00e3o na Casa do Estudante?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sou um cearense nascido no Rio de Janeiro a 12 de mar\u00e7o de 1927, filho natural de Jos\u00e9 Sampaio Xavier e Isaura Barroso Tavares. Ele era oficial do Ex\u00e9rcito e foi morto em 1935, na Revolu\u00e7\u00e3o Comunista, defendendo as tropas do Governo. Atualmente, casado, pai de cinco filhos. Curso prim\u00e1rio aqui em Fortaleza, no grupo Rodolfo Te\u00f3filo. Secund\u00e1rio, no Col\u00e9gio Cearense dos Irm\u00e3os Maristas, e posteriormente, no Liceu do Cear\u00e1, hoje, Col\u00e9gio Estadual do Cear\u00e1. Curso na Faculdade de Odontologia do Cear\u00e1, onde colei grau em 1950, sendo imediatamente, no ano posterior, nomeado professor assistente da cadeira de Metalurgia e Qu\u00edmica Aplicada, naquela Faculdade onde permaneci lecionando at\u00e9 1954, quando fui eleito vereador de Fortaleza, o que novamente aconteceu em 1958, quando pela segunda vez fui novamente guindado \u00e0 mesma posi\u00e7\u00e3o de vereador, para em 1922 ser eleito deputado Estadual, reeleito em 66 e, finalmente, com o mandato cassado pela Revolu\u00e7\u00e3o em 1969, precisamente no dia 13 de mar\u00e7o. Minha atividade b\u00e1sica \u00e9 a do jornalismo, iniciada desde a mais tenra mocidade, fundador que fui ao lado de J\u00e1der de Carvalho do Di\u00e1rio do Povo, e, posteriormente, rep\u00f3rter do jornal O Estado para afinal ser Diretor da Gazeta de Not\u00edcias, de 1958 a 1964, e tamb\u00e9m, a essa \u00e9poca Superintendente da R\u00e1dio Uirapuru de Fortaleza. Ap\u00f3s a cassa\u00e7\u00e3o do mandato fui ent\u00e3o contratado como colunista de assuntos econ\u00f4micos nos Di\u00e1rios Associados, Jornal Correio do Cear\u00e1 e comentarista de assuntos econ\u00f4micos di\u00e1rios, na televis\u00e3o dos Associados. E agora, bem recentemente, h\u00e1 uns 15 dias deixei os Associados e fui contratado pela Tribuna do Cear\u00e1, onde mantenho a mesma coluna econ\u00f4mica e onde passarei a dirigir, a partir de 8 de agosto pr\u00f3ximo, o TC Domingo, que \u00e9 o Jornal Tribuna do Cear\u00e1. Ele vai passar a circular aos domingos sob a minha dire\u00e7\u00e3o. Na minha vida estudantil, o que me honra mais foi justamente ter sido um dos batalhadores do Centro Estudantil Cearense, entidade que \u00e0quela \u00e9poca congregava quase a totalidade da classe estudantil cearense. Fui Secret\u00e1rio Geral da entidade, ou melhor, inicialmente, o meu primeiro mandato de segundo Tesoureiro, posteriormente, eleito Secret\u00e1rio geral, e na outra elei\u00e7\u00e3o, membro de seu conselho Superior. Foi nesse per\u00edodo sob a presid\u00eancia do atual deputado estadual Aquiles Peres Mota que consegui inaugurar a Casa do Estudante do Cear\u00e1, que ainda hoje existe. Vale dizer que isso muito me honra porque era na \u00e9poca em que o Governo n\u00e3o ajudava constru\u00e7\u00f5es de casas do estudante. Ent\u00e3o, essa casa do estudante que era uma obra monumental para a \u00e9poca, e que ainda hoje presta tantos servi\u00e7os \u00e0 classe, foi constru\u00edda com verbas tiradas pelos pr\u00f3prios estudantes, atrav\u00e9s de festivais, de festas de mocidade, de feiras de amostra e sem absolutamente, nenhum tost\u00e3o do Governo na Casa do Estudante do Cear\u00e1. \u00c9 um depoimento que eu acho interessante, que pelo menos sirva de exemplo \u00e0 turma de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">De fato. Com que idade o senhor veio para o Cear\u00e1, j\u00e1 que se declara um cearense carioca?<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu cheguei ao Cear\u00e1 em 1937, consequentemente, com dez anos de idade, e aqui espero morrer, muito breve, n\u00e3o. Bom, a minha fam\u00edlia por parte de pai \u00e9 toda do Nordeste, Pernambuco e Cear\u00e1. Eu sou dos Sampaio do Cariri e minha m\u00e3e era carioca. Outro aspecto que tamb\u00e9m me parece interessante \u00e9 que agora dentro da minha atividade empresarial eu edito desde 1971, o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1.\u00a0 J\u00e1 estou na quinta edi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um retrato das contemporaneidades do Cear\u00e1. \u00c9 este o nosso objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Que lembran\u00e7as o senhor guarda da morte do seu pai que \u00e9 considerado um m\u00e1rtir da Intentona Comunista de 1935?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sinceramente, n\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3rias de ordem emocional para mim. De qualquer maneira, meu pai deixou minha m\u00e3e, eu tinha talvez os meus dois ou tr\u00eas anos de idade. E, eu tinha oito anos nessa \u00e9poca de modo que eu n\u00e3o conhecia propriamente meu pai. Eu acredito que isso \u00e9 um lapso da minha mem\u00f3ria, porque quando eu vim para o Cear\u00e1, eu passei a ser criado pela fam\u00edlia do meu pai. De modo que eu s\u00f3 era ligado por isso, mas n\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o com ele, que eu sinceramente, n\u00e3o tenho a menor ideia do seu aspecto f\u00edsico, apenas tento honrar o seu nome, nada mais que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sem d\u00favida. O senhor chegou a ser oficial de Gabinete na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Estado, durante quatro anos na gest\u00e3o Valdemar Alc\u00e2ntara. Nesse per\u00edodo que fatos o senhor considera que foram medidas importantes tomadas pelo titular daquela pasta e o que nos diria sobre as impress\u00f5es pessoais que\u00a0 guardou do Sr. Valdemar Falc\u00e3o, perd\u00e3o, Valdemar Alc\u00e2ntara?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">\u00c9. Cabe esta retifica\u00e7\u00e3o inicial em rela\u00e7\u00e3o ao nome do Dr. Valdemar. N\u00e3o \u00e9 Valdemar Falc\u00e3o, \u00e9 Dr. Valdemar Alc\u00e2ntara, atual vice-governador do Estado. Realmente, foi quando eu saia da faculdade e como eu participara da campanha eleitoral de Raul Barbosa, representando o estudante em seus com\u00edcios, porque \u00e0quela \u00e9poca realmente se usava isso, havia os oradores estudantis que participavam das campanhas. O Aquiles Peres Mota, hoje Deputado, representava o estudante nas campanhas eleitorais da UDN e eu representava o PSD &#8211; Partido Social Progressista, no caso o candidato Raul Barbosa, e quando ele tomou posse n\u00f3s tivemos que arranjar um velho empreguinho e o meu empreguinho foi um empreg\u00e3o para aquela \u00e9poca, que \u00e9 o de chefe de gabinete, ou melhor, oficial de gabinete. Era esse o nome que se dava, hoje chamam chefe de gabinete, mas \u00e0quela \u00e9poca era oficial de gabinete. E nesses quatro anos eu dento dessas fun\u00e7\u00f5es fui tamb\u00e9m designado diretor de fiscaliza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do ensino, Diretor T\u00e9cnico de Educa\u00e7\u00e3o e Inspetor do Ensino Supletivo. A essa \u00e9poca tive oportunidade de participar daquilo que para a \u00e9poca era uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no setor educacional do Cear\u00e1, bastando dizer que foi no governo do senhor Raul Barbosa, que realmente a educa\u00e7\u00e3o tomou um impulso fora do comum e \u00e9 desta \u00e9poca, quando eu geria a diretoria de fiscaliza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do ensino, realizamos a primeira reforma no ensino normal, por outro lado foi na \u00e9poca do estabelecimento do chamado ensino supletivo, que era um ensino de alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00a0de adultos, uma rede escolar muito ampla em todo Estado, afora a inaugura\u00e7\u00e3o de dezenas e dezenas de pr\u00e9dios escolares em todo o interior do Estado e especialmente em Fortaleza, que \u00e9 dessa \u00e9poca, por exemplo, que o Governo\u00a0 do Estado, tentou levar a educa\u00e7\u00e3o aos bairros mais afastados. Assim \u00e9 que foram constru\u00eddos, o Grupo escolar de Pirambu, O grupo Escolar de Parangaba, o Grupo Escolar do Montese, o Grupo Escolar da \u00c1gua Fria, que naquela \u00e9poca era com que um deserto, mas se fez l\u00e1, enfim, recordo-me que mais ou menos uns dez pr\u00e9dios em Fortaleza, naquela \u00e9poca eram fruto do Governo Raul Barbosa. E o Valdemar Alc\u00e2ntara, se bem n\u00e3o fosse nenhum t\u00e9cnico em educa\u00e7\u00e3o, era apenas m\u00e9dico, ele tinha o bom senso de se cercar de pessoas que realmente entendiam bem do assunto como Filgueiras Lima, o Catunda, Jo\u00e3o Cl\u00edmaco Bezerra, D. Lerice Porto e essa equipe de pessoas versadas em educa\u00e7\u00e3o, ensejaram a ele que estabelecesse um Plano de Governo que executado foi positivo, no sentido de favorecer realmente algo de valor em favor da educa\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E sobre as opini\u00f5es do Dr. Valdemar Alc\u00e2ntara como pessoa?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu o considero um dos homens famosos deste Estado, mas eu at\u00e9 me furtaria um pouco, at\u00e9 de dar esses elogios porque \u00e9 a velha hist\u00f3ria, eu talvez seja suspeito, porque ainda hoje eu considero o atual vice-governador do Estado, apesar dele ter partido diferente do meu. Naquela \u00e9poca eu ainda era pol\u00edtico, quando eu exercia o minist\u00e9rio pol\u00edtico eu era do MDB e ele da ARENA, mas nunca nos desvinculamos, e para que se possa avaliar mais ou menos o grau de afetividade que nos une, \u00e9 que ele foi o meu padrinho de casamento, padrinho da minha primeira filha, \u00a0ainda hoje estamos unidos por uma amizade da qual eu guardo a maior fidelidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Em 1954 o senhor trocou de fato o magist\u00e9rio pela atividade pol\u00edtica, quando se elegeu vereador da C\u00e2mara Municipal de Fortaleza? Como foi que aconteceu o seu ingresso na pol\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">As minhas liga\u00e7\u00f5es com os estudantes, como eu disse eu era um dos l\u00edderes do movimento estudantil atrav\u00e9s do Centro Estudantil Cearense. Representei esses mesmos estudantes na Campanha de Raul Barbosa, e este, ao tomar posse, me colocou como oficial de gabinete do Dr. Valdemar Alc\u00e2ntara, justamente para que eu servisse como que de intermedi\u00e1rio entre o governo e a classe estudantil. E essa liga\u00e7\u00e3o que cada vez mais se aprofundava, ensejou que ap\u00f3s esse mandato e as condi\u00e7\u00f5es que me eram dadas na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de servir os estudantes, mais a mais me aproximou deles, ent\u00e3o me deram condi\u00e7\u00f5es para eu tentar a carreira pol\u00edtica, o que fiz com \u00eaxito elegendo-me pela primeira vez vereador de nossa cidade, vereador de Fortaleza, onde ent\u00e3o, durante quatro anos na bancada do PSD, \u00e9poca em que o atual senador Mauro Benevides tamb\u00e9m era vereador e por sinal vice-l\u00edder da bancada. Nesses quatro anos eu liderei a bancada do PSD no Cear\u00e1, com o Mauro, hoje senador, como meu liderado, e esse mandato se fez sentir durante outros quatro anos, porque eu, em 1948, eu tentei a reelei\u00e7\u00e3o conseguindo novamente ganhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E de suas experi\u00eancias como l\u00edder da banca no PSD, como vereador, o que o senhor nos diria?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, os companheiros eram maravilhosos, era o Mauro Benevides, era o m\u00e9dico Jo\u00e3o Cavalcante, era Walter S\u00e1 Cavalcante Ent\u00e3o, eram homens que realmente, dentro das possibilidades de ent\u00e3o, engajavam na linha do PSD, e de qualquer forma, aquela \u00e9poca para se dirigir o PSD, at\u00e9 n\u00e3o era t\u00e3o dif\u00edcil porque era de qualquer forma o partido dominante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, em 1962, ainda sob o PSD o senhor foi eleito <\/em><\/p>\n<p><em>deputado,\u00a0 n\u00e3o \u00e9? Um partido dominante, como j\u00e1 nos disse. Creio que gostava de atuar nas duas pontas, na estrat\u00e9gia e depois nos embates.<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">As suas mem\u00f3rias bem precisam ser escritas com certeza.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Que lembran\u00e7as\u00a0 guarda dos acontecimentos desse per\u00edodo?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, em carreira pol\u00edtica o que mais se guarda s\u00e3o justamente as campanhas sucess\u00f3rias do Estado. N\u00e3o s\u00f3 da campanha que se desencadeia, a campanha propriamente dita, como aqueles per\u00edodos de conversa\u00e7\u00f5es, dos entendimentos, daquele nervosismo, daquele frenesi que acompanha justamente a escolha dos candidatos.\u00a0 N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que Raul Barbosa fizera um \u00f3timo governo, vindo de uma campanha em que o PSD retomava o poder j\u00e1 que o antecessor dele era o desembargador Faustino Albuquerque, candidato da UDN. E, o Raul Barbosa apresentou ent\u00e3o como candidato, ou melhor, o PSD apresentou como candidato, para suced\u00ea-lo, o Sr. Armando Falc\u00e3o, atual Ministro da Justi\u00e7a, e a UDN apresentou o Sr. Paulo Sarasate. Foi uma campanha de muito entusiasmo em que o candidato pessedista desfraldava, recordo bem, a chamada bandeira contra o roubo e contra a corrup\u00e7\u00e3o. E, essa campanha foi muito \u00e1rdua, tanto que o triunfo do senhor Paulo Sarasate sobre Armando Falc\u00e3o foi por uma diferen\u00e7a m\u00ednima de talvez mil e poucos votos, se n\u00e3o me engano, o que em campanha de governador \u00e9 quase um empate, e assim mesmo, s\u00e9 \u00e9 um depoimento para a Hist\u00f3ria que se diga, se discute a vit\u00f3ria do Sr. Paulo Sarasate. Tanto \u00e9 discut\u00edvel essa apura\u00e7\u00e3o de votos porque o pr\u00f3prio Sr. Armando Falc\u00e3o, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, ele declarou publicamente que havia sido ludibriado, que ele realmente dentro da urna tinha mais votos do que o Sr. Paulo Sarasate, apenas teria havido assim um processo de beneficiamento eleitoral por outras vias que n\u00e3o as reais, da vota\u00e7\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Seria o epis\u00f3dio da chamada\u00a0 Pedra Branca?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. A Pedra Branca \u00e9 um aspecto inteiramente isolado, \u00e9 porque Pedra Branca \u00e9 um reduto do PSP &#8211; Partido Social Progressista, comandado aqui no Cear\u00e1 pelo Sr. Olavo Oliveira, Professor de Direito, Senador da Rep\u00fablica e Pedra Branca era quase uma urna fechada, pois o PSD do Sr. Olavo Oliveira, e nessa \u00e9poca esperava-se que Pedra Branca iria decidir o pleito, a favor do Sr. Armando Falc\u00e3o, o que n\u00e3o ocorreu, houve rea\u00e7\u00f5es, mas especificamente, n\u00e3o foi Pedra Branca que derrotou o Sr. Armando Falc\u00e3o. O ludibrio que diz o Sr. Armando Falc\u00e3o que existiu foi generalizado. \u00c9 dif\u00edcil a gente localizar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Anteriormente a sua elei\u00e7\u00e3o para deputado o senhor foi Presidente da C\u00e2mara dos Vereadores, ao tempo em que era Presidente, J\u00e2nio Quadros. E sua opini\u00e3o sobre a ren\u00fancia do Presidente e sobre as experi\u00eancias que o senhor viveu como Presidente da C\u00e2mara dos Vereadores daquela \u00e9poca, por favor. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acredito que tenha sido uma experi\u00eancia um tanto quanto amarga. Eu fui eleito Presidente da C\u00e2mara dos Vereadores por um acidente. A essa \u00e9poca era prefeito o Sr. Cordeiro Neto, e ele tinha uma maioria muito grande na C\u00e2mara Municipal, mas houve divis\u00e3o quanto \u00e0 escolha do Presidente. A bancada do PSD que liderava ficou sem se comprometer com nenhuma das duas fac\u00e7\u00f5es do Prefeito, que pretendia a C\u00e2mara Municipal, at\u00e9 que o Prefeito Cordeiro Neto decidiu ser a favor do Alu\u00edzio Correia, ent\u00e3o vereador. E a outra fac\u00e7\u00e3o, que era presidida por Jos\u00e9 Martins Timb\u00f3, n\u00e3o aceitou aquela indica\u00e7\u00e3o, mas verificando que n\u00e3o tinha a menor possibilidade de vencer procurou o PSD, o qual ent\u00e3o, por meu interm\u00e9dio apresentou os quatro nomes da bancada. Que eles escolhessem qualquer um dos quatro. Sinceramente como eu pensei que eu teria sido o \u00faltimo a ser escolhido, porque eu sei que os outros tr\u00eas tinham mais condi\u00e7\u00f5es, porque eu n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00f5es presidenciais, n\u00e3o. Mas, olhando os pendores e as tend\u00eancias de cada um, chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o que o \u00fanico que podia ser e denominador comum dessa fac\u00e7\u00e3o seria o meu nome. Ent\u00e3o, eu aproveitei e aceitei, mas debaixo da seguinte condi\u00e7\u00e3o: \u00e9 que eu n\u00e3o aceitaria imposi\u00e7\u00e3o nenhuma. Eu iria como Presidente, tentar aquilo que eu chamava uma recupera\u00e7\u00e3o do Poder Legislativo Municipal. Ent\u00e3o, em d\u00e9ficit com a opini\u00e3o p\u00fablica por causa das sucessivas vezes em que se criavam cargos, se cartava exorbitantemente o que bem entendesse ent\u00e3o eu aceitei. \u00a0Por sinal, no primeiro escrut\u00ednio eu perdi a elei\u00e7\u00e3o, mas como o outro candidato n\u00e3o tinha a maioria, no outro escrut\u00ednio ent\u00e3o, surpreendentemente eu ganhei por um voto, porque a Vereadora Mirtes Campos, no primeiro escrut\u00ednio ia votar no Alu\u00edzio Correia, ao chegar \u00e0 cabine para votar, no depoimento dela mesmo, ela disse: \u201cAh! Mas eu deixar de votar no Dorian\u201d, a\u00ed se arrependeu e votou em mim. \u00a0E o Caio Cid, o colunista Carlos Cavalcante j\u00e1 falecido, que votara em branco no primeiro escrut\u00ednio, votou em mim. Ent\u00e3o, eu ganhei a elei\u00e7\u00e3o por um voto, e como eu n\u00e3o tinha compromisso eu pude ent\u00e3o exercer o mandato. Assim, tentando realmente recuperar a C\u00e2mara Municipal, extinguir cargos, resolver contratos, naquela \u00e9poca era um neg\u00f3cio assim fora do comum. Eu recolhi o cargo da Presid\u00eancia, n\u00e3o aceitava cargo oficial, recolhi todos os cargos da Prefeitura, enfim, fiz uma s\u00e9rie de medidas, mas isso \u00e9 l\u00f3gico que houve rea\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que ent\u00e3o, com seis meses de mandato eu renunciei, renunciei o mandato, e, interessante, no dia seguinte, sem que me avisassem, deviam ter me avisado, o J\u00e2nio Quadros renunciou. Eu renunciei na v\u00e9spera do J\u00e2nio Quadros. Por sinal diziam aqui a t\u00edtulo de piada que o J\u00e2nio Quadros havia me imitado, havia me acompanhado. Mas o fato \u00e9 que, essa ren\u00fancia criou dificuldade muito grande e eu acredito que outros historiadores podem dar o seu depoimento melhor do que eu. Apenas acho que foi da\u00ed que surgiu uma nova etapa na vida brasileira, e ainda hoje \u00e9 dif\u00edcil saber-se a raz\u00e3o dessa ren\u00fancia. Sabe-se, entretanto, que foi, ali\u00e1s, sabe-se n\u00e3o, se sup\u00f5e e eu concordo com essa teoria \u00e9 que a ren\u00fancia adveio de um toque emocional qualquer, de momento, o Sr. J\u00e2nio Quadros, parece que era dado ao copo, e deve ter sido um u\u00edsque al\u00e9m que faz com que ele tomasse assim, uma medida intempestiva, porque se tinha uma pessoa ou um Presidente da Rep\u00fablica que tinha o apoio total do povo brasileiro era o Sr. J\u00e2nio Quadros. Ele tinha todas as condi\u00e7\u00f5es. Talvez tenha sido o \u00fanico brasileiro que tenha tido condi\u00e7\u00f5es de impor qualquer regime neste pa\u00eds e que seria aceito naquela \u00e9poca. Lamentavelmente, renunciando, deu-se todo esse quiproqu\u00f3 que os senhores que s\u00e3o historiadores sabem mais do que eu. Mas realmente, se ele n\u00e3o tivesse renunciado, eu acredito que o julgo, se bem que as declara\u00e7\u00f5es posteriores, ap\u00f3s a ren\u00fancia, indicam que o Sr. J\u00e2nio Quadros queria da ren\u00fancia, era impor condi\u00e7\u00f5es que se efetivaram e, 1964, com algumas deriva\u00e7\u00f5es. Mas de qualquer maneira o que ele prevenia realmente era um governo forte, de executivo forte e com uma atrofia do legislativo. \u00c9 o que eu entendo, que o Sr. J\u00e2nio Quadros intentou essa ren\u00fancia para ent\u00e3o ser solicitado e estabelecer o regime que veio ocorrer a partir de 1964, com um legislativo inodoro e ins\u00edpido, infenso, como temos hoje, e um executivo hipertrofiado, como hoje ele \u00e9 realmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Quem sucedeu o senhor ap\u00f3s a sua ren\u00fancia na presid\u00eancia da C\u00e2mara?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Foi o senhor Jos\u00e9 Barros de Alencar e ele permaneceu, parece que 14 anos seguidos, era vereador de Messejana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Em 1962, quando o senhor foi eleito Deputado sob a legenda do PSD, avizinhava-se o movimento de 1964.\u00a0 Eu lhe pergunto, na C\u00e2mara dos Deputados ou entre os pol\u00edticos, se pressentia algo dessa mudan\u00e7a?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Ningu\u00e9m no Cear\u00e1, ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, sabia da revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 revolucion\u00e1rios no Cear\u00e1. Conta-se at\u00e9 que, no dia da revolu\u00e7\u00e3o o Sr. Perilo Teixeira encontrou-se com o Sr. Paulo Sarasate. Por ser um homem tido e havido como grande revolucion\u00e1rio do Cear\u00e1, o Sr. Perilo Teixeira cumprimentou o Sr. Paulo Sarasate, dizendo: \u201cCom \u00e9 rapaz, o que voc\u00ea acha dessa revolu\u00e7\u00e3o?\u201d. E o Sarasate respondeu: \u201cRevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o, uma baderna. Isso \u00e9 uma baderna\u201d.\u00a0 Quer dizer, nem ele pr\u00f3prio, o homem mais amigo de Castelo Branco sabia da eclos\u00e3o do movimento em 64. O que havia era muita conversa\u00e7\u00e3o, confabula\u00e7\u00f5es no Restaurante do Lido, por exemplo. Confabulava-se muito aqui no Cear\u00e1, mas eu acredito que nenhum pensava em termos de uma revolu\u00e7\u00e3o armada, n\u00e3o. Agora, depois de 64, apareceram muitos focos revolucion\u00e1rios, mas eles inexistiram antes, em minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E sobre o que ent\u00e3o, confabulariam? O Senhor. saberia dizer alguma coisa sobre a posi\u00e7\u00e3o do, hoje, Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">O Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora era governador, e ia sabendo inclusive, que quando se deu a revolu\u00e7\u00e3o de 64, ele passou inclusive um tempo, teimando em passar um telegrama apoiando o movimento. Isso \u00e9 um fato que os senhores j\u00e1 devem at\u00e9 ter depoimento a esse respeito. Dizia-se at\u00e9 que ele ficava em cima do muro. Ele n\u00e3o participou absolutamente nada, agora, recordo-me que quando o Sr. Humberto Castelo Branco j\u00e1 era Presidente da Rep\u00fablica, e aqui esteve no Cear\u00e1, n\u00f3s Deputados do PSD, tidos como os chamados \u201cAnjos Rebeldes\u201d, que era uma ala do PSD que eu liderava,\u00a0 ala essa a que pertenciam os deputados do PSD, Batista de Aguiar e Figueiredo Correia, mas n\u00e3o o Joaquim Figueiredo Correia, o irm\u00e3o dele que era deputado tamb\u00e9m, e mais deputados de outros partidos como Luciano Magalh\u00e3es, n\u00f3s faz\u00edamos um movimento contra o Virg\u00edlio, e quando foi aquela luta dos partidos para a forma\u00e7\u00e3o de Arena e MDB, n\u00f3s fomos ter a casa do industrial Jo\u00e3o Moreira, onde estava hospedado o Sr. Humberto Castelo Branco,\u00a0 a chamado deste, e para saber para qual partido n\u00f3s \u00edamos, se para a Arena ou para o MDB. E a essa \u00e9poca o Marechal Castelo Branco perdeu inclusive a tramontana na hora, exasperou-se porque achava que a campanha que n\u00f3s faz\u00edamos contra o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora aqui no Cear\u00e1, usando a express\u00e3o por ele usada \u201cricocheteava no governo dele\u201d, e que n\u00e3o admitia essa oposi\u00e7\u00e3o. A\u00ed o importante \u00e9 frisar a declara\u00e7\u00e3o do Marechal Castelo Branco, ele dizia: \u201cQuando eu, antes da revolu\u00e7\u00e3o, andava no Cear\u00e1, o revolucion\u00e1rio que eu encontrei aqui foi o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. O Sr. H\u00e9lio, o \u00a0Coronel H\u00e9lio Lemos, fazia besteira\u201d. Era express\u00e3o do Presidente Castelo Branco, o Sr. Edmond Bastos Gon\u00e7alves, que era um major do GO, tido como um revolucion\u00e1rio aqui tamb\u00e9m, de acordo com o Marechal Castelo Branco tamb\u00e9m era um homem que estava deslocado, n\u00e3o sabia o que fazia. De revolucion\u00e1rio, o que ele encontrou aqui foi o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora&#8230; \u00a0Eis a\u00ed a declara\u00e7\u00e3o que surpreendeu a todos, porque n\u00f3s sab\u00edamos que o coronel\u00a0 H\u00e9lio Lemos e o major Edmond Bastos Gon\u00e7alves, eram os homens que realmente haviam mais lutado, no per\u00edodo pr\u00e9-revolucion\u00e1rio. Mas, temos a\u00ed esse epis\u00f3dio testemunhado entre outros, por Luciano Magalh\u00e3es, o atual Deputado Di\u00f3genes Nogueira, Batista Aguiar, Figueiredo Correia, Wilson Gon\u00e7alves, vice-governador Valdemar Alc\u00e2ntara, que estava participando na hora. Foi da\u00ed que eu decidi o meu caso, eu sa\u00ed para ingressar nas hostes do MDB, assinar a proposta para a forma\u00e7\u00e3o do MDB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, o coronel Edmond estava entre os que confabulavam. Mas n\u00e3o se sabia precisamente o que confabulavam, nada escapava?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, a confabula\u00e7\u00e3o, o nome j\u00e1 o diz, n\u00e3o \u00e9? Quando se confabulava quem est\u00e1 de fora n\u00e3o o sabe. Eu alguma coisa fui \u00a0saber posteriormente. Agora, o Marechal Castelo Branco disse que ele estava fazendo besteira, que o revolucion\u00e1rio que encontrou aqui foi o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora.\u00a0 Sei apenas que, a t\u00edtulo de informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que as melhores reuni\u00f5es dessa turma da confabula\u00e7\u00e3o eram feitas no Restaurante Lido, com aquele Charles, aquele franc\u00eas que reunia ali no Lido ou na casa deles e tal. Parece que quando chamava a patota pr\u00e9-revolucion\u00e1ria era ali a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, Dr. Dorian, o senhor n\u00e3o confabulava, n\u00e3o \u00e9, pelo visto. \u00a0Por que?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. Eu n\u00e3o participei absolutamente nada em rela\u00e7\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o de 64, nem sabia da exist\u00eancia dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Por que Anjos Rebeldes? Por que divergiam da linha oficial do partido?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Exato. \u00c9 porque o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, conforme \u00e9 sabido, ele foi eleito pela chamada Uni\u00e3o pelo Cear\u00e1. Foi quando se uniu pela primeira vez em nosso Estado o PSD com a UDN, para eleger o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. Houve um candidato, um candidato suicida como chamavam, que foi o ent\u00e3o Deputado Federal Cavalcante, Adail Cavalcante, candidato apenas de protesto. Mas o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora foi candidato do PSD com a UDN, a Uni\u00e3o. Adail Barroso Cavalcante era o candidato de rea\u00e7\u00e3o, apenas a t\u00edtulo de protesto, n\u00e3o tinha a menor condi\u00e7\u00e3o de se eleger, porque o Virg\u00edlio T\u00e1vora conseguiu a Uni\u00e3o do Cear\u00e1, a uni\u00e3o do PSD com a UDN e todos os partidos ent\u00e3o existentes. E ent\u00e3o, o volume de Deputados que apoiava o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora era fora do normal, mas, entendendo que uma coisa precisa ser reclamada eu comecei ent\u00e3o a ensaiar os primeiros protestos contra algumas atitudes do governo do Estado que eu achava que eram nocivas aos interesses do Cear\u00e1, e fui sendo acompanhado por um e mais outro, e mais outro e peguei a formar mesmo uma bancada de oposi\u00e7\u00e3o que parece que deu algum trabalho ao ent\u00e3o governador Virg\u00edlio T\u00e1vora, e a imprensa ent\u00e3o, nos deu o nome de Anjos Rebeldes, que, ali\u00e1s, n\u00e3o foi muito original, n\u00e3o, porque j\u00e1 tinha havido em outras \u00e9pocas uma bancada de Anjos Rebeldes na Assembleia, n\u00e3o me recordo bem, \u00e9 o clich\u00ea cinematogr\u00e1fico. O fato \u00e9 que, de qualquer maneira esses Anjos Rebeldes prosseguiram e fomos assim, com este cognome, at\u00e9 o fim do Governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Dr. Dorian, o senhor acha que no in\u00edcio do Governo Virg\u00edlio T\u00e1vora teria havido uma anula\u00e7\u00e3o inicial da oposi\u00e7\u00e3o? Isto porque houve durante um determinado per\u00edodo do governo do Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, certo equil\u00edbrio na composi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Praticamente n\u00e3o havia oposi\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do governo do Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, basta lhe dizer que eu, que um ano depois que comecei a inicia,r a fazer oposi\u00e7\u00e3o, havia sido inclusive, convidado na forma\u00e7\u00e3o do secretariado, para secret\u00e1rio do Trabalho. A essa \u00e9poca existia o secret\u00e1rio do Trabalho e eu fui convidado pelo governador para ser o seu secret\u00e1rio. Apenas n\u00e3o aceitei, sob alegativa de que havia sido eleito deputado, e que me achava na obriga\u00e7\u00e3o de cumprir o mandato. N\u00e3o tinha voca\u00e7\u00f5es para o executivo, a\u00ed no caso, inclina\u00e7\u00e3o no momento. Mas, oposi\u00e7\u00e3o nenhuma. A oposi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com, mais ou menos, isso foi depois de um ano de governo. Um ano e seis meses, por a\u00ed, que se deu o in\u00edcio desse processo oposicionista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E de sua reelei\u00e7\u00e3o em 1966, j\u00e1 sob a legenda do MDB. Poderia nos dizer alguma coisa ligada aos epis\u00f3dios que envolveram a sua cassa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, o que houve foi o seguinte. Quando se fala em cassa\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, \u00e9 preciso se distinguir tr\u00eas esp\u00e9cies de cassa\u00e7\u00e3o. Existe a cassa\u00e7\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o, existe a cassa\u00e7\u00e3o por subvers\u00e3o, e existe o que eu chamo a cassa\u00e7\u00e3o puramente pol\u00edtica. Ent\u00e3o, digamos uma cassa\u00e7\u00e3o de Carlos Lacerda, uma cassa\u00e7\u00e3o de J\u00e2nio Quadros, uma cassa\u00e7\u00e3o de Juscelino Kubitscheck, cassa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Martins Rodrigues, nem podem ser enquadradas como de ordem de corrup\u00e7\u00e3o, nem subversivas; uma cassa\u00e7\u00e3o puramente pol\u00edtica. Porque eram homens que se deixassem o exerc\u00edcio pol\u00edtico podiam perturbar a marcha, vamos dizer revolucion\u00e1ria. E eu como n\u00e3o tenho nenhum sinal de corrup\u00e7\u00e3o na minha vida e muito menos de subvers\u00e3o, eu acredito que a minha cassa\u00e7\u00e3o foi puramente pol\u00edtica, porque quando veio a segunda elei\u00e7\u00e3o minha, para deputado, j\u00e1 no per\u00edodo revolucion\u00e1rio, e eu j\u00e1 pelo MDB eu&#8230; na televis\u00e3o, eu observava realmente o governo, e eu usava o seguinte racioc\u00ednio: existiam partidos, ambos nascidos no rego da revolu\u00e7\u00e3o, e tanto do MDB como da Arena, s\u00e3o dois irm\u00e3os que n\u00e3o se querem, mas s\u00e3o filhos da mesma m\u00e3e, sa\u00eddos do mesmo ventre; da revolu\u00e7\u00e3o. Mas se bem eu raciocinava, se o MDB era o partido da Revolu\u00e7\u00e3o, a\u00ed n\u00e3o cabia fazer oposi\u00e7\u00e3o a esse governo. Foi o que eu fazia realmente na Assembleia e o fazia de maneira mais c\u00e1ustica poss\u00edvel, e que se prolongou tamb\u00e9m na campanha eleitoral, especialmente na televis\u00e3o, bastando afirmar que eu fui o \u00fanico candidato daquela \u00e9poca, que n\u00e3o tive o direito como os outros de chegar ao fim de qualquer pronunciamento meu na televis\u00e3o. Os tr\u00eas pronunciamentos que eu fui fazer na televis\u00e3o, a censura cortou o meu pronunciamento. Cortava abruptamente mesmo e ficava em branco, porque realmente eu atacava, vamos dizer, at\u00e9 profissionalmente, que eu era da oposi\u00e7\u00e3o, assim pensava o governo revolucion\u00e1rio. Isso em termos eleitorais me desfavoreceu tremendamente, porque basta eu dizer que a primeira vez que fui eleito deputado eu fui o \u00faltimo do meu partido, eu fui o deputado menos votado. Quando eu sa\u00ed de vereador de Fortaleza para o meu primeiro mandato de deputado, eu fui o deputado menos votado do meu partido, o ent\u00e3o PSD, e eu n\u00e3o t\u00ednha col\u00e9gios eleitorais, n\u00e3o tenho fam\u00edlia pol\u00edtica aqui no Cear\u00e1, ent\u00e3o, enfrentei sozinho e fui o \u00faltimo colocado, e nessa elei\u00e7\u00e3o, na segunda, eu fui o deputado mais votado em Fortaleza, e eu fui o segundo deputado mais votado no Estado. Basta lhe dizer que s\u00f3 Fortaleza dava para me eleger. E dos 142 munic\u00edpios, antigamente eram 142, agora \u00e9 141, at\u00e9 em Cococi, no Parambu, eu tive votos. Eu fui eleito em todos os munic\u00edpios cearenses. O \u00fanico munic\u00edpio que me deu menos votos foi Crato, mas me deu um voto. \u00c9 talvez consequ\u00eancia da televis\u00e3o. Ent\u00e3o, esse esp\u00edrito popular,, pelo menos eleitoralmente me valeu muito, me valeu eleitoralmente para me eleger e esse esp\u00edrito \u00a0tamb\u00e9m chamado populista, tamb\u00e9m me valeu muito para me cassar. Epis\u00f3dios que para mim foram t\u00e3o positivos, t\u00e3o maravilhosos na minha vida pol\u00edtica como foi a pr\u00f3pria elei\u00e7\u00e3o, assim com uma vota\u00e7\u00e3o t\u00e3o magn\u00edfica, porque eu acredito que eu seria um frustrado na minha vida se eu n\u00e3o tivesse sido cassado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Justificaria esse seu modo de pensar?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, justifico sim, porque se eu entrei em oposi\u00e7\u00e3o ao processo revolucion\u00e1rio, se eu usava toda a minha ret\u00f3rica, todo o esfor\u00e7o se encontrava de reclamar aquilo que estava errado. E, ao verificar que tantos companheiros eram cassados, se aquilo n\u00e3o acontecesse comigo essa frustra\u00e7\u00e3o me viria num segundo, isso quer dizer que o que estou dizendo n\u00e3o est\u00e1 incomodando, e eu tenho a impress\u00e3o que at\u00e9 na vida comum, voc\u00ea querendo atacar algu\u00e9m, se a pessoa n\u00e3o est\u00e1 lhe ouvindo voc\u00ea deve se sentir frustrado, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o, o que eu falava realmente incomodava e o meu intuito era incomodar mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Em alguma \u00e9poca no futuro, estar\u00e1 entre os planos do senhor voltar \u00e0 pol\u00edtica, se houver oportunidade?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Olha, eu vou ser muito franco. Se ser deputado \u00e9 o que \u00e9 hoje um Deputado, pode me dar um mandato de gra\u00e7a que eu n\u00e3o volto. Agora, se a representa\u00e7\u00e3o parlamentar voltar a ser o que era no passado, isto \u00e9, a de permitir ao deputado o exerc\u00edcio do seu mandato, protestar contra o erro, defender as causas populares, profligar contra as injusti\u00e7as, a\u00ed eu troco tudo o que eu ganhei depois de cassado para ser Deputado de novo, volto a ser pobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, de onde surgiu a ideia de seu livro Pessedismo, reunindo discursos parlamentares?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, at\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es nem de escrever o livro, porque as atividades parlamentares realmente tomavam o tempo da gente, mas \u00e9 a tal coisa, todo homem, pelo menos um intelectual ou metido a isso, como \u00e9 o meu caso, todo homem quer ter um livro e plantar uma \u00e1rvore, n\u00e3o \u00e9? A \u00e1rvore eu j\u00e1 plantei, filhos j\u00e1 tive cinco e eu queria ter um livro. Ent\u00e3o, eu escrevi o livro reunindo os meus pronunciamentos pol\u00edticos como vereador, se bem que n\u00e3o seja um livro digno de participar de qualquer estante de Hist\u00f3ria, n\u00e3o, porque eram pronunciamentos de vereador. Eram apenas como se diz e eu posso afirmar, eram apenas resultados de emo\u00e7\u00f5es de quem come\u00e7ava na vida pol\u00edtica, muito ardor, muito pessedismo, e eu acredito que eu mesmo nem tenho mais, distribui, e eu mesmo nem tenho na minha estante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Por que o t\u00edtulo Pessedismo, ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Justamente porque eu era do PSD e eu sonhava para o meu PSD um partido cujos homens fizessem aquilo que eu estava fazendo, diante do erro: protestar; diante do acerto; aplaudir, por isso, pessedismo. Se bem que a gente examinando friamente o que hoje j\u00e1 se pode fazer, finalmente a gente verifica que \u00e9 muito dif\u00edcil isso dentro do PSD, que era um partido congenitamente, partido do governo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00c9 sabido que o professor J\u00e1der de Carvalho o convidou para ingressar no Di\u00e1rio do Povo, onde o senhor ficou por seis anos. O professor J\u00e1der de Carvalho \u00e9 reputado n\u00e3o s\u00f3 como intelectual, mas como um homem de coragem. O que o senhor nos diria, o que pensa sobre o professor J\u00e1der de Carvalho?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, o J\u00e1der, n\u00f3s \u00e9ramos alunos do Liceu, terceiro ano cient\u00edfico, isso em 1946, se n\u00e3o me engano. J\u00e1der de Carvalho, professor de Hist\u00f3ria, aquele que no Cear\u00e1 talvez, pela primeira vez, \u00e9.\u2026 aboliu aquele estudo de ent\u00e3o, da Hist\u00f3ria puramente cronol\u00f3gica em que o aluno tinha que decorar datas, mas n\u00e3o interpretava nenhum fato hist\u00f3rico. O J\u00e1der era justamente o oposto, de modo que foi um mestre, era um professor espetacular para todos n\u00f3s. Ele rompeu com o ent\u00e3o governador, desembargador Faustino de Albuquerque pela nomea\u00e7\u00e3o de um diretor no Liceu que parece n\u00e3o agradou ao J\u00e1der. Havia uma diferen\u00e7a qualquer entre o J\u00e1der e esse Diretor nomeado que era o professor Edmilson Pinheiro, hoje amigo meu e tal, mas o Edmilson Pinheiro foi criado na Alemanha, tinha aquela educa\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica. Ent\u00e3o, ele como diretor exercia o seu mister assim de uma forma muito autorit\u00e1ria, e o J\u00e1der que sempre fora um homem que lutava pelas liberdades e tal, e encampou aquela luta contra o governo devido \u00e0 sua nomea\u00e7\u00e3o. E, n\u00f3s, alunos do Liceu, tamb\u00e9m nos engajamos nessa luta, e quando ele resolveu ampliar essa campanha contra o governo, n\u00e3o apenas dentro do Liceu, mas tamb\u00e9m publicamente, ele ent\u00e3o resolveu fundar o jornal o Di\u00e1rio do Povo, e escolheu para seus alunos, ou melhor, escolheu para seus redatores e rep\u00f3rteres aqueles que ele considerava os seus melhores alunos de Hist\u00f3ria. \u00c9 da\u00ed ent\u00e3o, que vem os nomes de Dorian Sampaio, que \u00e9 o meu caso, L\u00facio Lima, Olavo Sampaio, Aquiles Peres Mota, o atual l\u00edder do governo, Eduardo Lincoln, o Ed. Lincoln que hoje toca \u00f3rg\u00e3o e \u00e9 compositor no Rio de Janeiro, e tamb\u00e9m come\u00e7ou como jornalista. \u00c9 o que eu me recordo no momento. Pois bem, era um jornal vibrante, bastando dizer que o primeiro n\u00famero dele foi empastelado. O primeiro n\u00famero do jornal quando a pol\u00edcia entrou, quebrou o jornal todinho a mandado do Sr. Valmique Sampaio de Albuquerque, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o e filho do governador Faustino de Albuquerque. E o Valmique dez isso, dizem por que chegou aos ouvidos dele, o Valmique, de que o artigo de lan\u00e7amento do Di\u00e1rio do Povo, atacava a sua honorabilidade, o que n\u00e3o realmente, n\u00e3o aconteceu. O artigo chamava-se at\u00e9 Presentes, lembro bem que o artigo falava sobre todos os desmandos de ent\u00e3o e terminava assim: \u201cO povo clama por n\u00f3s e a nossa resposta foi esta: presentes\u201d. Que era o t\u00edtulo do artigo, ent\u00e3o o jornal foi empastelado, quebrado, foi gente presa, era tirado a essa \u00e9poca na reda\u00e7\u00e3o do Estado, n\u00f3s do jornal O Estado, ali na rua Senador Pompeu, fomos presos, ent\u00e3o, o J\u00e1der requereu \u201cHabeas Corpus\u201d para todos os jornalistas. Era chefe de Pol\u00edcia a essa \u00e9poca o major Humberto Moura, de Acara\u00fa, depois tendo sido Deputado Federal pelo Cear\u00e1, e 15 dias depois o jornal sa\u00eda, o Di\u00e1rio do Povo. Ent\u00e3o, eu sou um homem que participei dos acontecimentos com o J\u00e1der de Carvalho durante anos seguidos. Eu pertenci o Di\u00e1rio do Povo desde o seu primeiro dia at\u00e9 o governo de Raul Barbosa, quando ent\u00e3o, as minhas atribula\u00e7\u00f5es como Oficial de Gabinete na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me permitiram mais o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. Mas, durante esses anos sofremos muito, fomos presos, o jornal foi empastelado, \u00e9ramos assediados de toda forma e isso criou dificuldades muito grandes, mas eu posso assegurar que foi um dos per\u00edodos mais bonitos da vida da imprensa do Cear\u00e1 e da minha pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O Senhor decididamente gosta de oposi\u00e7\u00e3o. Dr. Dorian, o senhor pensaria ent\u00e3o que o governo do Dr. Faustino de Albuquerque teria sido ou poderia ser chamado um governo, um per\u00edodo de for\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. N\u00e3o vamos chegar tamb\u00e9m a tanto. Apenas o meu depoimento \u00e9 esse: que foi o governador mais forte que o Cear\u00e1 teve at\u00e9 hoje, do ponto de vista pessoal. Aquela rara capacidade encontrada nos homens que enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o, digamos na express\u00e3o da mocidade, \u201cn\u00e3o abrir nem para o trem\u201d. O governador Faustino era um homem duro, era mesmo, era desses que quando decidia uma coisa podiam vir os amigos mais diletos, partido, seus velhos colegas de tribunal, que ele n\u00e3o arredava o p\u00e9 e ia at\u00e9 o fim. Para aquela \u00e9poca de redemocratiza\u00e7\u00e3o aquilo era como que um corpo estranho na sociedade de ent\u00e3o, porque \u00e9 preciso ver que desde 45, a mocidade que fora freada desde o Estado Novo, ela vinha com \u00e2nsias de liberdade, mas o desembargador Faustino era um homem j\u00e1 velho, era j\u00e1 um septuagen\u00e1rio. Ent\u00e3o, foi um homem arraigado \u00e0queles princ\u00edpios do Estado Novo, se bem que desembargador, mas de qualquer forma, que teve a sua forma\u00e7\u00e3o toda no Estado Novo e que vai ent\u00e3o governar o Estado num per\u00edodo de efervesc\u00eancia, como foi o ano de 1945, de redemocratiza\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ent\u00e3o, ele era um camarada, um governador que tinha obriga\u00e7\u00e3o de aceitar aquela situa\u00e7\u00e3o de \u00e2nsias de liberdade do momento, mas que o seu temperamento n\u00e3o permitia, ent\u00e3o, ele foi deslocado, e tanto que ele rompeu&#8230; O pr\u00f3prio partido j\u00e1 n\u00e3o lhe dava mais nem cobertura na assembleia&#8230; J\u00e1 no fim do governo dele, e a consequ\u00eancia que houve foi na sucess\u00e3o dele, que o candidato foi o Sr. Edgar Arruda, um homem de bem, pela UDN, e o Sr. Raul Barbosa pelo PSD. Este venceu numa margem de votos fora do comum na Hist\u00f3ria Pol\u00edtica do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O Senhor o classificaria ent\u00e3o, como um homem intransigente, fora do seu tempo? E a atua\u00e7\u00e3o do Dr. Valmique que n\u00e3o seria ent\u00e3o um homem septuagen\u00e1rio. E ent\u00e3o que paralelos o senhor faria entre o governo do Dr. Menezes Pimentel, que foi uma \u00e9poca tamb\u00e9m de pouca liberdade, e o governo do Dr. Faustino, considerando as \u00e9pocas diversas, hist\u00f3ricas, que o senhor inclusive terminou de mencionar e classificar a segunda, por exemplo, a parte da redemocratiza\u00e7\u00e3o, a \u00e2nsia da sociedade em ter um per\u00edodo onde ela pudesse de fato gozar de maiores direitos, maiores privil\u00e9gios?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o&#8230; O que h\u00e1 \u00e9 o seguinte. Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o desembargador Faustino de Albuquerque foi eleito justamente porque pretensamente ele encarnava essa redemocratiza\u00e7\u00e3o. Todos os candidatos da UDN de ent\u00e3o, encarnavam essa redemocratiza\u00e7\u00e3o, mas, ele n\u00e3o soube se comportar no exerc\u00edcio do seu mandato de governador, como um homem representante desse per\u00edodo libert\u00e1rio, vamos dizer, de desenfreio. Agora, quanto ao seu filho Valmique Sampaio de Albuquerque, a\u00ed vamos, era um problema mais temperamental, tanto que j\u00e1 passados uns anos o Sr. Valmique de Albuquerque at\u00e9 \u00e9 um homem doente sob o aspecto psicol\u00f3gico, mental, terminou a vida n\u00e3o foi nos par\u00e2metros da moralidade sanit\u00e1ria, lamentavelmente. Ent\u00e3o, \u00e9 um rapaz sa\u00eddo, criado por um homem dessa estirpe do Sr. Faustino de Albuquerque, acredita-se que ele embora jovem, mas sem nenhuma vincula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque o Valmique n\u00e3o tinha nenhuma vincula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ele era mais ent\u00e3o, Faustino de Albuquerque, era mais o pai, e como o pai realmente era um homem intransigente e forte nas suas decis\u00f5es e para suportar as rea\u00e7\u00f5es advindas dessas decis\u00f5es dele, o Sr. Valmique de Albuquerque era apenas um ap\u00eandice paralelo ao pai. E assim ent\u00e3o, praticou aquilo que eu chamo uma s\u00e9rie de desmandos, de persegui\u00e7\u00f5es, mesmo porque de qualquer forma como homem pol\u00edtico, ou como um homem jovem ele tinha muito mais articula\u00e7\u00e3o, muito mais di\u00e1logo com a classe pol\u00edtica da UDN, que vinha rancorosamente desejosa de vingan\u00e7a porque de qualquer maneira o pessoal da UDN, por outro lado, era um partido de baixo, foram quinze anos que a UDN se manteve de baixo, quando vence o Sr. Faustino de Albuquerque, ou seja, vence a UDN. \u00c9 l\u00f3gico que eles vinham com aquele esp\u00edrito de vingan\u00e7a, e como era mais dif\u00edcil um di\u00e1logo com o governador, eles dialogavam com o Valmique Sampaio de Albuquerque, ficou um impregnado daquela \u00e2nsia de vingan\u00e7a da UDN, t\u00e3o grande \u00a0quanto a \u00e2nsia de liberta\u00e7\u00e3o que dominava toda a mocidade de ent\u00e3o. Ent\u00e3o, aproveitou-se isso e o Valmique Sampaio de Albuquerque, filho do governador, \u00e9 que era o intermedi\u00e1rio, era quem fazia a intermedia\u00e7\u00e3o desse esp\u00edrito de vingan\u00e7a. A\u00ed ent\u00e3o \u00e9 que como havia esse choque dessa mocidade que queria um Brasil diferente realmente em tudo, e o Sr. Faustino de Albuquerque, apesar de viver um regime de redemocratiza\u00e7\u00e3o, mas t\u00e3o autorit\u00e1rio quanto um ditador, criou-se o choque e a consequ\u00eancia foi a UDN perder a elei\u00e7\u00e3o com a ascens\u00e3o do Sr. Raul Barbosa para o governo. Bom, quanto ao Dr. Francisco Menezes Pimentel, sinceramente eu n\u00e3o posso dar uma opini\u00e3o porque j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 da minha faixa, eu j\u00e1 sou daquela turma de 45, eu tinha meus dezoito anos de idade, quer dizer, foi quando eu com dezoito para vinte anos, quer dizer, eu estava no tempo do interventor Menezes Pimentel eu era um garoto, mas apenas guardo a imagem mais simp\u00e1tica do que do Faustino, porque de qualquer maneira, era um homem que vivia numa ditadura, mas que n\u00e3o era\u00a0 autorit\u00e1rio, pelo contr\u00e1rio, ele era um fino educador,\u00a0 participava de reuni\u00f5es, agora, era um homem que durante toda a vida foi um homem fechado, um homem que n\u00e3o era de f\u00e1cil comunica\u00e7\u00e3o, mas eu simplesmente n\u00e3o posso fazer nenhum depoimento sobre o governo dele porque j\u00e1 n\u00e3o vivi aqueles momentos e \u00e9 porque voc\u00eas est\u00e3o me entrevistando um pouquinho mais velho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ah! Voc\u00ea \u00e9 jovem, n\u00e3o \u00e9! E as raz\u00f5es da Efemeridade do Cear\u00e1, Jornal que o senhor fundou ao tempo do governo Paulo Sarasate? \u00a0E sobre o governo Paulo Sarasate o senhor nos diria alguma coisa?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sarasate, j\u00e1 h\u00e1 aquele epis\u00f3dio da elei\u00e7\u00e3o contestada pelo pr\u00f3prio advers\u00e1rio, hoje ministro Armando Falc\u00e3o. Mas era um homem da UDN, tinha um jornal na m\u00e3o, tinha como fazer opini\u00e3o p\u00fablica e n\u00e3o tinha oposi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o PSD, bom o meu PSD, sempre foi partido de governo porque o PSD \u00e9 partido do Di\u00e1rio Oficial. Ent\u00e3o, o Sarasate n\u00e3o contava com uma oposi\u00e7\u00e3o digna do nome. Eu ent\u00e3o resolvi fundar um jornal, j\u00e1 que n\u00e3o tinha nenhum jornal em Fortaleza, que fizesse oposi\u00e7\u00e3o a Paulo Sarasate, nenhum a essa \u00e9poca, todos os jornais eram do governo. Ent\u00e3o, eu fundei o Seman\u00e1rio Cear\u00e1 Jornal, em que eu era o rep\u00f3rter, era o redator, era o revisor, era o paginador, e foi o primeiro jornal colorido do Cear\u00e1, diga-se.\u00a0 Esse jornal durou uns tr\u00eas meses apenas, eu n\u00e3o tive condi\u00e7\u00f5es porque houve um compl\u00f4 contra o jornal, porque o comerciante que desse an\u00fancio no jornal iria se haver com os fiscais da fazenda. De modo que eu aguentei parece que uns tr\u00eas meses ainda. Mas consegui de qualquer maneira mostrar que o partido precisava ter um jornal, e isso redundou que futuramente, parece que salvo engano, era O Estado, foi adquirido. A\u00ed o PSD continuou a marcha iniciada pelo seu velho e querido Cear\u00e1 Jornal, de saudosa mem\u00f3ria. Mais uma vez \u00e9 o esp\u00edrito oposicionista do entrevistado e que fez o Cear\u00e1 Jornal, nada mais que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Dr. Dorian, mais detalhes sobre o compl\u00f4?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, generalizando, apenas o seguinte. O jornal era feito por an\u00fancios. \u00c9 sabido que a imprensa, ontem como hoje, 70% \u00e9 de publicidade de governo, e s\u00f3 30%, de com\u00e9rcio. Do governo eu n\u00e3o podia tirar porque eu estava fazendo oposi\u00e7\u00e3o a esse pr\u00f3prio governo, e do com\u00e9rcio, h\u00e1 as dificuldades que tamb\u00e9m se temiam que isso custasse a eles uma fiscaliza\u00e7\u00e3o mais rigorosa por parte da Fazenda, pois que a essa \u00e9poca era muito comum fazer oposi\u00e7\u00e3o, porque podia realmente.\u00a0 Ent\u00e3o, os an\u00fancios come\u00e7aram a escassear, at\u00e9 que finalmente, n\u00e3o digo que ia entrar em fal\u00eancia porque n\u00e3o tinha nunca o que entrasse em fal\u00eancia, mas n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es de pagar as oficinas em que o jornal era tirado, no jornal A Fortaleza, do Padre Arimat\u00e9ia Diniz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o ressurgimento do Anu\u00e1rio do Cear\u00e1? Esta ideia surgiu do Sr. Lustosa da Costa ou dos dois conjuntamente?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, essa do Anu\u00e1rio \u00e9 uma hist\u00f3ria, eu n\u00e3o vou dizer longa, mas \u00e9 interessante. Quando o Valdery Uch\u00f4a morreu, quando o Valdery era vivo, vamos dizer, eu dirigia as oficinas do Jornal A Fortaleza, onde o Anu\u00e1rio do Valdery era tirado, e l\u00e1 eu ajudava muito o Valdery, vamos dizer, amadoristicamente.\u00a0 Eu fazia a revis\u00e3o na hora que ele estava muito cansado, eu redigia muita coisa para o Anu\u00e1rio, porque, diga-se, o Valdery era eu considero um fen\u00f4meno, porque o Anu\u00e1rio era feito sozinho por ele, n\u00e3o tinha equipe nenhuma. Ent\u00e3o, ele estava muito cansado, chegava l\u00e1 e eu escrevia e tal. Mas eu participei de qualquer maneira e fiquei querendo bem ao Anu\u00e1rio. \u00a0Quando ele morreu, eu procurei o filho de Valdery Uch\u00f4a e a vi\u00fava de Valdery Uch\u00f4a. A\u00ed eu vi que aquilo era obra que n\u00e3o podia morrer que eu devia dar continuidade para n\u00f3s, n\u00e3o encontrei nenhuma receptividade. Depois ent\u00e3o, andei propondo a v\u00e1rias pessoas, a v\u00e1rios industriais que f\u00f4ssemos tirando o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, mas ningu\u00e9m acreditava no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1. Da\u00ed ent\u00e3o eu chamei, eu passei a trabalhar no grupo Credimus, tentei interessar Valter Ari e Helano de Paula, que eu n\u00e3o tinha dinheiro para sustenta\u00e7\u00e3o financeira, eles n\u00e3o acreditavam no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1. Ent\u00e3o, eu falei com o Jo\u00e3o Soares Neto, falamos sobre o assunto, n\u00e3o era nem mais propondo tirar o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, era eu fazendo as minhas queixas amargas, por conta da minha ideia n\u00e3o ter nenhuma receptividade. O Jo\u00e3o Soares Neto, hoje diretor da Planostec do Brasil, o Jo\u00e3o ent\u00e3o disse: \u201cDorian, fa\u00e7a uma proposta escrita desse Anu\u00e1rio, fa\u00e7a um relat\u00f3rio sobre o que voc\u00ea pensa do Anu\u00e1rio\u201d. E eu disse: \u201cBom, Jo\u00e3o, eu lhe digo sinceramente, eu n\u00e3o fa\u00e7o pelo motivo simples: porque j\u00e1 \u00e9 a oitava vez, voc\u00ea \u00e9 a nona pessoa que \u00e9 requerido para isso. Agora, eu posso fazer um relat\u00f3rio da maneira seguinte: voc\u00ea me paga pelo relat\u00f3rio, se voc\u00ea quiser tirar, tira; se n\u00e3o quiser&#8230; eu n\u00e3o fa\u00e7o mais \u00e9 de gra\u00e7a. Ent\u00e3o, recordo que ele disp\u00f4s de dois mil cruzeiros pelo relat\u00f3rio e eu ent\u00e3o, passei uns quinze dias vendo pre\u00e7os, estruturando a obra fiz um trabalho, mod\u00e9stia \u00e0 parte, bem feito. Entreguei o trabalho, recebi meus dois mil cruzeiros e fui para casa. Dez dias depois voltei para saber qual era o resultado. Ent\u00e3o, a express\u00e3o dele: \u201cDorian, o trabalho est\u00e1 magn\u00edfico, agora, n\u00e3o \u00e9 obra para uma empresa como a minha, agora, acredito que \u00e9 uma obra que se pode fazer\u201d. A\u00ed ele ficou com o meu trabalho, e eu me entusiasmei pelo meu pr\u00f3prio trabalho, achei que era vi\u00e1vel. Chamei o Lustosa, meu velho companheiro de jornalismo, expus as ideias a ele, ele n\u00e3o aceitou, encarava a coisa como uma revista e revista no Cear\u00e1 nunca deu certo. Mas, finalmente, embarcamos sem nenhum tost\u00e3o no bolso, sem empresa, sem nada. Mas depois formamos a nossa empresa e o Anu\u00e1rio est\u00e1 a\u00ed, est\u00e1 a\u00ed e estar\u00e1 atrav\u00e9s dos anos, porque acredito que ningu\u00e9m mais deixar\u00e1 de publicar o Anu\u00e1rio mesmo que eu encerre o assunto em qualquer \u00e9poca, outros dever\u00e3o continuar. \u00c9 a obra que, acredito que do ponto de vista hist\u00f3rico ela ter\u00e1 um valor diretamente proporcional ao n\u00famero de anos decorridos. Hoje por exemplo, aqui na minha biblioteca eu abro um Anu\u00e1rio de 1916, eu abro Anu\u00e1rio de 1896, Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, e vejo que riqueza de documenta\u00e7\u00e3o que existe ali, que maravilha, voc\u00eas, por exemplo, que est\u00e3o fazendo na Universidade um levantamento sobre as secas, ent\u00e3o, se a gente pegar as secas desde mil e oitocentos e pouco no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, retratado ali atrav\u00e9s das mensagens dos governantes, saber os pre\u00e7os da \u00e9poca, saber os governantes, os pr\u00e9dios existentes, quer dizer, \u00e9 um saber hist\u00f3rico, uma contemporaneidade que adentra o futuro e que prestar\u00e1 servi\u00e7os. Se hoje presta o servi\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o aos que pretendem informa\u00e7\u00f5es sobre o Cear\u00e1 de hoje, eu acredito que daqui a 50 ou 100 anos essa \u00e9poca ter\u00e1 um valor muito maior. O Anu\u00e1rio nasceu, nasceu assim e \u00e9 meu filho querido, dileto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O Dorian Sampaio de tantas habilidades, odont\u00f3logo, professor, pol\u00edtico, intelectual, jornalista, s\u00e3o de fato uma pessoa s\u00f3?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">\u00c9 uma pergunta assim meio dif\u00edcil de eu responder. Eu tive uma amante que dizia o seguinte: \u201cDorian s\u00e3o v\u00e1rios homens num s\u00f3\u201d. E dizia assim para as amigas dela: \u201cNo dia que eu quero uma crian\u00e7a no colo, eu tenho o Dorian, no dia que eu quero um pai, eu tenho o Dorian\u201d. Ent\u00e3o, se esse julgamento \u00e9 verdadeiro, e ningu\u00e9m melhor do que as mulheres para fazer isso, eu acredito que eu sou v\u00e1rios homens. Sou um odont\u00f3logo, sou um pol\u00edtico e sou o seu admirador tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, j\u00e1 que o senhor se referiu a\u00ed \u00e0 quest\u00e3o das secas, como jornalista e pol\u00edtico com \u00e9 que o senhor colocaria, como \u00e9 que o senhor v\u00ea dentro de sua viv\u00eancia t\u00e3o profunda o problema das secas no Cear\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu n\u00e3o acredito em seca no Cear\u00e1. O que h\u00e1 ou o que houve, foi desgoverno. Ainda hoje, por exemplo, est\u00e3o falando nessa data de 1976 em seca no Cear\u00e1. N\u00e3o houve seca \u00a0no Cear\u00e1, o que h\u00e1 \u00e9 uma aus\u00eancia de tecnologia na programa\u00e7\u00e3o das nossas investidas em favor da nossa economia, bastando dizer o seguinte, isso pode consultar os t\u00e9cnicos, eu n\u00e3o sou t\u00e9cnico, mas como rep\u00f3rter que eu sou, de economia, eu tenho que est\u00e1 ouvindo a todos. As pessoas que acreditaram no inverno no Cear\u00e1, ou seja, que plantaram cedo, n\u00e3o plantaram uma espiga de milho e nem uma vagem de feij\u00e3o, aqueles que n\u00e3o acreditaram no inverno e que retardaram o seu plantio, esses perderam tudo. Segundo: as frentes de servi\u00e7o existem hoje no Cear\u00e1, as seis frentes de servi\u00e7o, e os senhores podem consultar os pr\u00f3prios elementos do governo, existem, t\u00eam homens trabalhando porque o Cear\u00e1 \u00e9 uma terra de homens desempregados. Se eles n\u00e3o t\u00eam emprego nesse per\u00edodo de ver\u00e3o, em nenhuma \u00e9poca tem, a\u00ed aparece o governo com a frente de servi\u00e7o para fazer ocupa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra com o Estado, pagando 15 ou 20 cruzeiros por dia, junta gente para trabalhar, para ganhar seu dinheirinho. Em qualquer \u00e9poca \u00e9 assim ent\u00e3o o que h\u00e1 \u00e9 apenas uma falta de previs\u00e3o, n\u00e3o tem ainda uma tecnologia para saber se realmente vamos ter condi\u00e7\u00f5es de inverno ou n\u00e3o. Mas, pode-se indagar no Cear\u00e1 que se houvesse seca n\u00e3o t\u00ednhamos algod\u00e3o. N\u00f3s vamos ter uma safra de algod\u00e3o exatamente igual a do ano anterior. Feij\u00e3o realmente e milho para aqueles que plantaram como retardat\u00e1rios esses perderam. Mas, aqueles que plantaram na \u00e9poca e que acreditaram que ia haver inverno, ningu\u00e9m perdeu g\u00eanero aliment\u00edcio. Pois ent\u00e3o, a seca como em todos os tempos, \u00e9 mais uma falta de planejamento, mas tamb\u00e9m t\u00ednhamos o enfoque do DNOCS, mas toda vez que a seca aparece \u00e9 um Deus nos acuda.<\/p>\n<p>Creio que por hoje eu j\u00e1 falei demais e se voc\u00eas n\u00e3o se importam, vamos marcar mais uma sess\u00e3o de entrevista para o Programa de voc\u00eas, conforme combinamos, vamos falar do pouco que eu sei sobre esta tem\u00e1tica, mais coo um jornalista do que como pol\u00edtico .Pode ser?<\/p>\n<p>L.F &#8211; Como n\u00e3o, Dr. D\u00f3ria. Foi uma preciosidade esta nossa conversa gravada. Ficamos felizes com os dados que colhemos. Tudo muito bem de acordo com a nossa proposta de tratar sobre Seca, Pol\u00edtica e Cultura no Ceara.<\/p>\n<p>Voltaremos em breve para uma 2\u00aa. Sess\u00e3o. Muito obrigada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"4\" width=\"566\">Foeraleza, 23 de Julho de 1976<\/p>\n<p>Segunda\u00a0 sess\u00e3o de\u00a0 entrevista com o Dr.. DORIAN SAMPAIO. Conv\u00eanio da Universidade Federal do Cear\u00e1 com o ARQUIVO NACIONAL, Programa de Hist\u00f3ria Oral. LUCIARA SILVEIRA DE ARAG\u00c3O E FROTA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Conforme eu havia dito na outra fita, esse problema da chamada seca no Cear\u00e1, eu cheguei a afirmar mesmo que n\u00e3o h\u00e1 seca no Cear\u00e1, n\u00e3o quero dizer com isso que chove sempre no Cear\u00e1. A seca que \u00e9 grave no seu aspecto social, tal como ela se apresenta, \u00e9 devida mais a uma import\u00e2ncia governamental do que mesmo um des\u00edgnio da pr\u00f3pria natureza. Digamos o DNOCS que \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o criado para o combate a essa situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a cada ano que passa em que faltam as chuvas, esse DNOCS nunca est\u00e1 preparado para resolver o problema. Repete os mesmos erros de sempre. Ent\u00e3o, eu indago, ao inv\u00e9s de se colocar, digamos o homem para construir uma estrada que nem sempre \u00e9 terminada, n\u00e3o seria mais interessante o governo, atrav\u00e9s do estabelecimento de cr\u00e9dito farto ao dono da terra, fixasse esse homem, vamos exemplificar, eu sou fazendeiro, tenho a minha propriedade e tenho os meus moradores, vem a seca, eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es normais de aguentar todos esses moradores na minha fazenda. Mas, se o governo me concedesse cr\u00e9dito para, digamos eu construir o meu a\u00e7ude, eu ligar a minha fazenda \u00e0 sede do munic\u00edpio, ou eu ligar a minha fazenda ao centro consumidor, ou ent\u00e3o construir a minha fazenda, enfim para eu poder realizar obra nesse per\u00edodo de seca, eu fixaria os meus moradores na minha fazenda e construiria o meu a\u00e7ude que iria pagar ap\u00f3s os tempos melhores. Mas, o governo o que \u00e9 que faz? N\u00e3o assiste a esse fazendeiro, o fazendeiro n\u00e3o pode suportar a carga dos seus moradores ent\u00e3o, dispensa-os, eles ent\u00e3o se v\u00e3o&#8230; V\u00e3o plantar o que? A\u00ed l\u00e1 adiante tem uma estrada sendo feita, em que o governo est\u00e1 pagando uma di\u00e1ria que ele n\u00e3o encontra em canto nenhum. Ent\u00e3o, esse homem se desloca para l\u00e1 para receber uma ajuda puramente governamental. Al\u00e9m do que mesmo aqueles fazendeiros que poderiam suportar, porque h\u00e1 casos em que eles aceitam mesmo, aceitam&#8230;\u00a0 Suportam, mas logicamente que ao inv\u00e9s de pagar quinze cruzeiros, paga dez. Mas, se o governo ali adiante est\u00e1 pagando quinze, eles saem da fazenda e v\u00e3o ganhar os quinze cruzeiros dele. Ent\u00e3o, no meu entender \u00e9 mais um problema de governo, a seca nesse aspecto que ele toma. Foi assim no passado e, lamentavelmente, est\u00e1 sendo assim no presente. Agora mesmo, podem perguntar na intimidade, oficialmente eu acredito que eles n\u00e3o diriam isso, mas intimamente podem perguntar. Entraram com seis mil homens trabalhando, eles est\u00e3o hoje com 2600 homens trabalhando. \u00c9 porque \u00e9 o emprego que tem. Mas se n\u00e3o existisse esse emprego, se ele estivesse favorecendo ao propriet\u00e1rio da terra, o caboclo estaria l\u00e1 trabalhando. \u00c9 mera quest\u00e3o de melhor ordenado, arranjou um sal\u00e1rio mais alto, ent\u00e3o vai. A\u00ed h\u00e1 esse problema social todo, problema sanit\u00e1rio, problema econ\u00f4mico e toda essa s\u00e9rie quase intermin\u00e1vel de problemas advindos de um fen\u00f4meno que poderia ser evitado se outra fosse a vis\u00e3o solucionadora por parte da entidade governamental. \u00c9 o meu ponto de vista, porque \u00e9 mesmo, isso j\u00e1 foi dito a\u00ed v\u00e1rias vezes no parlamento, jornal e tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o cr\u00e9dito agr\u00edcola com que o governo tem procurado assistir ao homem do campo, o senhor acha ent\u00e3o que deveria ser ampliado, feito de maneira diversa o pagamento facilitado, exigido menos exig\u00eancias, coisas assim?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma de que teria que haver modifica\u00e7\u00f5es. Esse cr\u00e9dito que se d\u00e1 para constru\u00e7\u00f5es de grandes obras, que fixassem os moradores nas respectivas propriedades, tinha que ser diferente do cr\u00e9dito normal que se d\u00e1, teria que haver um per\u00edodo de car\u00eancia, o juro teria sido mais baixo, mesmo que o governo futuramente perdoasse essas d\u00edvidas, estava fazendo melhor do que gastando rios de dinheiro na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, de estradas, com esse deslocamento em massa da popula\u00e7\u00e3o. Eu acredito que o fazendeiro, se fosse permitido, atrav\u00e9s de todas as secas que o Cear\u00e1 j\u00e1 teve que cada fazendeiro constru\u00edsse o seu a\u00e7ude, \u00e0 custa de verba e que nem pagasse depois, eu tenho a impress\u00e3o que seca n\u00e3o tinha mais porque quanto mais \u00e1gua esbarrada no Cear\u00e1, maiores condi\u00e7\u00f5es de ter mais chuva, porque quanto mais \u00e1gua se tem na terra, mais se tem no c\u00e9u, n\u00e3o \u00e9? Por causa da evapora\u00e7\u00e3o se, digamos, tivesse milhares e milhares de a\u00e7udes no Cear\u00e1, ele deixava de ser seco, \u00e9 porque haveria mais condi\u00e7\u00f5es de chuva, porque havendo evapora\u00e7\u00e3o mais o vapor d\u2019\u00e1gua para que ele voltasse a uma condi\u00e7\u00e3o l\u00edquida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o projeto de forma\u00e7\u00e3o de minif\u00fandios, o que o senhor pensa a respeito?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Luciara, eu n\u00e3o sou muito afeito a esses assuntos, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Qual a sua opini\u00e3o como jornalista?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sei apenas o seguinte: que n\u00e3o h\u00e1 no Cear\u00e1 e a\u00ed n\u00e3o \u00e9 teoria minha, n\u00e3o, mas a\u00ed \u00e9 um problema, n\u00e3o h\u00e1 no Cear\u00e1 o latif\u00fandio. Portanto, no Cear\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 latif\u00fandio. O n\u00famero de propriedades pequenas que h\u00e1 no Cear\u00e1 \u00e9 enorme. Latif\u00fandio propriamente no Cear\u00e1, eu n\u00e3o conhe\u00e7o. N\u00f3s estamos falando isso apenas por teoria. L\u00e1 para Pernambuco tem os seus latif\u00fandios, l\u00e1 pelos canaviais, mas aqui no Cear\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 latif\u00fandio. Porque mesmo estas vastas extens\u00f5es de terra sendo de um dono s\u00f3, na realidade, \u00e9 toda ela entregue ao pequeno propriet\u00e1rio, que transforma aquilo num minif\u00fandio. N\u00e3o existe o latif\u00fandio na sua verdadeira acep\u00e7\u00e3o do termo. Agora, se n\u00f3s considerarmos latif\u00fandio apenas a extens\u00e3o da terra, a\u00ed \u00e9 outra coisa, \u00e9 uma vis\u00e3o muito unilateral. Mas, eu entendo que latif\u00fandio al\u00e9m da extens\u00e3o de terra, exige outros fatores que o caracterizam, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho existentes nessa propriedade.\u00a0 Eu posso ter&#8230; \u00a0a metade do Cear\u00e1 ser minha, mas se ali eu planto, eu crio e pago aos meus empregados direitinho, ent\u00e3o, eu n\u00e3o sou um latifundi\u00e1rio, eu sou um empres\u00e1rio da terra. Agora, se eu montei essa vasta extens\u00e3o de terra com moradores com regime escravo de trabalho, quando eu entro com uma monocultura, a\u00ed tudo isso est\u00e1 caracterizado o latif\u00fandio o que realmente n\u00e3o existe em nosso Estado. E especialmente num Estado como o nosso de criat\u00f3rio, em que s\u00e3o vastas as extens\u00f5es de terra e que os pr\u00f3prios donos entregam aos moradores \u00e0 vontade, os seus quinh\u00f5es da terra para o plantio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Eu vou tentar de novo fazer uma rela\u00e7\u00e3o seca-pol\u00edtica, ou melhor, vou come\u00e7ar agora a tentar fazer. O que o senhor me diz sobre a elei\u00e7\u00e3o do Dr. Parsifal Barroso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seca de 58?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Est\u00e1vamos no governo Juscelino Kubitscheck de Oliveira.\u00a0 Parsifal Barroso era Ministro do Trabalho. A sucess\u00e3o estadual se apresentava dif\u00edcil para o PSD, por um motivo muito simples: governo Sarasate e UDN, apresentando para suceder, o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, candidato que realmente vinha trabalhando desde o in\u00edcio da sua carreira pol\u00edtica, com esse objetivo de ser governador do Cear\u00e1. Amparado pelo governo do Estado e o PSD ser, ter um candidato que fosse capaz de enfrentar o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. \u00c9 ent\u00e3o, lembrado o nome de Parsifal Barroso, a essa \u00e9poca n\u00e3o do PSD, egresso da PSD, de sa\u00edda do PSD junto com o sogro Chico Monte para fundar aqui no Cear\u00e1, ou engrossar aqui, as fileiras do Partido Trabalhista Brasileiro cujo chefe era o Sr. Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Chico Monte era o sogro?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sogro, pai da D. Olga. Grande chefe pol\u00edtico de tradi\u00e7\u00e3o na Zona Norte. Ent\u00e3o, o PSD verificou que s\u00f3 havia uma condi\u00e7\u00e3o para enfrentar Virg\u00edlio T\u00e1vora: era lan\u00e7ar Parsifal Barroso, porque pegaria os votos tanto do PSD, da cidade, e seria, teria o respaldo daquela vota\u00e7\u00e3o interiorana representada pelos ent\u00e3o, coron\u00e9is do PSD, que eram realmente homens de muitos votos.\u00a0 Ent\u00e3o, \u00e9 lan\u00e7ada a candidatura do Sr. Parsifal Barroso, tendo como companheiro de chapa para vice-governador o representante do PSD de ent\u00e3o, na pessoa do Sr. Wilson Gon\u00e7alves, atual Senador. Ent\u00e3o, foi lan\u00e7ada a campanha Parsifal Barroso, candidato eu n\u00e3o tinha grandes recursos financeiros. O PSD tamb\u00e9m&#8230; O candidato dele tamb\u00e9m n\u00e3o tinha enfrentado um candidato hereditariamente rico, no caso o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. O Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora al\u00e9m de ber\u00e7o \u00e9 um homem rico. Herdou muito de sucessivas pessoas, e que estava realmente disposto a gastar como realmente gastou os tubos, naquela \u00e9poca, para se eleger governador. Sabia-se que seria dif\u00edcil o Parsifal Barroso, vencer a elei\u00e7\u00e3o, dadas as condi\u00e7\u00f5es apresentadas pelo candidato Virg\u00edlio T\u00e1vora. Mas eis que, em pleno \u00a01958, se desenvolvia a chamada seca. Era diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o engenheiro Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Paula Passos, filho do general Vico de Paula Pessoa, grande pecuarista aqui, dono do maior&#8230; O pecuarista que tinha o maior rebanho de gado do Cear\u00e1, gado vacum. Ent\u00e3o, vai-se combater a seca por aqueles processos de ent\u00e3o que pouca modifica\u00e7\u00e3o teve at\u00e9 hoje. Constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, constru\u00e7\u00e3o de estradas, em que junto a essas constru\u00e7\u00f5es, essas frentes de servi\u00e7o onde colocavam os barrac\u00f5es. Barrac\u00f5es eram as bodegas de ent\u00e3o. O chefe pol\u00edtico botava o barrac\u00e3o e o pagamento do oper\u00e1rio, do trabalho do oper\u00e1rio, era feito mediante vale para comprar o feij\u00e3o ou o arroz com que sustentava a ele, a mulher e os filhos.\u00a0 Compreenderam com \u00e9? Ent\u00e3o, isso favoreceu muito, em minha opini\u00e3o ao candidato Parsifal Barroso, porque o governo federal era do PSD, na pessoa do Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, as verbas que eram canalizadas para essas frentes de servi\u00e7o para o estabelecimento desses barrac\u00f5es vinham atrav\u00e9s desse governo federal pessedista, que logicamente n\u00e3o ia entregar ao Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora da UDN. Para nomear o dono desses barrac\u00f5es, para nomear os feitores e para nomear os pr\u00f3prios empregados que iam trabalhar nessas frentes de servi\u00e7os, utilizava-se ent\u00e3o, o chamado processo das cadernetas. \u00a0O empregado, o flagelado quando ia para frente de servi\u00e7o recebia uma caderneta de vale. E com aquela caderneta ela ia comprar no barrac\u00e3o os alimentos, roupas etc. Houve abusos, houve desonestidades, flagrantes, e \u00e9 bem poss\u00edvel, e quase certo, \u00e9 certo que, os pol\u00edticos ent\u00e3o, interioranos, faziam pol\u00edtica disso a\u00ed, n\u00e3o s\u00f3 aceitando oper\u00e1rios, admitindo novos empregados, como concedendo essas cadernetas e esses vales a eleitores, sem que eles tivessem obriga\u00e7\u00e3o de executar qualquer trabalho. Isso ent\u00e3o, eu acredito, favoreceu eu acredito, n\u00e3o, \u00e9 \u00f3bvio, que tenha favorecido o partido pol\u00edtico que tinha condi\u00e7\u00f5es de dar esses vales, de dar esses trabalhos, de dar esse dinheiro e o resultado foi que Parsifal Barroso conseguiu aquilo que ningu\u00e9m at\u00e9 ent\u00e3o esperava, que era derrotar o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora nas urnas. Sa\u00eda eleito como governador do Estado, tendo ao seu lado, o Sr. Wilson Gon\u00e7alves, como vice-governador, foi uma vit\u00f3ria estrondosa em que inegavelmente a seca de 1958 favoreceu. N\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma disso, n\u00e3o. Se bem que, o Sr. Parsifal Barroso tivesse realmente qualidades excepcionais para o exerc\u00edcio do cargo, foi um governo bom, foi um algo a mais na pol\u00edtica, digo a voc\u00eas, eu assisti a sa\u00edda do Parsifal do Pal\u00e1cio quando ele terminou o governo. Foi a primeira vez que eu vi um governador do Cear\u00e1 sair, como se diz, nos bra\u00e7os do povo. Ele saiu com seu carro sendo empurrado pela massa. Foi a primeira vez que eu vi isso no Cear\u00e1. Geralmente, rei posto, rei esquecido, n\u00e3o \u00e9? Mas, ele n\u00e3o. Ele fez um governo que o povo ainda hoje, aplaude, eu acredito&#8230; Tamb\u00e9m aquela extrema bondade dele, aquela humidade, aquela comunicabilidade dele, tudo isso n\u00e3o deixa nada a desejar, mas que os pol\u00edticos realmente tiveram em 58 um grande aliado, n\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma. Eu acredito que o Sr. Parsifal Barroso podia at\u00e9 ganhar, at\u00e9 no inverno. Mas, a seca, s\u00f3 favoreceu ao PSD, ao PTB, ao Sr. Parsifal Barroso. N\u00e3o favoreceu ao Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. Isso ningu\u00e9m discute, ponto pac\u00edfico.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Que h\u00e1 de fato uma liga\u00e7\u00e3o entre a seca e a pol\u00edtica, quanto aos processos de elei\u00e7\u00e3o dos candidatos.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Ah! N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma. O exemplo mais frisante foi esse, porque a elei\u00e7\u00e3o se deu juntamente num per\u00edodo de seca. \u00c9 uma tese que dispensaria grandes esfor\u00e7os de demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>No \u00e2mbito estadual o governo do hoje Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora, foi tido como de planejamento. O senhor tomou conhecimento de alguma mudan\u00e7a no dispensado \u00e0s secas no Cear\u00e1? Porque durante o governo do Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora houve um repiquete de seca, sabe se dentro desse processo de planejamento governamental houve alguma medida espec\u00edfica para o problema? Uma liga\u00e7\u00e3o Governo do Estado\/SUDENE? Como um jornalista, teria alguma informa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o especificamente assim, de combate \u00e0 seca. Sinceramente, como eu n\u00e3o vejo, n\u00e3o. A \u00fanica iniciativa governamental do Estado de combate \u00e0 seca foi a cria\u00e7\u00e3o da Funceme, n\u00e3o \u00e9? Mas isso foi posterior j\u00e1, salvo engano, no governo C\u00e9sar Cals. Mesmo porque eu n\u00e3o sei se com esse depoimento eu possa ofender ao meu pr\u00f3prio Estado n\u00e3o sei. Mas, os senhores que s\u00e3o historiadores, procurem saber, fala aqui apenas o rep\u00f3rter. Procurem saber se h\u00e1 momentos em que a seca para o Cear\u00e1 tem mesmo \u00e9 rendimentos, procurem saber isso. Se aquela fase da ind\u00fastria da seca&#8230; se a gente comparando assim o Cear\u00e1 com o inverno, o Cear\u00e1 com produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o, o Cear\u00e1 com produ\u00e7\u00e3o de milho e de feij\u00e3o e de banana etc. se vendendo aquilo tudo por um precinho muito bom, se n\u00e3o \u00e9 menos do que o dinheirinho que \u00e9 carreado para o Cear\u00e1 devido \u00e0 seca. N\u00e3o sei se eu me fiz claro. Parece que h\u00e1 momentos no Cear\u00e1 que era melhor seca a chamada seca. Porque pelo menos o inverno n\u00e3o \u00e9 federal. N\u00f3s acordamos o governo federal para n\u00f3s, ent\u00e3o, de modo que \u00e9 uma coisa que voc\u00eas deveriam tentar saber se h\u00e1 esses momentos&#8230; \u00c9 bom, principalmente quando se chama uma seca verde, quer dizer, suspendeu a chuva e tal. A\u00ed corre dinheiro, porque o governo central s\u00f3 manda dinheiro para o Cear\u00e1 mesmo, em momentos dif\u00edceis de seca. Agora mesmo, voc\u00eas veem que est\u00e1 chegando o dinheiro. Por qu\u00ea?\u00a0 Porque est\u00e3o falando na seca e eles t\u00eam que propagar que est\u00e1 seco mesmo, e tudo porque \u00e9 a forma que n\u00f3s temos de atrair capital do governo da Uni\u00e3o. Porque fora disso, \u00e9 muito dif\u00edcil vir assim, normalmente, dinheiro para o Cear\u00e1. A coisa \u00e9 mais para funcionar mais para S\u00e3o Paulo, para Minas, para o Paran\u00e1, para o Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E quanto a um sistema de verifica\u00e7\u00e3o do emprego dessas verbas o que o senhor diz?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">A coisa mais f\u00e1cil do mundo \u00e9 a gente comprovar emprego de verba, n\u00e3o \u00e9? Dizem o seguinte: que o dinheiro mal-empregado \u00e9 o dinheiro que a gente presta conta com mais cuidado. \u00c9 a minha opini\u00e3o. E \u00e0s vezes, a pessoa quando emprega o dinheiro bem direitinho dentro de toda a honestidade e tudo, a\u00ed \u00e9 preciso at\u00e9 que prestar conta \u00e0s vezes. Quando eu me recordo de um caso da fam\u00edlia minha, de uma heran\u00e7a, em que um dos irm\u00e3os ficou tomando conta do esp\u00f3lio, ficou administrando a fazenda, e na hora de prestar conta at\u00e9 os centavos apareciam. Comprei&#8230; eu dei de gorjeta setenta centavos ao fulano, eu gastei de gasolina quarenta e dois cruzeiros e noventa centavos, quer dizer, uma presta\u00e7\u00e3o de contas maravilhosa, mas nunca tinha na fam\u00edlia um camarada com mais voca\u00e7\u00e3o para gatuno do que esse, e prestava as contas direitinho. Ent\u00e3o, a boa presta\u00e7\u00e3o de contas n\u00e3o reflete a realidade de uma situa\u00e7\u00e3o, em minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O senhor teria alguma opini\u00e3o a respeito de como se detectaria o emprego dessas verbas, melhor dizendo, como se situaria esta realidade sempre fora do alcance do palp\u00e1vel?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Luciara, no Cear\u00e1 todo mundo \u00e9 pobre. Conta-se nos dedos das m\u00e3os, \u00e9 contar os homens que realmente n\u00e3o estejam precisando de dinheiro. Ent\u00e3o, digamos que o pequeno propriet\u00e1rio, o grande fazendeiro que tem, \u00e9 ut\u00f3pico. O grande fazendeiro s\u00f3 tem \u00e9 terra, mas tamb\u00e9m \u00e9 um homem t\u00e3o apertado quanto o caboclo. Esse dinheiro que fica circulando aqui dentro, esse dinheiro que vem da verba federal pra c\u00e1, ele de qualquer maneira, circula aqui dentro, de modo que voc\u00ea sabe como \u00e9 que fulano empregou, em termos oficiais \u00e9 fac\u00edlimo, \u00e9 a mesma hist\u00f3ria do Governo do estado d\u00e1 para um prefeito interiorano quatrocentos mil contos para construir uma unidade sanit\u00e1ria, por exemplo, um posto de sa\u00fade. Que ele pode comprovar que gastou aqueles quatrocentos mil contos, ele pode comprovar. Ele compra cinquenta milheiros de tijolo e o sujeito passa um recibo de sessenta, est\u00e1 comprovando, ningu\u00e9m pode dizer, \u201cvoc\u00ea n\u00e3o comprou isso, n\u00e3o\u201d. Est\u00e1 aqui o recibo. At\u00e9 o sujeito que vendeu o tijolo n\u00e3o pode dizer que n\u00e3o deu sessenta, pois est\u00e1 ali no recibo. Ent\u00e3o, comprovar, detectar ou impedir, isso sinceramente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Agora, a margem que fica acrescentada a qualquer emprego de verba, ou seja, qualquer evid\u00eancia de desonestidade e tudo \u00e9 uma margem assim, relativamente pequena, e mesmo essa parte \u00e9 empregada ali mesmo, ou seja, para comprar a propriedade do vizinho. O vizinho recebeu aquele dinheiro, est\u00e1 circulando aqui dentro o dinheiro, \u00e9 tanto que esse dinheiro n\u00e3o \u00e9 sinal de preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. Pode vir o dinheiro, roubem, mas o roubo fica aqui mesmo, entre n\u00f3s. Vai\u00a0 para seu bolso, para o meu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O senhor tem indicativos das consequ\u00eancias das den\u00fancias feitas pelo Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora quando aos desvios de verbas na \u00e9poca da seca? Alguma informa\u00e7\u00e3o a respeito?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Nenhuma, nem uma, e seria dific\u00edlimo comprovar. \u00c9 como eu disse tudo \u00e9 passado o recibo e n\u00e3o adianta a pessoa dizer: \u201cn\u00e3o, mas esse recibo \u00e9 falso\u201d. N\u00e3o, n\u00e3o existe recibo falso, est\u00e1 assinado. Eu me recordo que no governo Raul Barbosa, por exemplo, foi feito aqui um inqu\u00e9rito quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios rurais, por exemplo, e eu fiz parte dessa Comiss\u00e3o, e eu no momento senti o construtor chegar para mim e dizer: \u201cN\u00e3o, eu fiz o pr\u00e9dio por sessenta mil cruzeiros, mas eu passei o recibo de cento e oitenta. Agora, eu n\u00e3o posso dizer isso na Comiss\u00e3o, doutor, porque eu vou dizer que passei a m\u00e3o. N\u00e3o vou fazer isso, n\u00e3o posso que o cara me bota na cadeia, \u00e9 a velha hist\u00f3ria. T\u00e1 \u201crecibado\u201d, t\u00e1\u00a0 provado. N\u00e3o tem outra alternativa. Voc\u00ea nunca me venha passar um recibo de cem cruzeiros, sem ter esse recibo pra depois dizer que passou recibo, porque voc\u00ea n\u00e3o pode, voc\u00ea vai pra cadeia, porque voc\u00ea assinou, deu o atestado que recebeu os cem cruzeiros e consequentemente vai pagar por isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Como jornalista o senhor visitou alguma vez o interior \u00e0 \u00e9poca das secas, alguma frente se servi\u00e7o, viu de perto os problemas? <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o, eu vi problema pior. Sinceramente, foi o problema das cheias. Essas, eu realmente acompanhei, aquelas enchentes l\u00e1 no Aracati, na Zona Jaguaribana toda, essa eu acompanhei e acompanhei mesmo em toda a profundidade e extens\u00e3o. Essa eu conheci, a da seca sinceramente como eu nunca vi, n\u00e3o. Assim de perto, nunca participei, n\u00e3o. De cheia sim, que \u00e9 um problema \u00e0s vezes at\u00e9 pior do que o da seca, muito pior.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Situe ent\u00e3o o problema das cheias, porque me parece que se h\u00e1 \u00a0desvio de verbas, o governo federal tamb\u00e9m nos assiste nas grandes enchentes. Talvez uma similaridade nesses aspectos&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o, primeiro \u00e9 o seguinte: a cheia \u00e9 o inusitado, \u00e9 surpreendente. J\u00e1 a seca \u00e9 apenas uma conviv\u00eancia secular, a primeira coisa. Segundo, a cheia \u00e9 um per\u00edodo&#8230; N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o longo quanto o da seca. A cheia \u00e9 uma coisa que \u00e9 quinze dias, trinta dias, no m\u00e1ximo dois meses, em que as pessoas se deslocam da sua casa, completamente inundada, perde todos os seus m\u00f3veis, todos os seus pertences, muitas vezes ficam completamente inutilizadas, e elas v\u00e3o ent\u00e3o, para aqueles barracos, aquelas casas de lona que eu n\u00e3o sei como \u00e9 que eles chamam. Essas casas de lona \u00a0que o ex\u00e9rcito oferece a todo mundo e tal. E ficam ali na maior promiscuidade e ociosos, porque o governo n\u00e3o vai dar frente de trabalho para um neg\u00f3cio de quinze dias, de trinta dias ou de dois meses. Ent\u00e3o, ficam milhares e milhares de pessoas \u00e0 margem dos rios, pode-se dizer, fica todo o teatro da desgra\u00e7a do lugar em que ele mora e na ociosidade total, sem trabalho, com epidemias prestes a se desencadearem. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 um problema muito pior do que o problema da seca, porque mesmo na seca ele vai pra frente de trabalho, mas na hora que ele quiser voltar pra casinha dele, ele encontra a casa dele. E no per\u00edodo de cheia, n\u00e3o. Ele perde tudo e o que \u00e9 pior, com cheia as verbas n\u00e3o v\u00eam, s\u00f3 prometem, mas n\u00e3o v\u00eam Ainda hoje est\u00e1 se esperando aux\u00edlio prometido pelo governo federal da cheia do Jaguaribe, verificada h\u00e1 tr\u00eas anos.\u00a0 Quer dizer, a ajuda \u00e9 feita mais, \u00e9 por n\u00f3s que damos o agasalho, que damos o sapato velho, que fazemos propaganda aqui, campanhas na cidade para mandar recursos para o pessoal. Comida que se manda, \u00e9 bolacha, \u00e9 feij\u00e3o, \u00e9 arroz, s\u00e3o assistentes sociais que v\u00e3o e tudo, porque \u00e9 uma coisa r\u00e1pida, mas de impacto eu tenho a impress\u00e3o de que \u00e9 muito pior do que a seca, a seca ela vem lentamente. O homem olha o sol e ao mesmo tempo vai se preparando, \u201cse daqui a tal dia n\u00e3o chover, eu vou embora\u201d. Ele est\u00e1 se preparando. E, a cheia, ele dorme na sua casa e acorda sem ela. Eu acho que&#8230; e al\u00e9m do mais n\u00f3s n\u00e3o estamos acostumados \u00e0quilo. Eu acho que para o homem que est\u00e1 no teatro de opera\u00e7\u00f5es como v\u00edtima, ele sofre muito mais \u00e9 na cheia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Entendo o seu ponto de vista. Presenciou o epis\u00f3dio do Or\u00f3s, a amea\u00e7a de arrombamento do Or\u00f3s, n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Foi mesmo. Posso mesmo dizer, o epis\u00f3dio mais emocionante da minha vida. Eu, nesse tempo, eu dirigia a Gazeta de Not\u00edcias, ent\u00e3o, acompanhamos assim como plantonistas mesmo. E, Luciara, foi a primeira vez que eu vi assim&#8230; Homem chorando em torno de mim. Porque nessa \u00e9poca jornal era meio dif\u00edcil de fazer, n\u00e3o existia <em>\u201coff-set\u201d,<\/em> eram clich\u00eas .E ent\u00e3o n\u00f3s preparamos a manchete do jornal.. Arrombou&#8230;.porque n\u00f3s sabemos que era minutos&#8230;\u00a0 E todos os redatores, vinte e quatro horas de plant\u00e3o, n\u00f3s aguardando a hora para anunciar e tal, debaixo daquela tens\u00e3o nervosa tremenda, e finalmente quando o r\u00e1dio anuncia \u201cest\u00e1 arrombando, a \u00e1gua come\u00e7a a romper a parede e tal\u201d, e que a gente olha de lado assim pensando ou que estava chorando sozinho, tinha mais ou menos assim, uns dez ou mais redatores chorando em torno de mim. De modo que \u00e9 um tra\u00e7o altamente emocionante, inclusive, tem agora um rapaz, est\u00e1 ali na outra sala, o rapaz participou comigo e na mesma hora toda a imprensa foi mobilizada e as aten\u00e7\u00f5es e todo o Cear\u00e1 se concentraram nela, de modo que eu participei e participei mesmo com muita emo\u00e7\u00e3o e permanentemente todo o processo eu acompanhei.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Deve ter sido mesmo uma experi\u00eancia forte.Como redator do Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, o senhor tem boas informa\u00e7\u00f5es sobre a seca de 58 ?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Desencadeada a seca ela foi oficialmente declarada no Cear\u00e1. O pr\u00f3prio ent\u00e3o diretor do DNOCS que era o Sr. Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Paula Pessoa, oficiou ao presidente da Rep\u00fablica, expondo toda a situa\u00e7\u00e3o quando aqui cidades como o Ic\u00f3, Iguatu, eram invadidas pelos flagelados. Ent\u00e3o, o DNOCS reservou inicialmente para o Cear\u00e1, para obras, para as frentes de servi\u00e7o, trinta milh\u00f5es naquela \u00e9poca, hoje eu n\u00e3o sei como se pode calcular em termos de dinheiro atual, mas naquela \u00e9poca eram trinta milh\u00f5es. A coisa come\u00e7ou mais ou menos j\u00e1 em mar\u00e7o para abril. Mal passamos 19 de mar\u00e7o, que \u00e9 a data limite, o dia de S\u00e3o Jos\u00e9,\u00a0 que \u00e9 a \u00faltima esperan\u00e7a,o dia D, n\u00e3o \u00e9? A turma toda \u00e0 espera por chuvas e a\u00ed o processo realmente se desencadeou. A Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ent\u00e3o nomeou a chamada Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia \u00e0s V\u00edtimas da Seca. Aqui esteve o diretor do DNOCS acompanhado do Sr. Edmundo Regis Bittencourt, que era do DNER, tamb\u00e9m, salvo engano, diretor do Denerim que era xxxxx rurais, enfim, todos os \u00f3rg\u00e3os federais que exerciam o trabalho aqui no Cear\u00e1. Foram abertas nesta \u00e9poca, em todo o Nordeste, 145 frentes de trabalho, em que a maior parte ficou no Cear\u00e1. Essa Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia \u00e0s V\u00edtimas da Seca era integrada pelo Ministro da Fazenda, de Trabalho, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio e o da Sa\u00fade. Eram as \u00e1reas justamente que eu assisti. Essa comiss\u00e3o era Central e cada estado tinha a Comiss\u00e3o Estadual. O governo fez o que p\u00f4de. Eu tenho dados que mostram que em 1958, o DNOCS pretendia aplicar aqui no Nordeste 564 milh\u00f5es a 100 mil cruzeiros, mas isso foi muito, al\u00e9m disso, porque al\u00e9m da seca tinha a elei\u00e7\u00e3o e outros gastos \u00a0numa etapa posterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o. O DNER chegou a empregar 6000 flagelados nas frentes de constru\u00e7\u00f5es de estradas. O DNOCS, outro tanto na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes. Enfim, cada \u00f3rg\u00e3o, era Minist\u00e9rio da Agricultura, Minist\u00e9rio do Trabalho, cada Minist\u00e9rio utilizou um pouquinho. Posso dizer que \u00a0a frequ\u00eancia m\u00e9dia de flagelados nessa frente, nessa \u00e9poca, de acordo com um documento que eu tenho aqui em m\u00e3o inclusive, essa frequ\u00eancia m\u00e9dia di\u00e1ria de flagelados nos meses de abril at\u00e9 dezembro foi num total geral de 8.578.173, a frequ\u00eancia. Mas, \u00e9 um somat\u00f3rio realizado a frequ\u00eancia foi em torno de duzentos e poucos mil homens. E voc\u00ea pode observar aqui nesse quadro uma coisa muito interessante. Quando se desencadeou a seca, logicamente que no come\u00e7o \u00e9 que poderia ter um maior n\u00famero de flagelados, mas voc\u00eas observem que aqui, em meio o Cear\u00e1 amparava 172 mil flagelados em n\u00fameros redondos, mas l\u00e1 pertinho da elei\u00e7\u00e3o de Outubro \u00e9 quando aumentou tremendamente para 281.916 flagelados. Pelo menos os n\u00fameros aqui mostram que com as elei\u00e7\u00f5es os flagelados foram colocados mais para as frentes de servi\u00e7o, houve mais atra\u00e7\u00e3o. \u00c9 um dado que a aritm\u00e9tica vem comprovar aquilo que n\u00f3s consideramos que naquele instante, de qualquer maneira, teve uma aflu\u00eancia maior de flagelados para as frentes de servi\u00e7o \u00a0e sem querer fazer trocadilho uma influ\u00eancia tamb\u00e9m . Aflu\u00eancia e influ\u00eancia. Em 1958 mais do que n\u00f3s poder\u00edamos dizer \u00e9 que no Cear\u00e1 eu acredito, que a quase totalidade dele vivia debaixo da zona da seca, apenas porque hoje n\u00f3s somos 141 munic\u00edpios, apenas quatro n\u00e3o est\u00e3o na zona da seca. Apenas ali o Cariri que realmente n\u00e3o tem a seca talvez, mas realmente foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil. \u00c9 o que a mem\u00f3ria me permite dizer para voc\u00eas at\u00e9 o momento. \u00c9 isso. Espero que eu possa contribuir com alguma coisa, com alguma informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Que tentativas considera mais s\u00f3lidas, entre as tomadas pelos governos no \u00e2mbito estadual, federal, para minorar o problema das secas no Cear\u00e1?<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Uma das tentativas que nos fez esfor\u00e7o tem a FUNCEME no \u00e2mbito estadual, atrav\u00e9s do bombardeamento das nuvens para o fabrico artificial das chuvas. Tem de qualquer maneira era conjunto de irriga\u00e7\u00e3o do DNOCS que \u00e9 um passo bem adiantado. Essas s\u00e3o \u00a0medidas realmente com algo de novo que se tem, o restante \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do que vem acontecendo desde D. Pedro II, \u00e9 as frentes de servi\u00e7o, flagelados nas estradas, oferta de emprego nesse per\u00edodo e tal, mas, de novo que a gente v\u00ea \u00e9 esse esfor\u00e7o do DNOCS para esse projeto de irriga\u00e7\u00e3o e no caso do estadual em si, a Funceme. Uma funda\u00e7\u00e3o porque se refere aos estudos e execu\u00e7\u00e3o de projetos de execu\u00e7\u00e3o artificial das chuvas, atrav\u00e9s do bombardeamento das nuvens. \u00c9 o que eu sei assim como rep\u00f3rter, que me parece assim mais positivo e novo em rela\u00e7\u00e3o ao combate \u00e0s secas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E como o \u00a0v\u00ea a atua\u00e7\u00e3o da SUDENE e do BNB?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o tenha d\u00favida que o Banco do Nordeste e a SUDENE deram um panorama novo para o Nordeste. Agora, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seca s\u00f3 agora que est\u00e3o falando no Projeto Sertanejo, por parte da SUDENE mas n\u00e3o est\u00e1 executado ainda. Em termos de seca, ela n\u00e3o deu nenhuma contribui\u00e7\u00e3o nova. Tamb\u00e9m esvaziada, coitada, por t\u00e9cnicos e dinheiro, eu tenho a impress\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 ali que n\u00f3s vamos encontrar a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o, porque seca tem que ser o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, mesmo. Acho at\u00e9 inclusive, que ningu\u00e9m devia estudar o neg\u00f3cio, que devia concentrar o maior n\u00famero de verbas de dinheiro para o DNOCS porque o nome est\u00e1 dizendo, \u00e9 para isso. E a SUDENE seria mais o aspecto geral de Superintend\u00eancia dos trabalhos como o pr\u00f3prio nome est\u00e1 dizendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Por que o senhor considera a SUDENE esvaziada de t\u00e9cnicas, como disse h\u00e1 pouco, e de dinheiro?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Ah! Isso \u00e9 not\u00f3rio. A SUDENE hoje, ou melhor, j\u00e1 de alguns anos para c\u00e1, primeiro, teve os seus, os incentivos diminu\u00eddos, porque os primeiros incentivos se destinaram \u00e0 SUDENE e \u00e0 SUDAM, depois veio uma parte&#8230; Essa fatia dos incentivos foi como que picada, \u00e9 o picadinho dos incentivos. Passou a ter um percentual para os investimentos no setor do reflorestamento para melhorar o meio, e o fato \u00e9 que houve essa diminui\u00e7\u00e3o de verbas. Vinham incentivos fiscais, vinham do imposto de renda. E quanto aos t\u00e9cnicos, eles n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de pagar bem a esses t\u00e9cnicos e eles foram sendo absorvidos pela iniciativa privada. Hoje \u00e9 bem dif\u00edcil um t\u00e9cnico de gabarito realmente continuar na SUDENE, dado o ordenado baix\u00edssimo que ele recebe. Agora, isso \u00e9 pr\u00f3prio&#8230; O superintendente j\u00e1 disse que realmente ele encontra dificuldades na forma\u00e7\u00e3o de equipes porque elas foram realmente absorvidas por quem paga melhor, dado a iniciativa privada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>N\u00e3o teria tamb\u00e9m a SUDENE alijado do seu quadro de planejamento o chamado cientista social, para beneficiar somente os t\u00e9cnicos?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acredito que sim, porque se at\u00e9 os t\u00e9cnicos tamb\u00e9m sofreram decesso, quanto mais os chamados cientistas sociais para os quais o t\u00e9cnico periga em qualquer parte da SUDENE, inclusive, n\u00e3o se tem, n\u00e3o se olha com tanta simpatia para eles, Se at\u00e9 eles pr\u00f3prios se chocam, quanto mais os cientistas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Como o senhor v\u00ea as medidas que o governador Adauto Bezerra vem tomando para contornar o problema da seca? Se eu n\u00e3o me engano, a Tribuna do Cear\u00e1, trata da suspens\u00e3o de uma caravana \u00a0de estudantes que viria a Fortaleza prestar homenagem ao prefeito, ao governador?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu desconhe\u00e7o esse segundo aspecto da quest\u00e3o. Sei apenas que o governador faz o que pode. O governo do Estado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seca, n\u00e3o pode fazer muito, n\u00e3o. Porque o Estado em si em \u00e9pocas boas j\u00e1 tem dificuldade de manuten\u00e7\u00e3o, quanto mais num per\u00edodo assim, excepcional como \u00e9 o da seca. Mas, dentro do que ele pode fazer, eu estou vendo que a equipe est\u00e1 realizando o que pode. O que eu tenho a adiantar \u00e9 que, por exemplo, a SOSC, que \u00e9 uma Superintend\u00eancia de Obras do Estado do Cear\u00e1, aqui chefiada pelo engenheiro Luiz Gonzaga Marques, ele tomou conta de seis frentes de servi\u00e7os, se n\u00e3o me engano, est\u00e3o empregados 2.100 homens. E isso em termos de Estado j\u00e1 \u00e9 uma boa contribui\u00e7\u00e3o. Quer dizer, o nosso Estado n\u00e3o se ausentou do problema, realmente o que falta \u00e9 recursos para amplamente atender a esse problema. Efic\u00e1cia de Planos e Projetos tamb\u00e9m. N\u00e3o h\u00e1 nada de consist\u00eancia, acho ou que receba valoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Parece ent\u00e3o, que o aux\u00edlio vem em maior n\u00famero do governo federal&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">S\u00f3 o governo federal. Normalmente as verbas estaduais n\u00e3o s\u00e3o para problemas surpreendentes como esse, n\u00e3o. \u00c9 como eu disse: o Estado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de atender com verbas pr\u00f3prias a solu\u00e7\u00e3o de sua problem\u00e1tica j\u00e1 existente, quanto mais com problemas de seca. Tem que ser o governo federal mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, o prest\u00edgio do governador do Cear\u00e1, junto ao Presidente da Rep\u00fablica, seria correlato \u00e0 solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Como essas frentes de servi\u00e7o&#8230; A\u00ed j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma depend\u00eancia do governo, \u00e9, por exemplo, como eu disse que os \u00f3rg\u00e3os existentes para esse setor ainda n\u00e3o apresentaram algo de novo na solu\u00e7\u00e3o desse problema da seca. Ent\u00e3o, continuamos com frentes de servi\u00e7os, com abertura de estradas, com constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, e com esses aglomerados de flagelados e dando a eles uma di\u00e1ria pelo trabalho deles. Tudo o que j\u00e1 observamos e conhecemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o peso pol\u00edtico do governador, n\u00e3o teria nenhuma influ\u00eancia nisso, n\u00e3o sensibilizaria os setores respons\u00e1veis diretamente por isso, ou uma amizade pessoal, o prest\u00edgio junto ao Presidente da Rep\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acredito que sim. Isso, vamos dizer, contribui para apresentar. Mas, o fato em si da seca emociona realmente e de qualquer maneira, uma amizade a mais junto \u00e0s altas esferas, \u00e9 \u00f3bvio que deve favorecer muito. Tanto que, pelo que se l\u00ea nos jornais e tudo, as verbas realmente est\u00e3o chegando, n\u00e3o est\u00e3o deixando de pagar os flagelados, n\u00e3o. O dinheiro vem. Eu acredito que sim. Mudar os destinos do Estado \u00e9 que \u00e9 outra conversa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, seria o caso do governador Adauto?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o chego a tanto, n\u00e3o. \u00c9 uma decorr\u00eancia natural, porque nunca faltou dinheiro assim, para se pagar o flagelado, n\u00e3o. N\u00e3o acho que haja necessidade de tanto prest\u00edgio no governo federal para consecu\u00e7\u00e3o dessas verbas de emerg\u00eancia, correto? Agora, eu acredito que uma amizade a mais pode favorecer para a solu\u00e7\u00e3o de problemas n\u00e3o emergenciais, mas o problema na sua perenidade, quer dizer, oficiar planos do governo que tenham por objetivo a solu\u00e7\u00e3o de algum problema e tudo. Essa \u00e9 v\u00e1lida, \u00e9 natural, quem tem mais amizade com mais rapidez consegue as coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E quando o senhor era deputado e surgia um problema relativo \u00e0s secas, como era que a C\u00e2mara se comportava. Buscavam \u00a0solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas?\u00a0 As fontes desses debates parlamentares, s\u00f3 nos Anais?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">A\u00ed, o papel do parlamentar no caso \u00e9 debater para acordar, certo? O executivo. Ent\u00e3o, a coisa n\u00e3o andou em \u00e9pocas de secas, em \u00e9pocas de dificuldades. Caberia ao deputado reclamar, pedir, dramatizar a situa\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 atrav\u00e9s dessa dramatiza\u00e7\u00e3o que a imprensa vai averiguando os seus informes e isso ganha extens\u00e3o, vai ter aos \u00f3rg\u00e3os do sul que s\u00e3o os que realmente t\u00eam penetra\u00e7\u00e3o e t\u00eam audi\u00eancia por parte dos governos e com isso ent\u00e3o, favoreceria a remessa das verbas necess\u00e1rias ao combate do problema. Ent\u00e3o o deputado \u00e0quela \u00e9poca exercia um papel muito importante, porque ele reclamava mesmo, ele brigava pelas verbas e chegava realmente. Hoje, pela pr\u00f3pria conjuntura tem que ser um pouco mais calmo, n\u00e3o \u00e9? Tem que refrear um pouco mais as suas emo\u00e7\u00f5es. Por mais corajoso que ele seja de qualquer maneira ele tem que ser um homem freado, n\u00e3o \u00e9? Tudo vai est\u00e1 dispon\u00edvel\u00a0 nos Anais da Casa, isto \u00e9 bem importante, ter<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">os Anais. A Assembleia tem seus Anais. O que se diz e que publica discursos dos senhores deputados, sei que voc\u00eas poder\u00e3o encontrar os subs\u00eddios maravilhosos atrav\u00e9s desses Anais da Assembleia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00a0Vejo alguns Anais da Assembleia aqui&#8230;<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sim. Inclusive eu tenho na minha mesa, aqui est\u00e3o, Anais do meu tempo. Os discursos de todos os deputados s\u00e3o publicados e gravados. N\u00e3o sei se essas grava\u00e7\u00f5es s\u00e3o guardadas. Mas todo discurso de deputado, todo pronunciamento \u00e9 gravado, taquigrafado e depois publicado. Eu devo ter ainda, de 1958, devo ter muita coisa ainda do meu tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">O <em>senhor doaria alguma das grava\u00e7\u00f5es de algum pronunciamento seu ao Programa de Hist\u00f3ria Oral?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Grava\u00e7\u00e3o de discurso eu n\u00e3o me recordo de t\u00ea-los, n\u00e3o, salvo engano, eu tenho alguns pronunciamentos mais vamos dizer, em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o. Campanha eleitoral e tal. N\u00e3o \u00e9 seguro se ainda tenho, n\u00e3o. Porque, politicamente, eu tentei desencadear realmente, ent\u00e3o, eu nunca mais fui olhar nessas cartas de saudade que a gente tem, mas eu vou verificar, se tiver eu acho que n\u00e3o tem grande valor, n\u00e3o, mas posso dar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00c0 \u00e9poca do senhor quais os deputados que mais se destacavam?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sinceramente, o deputado que eu enfrentava assim, com receio de sair com a minha vaidade ferida foi o Pontes Neto, um grande deputado. \u00c9 um homem que tem cultura, tem conhecimento, tem rapidez de racioc\u00ednio e esse eu enfrentava realmente com muito cuidado. Outro deputado tamb\u00e9m era o deputado Raimundo Ivan, foi um \u00f3timo deputado. Tamb\u00e9m, n\u00f3s na hora do digladiar, eu tinha que ter muita aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ser envolvido, porque o Raimundo Ivan, ele tinha um processo de ret\u00f3rica muito interessante. \u00c9 o dom\u00ednio do chamado na ci\u00eancia da ret\u00f3rica, \u00e9 chamado o processo socr\u00e1tico. \u00c9. o orador que vai conseguir afirma\u00e7\u00f5es do advers\u00e1rio, ent\u00e3o, \u201co senhor diz isso assim, assim, assim, e \u00e9 por isso assim, assim\u201d. A gente vai dizendo, sim, sim, sim, e quando menos espera est\u00e1 envolvido e cai na tese antag\u00f4nica. Agora, quem conhece um pouco de ret\u00f3rica, cedo aprendia o macete do Raimundo Ivan, mas de qualquer maneira era uma demonstra\u00e7\u00e3o de muita intelig\u00eancia. Ent\u00e3o, era um deputado que eu tamb\u00e9m achava que dava trabalho assim. J\u00e1 o Pontes Neto era mais o homem da cultura. Ele era marxista, filosoficamente marxista, dialeticamente ele vale a pena, sabe? Ainda hoje nas minhas leituras, no que eu gosto de ler, est\u00e3o os seus discursos e os meus debates com o Pontes Neto e com o Raimundo Ivan. Como orador assim, vamos chamar \u201ccomissieiro\u201d, um orador bomb\u00e1stico, um orador que traz aplausos da galeria e tal, mas sem muita subst\u00e2ncia, mas de qualquer maneira que vale a pena ver o aspecto de beleza era o Chagas Vasconcelos. Um bom orador, agora, um orador \u201ccomissieiro\u201d, entende? Um orador pra nenhum literato por defeito e tal. Agora, para discuss\u00e3o mesmo, como advers\u00e1rio, o Pontes Neto est\u00e1 acima de todos os outros, sem querer desmerecer os demais, como tamb\u00e9m havia outros que quando eu entrei na Assembleia, relativamente mo\u00e7o, eu olhava assim, com uma respeitabilidade muito grande porque eu como estudante nas galeras da Assembleia j\u00e1 olhava como eles se comportavam, e tudo. Eram verdadeiras raposas da pol\u00edtica. Inicialmente, entrei na Assembleia com medo, mas depois eu verifiquei que n\u00e3o eram assim&#8230; Por exemplo, Barros dos Santos, meu querido amigo Barros dos Santos, que era l\u00edder do governo, com quem eu mantive um combate com ele durante seis anos seguidos na Assembleia, era um deputado f\u00e1cil da gente debater porque os processos dele eram processos que eu conhecia desde menino. \u00c9 aquele processo puramente governamental, bitolado, ent\u00e3o era um homem que a gente facilmente derrotava num embate, mas o Pontes Neto, n\u00e3o, esse era dif\u00edcil. J\u00e1 tinha um outro, \u00a0o Pl\u00e1cido Castelo por exemplo, esse era mais um historiador, todos os pronunciamentos do Pl\u00e1cido eram mais sobre Hist\u00f3ria. N\u00e3o era um homem do debate, ele apenas tinha muita pr\u00e1tica. Eu me recordo uma vez, que eu na \u00e9poca dos Anjos Rebeldes, \u00a0a que me referi, eu fazendo um combate sistem\u00e1tico ao Virg\u00edlio, numa mensagem dele em que era para n\u00f3s que n\u00e3o tivemos aprovado o que pretend\u00edamos, n\u00f3s fizemos um rod\u00edzio na tribuna, ent\u00e3o, a sess\u00e3o come\u00e7ou \u00e0s xxx horas da tarde e emendou a noite toda, ent\u00e3o, cada um&#8230; eu falei seis horas seguidas, o Luciano falou quatro horas, mas n\u00f3s fizemos esse rod\u00edzio para chegar ao fechamento da assembleia e a mensagem n\u00e3o ser apresentada, e para eu poder aguentar aquele roj\u00e3o eu come\u00e7ava ent\u00e3o a provocar partes dos deputados, principalmente o Barros dos Santos, porque com um aparte, a gente arranjava novo assunto para poder preencher aquelas seis horas, ent\u00e3o, e eu me recordo de que o Pl\u00e1cido Castelo, que era do governo chega para o Barros\u00a0 e diz assim: \u201cVoc\u00ea quer derrubar o Dorian, n\u00e3o aparteie\u201d. Mas o microfone estava aberto de modo que deu para ouvir. Mas o Barros dos Santos eu provocava at\u00e9 que ele realmente falava e tal. Mas foi um grande deputado e por sinal essa opini\u00e3o \u00e9 at\u00e9 corroborada pelo pr\u00f3prio governador Adauto Bezerra, porque o L\u00facio Brasileiro, o L\u00facio Brasileiro cronista social, um dia desses, h\u00e1 uns dois meses atr\u00e1s conversando com o governador\u00a0 Adauto perguntou: \u201cGovernador, quando o senhor foi deputado quais foram os tr\u00eas deputados que mais lhe impressionaram? \u201d A\u00ed o Adauto respondeu: Pontes Neto, Dorian e o terceiro eu n\u00e3o digo\u201d. A\u00ed o L\u00facio disse: \u201cQuem ser\u00e1 esse terceiro\u201d? Eu disse: \u201cN\u00e3o, a\u00ed \u00e9 porque houve intelig\u00eancia do governador, porque qualquer um que se sentir queixoso porque n\u00e3o foi incluso, ele diz: \u201cN\u00e3o, o terceiro \u00e9 voc\u00ea\u201d!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Inteligente sa\u00edda mesmo! E o Dr. Pl\u00e1cido Castelo, como que ele utilizava ai a Hist\u00f3ria, que sentido ele dava, procurava fornecer exemplos da Hist\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. Ele&#8230; o Pl\u00e1cido \u00e9 do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Cear\u00e1, ent\u00e3o, quando nas grandes datas ele escrevia os seus pronunciamentos e relembrava os nossos fatos maiores, por seus pronunciamentos \u00a0era mais de natureza hist\u00f3rica. N\u00e3o era o deputado do dia a dia n\u00e3o. N\u00e3o era. Ele era mais um deputado assim&#8230; a gente chamava, menina, era o deputado da Hist\u00f3ria. Todos os grandes acontecimentos hist\u00f3ricos e tal, pronunciamentos e tudo eram com ele. N\u00e3o foi um deputado assim do vira e bate parlamentar, assim confrontando, atuante, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00a0E chega a governador. Pode ser reflexivo e observador, algu\u00e9m relacionado tanto \u00e0 Hist\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o sei. Eu sei que trocando tudo isso por mi\u00fado, h\u00e1 aqueles que se dedicam ao estudo da Hist\u00f3ria passada, a\u00ed n\u00e3o t\u00eam tempo para criar atritos com os que fazem a Hist\u00f3ria de hoje. Ent\u00e3o, n\u00e3o mais f\u00e1cil de serem escolhidos e galgarem posi\u00e7\u00f5es mais elevadas. Aqueles que querem fazer a Hist\u00f3ria de agora \u00e9 que se atritam muito e que podem se prejudicar. \u00c9 um homem tranquilo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E quanto aos deputados que trabalhavam nos bastidores, os que trabalhavam em sil\u00eancio, arregimentavam for\u00e7as, faziam planos e n\u00e3o s\u00f3 se envolviam em embates, em discuss\u00f5es, em discuss\u00f5es parlamentares?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Um deles: Batista Aguiar, era o articulador. O Almir Pinto tamb\u00e9m. Samuel Lins. Eram deputados que viviam mais justamente da. Arte de conversar, de contornar situa\u00e7\u00f5es, era o que eu me lembro deles tr\u00eas, parece que evidenciam bem esse lado importante, diga-se, da vida parlamentar. Porque n\u00e3o se pense, n\u00e3o se fa\u00e7a injusti\u00e7a acreditando-se que o bom parlamentar \u00e9 aquele que est\u00e1 na tribuna. Muitas vezes h\u00e1 aqueles que atuam bem nas Comiss\u00f5es, ou nas articula\u00e7\u00f5es, quer dizer, h\u00e1 um desempenho para cada um e todos t\u00eam a sua import\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da tribuna que vive o Parlamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Apesar do senhor n\u00e3o ser um t\u00e9cnico, que alternativas o senhor daria para o desenvolvimento do Cear\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acho que ainda \u00e9 aquela de Brasil col\u00f4nia. A pecu\u00e1ria n\u00e3o tem oura sa\u00edda, a pecu\u00e1ria por enquanto, at\u00e9 que a tecnologia chegue aqui no Cear\u00e1 e mostre novos caminhos, tecnologias que devem existir. Exemplo, n\u00f3s, com o governo do Sr. C\u00e9sar Cals\u00a0 \u00a0descobrimos o \u00f3bvio, que o Cear\u00e1 era bom para caju. Depois descobrimos aquilo que tinha sido descoberto, depois deixaram descobrir que era o caf\u00e9. J\u00e1 agora, est\u00e3o falando no urucum, A Ibiapaba agora todinha aguarda e vai entrar para o urucum, essa plantinha de fazer colorau e que se planta nos quintais e que j\u00e1 s\u00e3o dois projetos grandes que vem por a\u00ed com a planta\u00e7\u00e3o de urucum. Acham os entusiastas dessa nova planta\u00e7\u00e3o que \u00e9 superior ao caf\u00e9. Ent\u00e3o, enquanto essa tecnologia nos mostra, n\u00f3s temos que viver realmente \u00e9 da pecu\u00e1ria, que segundo eu tenho colhido como rep\u00f3rter pecuarista aqui do Nordeste, que \u00e9 o Sr. Geraldo Rola, esse homem me declarou ontem, textualmente: \u201co melhor local do Brasil para a pecu\u00e1ria \u00e9 o litoral nordestino\u201d, e eu me surpreendi com a afirma\u00e7\u00e3o e perguntei: \u201cMas, considerando o Rio Grande do Sul, considerando Minas, Considerando Goi\u00e1s, Mato Grosso, que s\u00e3o os grandes centros de pecu\u00e1ria do pa\u00eds\u201d. Ele disse: \u201cConsiderando tudo isso e lhe explico por qu\u00ea. Porque, primeiro, o litoral nordestino sanitariamente, \u00e9 melhor do que qualquer outro, enquanto o gado do ga\u00facho, o gado mineiro, o gado mato-grossense, o gado goiano, de Goi\u00e1s, \u00e9 vacinado para dez esp\u00e9cies diferentes de doen\u00e7a, o gado nordestino a \u00fanica vacina que toma \u00e9 a da aftosa, \u00e9 a \u00fanica doen\u00e7a que aqui e acol\u00e1 se faz sentir, quer dizer, sanitariamente, o ambiente \u00e9 maravilhoso para a cria\u00e7\u00e3o do gado, por causa do nosso sol, relembrando agora o velho Diocl\u00e9cio de Castro, n\u00e3o \u00e9? \u201cO sol \u00e9 o nosso grande m\u00e9dico, o sol \u00e9 a nossa salva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do mais, nesse litoral as \u00e1guas s\u00e3o drenadas, n\u00e3o existe p\u00e2ntano no litoral nordestino. A \u00e1gua no subsolo existe, cavou a \u00e1gua chega. A \u00fanica contraindica\u00e7\u00e3o seria o solo fraco, mas isso j\u00e1 hoje com as tecnologias \u00a0n\u00e3o \u00e9 problema mais, agora, considerando tudo isso que pode existir no Rio Grande do Sul, n\u00f3s temos que olhar o pre\u00e7o da terra, ent\u00e3o, olhando o pre\u00e7o da terra daqui, com o pre\u00e7o de Goi\u00e1s, com o pre\u00e7o do Rio Grande do Sul, com o pre\u00e7o de Minas Gerais, vamos verificar que a rentabilidade do criador de gado aqui no litoral do Nordeste \u00e9 muito superior \u00e0 do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Ent\u00e3o, essa voca\u00e7\u00e3o que \u00e9 do Brasil para o homem da pecu\u00e1ria, ainda hoje \u00e9 o nosso bom esteio de agronomia. Ent\u00e3o, enquanto n\u00e3o vem tecnologia, vamos criar gado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Pode-se ter tecnologia derivada do leite tamb\u00e9m.. E o Cear\u00e1 como alternativa de turismo, o que o senhor pensa?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o tem as condi\u00e7\u00f5es, estrutura nenhuma para turismo. At\u00e9 aqui n\u00e3o se criou infra-estrutura \u00a0Aqui poderia se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es de fazer aqui, jogo, cassinos, grandes hot\u00e9is, para trazer essa velharia norte-americana e europeia que joga internacionalmente e tomar banho de sol em nossas praias durante os 360 dias do ano, e jogar e deixar aqui, que fora disso, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de turismo, eu n\u00e3o creio nesse turismo assim como for\u00e7a econ\u00f4mica, \u00e9 m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, o senhor gostaria de acrescentar mais alguma coisa nessa entrevista?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">S\u00f3 que eu me senti muito lisonjeado por essa oportunidade de depor para a Hist\u00f3ria, lamentando apenas que n\u00e3o tenha podido contribuir com fatos mais significativos, porque meu desejo, e pela vaidade do meu cora\u00e7\u00e3o, eu queria que tudo isso fosse em rela\u00e7\u00e3o a mim, mas \u00e9 que eu tive que falar mais dos outros e n\u00e3o sei se nesse depoimento eu vou criar at\u00e9 ressentimento e tal, mas acreditando que se o sentido \u00e9 depor para a Hist\u00f3ria, deve ser o quanto poss\u00edvel aproximado da realidade. A realidade \u00e1s vezes nem sempre \u00e9 simp\u00e1tica para as pessoas, n\u00e3o \u00e9? Eu lhes agrade\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>N\u00f3s tamb\u00e9m nos confessamos muito gratos e perguntamos o que o senhor pensa a respeito dessa ideia do Programa de Hist\u00f3ria Oral, Arquivo Nacional e Universidade Federal do Cear\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Isso \u00e9 prova de que finalmente est\u00e3o estudando a Hist\u00f3ria do Cear\u00e1. Muito importante mesmo.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Muito obrigada Dr. Dorian. Consideramos esta segunda sess\u00e3o de\u00a0 entrevista encerrada, nesta data, 23 de julho de 1976. Entrevista com o Dr. Dorian Sampaio, feita pela professora Luciara Silveira de Arag\u00e3o e Frota.<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fortaleza, 22 de Julho de 1976<\/p>\n<p>Entrevista com o jornalista DORIAN SAMPAIO PARA O Programa de Hist\u00f3ria Oral da Universidade <strong>Federal<\/strong> do Cear\u00e1 com o Arquivo Nacional.<\/p>\n<p>.Entrevista concedida \u00e0 PROFESSORA LUCIARA SILVEIRA DE ARAG\u00c3O E FROTA respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o deste Conv\u00eanio.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>L.F.: LUCIARA FROTA<\/p>\n<p>D.S.: DORIAN SAMPAIO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Nesta nossa primeira sess\u00e3o de entrevista, o senhor poderia nos dar alguns dados de sua biografia? Falar de suas experi\u00eancias como um dos l\u00edderes do Centro Estudantil Cearense, por exemplo, a sua participa\u00e7\u00e3o na Casa do Estudante?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sou um cearense nascido no Rio de Janeiro a 12 de mar\u00e7o de 1927, filho natural de Jos\u00e9 Sampaio Xavier e Isaura Barroso Tavares. Ele era oficial do Ex\u00e9rcito e foi morto em 1935, na Revolu\u00e7\u00e3o Comunista, defendendo as tropas do Governo. Atualmente, casado, pai de cinco filhos. Curso prim\u00e1rio aqui em Fortaleza, no grupo Rodolfo Te\u00f3filo. Secund\u00e1rio, no Col\u00e9gio Cearense dos Irm\u00e3os Maristas, e posteriormente, no Liceu do Cear\u00e1, hoje, Col\u00e9gio Estadual do Cear\u00e1. Curso na Faculdade de Odontologia do Cear\u00e1, onde colei grau em 1950, sendo imediatamente, no ano posterior, nomeado professor assistente da cadeira de Metalurgia e Qu\u00edmica Aplicada, naquela Faculdade onde permaneci lecionando at\u00e9 1954, quando fui eleito vereador de Fortaleza, o que novamente aconteceu em 1958, quando pela segunda vez fui novamente guindado \u00e0 mesma posi\u00e7\u00e3o de vereador, para em 1922 ser eleito deputado Estadual, reeleito em 66 e, finalmente, com o mandato cassado pela Revolu\u00e7\u00e3o em 1969, precisamente no dia 13 de mar\u00e7o. Minha atividade b\u00e1sica \u00e9 a do jornalismo, iniciada desde a mais tenra mocidade, fundador que fui ao lado de J\u00e1der de Carvalho do Di\u00e1rio do Povo, e, posteriormente, rep\u00f3rter do jornal O Estado para afinal ser Diretor da Gazeta de Not\u00edcias, de 1958 a 1964, e tamb\u00e9m, a essa \u00e9poca Superintendente da R\u00e1dio Uirapuru de Fortaleza. Ap\u00f3s a cassa\u00e7\u00e3o do mandato fui ent\u00e3o contratado como colunista de assuntos econ\u00f4micos nos Di\u00e1rios Associados, Jornal Correio do Cear\u00e1 e comentarista de assuntos econ\u00f4micos di\u00e1rios, na televis\u00e3o dos Associados. E agora, bem recentemente, h\u00e1 uns 15 dias deixei os Associados e fui contratado pela Tribuna do Cear\u00e1, onde mantenho a mesma coluna econ\u00f4mica e onde passarei a dirigir, a partir de 8 de agosto pr\u00f3ximo, o TC Domingo, que \u00e9 o Jornal Tribuna do Cear\u00e1. Ele vai passar a circular aos domingos sob a minha dire\u00e7\u00e3o. Na minha vida estudantil, o que me honra mais foi justamente ter sido um dos batalhadores do Centro Estudantil Cearense, entidade que \u00e0quela \u00e9poca congregava quase a totalidade da classe estudantil cearense. Fui Secret\u00e1rio Geral da entidade, ou melhor, inicialmente, o meu primeiro mandato de segundo Tesoureiro, posteriormente, eleito Secret\u00e1rio geral, e na outra elei\u00e7\u00e3o, membro de seu conselho Superior. Foi nesse per\u00edodo sob a presid\u00eancia do atual deputado estadual Aquiles Peres Mota que consegui inaugurar a Casa do Estudante do Cear\u00e1, que ainda hoje existe. Vale dizer que isso muito me honra porque era na \u00e9poca em que o Governo n\u00e3o ajudava constru\u00e7\u00f5es de casas do estudante. Ent\u00e3o, essa casa do estudante que era uma obra monumental para a \u00e9poca, e que ainda hoje presta tantos servi\u00e7os \u00e0 classe, foi constru\u00edda com verbas tiradas pelos pr\u00f3prios estudantes, atrav\u00e9s de festivais, de festas de mocidade, de feiras de amostra e sem absolutamente, nenhum tost\u00e3o do Governo na Casa do Estudante do Cear\u00e1. \u00c9 um depoimento que eu acho interessante, que pelo menos sirva de exemplo \u00e0 turma de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">De fato. Com que idade o senhor veio para o Cear\u00e1, j\u00e1 que se declara um cearense carioca?<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu cheguei ao Cear\u00e1 em 1937, consequentemente, com dez anos de idade, e aqui espero morrer, muito breve, n\u00e3o. Bom, a minha fam\u00edlia por parte de pai \u00e9 toda do Nordeste, Pernambuco e Cear\u00e1. Eu sou dos Sampaio do Cariri e minha m\u00e3e era carioca. Outro aspecto que tamb\u00e9m me parece interessante \u00e9 que agora dentro da minha atividade empresarial eu edito desde 1971, o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1. J\u00e1 estou na quinta edi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um retrato das contemporaneidades do Cear\u00e1. \u00c9 este o nosso objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">L.F.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Que lembran\u00e7as o senhor guarda da morte do seu pai que \u00e9 considerado um m\u00e1rtir da Intentona Comunista de 1935?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sinceramente, n\u00e3o h\u00e1 mem\u00f3rias de ordem emocional para mim. De qualquer maneira, meu pai deixou minha m\u00e3e, eu tinha talvez os meus dois ou tr\u00eas anos de idade. E, eu tinha oito anos nessa \u00e9poca de modo que eu n\u00e3o conhecia propriamente meu pai. Eu acredito que isso \u00e9 um lapso da minha mem\u00f3ria, porque quando eu vim para o Cear\u00e1, eu passei a ser criado pela fam\u00edlia do meu pai. De modo que eu s\u00f3 era ligado por isso, mas n\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o com ele, que eu sinceramente, n\u00e3o tenho a menor ideia do seu aspecto f\u00edsico, apenas tento honrar o seu nome, nada mais que isso.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sem d\u00favida. O senhor chegou a ser oficial de Gabinete na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura do Estado, durante quatro anos na gest\u00e3o Valdemar Alc\u00e2ntara. Nesse per\u00edodo que fatos o senhor considera que foram medidas importantes tomadas pelo titular daquela pasta e o que nos diria sobre as impress\u00f5es pessoais que guardou do Sr. Valdemar Falc\u00e3o, perd\u00e3o, Valdemar Alc\u00e2ntara?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">\u00c9. Cabe esta retifica\u00e7\u00e3o inicial em rela\u00e7\u00e3o ao nome do Dr. Valdemar. N\u00e3o \u00e9 Valdemar Falc\u00e3o, \u00e9 Dr. Valdemar Alc\u00e2ntara, atual vice-governador do Estado. Realmente, foi quando eu saia da faculdade e como eu participara da campanha eleitoral de Raul Barbosa, representando o estudante em seus com\u00edcios, porque \u00e0quela \u00e9poca realmente se usava isso, havia os oradores estudantis que participavam das campanhas. O Aquiles Peres Mota, hoje Deputado, representava o estudante nas campanhas eleitorais da UDN e eu representava o PSD &#8211; Partido Social Progressista, no caso o candidato Raul Barbosa, e quando ele tomou posse n\u00f3s tivemos que arranjar um velho empreguinho e o meu empreguinho foi um empreg\u00e3o para aquela \u00e9poca, que \u00e9 o de chefe de gabinete, ou melhor, oficial de gabinete. Era esse o nome que se dava, hoje chamam chefe de gabinete, mas \u00e0quela \u00e9poca era oficial de gabinete. E nesses quatro anos eu dento dessas fun\u00e7\u00f5es fui tamb\u00e9m designado diretor de fiscaliza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do ensino, Diretor T\u00e9cnico de Educa\u00e7\u00e3o e Inspetor do Ensino Supletivo. A essa \u00e9poca tive oportunidade de participar daquilo que para a \u00e9poca era uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no setor educacional do Cear\u00e1, bastando dizer que foi no governo do senhor Raul Barbosa, que realmente a educa\u00e7\u00e3o tomou um impulso fora do comum e \u00e9 desta \u00e9poca, quando eu geria a diretoria de fiscaliza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o do ensino, realizamos a primeira reforma no ensino normal, por outro lado foi na \u00e9poca do estabelecimento do chamado ensino supletivo, que era um ensino de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos, uma rede escolar muito ampla em todo Estado, afora a inaugura\u00e7\u00e3o de dezenas e dezenas de pr\u00e9dios escolares em todo o interior do Estado e especialmente em Fortaleza, que \u00e9 dessa \u00e9poca, por exemplo, que o Governo do Estado, tentou levar a educa\u00e7\u00e3o aos bairros mais afastados. Assim \u00e9 que foram constru\u00eddos, o Grupo escolar de Pirambu, O grupo Escolar de Parangaba, o Grupo Escolar do Montese, o Grupo Escolar da \u00c1gua Fria, que naquela \u00e9poca era com que um deserto, mas se fez l\u00e1, enfim, recordo-me que mais ou menos uns dez pr\u00e9dios em Fortaleza, naquela \u00e9poca eram fruto do Governo Raul Barbosa. E o Valdemar Alc\u00e2ntara, se bem n\u00e3o fosse nenhum t\u00e9cnico em educa\u00e7\u00e3o, era apenas m\u00e9dico, ele tinha o bom senso de se cercar de pessoas que realmente entendiam bem do assunto como Filgueiras Lima, o Catunda, Jo\u00e3o Cl\u00edmaco Bezerra, D. Lerice Porto e essa equipe de pessoas versadas em educa\u00e7\u00e3o, ensejaram a ele que estabelecesse um Plano de Governo que executado foi positivo, no sentido de favorecer realmente algo de valor em favor da educa\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E sobre as opini\u00f5es do Dr. Valdemar Alc\u00e2ntara como pessoa?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu o considero um dos homens famosos deste Estado, mas eu at\u00e9 me furtaria um pouco, at\u00e9 de dar esses elogios porque \u00e9 a velha hist\u00f3ria, eu talvez seja suspeito, porque ainda hoje eu considero o atual vice-governador do Estado, apesar dele ter partido diferente do meu. Naquela \u00e9poca eu ainda era pol\u00edtico, quando eu exercia o minist\u00e9rio pol\u00edtico eu era do MDB e ele da ARENA, mas nunca nos desvinculamos, e para que se possa avaliar mais ou menos o grau de afetividade que nos une, \u00e9 que ele foi o meu padrinho de casamento, padrinho da minha primeira filha, ainda hoje estamos unidos por uma amizade da qual eu guardo a maior fidelidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Em 1954 o senhor trocou de fato o magist\u00e9rio pela atividade pol\u00edtica, quando se elegeu vereador da C\u00e2mara Municipal de Fortaleza? Como foi que aconteceu o seu ingresso na pol\u00edtica?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">As minhas liga\u00e7\u00f5es com os estudantes, como eu disse eu era um dos l\u00edderes do movimento estudantil atrav\u00e9s do Centro Estudantil Cearense. Representei esses mesmos estudantes na Campanha de Raul Barbosa, e este, ao tomar posse, me colocou como oficial de gabinete do Dr. Valdemar Alc\u00e2ntara, justamente para que eu servisse como que de intermedi\u00e1rio entre o governo e a classe estudantil. E essa liga\u00e7\u00e3o que cada vez mais se aprofundava, ensejou que ap\u00f3s esse mandato e as condi\u00e7\u00f5es que me eram dadas na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de servir os estudantes, mais a mais me aproximou deles, ent\u00e3o me deram condi\u00e7\u00f5es para eu tentar a carreira pol\u00edtica, o que fiz com \u00eaxito elegendo-me pela primeira vez vereador de nossa cidade, vereador de Fortaleza, onde ent\u00e3o, durante quatro anos na bancada do PSD, \u00e9poca em que o atual senador Mauro Benevides tamb\u00e9m era vereador e por sinal vice-l\u00edder da bancada. Nesses quatro anos eu liderei a bancada do PSD no Cear\u00e1, com o Mauro, hoje senador, como meu liderado, e esse mandato se fez sentir durante outros quatro anos, porque eu, em 1948, eu tentei a reelei\u00e7\u00e3o conseguindo novamente ganhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E de suas experi\u00eancias como l\u00edder da banca no PSD, como vereador, o que o senhor nos diria?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, os companheiros eram maravilhosos, era o Mauro Benevides, era o m\u00e9dico Jo\u00e3o Cavalcante, era Walter S\u00e1 Cavalcante Ent\u00e3o, eram homens que realmente, dentro das possibilidades de ent\u00e3o, engajavam na linha do PSD, e de qualquer forma, aquela \u00e9poca para se dirigir o PSD, at\u00e9 n\u00e3o era t\u00e3o dif\u00edcil porque era de qualquer forma o partido dominante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, em 1962, ainda sob o PSD o senhor foi eleito <\/em><\/p>\n<p><em>deputado, n\u00e3o \u00e9? Um partido dominante, como j\u00e1 nos disse. Creio que gostava de atuar nas duas pontas, na estrat\u00e9gia e depois nos embates.<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">As suas mem\u00f3rias bem precisam ser escritas com certeza.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Que lembran\u00e7as guarda dos acontecimentos desse per\u00edodo?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, em carreira pol\u00edtica o que mais se guarda s\u00e3o justamente as campanhas sucess\u00f3rias do Estado. N\u00e3o s\u00f3 da campanha que se desencadeia, a campanha propriamente dita, como aqueles per\u00edodos de conversa\u00e7\u00f5es, dos entendimentos, daquele nervosismo, daquele frenesi que acompanha justamente a escolha dos candidatos. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que Raul Barbosa fizera um \u00f3timo governo, vindo de uma campanha em que o PSD retomava o poder j\u00e1 que o antecessor dele era o desembargador Faustino Albuquerque, candidato da UDN. E, o Raul Barbosa apresentou ent\u00e3o como candidato, ou melhor, o PSD apresentou como candidato, para suced\u00ea-lo, o Sr. Armando Falc\u00e3o, atual Ministro da Justi\u00e7a, e a UDN apresentou o Sr. Paulo Sarasate. Foi uma campanha de muito entusiasmo em que o candidato pessedista desfraldava, recordo bem, a chamada bandeira contra o roubo e contra a corrup\u00e7\u00e3o. E, essa campanha foi muito \u00e1rdua, tanto que o triunfo do senhor Paulo Sarasate sobre Armando Falc\u00e3o foi por uma diferen\u00e7a m\u00ednima de talvez mil e poucos votos, se n\u00e3o me engano, o que em campanha de governador \u00e9 quase um empate, e assim mesmo, s\u00e9 \u00e9 um depoimento para a Hist\u00f3ria que se diga, se discute a vit\u00f3ria do Sr. Paulo Sarasate. Tanto \u00e9 discut\u00edvel essa apura\u00e7\u00e3o de votos porque o pr\u00f3prio Sr. Armando Falc\u00e3o, ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o, ele declarou publicamente que havia sido ludibriado, que ele realmente dentro da urna tinha mais votos do que o Sr. Paulo Sarasate, apenas teria havido assim um processo de beneficiamento eleitoral por outras vias que n\u00e3o as reais, da vota\u00e7\u00e3o do povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Seria o epis\u00f3dio da chamada Pedra Branca?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. A Pedra Branca \u00e9 um aspecto inteiramente isolado, \u00e9 porque Pedra Branca \u00e9 um reduto do PSP &#8211; Partido Social Progressista, comandado aqui no Cear\u00e1 pelo Sr. Olavo Oliveira, Professor de Direito, Senador da Rep\u00fablica e Pedra Branca era quase uma urna fechada, pois o PSD do Sr. Olavo Oliveira, e nessa \u00e9poca esperava-se que Pedra Branca iria decidir o pleito, a favor do Sr. Armando Falc\u00e3o, o que n\u00e3o ocorreu, houve rea\u00e7\u00f5es, mas especificamente, n\u00e3o foi Pedra Branca que derrotou o Sr. Armando Falc\u00e3o. O ludibrio que diz o Sr. Armando Falc\u00e3o que existiu foi generalizado. \u00c9 dif\u00edcil a gente localizar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Anteriormente a sua elei\u00e7\u00e3o para deputado o senhor foi Presidente da C\u00e2mara dos Vereadores, ao tempo em que era Presidente, J\u00e2nio Quadros. E sua opini\u00e3o sobre a ren\u00fancia do Presidente e sobre as experi\u00eancias que o senhor viveu como Presidente da C\u00e2mara dos Vereadores daquela \u00e9poca, por favor. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acredito que tenha sido uma experi\u00eancia um tanto quanto amarga. Eu fui eleito Presidente da C\u00e2mara dos Vereadores por um acidente. A essa \u00e9poca era prefeito o Sr. Cordeiro Neto, e ele tinha uma maioria muito grande na C\u00e2mara Municipal, mas houve divis\u00e3o quanto \u00e0 escolha do Presidente. A bancada do PSD que liderava ficou sem se comprometer com nenhuma das duas fac\u00e7\u00f5es do Prefeito, que pretendia a C\u00e2mara Municipal, at\u00e9 que o Prefeito Cordeiro Neto decidiu ser a favor do Alu\u00edzio Correia, ent\u00e3o vereador. E a outra fac\u00e7\u00e3o, que era presidida por Jos\u00e9 Martins Timb\u00f3, n\u00e3o aceitou aquela indica\u00e7\u00e3o, mas verificando que n\u00e3o tinha a menor possibilidade de vencer procurou o PSD, o qual ent\u00e3o, por meu interm\u00e9dio apresentou os quatro nomes da bancada. Que eles escolhessem qualquer um dos quatro. Sinceramente como eu pensei que eu teria sido o \u00faltimo a ser escolhido, porque eu sei que os outros tr\u00eas tinham mais condi\u00e7\u00f5es, porque eu n\u00e3o tinha voca\u00e7\u00f5es presidenciais, n\u00e3o. Mas, olhando os pendores e as tend\u00eancias de cada um, chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o que o \u00fanico que podia ser e denominador comum dessa fac\u00e7\u00e3o seria o meu nome. Ent\u00e3o, eu aproveitei e aceitei, mas debaixo da seguinte condi\u00e7\u00e3o: \u00e9 que eu n\u00e3o aceitaria imposi\u00e7\u00e3o nenhuma. Eu iria como Presidente, tentar aquilo que eu chamava uma recupera\u00e7\u00e3o do Poder Legislativo Municipal. Ent\u00e3o, em d\u00e9ficit com a opini\u00e3o p\u00fablica por causa das sucessivas vezes em que se criavam cargos, se cartava exorbitantemente o que bem entendesse ent\u00e3o eu aceitei. Por sinal, no primeiro escrut\u00ednio eu perdi a elei\u00e7\u00e3o, mas como o outro candidato n\u00e3o tinha a maioria, no outro escrut\u00ednio ent\u00e3o, surpreendentemente eu ganhei por um voto, porque a Vereadora Mirtes Campos, no primeiro escrut\u00ednio ia votar no Alu\u00edzio Correia, ao chegar \u00e0 cabine para votar, no depoimento dela mesmo, ela disse: \u201cAh! Mas eu deixar de votar no Dorian\u201d, a\u00ed se arrependeu e votou em mim. E o Caio Cid, o colunista Carlos Cavalcante j\u00e1 falecido, que votara em branco no primeiro escrut\u00ednio, votou em mim. Ent\u00e3o, eu ganhei a elei\u00e7\u00e3o por um voto, e como eu n\u00e3o tinha compromisso eu pude ent\u00e3o exercer o mandato. Assim, tentando realmente recuperar a C\u00e2mara Municipal, extinguir cargos, resolver contratos, naquela \u00e9poca era um neg\u00f3cio assim fora do comum. Eu recolhi o cargo da Presid\u00eancia, n\u00e3o aceitava cargo oficial, recolhi todos os cargos da Prefeitura, enfim, fiz uma s\u00e9rie de medidas, mas isso \u00e9 l\u00f3gico que houve rea\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que ent\u00e3o, com seis meses de mandato eu renunciei, renunciei o mandato, e, interessante, no dia seguinte, sem que me avisassem, deviam ter me avisado, o J\u00e2nio Quadros renunciou. Eu renunciei na v\u00e9spera do J\u00e2nio Quadros. Por sinal diziam aqui a t\u00edtulo de piada que o J\u00e2nio Quadros havia me imitado, havia me acompanhado. Mas o fato \u00e9 que, essa ren\u00fancia criou dificuldade muito grande e eu acredito que outros historiadores podem dar o seu depoimento melhor do que eu. Apenas acho que foi da\u00ed que surgiu uma nova etapa na vida brasileira, e ainda hoje \u00e9 dif\u00edcil saber-se a raz\u00e3o dessa ren\u00fancia. Sabe-se, entretanto, que foi, ali\u00e1s, sabe-se n\u00e3o, se sup\u00f5e e eu concordo com essa teoria \u00e9 que a ren\u00fancia adveio de um toque emocional qualquer, de momento, o Sr. J\u00e2nio Quadros, parece que era dado ao copo, e deve ter sido um u\u00edsque al\u00e9m que faz com que ele tomasse assim, uma medida intempestiva, porque se tinha uma pessoa ou um Presidente da Rep\u00fablica que tinha o apoio total do povo brasileiro era o Sr. J\u00e2nio Quadros. Ele tinha todas as condi\u00e7\u00f5es. Talvez tenha sido o \u00fanico brasileiro que tenha tido condi\u00e7\u00f5es de impor qualquer regime neste pa\u00eds e que seria aceito naquela \u00e9poca. Lamentavelmente, renunciando, deu-se todo esse quiproqu\u00f3 que os senhores que s\u00e3o historiadores sabem mais do que eu. Mas realmente, se ele n\u00e3o tivesse renunciado, eu acredito que o julgo, se bem que as declara\u00e7\u00f5es posteriores, ap\u00f3s a ren\u00fancia, indicam que o Sr. J\u00e2nio Quadros queria da ren\u00fancia, era impor condi\u00e7\u00f5es que se efetivaram e, 1964, com algumas deriva\u00e7\u00f5es. Mas de qualquer maneira o que ele prevenia realmente era um governo forte, de executivo forte e com uma atrofia do legislativo. \u00c9 o que eu entendo, que o Sr. J\u00e2nio Quadros intentou essa ren\u00fancia para ent\u00e3o ser solicitado e estabelecer o regime que veio ocorrer a partir de 1964, com um legislativo inodoro e ins\u00edpido, infenso, como temos hoje, e um executivo hipertrofiado, como hoje ele \u00e9 realmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Quem sucedeu o senhor ap\u00f3s a sua ren\u00fancia na presid\u00eancia da C\u00e2mara?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Foi o senhor Jos\u00e9 Barros de Alencar e ele permaneceu, parece que 14 anos seguidos, era vereador de Messejana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Em 1962, quando o senhor foi eleito Deputado sob a legenda do PSD, avizinhava-se o movimento de 1964. Eu lhe pergunto, na C\u00e2mara dos Deputados ou entre os pol\u00edticos, se pressentia algo dessa mudan\u00e7a?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Ningu\u00e9m no Cear\u00e1, ningu\u00e9m, absolutamente ningu\u00e9m, sabia da revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 revolucion\u00e1rios no Cear\u00e1. Conta-se at\u00e9 que, no dia da revolu\u00e7\u00e3o o Sr. Perilo Teixeira encontrou-se com o Sr. Paulo Sarasate. Por ser um homem tido e havido como grande revolucion\u00e1rio do Cear\u00e1, o Sr. Perilo Teixeira cumprimentou o Sr. Paulo Sarasate, dizendo: \u201cCom \u00e9 rapaz, o que voc\u00ea acha dessa revolu\u00e7\u00e3o?\u201d. E o Sarasate respondeu: \u201cRevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o, uma baderna. Isso \u00e9 uma baderna\u201d. Quer dizer, nem ele pr\u00f3prio, o homem mais amigo de Castelo Branco sabia da eclos\u00e3o do movimento em 64. O que havia era muita conversa\u00e7\u00e3o, confabula\u00e7\u00f5es no Restaurante do Lido, por exemplo. Confabulava-se muito aqui no Cear\u00e1, mas eu acredito que nenhum pensava em termos de uma revolu\u00e7\u00e3o armada, n\u00e3o. Agora, depois de 64, apareceram muitos focos revolucion\u00e1rios, mas eles inexistiram antes, em minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E sobre o que ent\u00e3o, confabulariam? O Senhor. saberia dizer alguma coisa sobre a posi\u00e7\u00e3o do, hoje, Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">O Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora era governador, e ia sabendo inclusive, que quando se deu a revolu\u00e7\u00e3o de 64, ele passou inclusive um tempo, teimando em passar um telegrama apoiando o movimento. Isso \u00e9 um fato que os senhores j\u00e1 devem at\u00e9 ter depoimento a esse respeito. Dizia-se at\u00e9 que ele ficava em cima do muro. Ele n\u00e3o participou absolutamente nada, agora, recordo-me que quando o Sr. Humberto Castelo Branco j\u00e1 era Presidente da Rep\u00fablica, e aqui esteve no Cear\u00e1, n\u00f3s Deputados do PSD, tidos como os chamados \u201cAnjos Rebeldes\u201d, que era uma ala do PSD que eu liderava, ala essa a que pertenciam os deputados do PSD, Batista de Aguiar e Figueiredo Correia, mas n\u00e3o o Joaquim Figueiredo Correia, o irm\u00e3o dele que era deputado tamb\u00e9m, e mais deputados de outros partidos como Luciano Magalh\u00e3es, n\u00f3s faz\u00edamos um movimento contra o Virg\u00edlio, e quando foi aquela luta dos partidos para a forma\u00e7\u00e3o de Arena e MDB, n\u00f3s fomos ter a casa do industrial Jo\u00e3o Moreira, onde estava hospedado o Sr. Humberto Castelo Branco, a chamado deste, e para saber para qual partido n\u00f3s \u00edamos, se para a Arena ou para o MDB. E a essa \u00e9poca o Marechal Castelo Branco perdeu inclusive a tramontana na hora, exasperou-se porque achava que a campanha que n\u00f3s faz\u00edamos contra o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora aqui no Cear\u00e1, usando a express\u00e3o por ele usada \u201cricocheteava no governo dele\u201d, e que n\u00e3o admitia essa oposi\u00e7\u00e3o. A\u00ed o importante \u00e9 frisar a declara\u00e7\u00e3o do Marechal Castelo Branco, ele dizia: \u201cQuando eu, antes da revolu\u00e7\u00e3o, andava no Cear\u00e1, o revolucion\u00e1rio que eu encontrei aqui foi o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. O Sr. H\u00e9lio, o Coronel H\u00e9lio Lemos, fazia besteira\u201d. Era express\u00e3o do Presidente Castelo Branco, o Sr. Edmond Bastos Gon\u00e7alves, que era um major do GO, tido como um revolucion\u00e1rio aqui tamb\u00e9m, de acordo com o Marechal Castelo Branco tamb\u00e9m era um homem que estava deslocado, n\u00e3o sabia o que fazia. De revolucion\u00e1rio, o que ele encontrou aqui foi o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora&#8230; Eis a\u00ed a declara\u00e7\u00e3o que surpreendeu a todos, porque n\u00f3s sab\u00edamos que o coronel H\u00e9lio Lemos e o major Edmond Bastos Gon\u00e7alves, eram os homens que realmente haviam mais lutado, no per\u00edodo pr\u00e9-revolucion\u00e1rio. Mas, temos a\u00ed esse epis\u00f3dio testemunhado entre outros, por Luciano Magalh\u00e3es, o atual Deputado Di\u00f3genes Nogueira, Batista Aguiar, Figueiredo Correia, Wilson Gon\u00e7alves, vice-governador Valdemar Alc\u00e2ntara, que estava participando na hora. Foi da\u00ed que eu decidi o meu caso, eu sa\u00ed para ingressar nas hostes do MDB, assinar a proposta para a forma\u00e7\u00e3o do MDB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, o coronel Edmond estava entre os que confabulavam. Mas n\u00e3o se sabia precisamente o que confabulavam, nada escapava?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, a confabula\u00e7\u00e3o, o nome j\u00e1 o diz, n\u00e3o \u00e9? Quando se confabulava quem est\u00e1 de fora n\u00e3o o sabe. Eu alguma coisa fui saber posteriormente. Agora, o Marechal Castelo Branco disse que ele estava fazendo besteira, que o revolucion\u00e1rio que encontrou aqui foi o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. Sei apenas que, a t\u00edtulo de informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, que as melhores reuni\u00f5es dessa turma da confabula\u00e7\u00e3o eram feitas no Restaurante Lido, com aquele Charles, aquele franc\u00eas que reunia ali no Lido ou na casa deles e tal. Parece que quando chamava a patota pr\u00e9-revolucion\u00e1ria era ali a reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, Dr. Dorian, o senhor n\u00e3o confabulava, n\u00e3o \u00e9, pelo visto. Por que?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. Eu n\u00e3o participei absolutamente nada em rela\u00e7\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o de 64, nem sabia da exist\u00eancia dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Por que Anjos Rebeldes? Por que divergiam da linha oficial do partido?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Exato. \u00c9 porque o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, conforme \u00e9 sabido, ele foi eleito pela chamada Uni\u00e3o pelo Cear\u00e1. Foi quando se uniu pela primeira vez em nosso Estado o PSD com a UDN, para eleger o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. Houve um candidato, um candidato suicida como chamavam, que foi o ent\u00e3o Deputado Federal Cavalcante, Adail Cavalcante, candidato apenas de protesto. Mas o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora foi candidato do PSD com a UDN, a Uni\u00e3o. Adail Barroso Cavalcante era o candidato de rea\u00e7\u00e3o, apenas a t\u00edtulo de protesto, n\u00e3o tinha a menor condi\u00e7\u00e3o de se eleger, porque o Virg\u00edlio T\u00e1vora conseguiu a Uni\u00e3o do Cear\u00e1, a uni\u00e3o do PSD com a UDN e todos os partidos ent\u00e3o existentes. E ent\u00e3o, o volume de Deputados que apoiava o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora era fora do normal, mas, entendendo que uma coisa precisa ser reclamada eu comecei ent\u00e3o a ensaiar os primeiros protestos contra algumas atitudes do governo do Estado que eu achava que eram nocivas aos interesses do Cear\u00e1, e fui sendo acompanhado por um e mais outro, e mais outro e peguei a formar mesmo uma bancada de oposi\u00e7\u00e3o que parece que deu algum trabalho ao ent\u00e3o governador Virg\u00edlio T\u00e1vora, e a imprensa ent\u00e3o, nos deu o nome de Anjos Rebeldes, que, ali\u00e1s, n\u00e3o foi muito original, n\u00e3o, porque j\u00e1 tinha havido em outras \u00e9pocas uma bancada de Anjos Rebeldes na Assembleia, n\u00e3o me recordo bem, \u00e9 o clich\u00ea cinematogr\u00e1fico. O fato \u00e9 que, de qualquer maneira esses Anjos Rebeldes prosseguiram e fomos assim, com este cognome, at\u00e9 o fim do Governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Dr. Dorian, o senhor acha que no in\u00edcio do Governo Virg\u00edlio T\u00e1vora teria havido uma anula\u00e7\u00e3o inicial da oposi\u00e7\u00e3o? Isto porque houve durante um determinado per\u00edodo do governo do Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, certo equil\u00edbrio na composi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Praticamente n\u00e3o havia oposi\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do governo do Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, basta lhe dizer que eu, que um ano depois que comecei a inicia,r a fazer oposi\u00e7\u00e3o, havia sido inclusive, convidado na forma\u00e7\u00e3o do secretariado, para secret\u00e1rio do Trabalho. A essa \u00e9poca existia o secret\u00e1rio do Trabalho e eu fui convidado pelo governador para ser o seu secret\u00e1rio. Apenas n\u00e3o aceitei, sob alegativa de que havia sido eleito deputado, e que me achava na obriga\u00e7\u00e3o de cumprir o mandato. N\u00e3o tinha voca\u00e7\u00f5es para o executivo, a\u00ed no caso, inclina\u00e7\u00e3o no momento. Mas, oposi\u00e7\u00e3o nenhuma. A oposi\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com, mais ou menos, isso foi depois de um ano de governo. Um ano e seis meses, por a\u00ed, que se deu o in\u00edcio desse processo oposicionista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E de sua reelei\u00e7\u00e3o em 1966, j\u00e1 sob a legenda do MDB. Poderia nos dizer alguma coisa ligada aos epis\u00f3dios que envolveram a sua cassa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, o que houve foi o seguinte. Quando se fala em cassa\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, \u00e9 preciso se distinguir tr\u00eas esp\u00e9cies de cassa\u00e7\u00e3o. Existe a cassa\u00e7\u00e3o por corrup\u00e7\u00e3o, existe a cassa\u00e7\u00e3o por subvers\u00e3o, e existe o que eu chamo a cassa\u00e7\u00e3o puramente pol\u00edtica. Ent\u00e3o, digamos uma cassa\u00e7\u00e3o de Carlos Lacerda, uma cassa\u00e7\u00e3o de J\u00e2nio Quadros, uma cassa\u00e7\u00e3o de Juscelino Kubitscheck, cassa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Martins Rodrigues, nem podem ser enquadradas como de ordem de corrup\u00e7\u00e3o, nem subversivas; uma cassa\u00e7\u00e3o puramente pol\u00edtica. Porque eram homens que se deixassem o exerc\u00edcio pol\u00edtico podiam perturbar a marcha, vamos dizer revolucion\u00e1ria. E eu como n\u00e3o tenho nenhum sinal de corrup\u00e7\u00e3o na minha vida e muito menos de subvers\u00e3o, eu acredito que a minha cassa\u00e7\u00e3o foi puramente pol\u00edtica, porque quando veio a segunda elei\u00e7\u00e3o minha, para deputado, j\u00e1 no per\u00edodo revolucion\u00e1rio, e eu j\u00e1 pelo MDB eu&#8230; na televis\u00e3o, eu observava realmente o governo, e eu usava o seguinte racioc\u00ednio: existiam partidos, ambos nascidos no rego da revolu\u00e7\u00e3o, e tanto do MDB como da Arena, s\u00e3o dois irm\u00e3os que n\u00e3o se querem, mas s\u00e3o filhos da mesma m\u00e3e, sa\u00eddos do mesmo ventre; da revolu\u00e7\u00e3o. Mas se bem eu raciocinava, se o MDB era o partido da Revolu\u00e7\u00e3o, a\u00ed n\u00e3o cabia fazer oposi\u00e7\u00e3o a esse governo. Foi o que eu fazia realmente na Assembleia e o fazia de maneira mais c\u00e1ustica poss\u00edvel, e que se prolongou tamb\u00e9m na campanha eleitoral, especialmente na televis\u00e3o, bastando afirmar que eu fui o \u00fanico candidato daquela \u00e9poca, que n\u00e3o tive o direito como os outros de chegar ao fim de qualquer pronunciamento meu na televis\u00e3o. Os tr\u00eas pronunciamentos que eu fui fazer na televis\u00e3o, a censura cortou o meu pronunciamento. Cortava abruptamente mesmo e ficava em branco, porque realmente eu atacava, vamos dizer, at\u00e9 profissionalmente, que eu era da oposi\u00e7\u00e3o, assim pensava o governo revolucion\u00e1rio. Isso em termos eleitorais me desfavoreceu tremendamente, porque basta eu dizer que a primeira vez que fui eleito deputado eu fui o \u00faltimo do meu partido, eu fui o deputado menos votado. Quando eu sa\u00ed de vereador de Fortaleza para o meu primeiro mandato de deputado, eu fui o deputado menos votado do meu partido, o ent\u00e3o PSD, e eu n\u00e3o t\u00ednha col\u00e9gios eleitorais, n\u00e3o tenho fam\u00edlia pol\u00edtica aqui no Cear\u00e1, ent\u00e3o, enfrentei sozinho e fui o \u00faltimo colocado, e nessa elei\u00e7\u00e3o, na segunda, eu fui o deputado mais votado em Fortaleza, e eu fui o segundo deputado mais votado no Estado. Basta lhe dizer que s\u00f3 Fortaleza dava para me eleger. E dos 142 munic\u00edpios, antigamente eram 142, agora \u00e9 141, at\u00e9 em Cococi, no Parambu, eu tive votos. Eu fui eleito em todos os munic\u00edpios cearenses. O \u00fanico munic\u00edpio que me deu menos votos foi Crato, mas me deu um voto. \u00c9 talvez consequ\u00eancia da televis\u00e3o. Ent\u00e3o, esse esp\u00edrito popular,, pelo menos eleitoralmente me valeu muito, me valeu eleitoralmente para me eleger e esse esp\u00edrito tamb\u00e9m chamado populista, tamb\u00e9m me valeu muito para me cassar. Epis\u00f3dios que para mim foram t\u00e3o positivos, t\u00e3o maravilhosos na minha vida pol\u00edtica como foi a pr\u00f3pria elei\u00e7\u00e3o, assim com uma vota\u00e7\u00e3o t\u00e3o magn\u00edfica, porque eu acredito que eu seria um frustrado na minha vida se eu n\u00e3o tivesse sido cassado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Justificaria esse seu modo de pensar?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, justifico sim, porque se eu entrei em oposi\u00e7\u00e3o ao processo revolucion\u00e1rio, se eu usava toda a minha ret\u00f3rica, todo o esfor\u00e7o se encontrava de reclamar aquilo que estava errado. E, ao verificar que tantos companheiros eram cassados, se aquilo n\u00e3o acontecesse comigo essa frustra\u00e7\u00e3o me viria num segundo, isso quer dizer que o que estou dizendo n\u00e3o est\u00e1 incomodando, e eu tenho a impress\u00e3o que at\u00e9 na vida comum, voc\u00ea querendo atacar algu\u00e9m, se a pessoa n\u00e3o est\u00e1 lhe ouvindo voc\u00ea deve se sentir frustrado, n\u00e3o \u00e9? Ent\u00e3o, o que eu falava realmente incomodava e o meu intuito era incomodar mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Em alguma \u00e9poca no futuro, estar\u00e1 entre os planos do senhor voltar \u00e0 pol\u00edtica, se houver oportunidade?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Olha, eu vou ser muito franco. Se ser deputado \u00e9 o que \u00e9 hoje um Deputado, pode me dar um mandato de gra\u00e7a que eu n\u00e3o volto. Agora, se a representa\u00e7\u00e3o parlamentar voltar a ser o que era no passado, isto \u00e9, a de permitir ao deputado o exerc\u00edcio do seu mandato, protestar contra o erro, defender as causas populares, profligar contra as injusti\u00e7as, a\u00ed eu troco tudo o que eu ganhei depois de cassado para ser Deputado de novo, volto a ser pobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, de onde surgiu a ideia de seu livro Pessedismo, reunindo discursos parlamentares?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, at\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es nem de escrever o livro, porque as atividades parlamentares realmente tomavam o tempo da gente, mas \u00e9 a tal coisa, todo homem, pelo menos um intelectual ou metido a isso, como \u00e9 o meu caso, todo homem quer ter um livro e plantar uma \u00e1rvore, n\u00e3o \u00e9? A \u00e1rvore eu j\u00e1 plantei, filhos j\u00e1 tive cinco e eu queria ter um livro. Ent\u00e3o, eu escrevi o livro reunindo os meus pronunciamentos pol\u00edticos como vereador, se bem que n\u00e3o seja um livro digno de participar de qualquer estante de Hist\u00f3ria, n\u00e3o, porque eram pronunciamentos de vereador. Eram apenas como se diz e eu posso afirmar, eram apenas resultados de emo\u00e7\u00f5es de quem come\u00e7ava na vida pol\u00edtica, muito ardor, muito pessedismo, e eu acredito que eu mesmo nem tenho mais, distribui, e eu mesmo nem tenho na minha estante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Por que o t\u00edtulo Pessedismo, ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Justamente porque eu era do PSD e eu sonhava para o meu PSD um partido cujos homens fizessem aquilo que eu estava fazendo, diante do erro: protestar; diante do acerto; aplaudir, por isso, pessedismo. Se bem que a gente examinando friamente o que hoje j\u00e1 se pode fazer, finalmente a gente verifica que \u00e9 muito dif\u00edcil isso dentro do PSD, que era um partido congenitamente, partido do governo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00c9 sabido que o professor J\u00e1der de Carvalho o convidou para ingressar no Di\u00e1rio do Povo, onde o senhor ficou por seis anos. O professor J\u00e1der de Carvalho \u00e9 reputado n\u00e3o s\u00f3 como intelectual, mas como um homem de coragem. O que o senhor nos diria, o que pensa sobre o professor J\u00e1der de Carvalho?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, o J\u00e1der, n\u00f3s \u00e9ramos alunos do Liceu, terceiro ano cient\u00edfico, isso em 1946, se n\u00e3o me engano. J\u00e1der de Carvalho, professor de Hist\u00f3ria, aquele que no Cear\u00e1 talvez, pela primeira vez, \u00e9.\u2026 aboliu aquele estudo de ent\u00e3o, da Hist\u00f3ria puramente cronol\u00f3gica em que o aluno tinha que decorar datas, mas n\u00e3o interpretava nenhum fato hist\u00f3rico. O J\u00e1der era justamente o oposto, de modo que foi um mestre, era um professor espetacular para todos n\u00f3s. Ele rompeu com o ent\u00e3o governador, desembargador Faustino de Albuquerque pela nomea\u00e7\u00e3o de um diretor no Liceu que parece n\u00e3o agradou ao J\u00e1der. Havia uma diferen\u00e7a qualquer entre o J\u00e1der e esse Diretor nomeado que era o professor Edmilson Pinheiro, hoje amigo meu e tal, mas o Edmilson Pinheiro foi criado na Alemanha, tinha aquela educa\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica. Ent\u00e3o, ele como diretor exercia o seu mister assim de uma forma muito autorit\u00e1ria, e o J\u00e1der que sempre fora um homem que lutava pelas liberdades e tal, e encampou aquela luta contra o governo devido \u00e0 sua nomea\u00e7\u00e3o. E, n\u00f3s, alunos do Liceu, tamb\u00e9m nos engajamos nessa luta, e quando ele resolveu ampliar essa campanha contra o governo, n\u00e3o apenas dentro do Liceu, mas tamb\u00e9m publicamente, ele ent\u00e3o resolveu fundar o jornal o Di\u00e1rio do Povo, e escolheu para seus alunos, ou melhor, escolheu para seus redatores e rep\u00f3rteres aqueles que ele considerava os seus melhores alunos de Hist\u00f3ria. \u00c9 da\u00ed ent\u00e3o, que vem os nomes de Dorian Sampaio, que \u00e9 o meu caso, L\u00facio Lima, Olavo Sampaio, Aquiles Peres Mota, o atual l\u00edder do governo, Eduardo Lincoln, o Ed. Lincoln que hoje toca \u00f3rg\u00e3o e \u00e9 compositor no Rio de Janeiro, e tamb\u00e9m come\u00e7ou como jornalista. \u00c9 o que eu me recordo no momento. Pois bem, era um jornal vibrante, bastando dizer que o primeiro n\u00famero dele foi empastelado. O primeiro n\u00famero do jornal quando a pol\u00edcia entrou, quebrou o jornal todinho a mandado do Sr. Valmique Sampaio de Albuquerque, ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o e filho do governador Faustino de Albuquerque. E o Valmique dez isso, dizem por que chegou aos ouvidos dele, o Valmique, de que o artigo de lan\u00e7amento do Di\u00e1rio do Povo, atacava a sua honorabilidade, o que n\u00e3o realmente, n\u00e3o aconteceu. O artigo chamava-se at\u00e9 Presentes, lembro bem que o artigo falava sobre todos os desmandos de ent\u00e3o e terminava assim: \u201cO povo clama por n\u00f3s e a nossa resposta foi esta: presentes\u201d. Que era o t\u00edtulo do artigo, ent\u00e3o o jornal foi empastelado, quebrado, foi gente presa, era tirado a essa \u00e9poca na reda\u00e7\u00e3o do Estado, n\u00f3s do jornal O Estado, ali na rua Senador Pompeu, fomos presos, ent\u00e3o, o J\u00e1der requereu \u201cHabeas Corpus\u201d para todos os jornalistas. Era chefe de Pol\u00edcia a essa \u00e9poca o major Humberto Moura, de Acara\u00fa, depois tendo sido Deputado Federal pelo Cear\u00e1, e 15 dias depois o jornal sa\u00eda, o Di\u00e1rio do Povo. Ent\u00e3o, eu sou um homem que participei dos acontecimentos com o J\u00e1der de Carvalho durante anos seguidos. Eu pertenci o Di\u00e1rio do Povo desde o seu primeiro dia at\u00e9 o governo de Raul Barbosa, quando ent\u00e3o, as minhas atribula\u00e7\u00f5es como Oficial de Gabinete na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me permitiram mais o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o. Mas, durante esses anos sofremos muito, fomos presos, o jornal foi empastelado, \u00e9ramos assediados de toda forma e isso criou dificuldades muito grandes, mas eu posso assegurar que foi um dos per\u00edodos mais bonitos da vida da imprensa do Cear\u00e1 e da minha pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O Senhor decididamente gosta de oposi\u00e7\u00e3o. Dr. Dorian, o senhor pensaria ent\u00e3o que o governo do Dr. Faustino de Albuquerque teria sido ou poderia ser chamado um governo, um per\u00edodo de for\u00e7a?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. N\u00e3o vamos chegar tamb\u00e9m a tanto. Apenas o meu depoimento \u00e9 esse: que foi o governador mais forte que o Cear\u00e1 teve at\u00e9 hoje, do ponto de vista pessoal. Aquela rara capacidade encontrada nos homens que enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o, digamos na express\u00e3o da mocidade, \u201cn\u00e3o abrir nem para o trem\u201d. O governador Faustino era um homem duro, era mesmo, era desses que quando decidia uma coisa podiam vir os amigos mais diletos, partido, seus velhos colegas de tribunal, que ele n\u00e3o arredava o p\u00e9 e ia at\u00e9 o fim. Para aquela \u00e9poca de redemocratiza\u00e7\u00e3o aquilo era como que um corpo estranho na sociedade de ent\u00e3o, porque \u00e9 preciso ver que desde 45, a mocidade que fora freada desde o Estado Novo, ela vinha com \u00e2nsias de liberdade, mas o desembargador Faustino era um homem j\u00e1 velho, era j\u00e1 um septuagen\u00e1rio. Ent\u00e3o, foi um homem arraigado \u00e0queles princ\u00edpios do Estado Novo, se bem que desembargador, mas de qualquer forma, que teve a sua forma\u00e7\u00e3o toda no Estado Novo e que vai ent\u00e3o governar o Estado num per\u00edodo de efervesc\u00eancia, como foi o ano de 1945, de redemocratiza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, ele era um camarada, um governador que tinha obriga\u00e7\u00e3o de aceitar aquela situa\u00e7\u00e3o de \u00e2nsias de liberdade do momento, mas que o seu temperamento n\u00e3o permitia, ent\u00e3o, ele foi deslocado, e tanto que ele rompeu&#8230; O pr\u00f3prio partido j\u00e1 n\u00e3o lhe dava mais nem cobertura na assembleia&#8230; J\u00e1 no fim do governo dele, e a consequ\u00eancia que houve foi na sucess\u00e3o dele, que o candidato foi o Sr. Edgar Arruda, um homem de bem, pela UDN, e o Sr. Raul Barbosa pelo PSD. Este venceu numa margem de votos fora do comum na Hist\u00f3ria Pol\u00edtica do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O Senhor o classificaria ent\u00e3o, como um homem intransigente, fora do seu tempo? E a atua\u00e7\u00e3o do Dr. Valmique que n\u00e3o seria ent\u00e3o um homem septuagen\u00e1rio. E ent\u00e3o que paralelos o senhor faria entre o governo do Dr. Menezes Pimentel, que foi uma \u00e9poca tamb\u00e9m de pouca liberdade, e o governo do Dr. Faustino, considerando as \u00e9pocas diversas, hist\u00f3ricas, que o senhor inclusive terminou de mencionar e classificar a segunda, por exemplo, a parte da redemocratiza\u00e7\u00e3o, a \u00e2nsia da sociedade em ter um per\u00edodo onde ela pudesse de fato gozar de maiores direitos, maiores privil\u00e9gios?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o&#8230; O que h\u00e1 \u00e9 o seguinte. Com a redemocratiza\u00e7\u00e3o, o desembargador Faustino de Albuquerque foi eleito justamente porque pretensamente ele encarnava essa redemocratiza\u00e7\u00e3o. Todos os candidatos da UDN de ent\u00e3o, encarnavam essa redemocratiza\u00e7\u00e3o, mas, ele n\u00e3o soube se comportar no exerc\u00edcio do seu mandato de governador, como um homem representante desse per\u00edodo libert\u00e1rio, vamos dizer, de desenfreio. Agora, quanto ao seu filho Valmique Sampaio de Albuquerque, a\u00ed vamos, era um problema mais temperamental, tanto que j\u00e1 passados uns anos o Sr. Valmique de Albuquerque at\u00e9 \u00e9 um homem doente sob o aspecto psicol\u00f3gico, mental, terminou a vida n\u00e3o foi nos par\u00e2metros da moralidade sanit\u00e1ria, lamentavelmente. Ent\u00e3o, \u00e9 um rapaz sa\u00eddo, criado por um homem dessa estirpe do Sr. Faustino de Albuquerque, acredita-se que ele embora jovem, mas sem nenhuma vincula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque o Valmique n\u00e3o tinha nenhuma vincula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ele era mais ent\u00e3o, Faustino de Albuquerque, era mais o pai, e como o pai realmente era um homem intransigente e forte nas suas decis\u00f5es e para suportar as rea\u00e7\u00f5es advindas dessas decis\u00f5es dele, o Sr. Valmique de Albuquerque era apenas um ap\u00eandice paralelo ao pai. E assim ent\u00e3o, praticou aquilo que eu chamo uma s\u00e9rie de desmandos, de persegui\u00e7\u00f5es, mesmo porque de qualquer forma como homem pol\u00edtico, ou como um homem jovem ele tinha muito mais articula\u00e7\u00e3o, muito mais di\u00e1logo com a classe pol\u00edtica da UDN, que vinha rancorosamente desejosa de vingan\u00e7a porque de qualquer maneira o pessoal da UDN, por outro lado, era um partido de baixo, foram quinze anos que a UDN se manteve de baixo, quando vence o Sr. Faustino de Albuquerque, ou seja, vence a UDN. \u00c9 l\u00f3gico que eles vinham com aquele esp\u00edrito de vingan\u00e7a, e como era mais dif\u00edcil um di\u00e1logo com o governador, eles dialogavam com o Valmique Sampaio de Albuquerque, ficou um impregnado daquela \u00e2nsia de vingan\u00e7a da UDN, t\u00e3o grande quanto a \u00e2nsia de liberta\u00e7\u00e3o que dominava toda a mocidade de ent\u00e3o. Ent\u00e3o, aproveitou-se isso e o Valmique Sampaio de Albuquerque, filho do governador, \u00e9 que era o intermedi\u00e1rio, era quem fazia a intermedia\u00e7\u00e3o desse esp\u00edrito de vingan\u00e7a. A\u00ed ent\u00e3o \u00e9 que como havia esse choque dessa mocidade que queria um Brasil diferente realmente em tudo, e o Sr. Faustino de Albuquerque, apesar de viver um regime de redemocratiza\u00e7\u00e3o, mas t\u00e3o autorit\u00e1rio quanto um ditador, criou-se o choque e a consequ\u00eancia foi a UDN perder a elei\u00e7\u00e3o com a ascens\u00e3o do Sr. Raul Barbosa para o governo. Bom, quanto ao Dr. Francisco Menezes Pimentel, sinceramente eu n\u00e3o posso dar uma opini\u00e3o porque j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 da minha faixa, eu j\u00e1 sou daquela turma de 45, eu tinha meus dezoito anos de idade, quer dizer, foi quando eu com dezoito para vinte anos, quer dizer, eu estava no tempo do interventor Menezes Pimentel eu era um garoto, mas apenas guardo a imagem mais simp\u00e1tica do que do Faustino, porque de qualquer maneira, era um homem que vivia numa ditadura, mas que n\u00e3o era autorit\u00e1rio, pelo contr\u00e1rio, ele era um fino educador, participava de reuni\u00f5es, agora, era um homem que durante toda a vida foi um homem fechado, um homem que n\u00e3o era de f\u00e1cil comunica\u00e7\u00e3o, mas eu simplesmente n\u00e3o posso fazer nenhum depoimento sobre o governo dele porque j\u00e1 n\u00e3o vivi aqueles momentos e \u00e9 porque voc\u00eas est\u00e3o me entrevistando um pouquinho mais velho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ah! Voc\u00ea \u00e9 jovem, n\u00e3o \u00e9! E as raz\u00f5es da Efemeridade do Cear\u00e1, Jornal que o senhor fundou ao tempo do governo Paulo Sarasate? E sobre o governo Paulo Sarasate o senhor nos diria alguma coisa?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sarasate, j\u00e1 h\u00e1 aquele epis\u00f3dio da elei\u00e7\u00e3o contestada pelo pr\u00f3prio advers\u00e1rio, hoje ministro Armando Falc\u00e3o. Mas era um homem da UDN, tinha um jornal na m\u00e3o, tinha como fazer opini\u00e3o p\u00fablica e n\u00e3o tinha oposi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o PSD, bom o meu PSD, sempre foi partido de governo porque o PSD \u00e9 partido do Di\u00e1rio Oficial. Ent\u00e3o, o Sarasate n\u00e3o contava com uma oposi\u00e7\u00e3o digna do nome. Eu ent\u00e3o resolvi fundar um jornal, j\u00e1 que n\u00e3o tinha nenhum jornal em Fortaleza, que fizesse oposi\u00e7\u00e3o a Paulo Sarasate, nenhum a essa \u00e9poca, todos os jornais eram do governo. Ent\u00e3o, eu fundei o Seman\u00e1rio Cear\u00e1 Jornal, em que eu era o rep\u00f3rter, era o redator, era o revisor, era o paginador, e foi o primeiro jornal colorido do Cear\u00e1, diga-se. Esse jornal durou uns tr\u00eas meses apenas, eu n\u00e3o tive condi\u00e7\u00f5es porque houve um compl\u00f4 contra o jornal, porque o comerciante que desse an\u00fancio no jornal iria se haver com os fiscais da fazenda. De modo que eu aguentei parece que uns tr\u00eas meses ainda. Mas consegui de qualquer maneira mostrar que o partido precisava ter um jornal, e isso redundou que futuramente, parece que salvo engano, era O Estado, foi adquirido. A\u00ed o PSD continuou a marcha iniciada pelo seu velho e querido Cear\u00e1 Jornal, de saudosa mem\u00f3ria. Mais uma vez \u00e9 o esp\u00edrito oposicionista do entrevistado e que fez o Cear\u00e1 Jornal, nada mais que isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Dr. Dorian, mais detalhes sobre o compl\u00f4?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, generalizando, apenas o seguinte. O jornal era feito por an\u00fancios. \u00c9 sabido que a imprensa, ontem como hoje, 70% \u00e9 de publicidade de governo, e s\u00f3 30%, de com\u00e9rcio. Do governo eu n\u00e3o podia tirar porque eu estava fazendo oposi\u00e7\u00e3o a esse pr\u00f3prio governo, e do com\u00e9rcio, h\u00e1 as dificuldades que tamb\u00e9m se temiam que isso custasse a eles uma fiscaliza\u00e7\u00e3o mais rigorosa por parte da Fazenda, pois que a essa \u00e9poca era muito comum fazer oposi\u00e7\u00e3o, porque podia realmente. Ent\u00e3o, os an\u00fancios come\u00e7aram a escassear, at\u00e9 que finalmente, n\u00e3o digo que ia entrar em fal\u00eancia porque n\u00e3o tinha nunca o que entrasse em fal\u00eancia, mas n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es de pagar as oficinas em que o jornal era tirado, no jornal A Fortaleza, do Padre Arimat\u00e9ia Diniz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o ressurgimento do Anu\u00e1rio do Cear\u00e1? Esta ideia surgiu do Sr. Lustosa da Costa ou dos dois conjuntamente?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Bom, essa do Anu\u00e1rio \u00e9 uma hist\u00f3ria, eu n\u00e3o vou dizer longa, mas \u00e9 interessante. Quando o Valdery Uch\u00f4a morreu, quando o Valdery era vivo, vamos dizer, eu dirigia as oficinas do Jornal A Fortaleza, onde o Anu\u00e1rio do Valdery era tirado, e l\u00e1 eu ajudava muito o Valdery, vamos dizer, amadoristicamente. Eu fazia a revis\u00e3o na hora que ele estava muito cansado, eu redigia muita coisa para o Anu\u00e1rio, porque, diga-se, o Valdery era eu considero um fen\u00f4meno, porque o Anu\u00e1rio era feito sozinho por ele, n\u00e3o tinha equipe nenhuma. Ent\u00e3o, ele estava muito cansado, chegava l\u00e1 e eu escrevia e tal. Mas eu participei de qualquer maneira e fiquei querendo bem ao Anu\u00e1rio. Quando ele morreu, eu procurei o filho de Valdery Uch\u00f4a e a vi\u00fava de Valdery Uch\u00f4a. A\u00ed eu vi que aquilo era obra que n\u00e3o podia morrer que eu devia dar continuidade para n\u00f3s, n\u00e3o encontrei nenhuma receptividade. Depois ent\u00e3o, andei propondo a v\u00e1rias pessoas, a v\u00e1rios industriais que f\u00f4ssemos tirando o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, mas ningu\u00e9m acreditava no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1. Da\u00ed ent\u00e3o eu chamei, eu passei a trabalhar no grupo Credimus, tentei interessar Valter Ari e Helano de Paula, que eu n\u00e3o tinha dinheiro para sustenta\u00e7\u00e3o financeira, eles n\u00e3o acreditavam no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1. Ent\u00e3o, eu falei com o Jo\u00e3o Soares Neto, falamos sobre o assunto, n\u00e3o era nem mais propondo tirar o Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, era eu fazendo as minhas queixas amargas, por conta da minha ideia n\u00e3o ter nenhuma receptividade. O Jo\u00e3o Soares Neto, hoje diretor da Planostec do Brasil, o Jo\u00e3o ent\u00e3o disse: \u201cDorian, fa\u00e7a uma proposta escrita desse Anu\u00e1rio, fa\u00e7a um relat\u00f3rio sobre o que voc\u00ea pensa do Anu\u00e1rio\u201d. E eu disse: \u201cBom, Jo\u00e3o, eu lhe digo sinceramente, eu n\u00e3o fa\u00e7o pelo motivo simples: porque j\u00e1 \u00e9 a oitava vez, voc\u00ea \u00e9 a nona pessoa que \u00e9 requerido para isso. Agora, eu posso fazer um relat\u00f3rio da maneira seguinte: voc\u00ea me paga pelo relat\u00f3rio, se voc\u00ea quiser tirar, tira; se n\u00e3o quiser&#8230; eu n\u00e3o fa\u00e7o mais \u00e9 de gra\u00e7a. Ent\u00e3o, recordo que ele disp\u00f4s de dois mil cruzeiros pelo relat\u00f3rio e eu ent\u00e3o, passei uns quinze dias vendo pre\u00e7os, estruturando a obra fiz um trabalho, mod\u00e9stia \u00e0 parte, bem feito. Entreguei o trabalho, recebi meus dois mil cruzeiros e fui para casa. Dez dias depois voltei para saber qual era o resultado. Ent\u00e3o, a express\u00e3o dele: \u201cDorian, o trabalho est\u00e1 magn\u00edfico, agora, n\u00e3o \u00e9 obra para uma empresa como a minha, agora, acredito que \u00e9 uma obra que se pode fazer\u201d. A\u00ed ele ficou com o meu trabalho, e eu me entusiasmei pelo meu pr\u00f3prio trabalho, achei que era vi\u00e1vel. Chamei o Lustosa, meu velho companheiro de jornalismo, expus as ideias a ele, ele n\u00e3o aceitou, encarava a coisa como uma revista e revista no Cear\u00e1 nunca deu certo. Mas, finalmente, embarcamos sem nenhum tost\u00e3o no bolso, sem empresa, sem nada. Mas depois formamos a nossa empresa e o Anu\u00e1rio est\u00e1 a\u00ed, est\u00e1 a\u00ed e estar\u00e1 atrav\u00e9s dos anos, porque acredito que ningu\u00e9m mais deixar\u00e1 de publicar o Anu\u00e1rio mesmo que eu encerre o assunto em qualquer \u00e9poca, outros dever\u00e3o continuar. \u00c9 a obra que, acredito que do ponto de vista hist\u00f3rico ela ter\u00e1 um valor diretamente proporcional ao n\u00famero de anos decorridos. Hoje por exemplo, aqui na minha biblioteca eu abro um Anu\u00e1rio de 1916, eu abro Anu\u00e1rio de 1896, Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, e vejo que riqueza de documenta\u00e7\u00e3o que existe ali, que maravilha, voc\u00eas, por exemplo, que est\u00e3o fazendo na Universidade um levantamento sobre as secas, ent\u00e3o, se a gente pegar as secas desde mil e oitocentos e pouco no Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, retratado ali atrav\u00e9s das mensagens dos governantes, saber os pre\u00e7os da \u00e9poca, saber os governantes, os pr\u00e9dios existentes, quer dizer, \u00e9 um saber hist\u00f3rico, uma contemporaneidade que adentra o futuro e que prestar\u00e1 servi\u00e7os. Se hoje presta o servi\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o aos que pretendem informa\u00e7\u00f5es sobre o Cear\u00e1 de hoje, eu acredito que daqui a 50 ou 100 anos essa \u00e9poca ter\u00e1 um valor muito maior. O Anu\u00e1rio nasceu, nasceu assim e \u00e9 meu filho querido, dileto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O Dorian Sampaio de tantas habilidades, odont\u00f3logo, professor, pol\u00edtico, intelectual, jornalista, s\u00e3o de fato uma pessoa s\u00f3?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">\u00c9 uma pergunta assim meio dif\u00edcil de eu responder. Eu tive uma amante que dizia o seguinte: \u201cDorian s\u00e3o v\u00e1rios homens num s\u00f3\u201d. E dizia assim para as amigas dela: \u201cNo dia que eu quero uma crian\u00e7a no colo, eu tenho o Dorian, no dia que eu quero um pai, eu tenho o Dorian\u201d. Ent\u00e3o, se esse julgamento \u00e9 verdadeiro, e ningu\u00e9m melhor do que as mulheres para fazer isso, eu acredito que eu sou v\u00e1rios homens. Sou um odont\u00f3logo, sou um pol\u00edtico e sou o seu admirador tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, j\u00e1 que o senhor se referiu a\u00ed \u00e0 quest\u00e3o das secas, como jornalista e pol\u00edtico com \u00e9 que o senhor colocaria, como \u00e9 que o senhor v\u00ea dentro de sua viv\u00eancia t\u00e3o profunda o problema das secas no Cear\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu n\u00e3o acredito em seca no Cear\u00e1. O que h\u00e1 ou o que houve, foi desgoverno. Ainda hoje, por exemplo, est\u00e3o falando nessa data de 1976 em seca no Cear\u00e1. N\u00e3o houve seca no Cear\u00e1, o que h\u00e1 \u00e9 uma aus\u00eancia de tecnologia na programa\u00e7\u00e3o das nossas investidas em favor da nossa economia, bastando dizer o seguinte, isso pode consultar os t\u00e9cnicos, eu n\u00e3o sou t\u00e9cnico, mas como rep\u00f3rter que eu sou, de economia, eu tenho que est\u00e1 ouvindo a todos. As pessoas que acreditaram no inverno no Cear\u00e1, ou seja, que plantaram cedo, n\u00e3o plantaram uma espiga de milho e nem uma vagem de feij\u00e3o, aqueles que n\u00e3o acreditaram no inverno e que retardaram o seu plantio, esses perderam tudo. Segundo: as frentes de servi\u00e7o existem hoje no Cear\u00e1, as seis frentes de servi\u00e7o, e os senhores podem consultar os pr\u00f3prios elementos do governo, existem, t\u00eam homens trabalhando porque o Cear\u00e1 \u00e9 uma terra de homens desempregados. Se eles n\u00e3o t\u00eam emprego nesse per\u00edodo de ver\u00e3o, em nenhuma \u00e9poca tem, a\u00ed aparece o governo com a frente de servi\u00e7o para fazer ocupa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra com o Estado, pagando 15 ou 20 cruzeiros por dia, junta gente para trabalhar, para ganhar seu dinheirinho. Em qualquer \u00e9poca \u00e9 assim ent\u00e3o o que h\u00e1 \u00e9 apenas uma falta de previs\u00e3o, n\u00e3o tem ainda uma tecnologia para saber se realmente vamos ter condi\u00e7\u00f5es de inverno ou n\u00e3o. Mas, pode-se indagar no Cear\u00e1 que se houvesse seca n\u00e3o t\u00ednhamos algod\u00e3o. N\u00f3s vamos ter uma safra de algod\u00e3o exatamente igual a do ano anterior. Feij\u00e3o realmente e milho para aqueles que plantaram como retardat\u00e1rios esses perderam. Mas, aqueles que plantaram na \u00e9poca e que acreditaram que ia haver inverno, ningu\u00e9m perdeu g\u00eanero aliment\u00edcio. Pois ent\u00e3o, a seca como em todos os tempos, \u00e9 mais uma falta de planejamento, mas tamb\u00e9m t\u00ednhamos o enfoque do DNOCS, mas toda vez que a seca aparece \u00e9 um Deus nos acuda.<\/p>\n<p>Creio que por hoje eu j\u00e1 falei demais e se voc\u00eas n\u00e3o se importam, vamos marcar mais uma sess\u00e3o de entrevista para o Programa de voc\u00eas, conforme combinamos, vamos falar do pouco que eu sei sobre esta tem\u00e1tica, mais coo um jornalista do que como pol\u00edtico .Pode ser?<\/p>\n<p>L.F &#8211; Como n\u00e3o, Dr. D\u00f3ria. Foi uma preciosidade esta nossa conversa gravada. Ficamos felizes com os dados que colhemos. Tudo muito bem de acordo com a nossa proposta de tratar sobre Seca, Pol\u00edtica e Cultura no Ceara.<\/p>\n<p>Voltaremos em breve para uma 2\u00aa. Sess\u00e3o. Muito obrigada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"4\" width=\"566\">Foeraleza, 23 de Julho de 1976<\/p>\n<p>Segunda sess\u00e3o de entrevista com o Dr.. DORIAN SAMPAIO. Conv\u00eanio da Universidade Federal do Cear\u00e1 com o ARQUIVO NACIONAL, Programa de Hist\u00f3ria Oral. LUCIARA SILVEIRA DE ARAG\u00c3O E FROTA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Conforme eu havia dito na outra fita, esse problema da chamada seca no Cear\u00e1, eu cheguei a afirmar mesmo que n\u00e3o h\u00e1 seca no Cear\u00e1, n\u00e3o quero dizer com isso que chove sempre no Cear\u00e1. A seca que \u00e9 grave no seu aspecto social, tal como ela se apresenta, \u00e9 devida mais a uma import\u00e2ncia governamental do que mesmo um des\u00edgnio da pr\u00f3pria natureza. Digamos o DNOCS que \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o criado para o combate a essa situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a cada ano que passa em que faltam as chuvas, esse DNOCS nunca est\u00e1 preparado para resolver o problema. Repete os mesmos erros de sempre. Ent\u00e3o, eu indago, ao inv\u00e9s de se colocar, digamos o homem para construir uma estrada que nem sempre \u00e9 terminada, n\u00e3o seria mais interessante o governo, atrav\u00e9s do estabelecimento de cr\u00e9dito farto ao dono da terra, fixasse esse homem, vamos exemplificar, eu sou fazendeiro, tenho a minha propriedade e tenho os meus moradores, vem a seca, eu n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es normais de aguentar todos esses moradores na minha fazenda. Mas, se o governo me concedesse cr\u00e9dito para, digamos eu construir o meu a\u00e7ude, eu ligar a minha fazenda \u00e0 sede do munic\u00edpio, ou eu ligar a minha fazenda ao centro consumidor, ou ent\u00e3o construir a minha fazenda, enfim para eu poder realizar obra nesse per\u00edodo de seca, eu fixaria os meus moradores na minha fazenda e construiria o meu a\u00e7ude que iria pagar ap\u00f3s os tempos melhores. Mas, o governo o que \u00e9 que faz? N\u00e3o assiste a esse fazendeiro, o fazendeiro n\u00e3o pode suportar a carga dos seus moradores ent\u00e3o, dispensa-os, eles ent\u00e3o se v\u00e3o&#8230; V\u00e3o plantar o que? A\u00ed l\u00e1 adiante tem uma estrada sendo feita, em que o governo est\u00e1 pagando uma di\u00e1ria que ele n\u00e3o encontra em canto nenhum. Ent\u00e3o, esse homem se desloca para l\u00e1 para receber uma ajuda puramente governamental. Al\u00e9m do que mesmo aqueles fazendeiros que poderiam suportar, porque h\u00e1 casos em que eles aceitam mesmo, aceitam&#8230; Suportam, mas logicamente que ao inv\u00e9s de pagar quinze cruzeiros, paga dez. Mas, se o governo ali adiante est\u00e1 pagando quinze, eles saem da fazenda e v\u00e3o ganhar os quinze cruzeiros dele. Ent\u00e3o, no meu entender \u00e9 mais um problema de governo, a seca nesse aspecto que ele toma. Foi assim no passado e, lamentavelmente, est\u00e1 sendo assim no presente. Agora mesmo, podem perguntar na intimidade, oficialmente eu acredito que eles n\u00e3o diriam isso, mas intimamente podem perguntar. Entraram com seis mil homens trabalhando, eles est\u00e3o hoje com 2600 homens trabalhando. \u00c9 porque \u00e9 o emprego que tem. Mas se n\u00e3o existisse esse emprego, se ele estivesse favorecendo ao propriet\u00e1rio da terra, o caboclo estaria l\u00e1 trabalhando. \u00c9 mera quest\u00e3o de melhor ordenado, arranjou um sal\u00e1rio mais alto, ent\u00e3o vai. A\u00ed h\u00e1 esse problema social todo, problema sanit\u00e1rio, problema econ\u00f4mico e toda essa s\u00e9rie quase intermin\u00e1vel de problemas advindos de um fen\u00f4meno que poderia ser evitado se outra fosse a vis\u00e3o solucionadora por parte da entidade governamental. \u00c9 o meu ponto de vista, porque \u00e9 mesmo, isso j\u00e1 foi dito a\u00ed v\u00e1rias vezes no parlamento, jornal e tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o cr\u00e9dito agr\u00edcola com que o governo tem procurado assistir ao homem do campo, o senhor acha ent\u00e3o que deveria ser ampliado, feito de maneira diversa o pagamento facilitado, exigido menos exig\u00eancias, coisas assim?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma de que teria que haver modifica\u00e7\u00f5es. Esse cr\u00e9dito que se d\u00e1 para constru\u00e7\u00f5es de grandes obras, que fixassem os moradores nas respectivas propriedades, tinha que ser diferente do cr\u00e9dito normal que se d\u00e1, teria que haver um per\u00edodo de car\u00eancia, o juro teria sido mais baixo, mesmo que o governo futuramente perdoasse essas d\u00edvidas, estava fazendo melhor do que gastando rios de dinheiro na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, de estradas, com esse deslocamento em massa da popula\u00e7\u00e3o. Eu acredito que o fazendeiro, se fosse permitido, atrav\u00e9s de todas as secas que o Cear\u00e1 j\u00e1 teve que cada fazendeiro constru\u00edsse o seu a\u00e7ude, \u00e0 custa de verba e que nem pagasse depois, eu tenho a impress\u00e3o que seca n\u00e3o tinha mais porque quanto mais \u00e1gua esbarrada no Cear\u00e1, maiores condi\u00e7\u00f5es de ter mais chuva, porque quanto mais \u00e1gua se tem na terra, mais se tem no c\u00e9u, n\u00e3o \u00e9? Por causa da evapora\u00e7\u00e3o se, digamos, tivesse milhares e milhares de a\u00e7udes no Cear\u00e1, ele deixava de ser seco, \u00e9 porque haveria mais condi\u00e7\u00f5es de chuva, porque havendo evapora\u00e7\u00e3o mais o vapor d\u2019\u00e1gua para que ele voltasse a uma condi\u00e7\u00e3o l\u00edquida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o projeto de forma\u00e7\u00e3o de minif\u00fandios, o que o senhor pensa a respeito?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Luciara, eu n\u00e3o sou muito afeito a esses assuntos, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Qual a sua opini\u00e3o como jornalista?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sei apenas o seguinte: que n\u00e3o h\u00e1 no Cear\u00e1 e a\u00ed n\u00e3o \u00e9 teoria minha, n\u00e3o, mas a\u00ed \u00e9 um problema, n\u00e3o h\u00e1 no Cear\u00e1 o latif\u00fandio. Portanto, no Cear\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 latif\u00fandio. O n\u00famero de propriedades pequenas que h\u00e1 no Cear\u00e1 \u00e9 enorme. Latif\u00fandio propriamente no Cear\u00e1, eu n\u00e3o conhe\u00e7o. N\u00f3s estamos falando isso apenas por teoria. L\u00e1 para Pernambuco tem os seus latif\u00fandios, l\u00e1 pelos canaviais, mas aqui no Cear\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 latif\u00fandio. Porque mesmo estas vastas extens\u00f5es de terra sendo de um dono s\u00f3, na realidade, \u00e9 toda ela entregue ao pequeno propriet\u00e1rio, que transforma aquilo num minif\u00fandio. N\u00e3o existe o latif\u00fandio na sua verdadeira acep\u00e7\u00e3o do termo. Agora, se n\u00f3s considerarmos latif\u00fandio apenas a extens\u00e3o da terra, a\u00ed \u00e9 outra coisa, \u00e9 uma vis\u00e3o muito unilateral. Mas, eu entendo que latif\u00fandio al\u00e9m da extens\u00e3o de terra, exige outros fatores que o caracterizam, as rela\u00e7\u00f5es de trabalho existentes nessa propriedade. Eu posso ter&#8230; a metade do Cear\u00e1 ser minha, mas se ali eu planto, eu crio e pago aos meus empregados direitinho, ent\u00e3o, eu n\u00e3o sou um latifundi\u00e1rio, eu sou um empres\u00e1rio da terra. Agora, se eu montei essa vasta extens\u00e3o de terra com moradores com regime escravo de trabalho, quando eu entro com uma monocultura, a\u00ed tudo isso est\u00e1 caracterizado o latif\u00fandio o que realmente n\u00e3o existe em nosso Estado. E especialmente num Estado como o nosso de criat\u00f3rio, em que s\u00e3o vastas as extens\u00f5es de terra e que os pr\u00f3prios donos entregam aos moradores \u00e0 vontade, os seus quinh\u00f5es da terra para o plantio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Eu vou tentar de novo fazer uma rela\u00e7\u00e3o seca-pol\u00edtica, ou melhor, vou come\u00e7ar agora a tentar fazer. O que o senhor me diz sobre a elei\u00e7\u00e3o do Dr. Parsifal Barroso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seca de 58?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Est\u00e1vamos no governo Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Parsifal Barroso era Ministro do Trabalho. A sucess\u00e3o estadual se apresentava dif\u00edcil para o PSD, por um motivo muito simples: governo Sarasate e UDN, apresentando para suceder, o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora, candidato que realmente vinha trabalhando desde o in\u00edcio da sua carreira pol\u00edtica, com esse objetivo de ser governador do Cear\u00e1. Amparado pelo governo do Estado e o PSD ser, ter um candidato que fosse capaz de enfrentar o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. \u00c9 ent\u00e3o, lembrado o nome de Parsifal Barroso, a essa \u00e9poca n\u00e3o do PSD, egresso da PSD, de sa\u00edda do PSD junto com o sogro Chico Monte para fundar aqui no Cear\u00e1, ou engrossar aqui, as fileiras do Partido Trabalhista Brasileiro cujo chefe era o Sr. Jo\u00e3o Goulart.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Chico Monte era o sogro?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sogro, pai da D. Olga. Grande chefe pol\u00edtico de tradi\u00e7\u00e3o na Zona Norte. Ent\u00e3o, o PSD verificou que s\u00f3 havia uma condi\u00e7\u00e3o para enfrentar Virg\u00edlio T\u00e1vora: era lan\u00e7ar Parsifal Barroso, porque pegaria os votos tanto do PSD, da cidade, e seria, teria o respaldo daquela vota\u00e7\u00e3o interiorana representada pelos ent\u00e3o, coron\u00e9is do PSD, que eram realmente homens de muitos votos. Ent\u00e3o, \u00e9 lan\u00e7ada a candidatura do Sr. Parsifal Barroso, tendo como companheiro de chapa para vice-governador o representante do PSD de ent\u00e3o, na pessoa do Sr. Wilson Gon\u00e7alves, atual Senador. Ent\u00e3o, foi lan\u00e7ada a campanha Parsifal Barroso, candidato eu n\u00e3o tinha grandes recursos financeiros. O PSD tamb\u00e9m&#8230; O candidato dele tamb\u00e9m n\u00e3o tinha enfrentado um candidato hereditariamente rico, no caso o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. O Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora al\u00e9m de ber\u00e7o \u00e9 um homem rico. Herdou muito de sucessivas pessoas, e que estava realmente disposto a gastar como realmente gastou os tubos, naquela \u00e9poca, para se eleger governador. Sabia-se que seria dif\u00edcil o Parsifal Barroso, vencer a elei\u00e7\u00e3o, dadas as condi\u00e7\u00f5es apresentadas pelo candidato Virg\u00edlio T\u00e1vora. Mas eis que, em pleno 1958, se desenvolvia a chamada seca. Era diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, o engenheiro Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Paula Passos, filho do general Vico de Paula Pessoa, grande pecuarista aqui, dono do maior&#8230; O pecuarista que tinha o maior rebanho de gado do Cear\u00e1, gado vacum. Ent\u00e3o, vai-se combater a seca por aqueles processos de ent\u00e3o que pouca modifica\u00e7\u00e3o teve at\u00e9 hoje. Constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, constru\u00e7\u00e3o de estradas, em que junto a essas constru\u00e7\u00f5es, essas frentes de servi\u00e7o onde colocavam os barrac\u00f5es. Barrac\u00f5es eram as bodegas de ent\u00e3o. O chefe pol\u00edtico botava o barrac\u00e3o e o pagamento do oper\u00e1rio, do trabalho do oper\u00e1rio, era feito mediante vale para comprar o feij\u00e3o ou o arroz com que sustentava a ele, a mulher e os filhos. Compreenderam com \u00e9? Ent\u00e3o, isso favoreceu muito, em minha opini\u00e3o ao candidato Parsifal Barroso, porque o governo federal era do PSD, na pessoa do Presidente Juscelino Kubistchek de Oliveira.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, as verbas que eram canalizadas para essas frentes de servi\u00e7o para o estabelecimento desses barrac\u00f5es vinham atrav\u00e9s desse governo federal pessedista, que logicamente n\u00e3o ia entregar ao Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora da UDN. Para nomear o dono desses barrac\u00f5es, para nomear os feitores e para nomear os pr\u00f3prios empregados que iam trabalhar nessas frentes de servi\u00e7os, utilizava-se ent\u00e3o, o chamado processo das cadernetas. O empregado, o flagelado quando ia para frente de servi\u00e7o recebia uma caderneta de vale. E com aquela caderneta ela ia comprar no barrac\u00e3o os alimentos, roupas etc. Houve abusos, houve desonestidades, flagrantes, e \u00e9 bem poss\u00edvel, e quase certo, \u00e9 certo que, os pol\u00edticos ent\u00e3o, interioranos, faziam pol\u00edtica disso a\u00ed, n\u00e3o s\u00f3 aceitando oper\u00e1rios, admitindo novos empregados, como concedendo essas cadernetas e esses vales a eleitores, sem que eles tivessem obriga\u00e7\u00e3o de executar qualquer trabalho. Isso ent\u00e3o, eu acredito, favoreceu eu acredito, n\u00e3o, \u00e9 \u00f3bvio, que tenha favorecido o partido pol\u00edtico que tinha condi\u00e7\u00f5es de dar esses vales, de dar esses trabalhos, de dar esse dinheiro e o resultado foi que Parsifal Barroso conseguiu aquilo que ningu\u00e9m at\u00e9 ent\u00e3o esperava, que era derrotar o Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora nas urnas. Sa\u00eda eleito como governador do Estado, tendo ao seu lado, o Sr. Wilson Gon\u00e7alves, como vice-governador, foi uma vit\u00f3ria estrondosa em que inegavelmente a seca de 1958 favoreceu. N\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma disso, n\u00e3o. Se bem que, o Sr. Parsifal Barroso tivesse realmente qualidades excepcionais para o exerc\u00edcio do cargo, foi um governo bom, foi um algo a mais na pol\u00edtica, digo a voc\u00eas, eu assisti a sa\u00edda do Parsifal do Pal\u00e1cio quando ele terminou o governo. Foi a primeira vez que eu vi um governador do Cear\u00e1 sair, como se diz, nos bra\u00e7os do povo. Ele saiu com seu carro sendo empurrado pela massa. Foi a primeira vez que eu vi isso no Cear\u00e1. Geralmente, rei posto, rei esquecido, n\u00e3o \u00e9? Mas, ele n\u00e3o. Ele fez um governo que o povo ainda hoje, aplaude, eu acredito&#8230; Tamb\u00e9m aquela extrema bondade dele, aquela humidade, aquela comunicabilidade dele, tudo isso n\u00e3o deixa nada a desejar, mas que os pol\u00edticos realmente tiveram em 58 um grande aliado, n\u00e3o tenho d\u00favida nenhuma. Eu acredito que o Sr. Parsifal Barroso podia at\u00e9 ganhar, at\u00e9 no inverno. Mas, a seca, s\u00f3 favoreceu ao PSD, ao PTB, ao Sr. Parsifal Barroso. N\u00e3o favoreceu ao Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora. Isso ningu\u00e9m discute, ponto pac\u00edfico.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Que h\u00e1 de fato uma liga\u00e7\u00e3o entre a seca e a pol\u00edtica, quanto aos processos de elei\u00e7\u00e3o dos candidatos.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Ah! N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma. O exemplo mais frisante foi esse, porque a elei\u00e7\u00e3o se deu juntamente num per\u00edodo de seca. \u00c9 uma tese que dispensaria grandes esfor\u00e7os de demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>No \u00e2mbito estadual o governo do hoje Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora, foi tido como de planejamento. O senhor tomou conhecimento de alguma mudan\u00e7a no dispensado \u00e0s secas no Cear\u00e1? Porque durante o governo do Sr. Virg\u00edlio T\u00e1vora houve um repiquete de seca, sabe se dentro desse processo de planejamento governamental houve alguma medida espec\u00edfica para o problema? Uma liga\u00e7\u00e3o Governo do Estado\/SUDENE? Como um jornalista, teria alguma informa\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o especificamente assim, de combate \u00e0 seca. Sinceramente, como eu n\u00e3o vejo, n\u00e3o. A \u00fanica iniciativa governamental do Estado de combate \u00e0 seca foi a cria\u00e7\u00e3o da Funceme, n\u00e3o \u00e9? Mas isso foi posterior j\u00e1, salvo engano, no governo C\u00e9sar Cals. Mesmo porque eu n\u00e3o sei se com esse depoimento eu possa ofender ao meu pr\u00f3prio Estado n\u00e3o sei. Mas, os senhores que s\u00e3o historiadores, procurem saber, fala aqui apenas o rep\u00f3rter. Procurem saber se h\u00e1 momentos em que a seca para o Cear\u00e1 tem mesmo \u00e9 rendimentos, procurem saber isso. Se aquela fase da ind\u00fastria da seca&#8230; se a gente comparando assim o Cear\u00e1 com o inverno, o Cear\u00e1 com produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o, o Cear\u00e1 com produ\u00e7\u00e3o de milho e de feij\u00e3o e de banana etc. se vendendo aquilo tudo por um precinho muito bom, se n\u00e3o \u00e9 menos do que o dinheirinho que \u00e9 carreado para o Cear\u00e1 devido \u00e0 seca. N\u00e3o sei se eu me fiz claro. Parece que h\u00e1 momentos no Cear\u00e1 que era melhor seca a chamada seca. Porque pelo menos o inverno n\u00e3o \u00e9 federal. N\u00f3s acordamos o governo federal para n\u00f3s, ent\u00e3o, de modo que \u00e9 uma coisa que voc\u00eas deveriam tentar saber se h\u00e1 esses momentos&#8230; \u00c9 bom, principalmente quando se chama uma seca verde, quer dizer, suspendeu a chuva e tal. A\u00ed corre dinheiro, porque o governo central s\u00f3 manda dinheiro para o Cear\u00e1 mesmo, em momentos dif\u00edceis de seca. Agora mesmo, voc\u00eas veem que est\u00e1 chegando o dinheiro. Por qu\u00ea? Porque est\u00e3o falando na seca e eles t\u00eam que propagar que est\u00e1 seco mesmo, e tudo porque \u00e9 a forma que n\u00f3s temos de atrair capital do governo da Uni\u00e3o. Porque fora disso, \u00e9 muito dif\u00edcil vir assim, normalmente, dinheiro para o Cear\u00e1. A coisa \u00e9 mais para funcionar mais para S\u00e3o Paulo, para Minas, para o Paran\u00e1, para o Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E quanto a um sistema de verifica\u00e7\u00e3o do emprego dessas verbas o que o senhor diz?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">A coisa mais f\u00e1cil do mundo \u00e9 a gente comprovar emprego de verba, n\u00e3o \u00e9? Dizem o seguinte: que o dinheiro mal-empregado \u00e9 o dinheiro que a gente presta conta com mais cuidado. \u00c9 a minha opini\u00e3o. E \u00e0s vezes, a pessoa quando emprega o dinheiro bem direitinho dentro de toda a honestidade e tudo, a\u00ed \u00e9 preciso at\u00e9 que prestar conta \u00e0s vezes. Quando eu me recordo de um caso da fam\u00edlia minha, de uma heran\u00e7a, em que um dos irm\u00e3os ficou tomando conta do esp\u00f3lio, ficou administrando a fazenda, e na hora de prestar conta at\u00e9 os centavos apareciam. Comprei&#8230; eu dei de gorjeta setenta centavos ao fulano, eu gastei de gasolina quarenta e dois cruzeiros e noventa centavos, quer dizer, uma presta\u00e7\u00e3o de contas maravilhosa, mas nunca tinha na fam\u00edlia um camarada com mais voca\u00e7\u00e3o para gatuno do que esse, e prestava as contas direitinho. Ent\u00e3o, a boa presta\u00e7\u00e3o de contas n\u00e3o reflete a realidade de uma situa\u00e7\u00e3o, em minha opini\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O senhor teria alguma opini\u00e3o a respeito de como se detectaria o emprego dessas verbas, melhor dizendo, como se situaria esta realidade sempre fora do alcance do palp\u00e1vel?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Luciara, no Cear\u00e1 todo mundo \u00e9 pobre. Conta-se nos dedos das m\u00e3os, \u00e9 contar os homens que realmente n\u00e3o estejam precisando de dinheiro. Ent\u00e3o, digamos que o pequeno propriet\u00e1rio, o grande fazendeiro que tem, \u00e9 ut\u00f3pico. O grande fazendeiro s\u00f3 tem \u00e9 terra, mas tamb\u00e9m \u00e9 um homem t\u00e3o apertado quanto o caboclo. Esse dinheiro que fica circulando aqui dentro, esse dinheiro que vem da verba federal pra c\u00e1, ele de qualquer maneira, circula aqui dentro, de modo que voc\u00ea sabe como \u00e9 que fulano empregou, em termos oficiais \u00e9 fac\u00edlimo, \u00e9 a mesma hist\u00f3ria do Governo do estado d\u00e1 para um prefeito interiorano quatrocentos mil contos para construir uma unidade sanit\u00e1ria, por exemplo, um posto de sa\u00fade. Que ele pode comprovar que gastou aqueles quatrocentos mil contos, ele pode comprovar. Ele compra cinquenta milheiros de tijolo e o sujeito passa um recibo de sessenta, est\u00e1 comprovando, ningu\u00e9m pode dizer, \u201cvoc\u00ea n\u00e3o comprou isso, n\u00e3o\u201d. Est\u00e1 aqui o recibo. At\u00e9 o sujeito que vendeu o tijolo n\u00e3o pode dizer que n\u00e3o deu sessenta, pois est\u00e1 ali no recibo. Ent\u00e3o, comprovar, detectar ou impedir, isso sinceramente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Agora, a margem que fica acrescentada a qualquer emprego de verba, ou seja, qualquer evid\u00eancia de desonestidade e tudo \u00e9 uma margem assim, relativamente pequena, e mesmo essa parte \u00e9 empregada ali mesmo, ou seja, para comprar a propriedade do vizinho. O vizinho recebeu aquele dinheiro, est\u00e1 circulando aqui dentro o dinheiro, \u00e9 tanto que esse dinheiro n\u00e3o \u00e9 sinal de preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. Pode vir o dinheiro, roubem, mas o roubo fica aqui mesmo, entre n\u00f3s. Vai para seu bolso, para o meu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>O senhor tem indicativos das consequ\u00eancias das den\u00fancias feitas pelo Senador Virg\u00edlio T\u00e1vora quando aos desvios de verbas na \u00e9poca da seca? Alguma informa\u00e7\u00e3o a respeito?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Nenhuma, nem uma, e seria dific\u00edlimo comprovar. \u00c9 como eu disse tudo \u00e9 passado o recibo e n\u00e3o adianta a pessoa dizer: \u201cn\u00e3o, mas esse recibo \u00e9 falso\u201d. N\u00e3o, n\u00e3o existe recibo falso, est\u00e1 assinado. Eu me recordo que no governo Raul Barbosa, por exemplo, foi feito aqui um inqu\u00e9rito quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios rurais, por exemplo, e eu fiz parte dessa Comiss\u00e3o, e eu no momento senti o construtor chegar para mim e dizer: \u201cN\u00e3o, eu fiz o pr\u00e9dio por sessenta mil cruzeiros, mas eu passei o recibo de cento e oitenta. Agora, eu n\u00e3o posso dizer isso na Comiss\u00e3o, doutor, porque eu vou dizer que passei a m\u00e3o. N\u00e3o vou fazer isso, n\u00e3o posso que o cara me bota na cadeia, \u00e9 a velha hist\u00f3ria. T\u00e1 \u201crecibado\u201d, t\u00e1 provado. N\u00e3o tem outra alternativa. Voc\u00ea nunca me venha passar um recibo de cem cruzeiros, sem ter esse recibo pra depois dizer que passou recibo, porque voc\u00ea n\u00e3o pode, voc\u00ea vai pra cadeia, porque voc\u00ea assinou, deu o atestado que recebeu os cem cruzeiros e consequentemente vai pagar por isto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Como jornalista o senhor visitou alguma vez o interior \u00e0 \u00e9poca das secas, alguma frente se servi\u00e7o, viu de perto os problemas? <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o, eu vi problema pior. Sinceramente, foi o problema das cheias. Essas, eu realmente acompanhei, aquelas enchentes l\u00e1 no Aracati, na Zona Jaguaribana toda, essa eu acompanhei e acompanhei mesmo em toda a profundidade e extens\u00e3o. Essa eu conheci, a da seca sinceramente como eu nunca vi, n\u00e3o. Assim de perto, nunca participei, n\u00e3o. De cheia sim, que \u00e9 um problema \u00e0s vezes at\u00e9 pior do que o da seca, muito pior.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Situe ent\u00e3o o problema das cheias, porque me parece que se h\u00e1 desvio de verbas, o governo federal tamb\u00e9m nos assiste nas grandes enchentes. Talvez uma similaridade nesses aspectos&#8230;.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o, primeiro \u00e9 o seguinte: a cheia \u00e9 o inusitado, \u00e9 surpreendente. J\u00e1 a seca \u00e9 apenas uma conviv\u00eancia secular, a primeira coisa. Segundo, a cheia \u00e9 um per\u00edodo&#8230; N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o longo quanto o da seca. A cheia \u00e9 uma coisa que \u00e9 quinze dias, trinta dias, no m\u00e1ximo dois meses, em que as pessoas se deslocam da sua casa, completamente inundada, perde todos os seus m\u00f3veis, todos os seus pertences, muitas vezes ficam completamente inutilizadas, e elas v\u00e3o ent\u00e3o, para aqueles barracos, aquelas casas de lona que eu n\u00e3o sei como \u00e9 que eles chamam. Essas casas de lona que o ex\u00e9rcito oferece a todo mundo e tal. E ficam ali na maior promiscuidade e ociosos, porque o governo n\u00e3o vai dar frente de trabalho para um neg\u00f3cio de quinze dias, de trinta dias ou de dois meses. Ent\u00e3o, ficam milhares e milhares de pessoas \u00e0 margem dos rios, pode-se dizer, fica todo o teatro da desgra\u00e7a do lugar em que ele mora e na ociosidade total, sem trabalho, com epidemias prestes a se desencadearem. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 um problema muito pior do que o problema da seca, porque mesmo na seca ele vai pra frente de trabalho, mas na hora que ele quiser voltar pra casinha dele, ele encontra a casa dele. E no per\u00edodo de cheia, n\u00e3o. Ele perde tudo e o que \u00e9 pior, com cheia as verbas n\u00e3o v\u00eam, s\u00f3 prometem, mas n\u00e3o v\u00eam Ainda hoje est\u00e1 se esperando aux\u00edlio prometido pelo governo federal da cheia do Jaguaribe, verificada h\u00e1 tr\u00eas anos. Quer dizer, a ajuda \u00e9 feita mais, \u00e9 por n\u00f3s que damos o agasalho, que damos o sapato velho, que fazemos propaganda aqui, campanhas na cidade para mandar recursos para o pessoal. Comida que se manda, \u00e9 bolacha, \u00e9 feij\u00e3o, \u00e9 arroz, s\u00e3o assistentes sociais que v\u00e3o e tudo, porque \u00e9 uma coisa r\u00e1pida, mas de impacto eu tenho a impress\u00e3o de que \u00e9 muito pior do que a seca, a seca ela vem lentamente. O homem olha o sol e ao mesmo tempo vai se preparando, \u201cse daqui a tal dia n\u00e3o chover, eu vou embora\u201d. Ele est\u00e1 se preparando. E, a cheia, ele dorme na sua casa e acorda sem ela. Eu acho que&#8230; e al\u00e9m do mais n\u00f3s n\u00e3o estamos acostumados \u00e0quilo. Eu acho que para o homem que est\u00e1 no teatro de opera\u00e7\u00f5es como v\u00edtima, ele sofre muito mais \u00e9 na cheia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Entendo o seu ponto de vista. Presenciou o epis\u00f3dio do Or\u00f3s, a amea\u00e7a de arrombamento do Or\u00f3s, n\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Foi mesmo. Posso mesmo dizer, o epis\u00f3dio mais emocionante da minha vida. Eu, nesse tempo, eu dirigia a Gazeta de Not\u00edcias, ent\u00e3o, acompanhamos assim como plantonistas mesmo. E, Luciara, foi a primeira vez que eu vi assim&#8230; Homem chorando em torno de mim. Porque nessa \u00e9poca jornal era meio dif\u00edcil de fazer, n\u00e3o existia <em>\u201coff-set\u201d,<\/em> eram clich\u00eas .E ent\u00e3o n\u00f3s preparamos a manchete do jornal.. Arrombou&#8230;.porque n\u00f3s sabemos que era minutos&#8230; E todos os redatores, vinte e quatro horas de plant\u00e3o, n\u00f3s aguardando a hora para anunciar e tal, debaixo daquela tens\u00e3o nervosa tremenda, e finalmente quando o r\u00e1dio anuncia \u201cest\u00e1 arrombando, a \u00e1gua come\u00e7a a romper a parede e tal\u201d, e que a gente olha de lado assim pensando ou que estava chorando sozinho, tinha mais ou menos assim, uns dez ou mais redatores chorando em torno de mim. De modo que \u00e9 um tra\u00e7o altamente emocionante, inclusive, tem agora um rapaz, est\u00e1 ali na outra sala, o rapaz participou comigo e na mesma hora toda a imprensa foi mobilizada e as aten\u00e7\u00f5es e todo o Cear\u00e1 se concentraram nela, de modo que eu participei e participei mesmo com muita emo\u00e7\u00e3o e permanentemente todo o processo eu acompanhei.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Deve ter sido mesmo uma experi\u00eancia forte.Como redator do Anu\u00e1rio do Cear\u00e1, o senhor tem boas informa\u00e7\u00f5es sobre a seca de 58 ?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Desencadeada a seca ela foi oficialmente declarada no Cear\u00e1. O pr\u00f3prio ent\u00e3o diretor do DNOCS que era o Sr. Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Paula Pessoa, oficiou ao presidente da Rep\u00fablica, expondo toda a situa\u00e7\u00e3o quando aqui cidades como o Ic\u00f3, Iguatu, eram invadidas pelos flagelados. Ent\u00e3o, o DNOCS reservou inicialmente para o Cear\u00e1, para obras, para as frentes de servi\u00e7o, trinta milh\u00f5es naquela \u00e9poca, hoje eu n\u00e3o sei como se pode calcular em termos de dinheiro atual, mas naquela \u00e9poca eram trinta milh\u00f5es. A coisa come\u00e7ou mais ou menos j\u00e1 em mar\u00e7o para abril. Mal passamos 19 de mar\u00e7o, que \u00e9 a data limite, o dia de S\u00e3o Jos\u00e9, que \u00e9 a \u00faltima esperan\u00e7a,o dia D, n\u00e3o \u00e9? A turma toda \u00e0 espera por chuvas e a\u00ed o processo realmente se desencadeou. A Presid\u00eancia da Rep\u00fablica ent\u00e3o nomeou a chamada Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia \u00e0s V\u00edtimas da Seca. Aqui esteve o diretor do DNOCS acompanhado do Sr. Edmundo Regis Bittencourt, que era do DNER, tamb\u00e9m, salvo engano, diretor do Denerim que era xxxxx rurais, enfim, todos os \u00f3rg\u00e3os federais que exerciam o trabalho aqui no Cear\u00e1. Foram abertas nesta \u00e9poca, em todo o Nordeste, 145 frentes de trabalho, em que a maior parte ficou no Cear\u00e1. Essa Comiss\u00e3o de Assist\u00eancia \u00e0s V\u00edtimas da Seca era integrada pelo Ministro da Fazenda, de Trabalho, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio e o da Sa\u00fade. Eram as \u00e1reas justamente que eu assisti. Essa comiss\u00e3o era Central e cada estado tinha a Comiss\u00e3o Estadual. O governo fez o que p\u00f4de. Eu tenho dados que mostram que em 1958, o DNOCS pretendia aplicar aqui no Nordeste 564 milh\u00f5es a 100 mil cruzeiros, mas isso foi muito, al\u00e9m disso, porque al\u00e9m da seca tinha a elei\u00e7\u00e3o e outros gastos numa etapa posterior \u00e0 elei\u00e7\u00e3o. O DNER chegou a empregar 6000 flagelados nas frentes de constru\u00e7\u00f5es de estradas. O DNOCS, outro tanto na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes. Enfim, cada \u00f3rg\u00e3o, era Minist\u00e9rio da Agricultura, Minist\u00e9rio do Trabalho, cada Minist\u00e9rio utilizou um pouquinho. Posso dizer que a frequ\u00eancia m\u00e9dia de flagelados nessa frente, nessa \u00e9poca, de acordo com um documento que eu tenho aqui em m\u00e3o inclusive, essa frequ\u00eancia m\u00e9dia di\u00e1ria de flagelados nos meses de abril at\u00e9 dezembro foi num total geral de 8.578.173, a frequ\u00eancia. Mas, \u00e9 um somat\u00f3rio realizado a frequ\u00eancia foi em torno de duzentos e poucos mil homens. E voc\u00ea pode observar aqui nesse quadro uma coisa muito interessante. Quando se desencadeou a seca, logicamente que no come\u00e7o \u00e9 que poderia ter um maior n\u00famero de flagelados, mas voc\u00eas observem que aqui, em meio o Cear\u00e1 amparava 172 mil flagelados em n\u00fameros redondos, mas l\u00e1 pertinho da elei\u00e7\u00e3o de Outubro \u00e9 quando aumentou tremendamente para 281.916 flagelados. Pelo menos os n\u00fameros aqui mostram que com as elei\u00e7\u00f5es os flagelados foram colocados mais para as frentes de servi\u00e7o, houve mais atra\u00e7\u00e3o. \u00c9 um dado que a aritm\u00e9tica vem comprovar aquilo que n\u00f3s consideramos que naquele instante, de qualquer maneira, teve uma aflu\u00eancia maior de flagelados para as frentes de servi\u00e7o e sem querer fazer trocadilho uma influ\u00eancia tamb\u00e9m . Aflu\u00eancia e influ\u00eancia. Em 1958 mais do que n\u00f3s poder\u00edamos dizer \u00e9 que no Cear\u00e1 eu acredito, que a quase totalidade dele vivia debaixo da zona da seca, apenas porque hoje n\u00f3s somos 141 munic\u00edpios, apenas quatro n\u00e3o est\u00e3o na zona da seca. Apenas ali o Cariri que realmente n\u00e3o tem a seca talvez, mas realmente foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil. \u00c9 o que a mem\u00f3ria me permite dizer para voc\u00eas at\u00e9 o momento. \u00c9 isso. Espero que eu possa contribuir com alguma coisa, com alguma informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Que tentativas considera mais s\u00f3lidas, entre as tomadas pelos governos no \u00e2mbito estadual, federal, para minorar o problema das secas no Cear\u00e1?<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Uma das tentativas que nos fez esfor\u00e7o tem a FUNCEME no \u00e2mbito estadual, atrav\u00e9s do bombardeamento das nuvens para o fabrico artificial das chuvas. Tem de qualquer maneira era conjunto de irriga\u00e7\u00e3o do DNOCS que \u00e9 um passo bem adiantado. Essas s\u00e3o medidas realmente com algo de novo que se tem, o restante \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do que vem acontecendo desde D. Pedro II, \u00e9 as frentes de servi\u00e7o, flagelados nas estradas, oferta de emprego nesse per\u00edodo e tal, mas, de novo que a gente v\u00ea \u00e9 esse esfor\u00e7o do DNOCS para esse projeto de irriga\u00e7\u00e3o e no caso do estadual em si, a Funceme. Uma funda\u00e7\u00e3o porque se refere aos estudos e execu\u00e7\u00e3o de projetos de execu\u00e7\u00e3o artificial das chuvas, atrav\u00e9s do bombardeamento das nuvens. \u00c9 o que eu sei assim como rep\u00f3rter, que me parece assim mais positivo e novo em rela\u00e7\u00e3o ao combate \u00e0s secas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E como o v\u00ea a atua\u00e7\u00e3o da SUDENE e do BNB?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o tenha d\u00favida que o Banco do Nordeste e a SUDENE deram um panorama novo para o Nordeste. Agora, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seca s\u00f3 agora que est\u00e3o falando no Projeto Sertanejo, por parte da SUDENE mas n\u00e3o est\u00e1 executado ainda. Em termos de seca, ela n\u00e3o deu nenhuma contribui\u00e7\u00e3o nova. Tamb\u00e9m esvaziada, coitada, por t\u00e9cnicos e dinheiro, eu tenho a impress\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 ali que n\u00f3s vamos encontrar a solu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o, porque seca tem que ser o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, mesmo. Acho at\u00e9 inclusive, que ningu\u00e9m devia estudar o neg\u00f3cio, que devia concentrar o maior n\u00famero de verbas de dinheiro para o DNOCS porque o nome est\u00e1 dizendo, \u00e9 para isso. E a SUDENE seria mais o aspecto geral de Superintend\u00eancia dos trabalhos como o pr\u00f3prio nome est\u00e1 dizendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Por que o senhor considera a SUDENE esvaziada de t\u00e9cnicas, como disse h\u00e1 pouco, e de dinheiro?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Ah! Isso \u00e9 not\u00f3rio. A SUDENE hoje, ou melhor, j\u00e1 de alguns anos para c\u00e1, primeiro, teve os seus, os incentivos diminu\u00eddos, porque os primeiros incentivos se destinaram \u00e0 SUDENE e \u00e0 SUDAM, depois veio uma parte&#8230; Essa fatia dos incentivos foi como que picada, \u00e9 o picadinho dos incentivos. Passou a ter um percentual para os investimentos no setor do reflorestamento para melhorar o meio, e o fato \u00e9 que houve essa diminui\u00e7\u00e3o de verbas. Vinham incentivos fiscais, vinham do imposto de renda. E quanto aos t\u00e9cnicos, eles n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de pagar bem a esses t\u00e9cnicos e eles foram sendo absorvidos pela iniciativa privada. Hoje \u00e9 bem dif\u00edcil um t\u00e9cnico de gabarito realmente continuar na SUDENE, dado o ordenado baix\u00edssimo que ele recebe. Agora, isso \u00e9 pr\u00f3prio&#8230; O superintendente j\u00e1 disse que realmente ele encontra dificuldades na forma\u00e7\u00e3o de equipes porque elas foram realmente absorvidas por quem paga melhor, dado a iniciativa privada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>N\u00e3o teria tamb\u00e9m a SUDENE alijado do seu quadro de planejamento o chamado cientista social, para beneficiar somente os t\u00e9cnicos?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acredito que sim, porque se at\u00e9 os t\u00e9cnicos tamb\u00e9m sofreram decesso, quanto mais os chamados cientistas sociais para os quais o t\u00e9cnico periga em qualquer parte da SUDENE, inclusive, n\u00e3o se tem, n\u00e3o se olha com tanta simpatia para eles, Se at\u00e9 eles pr\u00f3prios se chocam, quanto mais os cientistas sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Como o senhor v\u00ea as medidas que o governador Adauto Bezerra vem tomando para contornar o problema da seca? Se eu n\u00e3o me engano, a Tribuna do Cear\u00e1, trata da suspens\u00e3o de uma caravana de estudantes que viria a Fortaleza prestar homenagem ao prefeito, ao governador?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu desconhe\u00e7o esse segundo aspecto da quest\u00e3o. Sei apenas que o governador faz o que pode. O governo do Estado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seca, n\u00e3o pode fazer muito, n\u00e3o. Porque o Estado em si em \u00e9pocas boas j\u00e1 tem dificuldade de manuten\u00e7\u00e3o, quanto mais num per\u00edodo assim, excepcional como \u00e9 o da seca. Mas, dentro do que ele pode fazer, eu estou vendo que a equipe est\u00e1 realizando o que pode. O que eu tenho a adiantar \u00e9 que, por exemplo, a SOSC, que \u00e9 uma Superintend\u00eancia de Obras do Estado do Cear\u00e1, aqui chefiada pelo engenheiro Luiz Gonzaga Marques, ele tomou conta de seis frentes de servi\u00e7os, se n\u00e3o me engano, est\u00e3o empregados 2.100 homens. E isso em termos de Estado j\u00e1 \u00e9 uma boa contribui\u00e7\u00e3o. Quer dizer, o nosso Estado n\u00e3o se ausentou do problema, realmente o que falta \u00e9 recursos para amplamente atender a esse problema. Efic\u00e1cia de Planos e Projetos tamb\u00e9m. N\u00e3o h\u00e1 nada de consist\u00eancia, acho ou que receba valoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Parece ent\u00e3o, que o aux\u00edlio vem em maior n\u00famero do governo federal&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">S\u00f3 o governo federal. Normalmente as verbas estaduais n\u00e3o s\u00e3o para problemas surpreendentes como esse, n\u00e3o. \u00c9 como eu disse: o Estado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de atender com verbas pr\u00f3prias a solu\u00e7\u00e3o de sua problem\u00e1tica j\u00e1 existente, quanto mais com problemas de seca. Tem que ser o governo federal mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, o prest\u00edgio do governador do Cear\u00e1, junto ao Presidente da Rep\u00fablica, seria correlato \u00e0 solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Como essas frentes de servi\u00e7o&#8230; A\u00ed j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma depend\u00eancia do governo, \u00e9, por exemplo, como eu disse que os \u00f3rg\u00e3os existentes para esse setor ainda n\u00e3o apresentaram algo de novo na solu\u00e7\u00e3o desse problema da seca. Ent\u00e3o, continuamos com frentes de servi\u00e7os, com abertura de estradas, com constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, e com esses aglomerados de flagelados e dando a eles uma di\u00e1ria pelo trabalho deles. Tudo o que j\u00e1 observamos e conhecemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E o peso pol\u00edtico do governador, n\u00e3o teria nenhuma influ\u00eancia nisso, n\u00e3o sensibilizaria os setores respons\u00e1veis diretamente por isso, ou uma amizade pessoal, o prest\u00edgio junto ao Presidente da Rep\u00fablica?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acredito que sim. Isso, vamos dizer, contribui para apresentar. Mas, o fato em si da seca emociona realmente e de qualquer maneira, uma amizade a mais junto \u00e0s altas esferas, \u00e9 \u00f3bvio que deve favorecer muito. Tanto que, pelo que se l\u00ea nos jornais e tudo, as verbas realmente est\u00e3o chegando, n\u00e3o est\u00e3o deixando de pagar os flagelados, n\u00e3o. O dinheiro vem. Eu acredito que sim. Mudar os destinos do Estado \u00e9 que \u00e9 outra conversa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Ent\u00e3o, seria o caso do governador Adauto?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o chego a tanto, n\u00e3o. \u00c9 uma decorr\u00eancia natural, porque nunca faltou dinheiro assim, para se pagar o flagelado, n\u00e3o. N\u00e3o acho que haja necessidade de tanto prest\u00edgio no governo federal para consecu\u00e7\u00e3o dessas verbas de emerg\u00eancia, correto? Agora, eu acredito que uma amizade a mais pode favorecer para a solu\u00e7\u00e3o de problemas n\u00e3o emergenciais, mas o problema na sua perenidade, quer dizer, oficiar planos do governo que tenham por objetivo a solu\u00e7\u00e3o de algum problema e tudo. Essa \u00e9 v\u00e1lida, \u00e9 natural, quem tem mais amizade com mais rapidez consegue as coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E quando o senhor era deputado e surgia um problema relativo \u00e0s secas, como era que a C\u00e2mara se comportava. Buscavam solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas? As fontes desses debates parlamentares, s\u00f3 nos Anais?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">A\u00ed, o papel do parlamentar no caso \u00e9 debater para acordar, certo? O executivo. Ent\u00e3o, a coisa n\u00e3o andou em \u00e9pocas de secas, em \u00e9pocas de dificuldades. Caberia ao deputado reclamar, pedir, dramatizar a situa\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 atrav\u00e9s dessa dramatiza\u00e7\u00e3o que a imprensa vai averiguando os seus informes e isso ganha extens\u00e3o, vai ter aos \u00f3rg\u00e3os do sul que s\u00e3o os que realmente t\u00eam penetra\u00e7\u00e3o e t\u00eam audi\u00eancia por parte dos governos e com isso ent\u00e3o, favoreceria a remessa das verbas necess\u00e1rias ao combate do problema. Ent\u00e3o o deputado \u00e0quela \u00e9poca exercia um papel muito importante, porque ele reclamava mesmo, ele brigava pelas verbas e chegava realmente. Hoje, pela pr\u00f3pria conjuntura tem que ser um pouco mais calmo, n\u00e3o \u00e9? Tem que refrear um pouco mais as suas emo\u00e7\u00f5es. Por mais corajoso que ele seja de qualquer maneira ele tem que ser um homem freado, n\u00e3o \u00e9? Tudo vai est\u00e1 dispon\u00edvel nos Anais da Casa, isto \u00e9 bem importante, ter<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">os Anais. A Assembleia tem seus Anais. O que se diz e que publica discursos dos senhores deputados, sei que voc\u00eas poder\u00e3o encontrar os subs\u00eddios maravilhosos atrav\u00e9s desses Anais da Assembleia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em> Vejo alguns Anais da Assembleia aqui&#8230;<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sim. Inclusive eu tenho na minha mesa, aqui est\u00e3o, Anais do meu tempo. Os discursos de todos os deputados s\u00e3o publicados e gravados. N\u00e3o sei se essas grava\u00e7\u00f5es s\u00e3o guardadas. Mas todo discurso de deputado, todo pronunciamento \u00e9 gravado, taquigrafado e depois publicado. Eu devo ter ainda, de 1958, devo ter muita coisa ainda do meu tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">O <em>senhor doaria alguma das grava\u00e7\u00f5es de algum pronunciamento seu ao Programa de Hist\u00f3ria Oral?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Grava\u00e7\u00e3o de discurso eu n\u00e3o me recordo de t\u00ea-los, n\u00e3o, salvo engano, eu tenho alguns pronunciamentos mais vamos dizer, em \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o. Campanha eleitoral e tal. N\u00e3o \u00e9 seguro se ainda tenho, n\u00e3o. Porque, politicamente, eu tentei desencadear realmente, ent\u00e3o, eu nunca mais fui olhar nessas cartas de saudade que a gente tem, mas eu vou verificar, se tiver eu acho que n\u00e3o tem grande valor, n\u00e3o, mas posso dar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>\u00c0 \u00e9poca do senhor quais os deputados que mais se destacavam?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Sinceramente, o deputado que eu enfrentava assim, com receio de sair com a minha vaidade ferida foi o Pontes Neto, um grande deputado. \u00c9 um homem que tem cultura, tem conhecimento, tem rapidez de racioc\u00ednio e esse eu enfrentava realmente com muito cuidado. Outro deputado tamb\u00e9m era o deputado Raimundo Ivan, foi um \u00f3timo deputado. Tamb\u00e9m, n\u00f3s na hora do digladiar, eu tinha que ter muita aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ser envolvido, porque o Raimundo Ivan, ele tinha um processo de ret\u00f3rica muito interessante. \u00c9 o dom\u00ednio do chamado na ci\u00eancia da ret\u00f3rica, \u00e9 chamado o processo socr\u00e1tico. \u00c9. o orador que vai conseguir afirma\u00e7\u00f5es do advers\u00e1rio, ent\u00e3o, \u201co senhor diz isso assim, assim, assim, e \u00e9 por isso assim, assim\u201d. A gente vai dizendo, sim, sim, sim, e quando menos espera est\u00e1 envolvido e cai na tese antag\u00f4nica. Agora, quem conhece um pouco de ret\u00f3rica, cedo aprendia o macete do Raimundo Ivan, mas de qualquer maneira era uma demonstra\u00e7\u00e3o de muita intelig\u00eancia. Ent\u00e3o, era um deputado que eu tamb\u00e9m achava que dava trabalho assim. J\u00e1 o Pontes Neto era mais o homem da cultura. Ele era marxista, filosoficamente marxista, dialeticamente ele vale a pena, sabe? Ainda hoje nas minhas leituras, no que eu gosto de ler, est\u00e3o os seus discursos e os meus debates com o Pontes Neto e com o Raimundo Ivan. Como orador assim, vamos chamar \u201ccomissieiro\u201d, um orador bomb\u00e1stico, um orador que traz aplausos da galeria e tal, mas sem muita subst\u00e2ncia, mas de qualquer maneira que vale a pena ver o aspecto de beleza era o Chagas Vasconcelos. Um bom orador, agora, um orador \u201ccomissieiro\u201d, entende? Um orador pra nenhum literato por defeito e tal. Agora, para discuss\u00e3o mesmo, como advers\u00e1rio, o Pontes Neto est\u00e1 acima de todos os outros, sem querer desmerecer os demais, como tamb\u00e9m havia outros que quando eu entrei na Assembleia, relativamente mo\u00e7o, eu olhava assim, com uma respeitabilidade muito grande porque eu como estudante nas galeras da Assembleia j\u00e1 olhava como eles se comportavam, e tudo. Eram verdadeiras raposas da pol\u00edtica. Inicialmente, entrei na Assembleia com medo, mas depois eu verifiquei que n\u00e3o eram assim&#8230; Por exemplo, Barros dos Santos, meu querido amigo Barros dos Santos, que era l\u00edder do governo, com quem eu mantive um combate com ele durante seis anos seguidos na Assembleia, era um deputado f\u00e1cil da gente debater porque os processos dele eram processos que eu conhecia desde menino. \u00c9 aquele processo puramente governamental, bitolado, ent\u00e3o era um homem que a gente facilmente derrotava num embate, mas o Pontes Neto, n\u00e3o, esse era dif\u00edcil. J\u00e1 tinha um outro, o Pl\u00e1cido Castelo por exemplo, esse era mais um historiador, todos os pronunciamentos do Pl\u00e1cido eram mais sobre Hist\u00f3ria. N\u00e3o era um homem do debate, ele apenas tinha muita pr\u00e1tica. Eu me recordo uma vez, que eu na \u00e9poca dos Anjos Rebeldes, a que me referi, eu fazendo um combate sistem\u00e1tico ao Virg\u00edlio, numa mensagem dele em que era para n\u00f3s que n\u00e3o tivemos aprovado o que pretend\u00edamos, n\u00f3s fizemos um rod\u00edzio na tribuna, ent\u00e3o, a sess\u00e3o come\u00e7ou \u00e0s xxx horas da tarde e emendou a noite toda, ent\u00e3o, cada um&#8230; eu falei seis horas seguidas, o Luciano falou quatro horas, mas n\u00f3s fizemos esse rod\u00edzio para chegar ao fechamento da assembleia e a mensagem n\u00e3o ser apresentada, e para eu poder aguentar aquele roj\u00e3o eu come\u00e7ava ent\u00e3o a provocar partes dos deputados, principalmente o Barros dos Santos, porque com um aparte, a gente arranjava novo assunto para poder preencher aquelas seis horas, ent\u00e3o, e eu me recordo de que o Pl\u00e1cido Castelo, que era do governo chega para o Barros e diz assim: \u201cVoc\u00ea quer derrubar o Dorian, n\u00e3o aparteie\u201d. Mas o microfone estava aberto de modo que deu para ouvir. Mas o Barros dos Santos eu provocava at\u00e9 que ele realmente falava e tal. Mas foi um grande deputado e por sinal essa opini\u00e3o \u00e9 at\u00e9 corroborada pelo pr\u00f3prio governador Adauto Bezerra, porque o L\u00facio Brasileiro, o L\u00facio Brasileiro cronista social, um dia desses, h\u00e1 uns dois meses atr\u00e1s conversando com o governador Adauto perguntou: \u201cGovernador, quando o senhor foi deputado quais foram os tr\u00eas deputados que mais lhe impressionaram? \u201d A\u00ed o Adauto respondeu: Pontes Neto, Dorian e o terceiro eu n\u00e3o digo\u201d. A\u00ed o L\u00facio disse: \u201cQuem ser\u00e1 esse terceiro\u201d? Eu disse: \u201cN\u00e3o, a\u00ed \u00e9 porque houve intelig\u00eancia do governador, porque qualquer um que se sentir queixoso porque n\u00e3o foi incluso, ele diz: \u201cN\u00e3o, o terceiro \u00e9 voc\u00ea\u201d!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Inteligente sa\u00edda mesmo! E o Dr. Pl\u00e1cido Castelo, como que ele utilizava ai a Hist\u00f3ria, que sentido ele dava, procurava fornecer exemplos da Hist\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o. Ele&#8230; o Pl\u00e1cido \u00e9 do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Cear\u00e1, ent\u00e3o, quando nas grandes datas ele escrevia os seus pronunciamentos e relembrava os nossos fatos maiores, por seus pronunciamentos era mais de natureza hist\u00f3rica. N\u00e3o era o deputado do dia a dia n\u00e3o. N\u00e3o era. Ele era mais um deputado assim&#8230; a gente chamava, menina, era o deputado da Hist\u00f3ria. Todos os grandes acontecimentos hist\u00f3ricos e tal, pronunciamentos e tudo eram com ele. N\u00e3o foi um deputado assim do vira e bate parlamentar, assim confrontando, atuante, n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em> E chega a governador. Pode ser reflexivo e observador, algu\u00e9m relacionado tanto \u00e0 Hist\u00f3ria?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o sei. Eu sei que trocando tudo isso por mi\u00fado, h\u00e1 aqueles que se dedicam ao estudo da Hist\u00f3ria passada, a\u00ed n\u00e3o t\u00eam tempo para criar atritos com os que fazem a Hist\u00f3ria de hoje. Ent\u00e3o, n\u00e3o mais f\u00e1cil de serem escolhidos e galgarem posi\u00e7\u00f5es mais elevadas. Aqueles que querem fazer a Hist\u00f3ria de agora \u00e9 que se atritam muito e que podem se prejudicar. \u00c9 um homem tranquilo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>E quanto aos deputados que trabalhavam nos bastidores, os que trabalhavam em sil\u00eancio, arregimentavam for\u00e7as, faziam planos e n\u00e3o s\u00f3 se envolviam em embates, em discuss\u00f5es, em discuss\u00f5es parlamentares?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Um deles: Batista Aguiar, era o articulador. O Almir Pinto tamb\u00e9m. Samuel Lins. Eram deputados que viviam mais justamente da. Arte de conversar, de contornar situa\u00e7\u00f5es, era o que eu me lembro deles tr\u00eas, parece que evidenciam bem esse lado importante, diga-se, da vida parlamentar. Porque n\u00e3o se pense, n\u00e3o se fa\u00e7a injusti\u00e7a acreditando-se que o bom parlamentar \u00e9 aquele que est\u00e1 na tribuna. Muitas vezes h\u00e1 aqueles que atuam bem nas Comiss\u00f5es, ou nas articula\u00e7\u00f5es, quer dizer, h\u00e1 um desempenho para cada um e todos t\u00eam a sua import\u00e2ncia. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da tribuna que vive o Parlamento.<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Apesar do senhor n\u00e3o ser um t\u00e9cnico, que alternativas o senhor daria para o desenvolvimento do Cear\u00e1?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">Eu acho que ainda \u00e9 aquela de Brasil col\u00f4nia. A pecu\u00e1ria n\u00e3o tem oura sa\u00edda, a pecu\u00e1ria por enquanto, at\u00e9 que a tecnologia chegue aqui no Cear\u00e1 e mostre novos caminhos, tecnologias que devem existir. Exemplo, n\u00f3s, com o governo do Sr. C\u00e9sar Cals descobrimos o \u00f3bvio, que o Cear\u00e1 era bom para caju. Depois descobrimos aquilo que tinha sido descoberto, depois deixaram descobrir que era o caf\u00e9. J\u00e1 agora, est\u00e3o falando no urucum, A Ibiapaba agora todinha aguarda e vai entrar para o urucum, essa plantinha de fazer colorau e que se planta nos quintais e que j\u00e1 s\u00e3o dois projetos grandes que vem por a\u00ed com a planta\u00e7\u00e3o de urucum. Acham os entusiastas dessa nova planta\u00e7\u00e3o que \u00e9 superior ao caf\u00e9. Ent\u00e3o, enquanto essa tecnologia nos mostra, n\u00f3s temos que viver realmente \u00e9 da pecu\u00e1ria, que segundo eu tenho colhido como rep\u00f3rter pecuarista aqui do Nordeste, que \u00e9 o Sr. Geraldo Rola, esse homem me declarou ontem, textualmente: \u201co melhor local do Brasil para a pecu\u00e1ria \u00e9 o litoral nordestino\u201d, e eu me surpreendi com a afirma\u00e7\u00e3o e perguntei: \u201cMas, considerando o Rio Grande do Sul, considerando Minas, Considerando Goi\u00e1s, Mato Grosso, que s\u00e3o os grandes centros de pecu\u00e1ria do pa\u00eds\u201d. Ele disse: \u201cConsiderando tudo isso e lhe explico por qu\u00ea. Porque, primeiro, o litoral nordestino sanitariamente, \u00e9 melhor do que qualquer outro, enquanto o gado do ga\u00facho, o gado mineiro, o gado mato-grossense, o gado goiano, de Goi\u00e1s, \u00e9 vacinado para dez esp\u00e9cies diferentes de doen\u00e7a, o gado nordestino a \u00fanica vacina que toma \u00e9 a da aftosa, \u00e9 a \u00fanica doen\u00e7a que aqui e acol\u00e1 se faz sentir, quer dizer, sanitariamente, o ambiente \u00e9 maravilhoso para a cria\u00e7\u00e3o do gado, por causa do nosso sol, relembrando agora o velho Diocl\u00e9cio de Castro, n\u00e3o \u00e9? \u201cO sol \u00e9 o nosso grande m\u00e9dico, o sol \u00e9 a nossa salva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do mais, nesse litoral as \u00e1guas s\u00e3o drenadas, n\u00e3o existe p\u00e2ntano no litoral nordestino. A \u00e1gua no subsolo existe, cavou a \u00e1gua chega. A \u00fanica contraindica\u00e7\u00e3o seria o solo fraco, mas isso j\u00e1 hoje com as tecnologias n\u00e3o \u00e9 problema mais, agora, considerando tudo isso que pode existir no Rio Grande do Sul, n\u00f3s temos que olhar o pre\u00e7o da terra, ent\u00e3o, olhando o pre\u00e7o da terra daqui, com o pre\u00e7o de Goi\u00e1s, com o pre\u00e7o do Rio Grande do Sul, com o pre\u00e7o de Minas Gerais, vamos verificar que a rentabilidade do criador de gado aqui no litoral do Nordeste \u00e9 muito superior \u00e0 do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. Ent\u00e3o, essa voca\u00e7\u00e3o que \u00e9 do Brasil para o homem da pecu\u00e1ria, ainda hoje \u00e9 o nosso bom esteio de agronomia. Ent\u00e3o, enquanto n\u00e3o vem tecnologia, vamos criar gado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Pode-se ter tecnologia derivada do leite tamb\u00e9m.. E o Cear\u00e1 como alternativa de turismo, o que o senhor pensa?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">N\u00e3o tem as condi\u00e7\u00f5es, estrutura nenhuma para turismo. At\u00e9 aqui n\u00e3o se criou infra-estrutura Aqui poderia se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es de fazer aqui, jogo, cassinos, grandes hot\u00e9is, para trazer essa velharia norte-americana e europeia que joga internacionalmente e tomar banho de sol em nossas praias durante os 360 dias do ano, e jogar e deixar aqui, que fora disso, n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de turismo, eu n\u00e3o creio nesse turismo assim como for\u00e7a econ\u00f4mica, \u00e9 m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\"><em>L.F.<\/em><\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\"><em>Doutor Dorian, o senhor gostaria de acrescentar mais alguma coisa nessa entrevista?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"47\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"56\">D.S.<\/td>\n<td colspan=\"2\" width=\"511\">S\u00f3 que eu me senti muito lisonjeado por essa oportunidade de depor para a Hist\u00f3ria, lamentando apenas que n\u00e3o tenha podido contribuir com fatos mais significativos, porque meu desejo, e pela vaidade do meu cora\u00e7\u00e3o, eu queria que tudo isso fosse em rela\u00e7\u00e3o a mim, mas \u00e9 que eu tive que falar mais dos outros e n\u00e3o sei se nesse depoimento eu vou criar at\u00e9 ressentimento e tal, mas acreditando que se o sentido \u00e9 depor para a Hist\u00f3ria, deve ser o quanto poss\u00edvel aproximado da realidade. A realidade \u00e1s vezes nem sempre \u00e9 simp\u00e1tica para as pessoas, n\u00e3o \u00e9? Eu lhes agrade\u00e7o.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fortaleza, 22 de Julho de 1976 Entrevista com o jornalista DORIAN SAMPAIO PARA O Programa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1741,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[308],"tags":[],"class_list":["post-1444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-memoria-das-secas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1444"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1444\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2219,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1444\/revisions\/2219"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}