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{"id":1411,"date":"2015-05-08T21:59:08","date_gmt":"2015-05-08T21:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1411"},"modified":"2020-12-09T23:17:41","modified_gmt":"2020-12-09T23:17:41","slug":"historia-e-cultura-de-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2015\/05\/08\/historia-e-cultura-de-massa\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria e Cultura de Massa"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p align=\"center\"><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A multiplicidade das obras liter\u00e1rias e cient\u00edficas e o excesso de informa\u00e7\u00f5es da Cultura de Massa levam o Historiador \u00e0 necessidade de apurar a cr\u00edtica como auxiliar na evolu\u00e7\u00e3o de um processo fidedigno de avalia\u00e7\u00e3o. Processo destinado a mensurar n\u00e3o s\u00f3 a sua produ\u00e7\u00e3o e a que lhe chega \u00e0s m\u00e3os, mas a cr\u00edtica imprescind\u00edvel \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da dignidade de sua tarefa. Como leitor ou como estudioso, faz parte de seu mister a an\u00e1lise do seu tempo e do seu momento, como forma de inserir-se adequadamente ao momento hist\u00f3rico vivido, utilizando o ato cr\u00edtico que convoca o mesmo uso dos processos mentais do ato de cria\u00e7\u00e3o. A Cultura de Massa, nossa contempor\u00e2nea tr\u00e1s certa complexidade e certa perplexidade, mas, n\u00e3o nos esque\u00e7amos, a busca da verdade hist\u00f3rica parte do resgate da evid\u00eancia como ponto b\u00e1sico e referencial.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p><strong>Palavras-Chave:\u00a0<\/strong>Hist\u00f3ria; Teoria da Hist\u00f3ria; Cultura de Massa; Cr\u00edtica Hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abstract<\/strong><\/p>\n<p>The multiplicity of the literary compositions and scientific and the excess of information of the Culture of Mass take the Historian to the necessity to select the critical one as to assist in the evolution of a trust worth process of evaluation. Destined process to not appreciate its production and the one that arrives to it at the hands, in critical the essential one to the preservation of the dignity of its task. As reading or as studious, the analysis of its time and its moment is part of its necessity, as form to insert itself adequately to the lived historical moment, using the critical act that the same convokes use of the mental processes of the creation act. The Culture of Mass, our contemporary backwards certain complexity and certain perplexity, but, in let us not forget them, the search of the historical truth part it rescue of the evidence as basic and referential point.<\/p>\n<p><strong>Word-Keys:<\/strong>\u00a0History; Theory of History; Culture of Mass; Critical Historical<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cr\u00edtica cient\u00edfica, liter\u00e1ria e do pensamento, \u00e9 indispens\u00e1vel aos estudiosos e pensadores. Faz-se imposs\u00edvel disseminar id\u00e9ias sem os meios de aferi\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia, ou n\u00e3o, do seu curso. A Cr\u00edtica \u00e9, pois, uma refer\u00eancia externa e indispens\u00e1vel que retira do isolamento a produ\u00e7\u00e3o individual e a grupal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso espec\u00edfico do historiador, ela pode ajud\u00e1-lo a n\u00e3o repetir erros anteriores, renovando, reavaliando e aferindo, a cada dia, os resultados das suas pesquisas anteriores e da produ\u00e7\u00e3o de outrem, produzindo resultados em livros e artigos da especialidade. A necessidade da cr\u00edtica atinge, assim, tanto os escritores e produtores da hist\u00f3ria, como os leitores de suas obras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Modernamente, a cr\u00edtica v\u00ea-se \u00e0s voltas com o resultado de enorme variedade de obras, gostos e pessoas, que viram as p\u00e1ginas dos mais variados livros e revistas. O leitor potencial da hist\u00f3ria poder\u00e1 dispor de teses e outro material especializado, al\u00e9m de toda uma produ\u00e7\u00e3o advinda do interesse por temas hist\u00f3ricos via Internet, e de outros meios da Cultura de Massa. \u00c9 o caso das obras de fic\u00e7\u00e3o, mui especialmente, \u00e0quelas vinculadas a temas b\u00edblicos e \u00e0 Hist\u00f3ria Antiga e Medieval. Deve-se estar atento \u00e0s infind\u00e1veis fontes que ela gera, para o mister do historiador, buscando-se separar imagina\u00e7\u00e3o e realidade. O acesso mais f\u00e1cil \u00e0 impress\u00e3o dos resultados tornou a imprensa um ve\u00edculo pronto a transmitir qualquer mensagem, at\u00e9 o livro, seu produto final, apto a qualquer conte\u00fado sob quaisquer influ\u00eancias ideol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre o historiador e seu p\u00fablico \u2013 incluso o dos meios eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 a cr\u00edtica \u00e9 importante auxiliar na evolu\u00e7\u00e3o de um processo fidedigno de avalia\u00e7\u00e3o para aferir a dist\u00e2ncia percorrida entre a escolha do tema e a publica\u00e7\u00e3o, preservando a dignidade da sua tarefa. Todos conhecemos as dificuldades da impress\u00e3o de um livro. Problemas que v\u00e3o do descaso das gr\u00e1ficas com os originais, a falta de bons revisores, as demoras e os caprichos na pontualidade dos compromissos e, ainda, o fato das publica\u00e7\u00f5es estarem sujeitas mais aos ventos mercadol\u00f3gicos, do que \u00e0s s\u00f3lidas e imparciais aprecia\u00e7\u00f5es de qualidade. As estimativas de venda, a comercializa\u00e7\u00e3o, e principalmente a distribui\u00e7\u00e3o levam \u00e0 disputa do valor como not\u00edcia e da aten\u00e7\u00e3o do leitor. Decerto, o historiador n\u00e3o sofre as mesmas press\u00f5es dos contistas e romancistas, sobre o ser ou parecer na sua vida privada com os personagens de seus livros. Todavia, alguns historiadores e estudiosos das Ci\u00eancias Humanas e Sociais buscam respostas e elegem temas, na expectativa do car\u00e1ter de publicidade e estimativa impactante de sua obra. Temos, por exemplo, os livros aned\u00f3ticos de Hist\u00f3ria do Brasil desprestigiando figuras da Monarquia, como Dom Pedro I e Dom Jo\u00e3o VI, com mais perspectivas de divulga\u00e7\u00e3o em programas de TV, sejam de muita ou pouca audi\u00eancia, do que aqueles que tratam de temas mais s\u00e9rios e relevantes. Alguns outros livros chegar\u00e3o \u00e0s bibliotecas, obter\u00e3o pr\u00eamios, enquanto outros n\u00e3o ser\u00e3o impressos, e ainda outros se limitar\u00e3o aos balc\u00f5es de saldos das editoras e livrarias. Nos lan\u00e7amentos, surgem os primeiros julgamentos e eles podem ser mais espont\u00e2neos e importantes do que o conte\u00fado final da an\u00e1lise de alguns cr\u00edticos, que fazem as cr\u00edticas \u2013 dependendo da import\u00e2ncia do autor \u2013 para serem eles pr\u00f3prios noticiados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, na maior parte das vezes, os procedimentos que norteiam as escolhas na \u00e1rea de Hist\u00f3ria pelos que as escrevem, e pelos que as l\u00eaem, s\u00e3o similares \u00e0s escolhas e gostos da Cultura de Massa. O pr\u00f3prio profissional da hist\u00f3ria, assim como outros profissionais fora de seus campos de estudo, \u00e9 um leitor a mais, um estudioso como tantos outros. No caso, alguns historiadores dos anos 40 e 50 do s\u00e9culo passado apresentaram um padr\u00e3o cr\u00edtico n\u00e3o muito alto. Solicitados a escolherem os trabalhos mais significativos das tr\u00eas \u00faltimas d\u00e9cadas antecedentes, n\u00e3o demonstraram capacidade \u201cde reconhecer t\u00edtulos que n\u00e3o haviam recebido aclama\u00e7\u00e3o geral que se distingue da aclama\u00e7\u00e3o erudita\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[1]\">[1]<\/a>. Acrescente-se o fato da maioria dos peri\u00f3dicos onde os trabalhos se inserem serem publica\u00e7\u00f5es dos associados e associa\u00e7\u00f5es que se inclinam a favores sem garantia de compet\u00eancia, rendidos no altar das \u201cigrejinhas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00ea-se, portanto, que o pior n\u00e3o \u00e9 a falta de cr\u00edtica aos livros ruins, mas aos bons livros, que ficam sem o necess\u00e1rio reconhecimento. N\u00e3o ser\u00e3o alguns desses aspectos, aqui colocados, um dos sintomas da influ\u00eancia sobre os historiadores contempor\u00e2neos da esmagadora cultura da massa?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cultura de massa compromete-se com o ritmo e a hist\u00f3ria em movimento. Exaltando valores individuais como felicidade, amor, beleza e auto-realiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 estimulada pela sociedade de consumo, independente da ideologia pol\u00edtica oficial. O ritmo marcante da atualidade da cultura de massa vai desde a alimenta\u00e7\u00e3o dos novos deuses olimpianos, como membros de fam\u00edlias reais, figuras do jet set internacional, estrelas e astros de cinema e televis\u00e3o, todos mortais, como qualquer um de n\u00f3s, \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es e invers\u00f5es que est\u00e3o na base dessa mitologia do indiv\u00edduo dos s\u00e9culos XX e XXI. Dela est\u00e3o ausentes, por\u00e9m, as revela\u00e7\u00f5es e cosmogonia, ritos e cultos. Mais al\u00e9m, s\u00e3o incapazes de suprir a destitui\u00e7\u00e3o parcial dos valores, como fam\u00edlia e p\u00e1tria, incapacitando-se de apreender o sentido do Estado, na\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, reais viv\u00eancias humanas. Diferentemente da hist\u00f3ria, a cultura de massa desconhece estruturas sociais e participa\u00e7\u00f5es coletivas, mas, vem se revelando incapaz de neutralizar os freios do Estado e da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No seu labor, o historiador pode trabalhar o real e estimular o imagin\u00e1rio, quando, por exemplo, tenta evocar aromas, gostos e sons na sua reconstitui\u00e7\u00e3o da vida tribal primitiva, ou, quando se inclina em estudos de interesses da hist\u00f3ria da vida privada, onde se trabalham tantas emo\u00e7\u00f5es humanas, e \u00e9 de tanto agrado da \u201cHist\u00f3ria Nova\u201d. A cultura de massa, contudo, tra\u00e7a com o real e o imagin\u00e1rio uma uni\u00e3o \u00edntima, porque realista embebida pelas \u201cnecessidades de padr\u00e3o social, luxo e prest\u00edgio\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[2]\">[2]<\/a>. Ela \u00e9 geradora de uma vasta riqueza de fontes para os historiadores e outros estudiosos, principalmente para aqueles preocupados com a \u201chist\u00f3ria das mentalidades\u201d. Isto porque, a cultura de massa estimula a verifica\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos contradit\u00f3rios, tais como, as conseq\u00fc\u00eancias diversas dos processos de proje\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o. De um lado, vale estudar a oferta de felicidade na terra, a adapta\u00e7\u00e3o, mesmo de fora aos circuitos consumidores e dos padr\u00f5es individualistas, do outro \u2013 os inadaptados, revoltados, incorporados em gangs, crimes de aluguel e drogas. O desenvolvimento econ\u00f4mico social e as aspira\u00e7\u00f5es ao bem-estar e \u00e0 felicidade estabelecem, assim, uma dial\u00e9tica pobre e perturbadora, num grande desafio de ruptura de embrulho de vasto conte\u00fado n\u00e3o s\u00f3 para os historiadores, mas para todos os estudiosos das ci\u00eancias humanas e sociais. N\u00e3o se trata, no caso, de distinguir ci\u00eancias com zonas de aplica\u00e7\u00e3o bem demarcadas, pois seu objeto de estudo \u00e9 o mesmo: s\u00e3o os homens, \u00e9 o homem nascedouro de todas as coisas singulares e plurais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Advinda do desenvolvimento t\u00e9cnico, industrial e capitalista, estas sociedades mais evolu\u00eddas, as capitalistas, a cultura de massa \u2013 via uma dialetiza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre conte\u00fados da civiliza\u00e7\u00e3o burguesa e o pr\u00f3prio sistema t\u00e9cnico-industrial \u2013 suscita a indu\u00e7\u00e3o de correntes dentro dos processos globais. Para falarmos disso, vale lembrar que a t\u00e9cnica individualiza, mas, assim como as sociedades arcaicas estavam cercadas de fantasmas, esp\u00edritos, s\u00f3sias onipresentes, tamb\u00e9m n\u00f3s civilizados, do s\u00e9culo XXI, vivemos num universo em que a t\u00e9cnica ressuscita essa magia antiga<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[3]\">[3]<\/a>. \u00c9, portanto, a t\u00e9cnica que permite o reencontro dos gestos da humanidade primitiva\u00a0<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[4]\">[4]<\/a>. A recupera\u00e7\u00e3o do passado perdido pela parte l\u00fadica de via tecnizada, inerente ao lazer moderno, caminha, assim, no mesmo sentido da cultura de massa. D\u00e1-se, a\u00ed, uma duplicidade de como viver e, mais ainda, como n\u00e3o viver no mundo tecnizado. T\u00e9cnica e contrat\u00e9cnica poder-se-ia dizer<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[5]\">[5]<\/a>. Uma objetividade t\u00e9cnica correspondendo a uma afirma\u00e7\u00e3o do homem, sujeito da hist\u00f3ria. A rela\u00e7\u00e3o do mundo objetivo \u2013 homem subjetivo gerou uma contradi\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica simult\u00e2nea entre homem e objeto no mundo tecnizado donde a mescla objetiva\u00e7\u00e3o e subjetiva\u00e7\u00e3o na vida pessoal aumentou o individualismo. Decerto, seria imposs\u00edvel prever, na primeira metade do s\u00e9culo XX, o individualismo maci\u00e7o, e muito pouco conceb\u00edvel que o mundo capitalista, voltado para o mundo material, permitisse ao mesmo tempo, estimular a vida interior e subjetiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Decompor a cultura de massa e os seus la\u00e7os com o homem. Ao tema cabem muitas vers\u00f5es e estudos que dever\u00e3o ser retomados mais tarde, reavaliados, em seu conjunto para que se lhes confira nova validade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso, essa generaliza\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o do homem, d\u00e1-se a partir dos padr\u00f5es de consumo. Enquanto o pequeno burgu\u00eas foi tolhido pela religi\u00e3o e pela moral, o anseio de satisfazer todos os desejos \u00e9 dirigido pelo consumo. \u00c9 dessa paix\u00e3o pelo consumo o que mais distancia o homem de hoje daquele da sociedade tradicional, quando a preocupa\u00e7\u00e3o pela subsist\u00eancia levava aos esfor\u00e7os para assegur\u00e1-la para s\u00f3 em seguida, tratar-se do processo de acumula\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica. O final do s\u00e9c XX assistiu a substitui\u00e7\u00e3o da tend\u00eancia acumulativa pela tend\u00eancia de absorver, comprar. As vendas, os cart\u00f5es-de-cr\u00e9dito, os v\u00e1rios tipos de seguro desembocam no homem consumidor. As palavras de ordem s\u00e3o \u201clazer\u201d, \u201cqualidade de vida\u201d, direcionados pela \u201cqualidade total\u201d das empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Observe-se que o historiador presencia a valoriza\u00e7\u00e3o excessiva do presente. Al\u00e9m disso, ter\u00e1 que analisar o fen\u00f4meno do homem distanciado cada vez mais do seu passado. D\u00e1-se como um abandono de antigos valores, normas e transcend\u00eancias repudiados pelo advento de um futuro em ritmo acelerado. Ora, estar\u00e1 o homem a se privar do passado, privando-se tamb\u00e9m do futuro?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A carta das grandes perspectivas de progresso, a altera\u00e7\u00e3o de no\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, como a soberania cl\u00e1ssica em nome da governan\u00e7a global, parecem fazer recuar ante os riscos do futuro. Curiosamente, o Estado rege as rela\u00e7\u00f5es com o passado e o futuro, enquanto o indiv\u00edduo justifica-se no resgate do presente. O historiador do nosso tempo v\u00ea-se \u00e0s voltas com a vis\u00e3o do desmoronamento de corpos intermedi\u00e1rios como fam\u00edlia e classes sociais, acrescido ao super-individualismo que se aglomera no conceito de massa afastada das no\u00e7\u00f5es de poder e Estado num desenraizamento com respeito ao passado. A vida em sociedade, os grupos sociais, a for\u00e7a da Hist\u00f3ria v\u00ea-se a frente com uma contribui\u00e7\u00e3o \u201cnova\u201d de cultura de massa: a participa\u00e7\u00e3o do presente no mundo<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[6]\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No mundo em transforma\u00e7\u00e3o o homem aceita, mas n\u00e3o assume sua natureza passageira, atomizando o tempo e o indiv\u00edduo. Mas, de forma positiva, prevalece nele o sentimento que de que \u00e9 preciso buscar a verdade e o sentido nas manifesta\u00e7\u00f5es e apar\u00eancias. Na sua perspectiva interior, tenta uma inova\u00e7\u00e3o relativa ao espa\u00e7o-tempo, um tipo de participa\u00e7\u00e3o no \u201csendo\u201d e no devir do mundo, ao mesmo tempo em que se percebe o t\u00eanue aflorar de um sentimento uno do individualismo de cada um.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aderindo a v\u00e1rios e m\u00faltiplos processos evolutivos, a cultura de massa ratifica o homem em permanente muta\u00e7\u00e3o. O seu desenvolvimento segue um curso conturbado e fr\u00e1gil enquanto prega a mitologia da felicidade e a filosofia da seguran\u00e7a. Pode-se pensar as influencias dessas correntes referidas no conjunto da vida humana como uma pergunta concreta que se pode propor para explicar mudan\u00e7as na atual economia e outra, a social e econ\u00f4mica, que concep\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria melhor responde a tais indaga\u00e7\u00f5es. Onde, ent\u00e3o, a chave para decifr\u00e1-la?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Decerto, muitos historiadores se mostrar\u00e3o relutantes, ou at\u00e9 se sentir\u00e3o incapazes no necess\u00e1rio exerc\u00edcio da faculdade cr\u00edtica. Ser\u00e3o, sem d\u00favida, tentados a ascender ao pico das inflamadas discuss\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es como meros atores. Preferindo a tanto, por ser mais c\u00f4modo o dar-se ao emprego de toda a paci\u00eancia, muitas dilig\u00eancias, e certo, e inevitavelmente, a alguns equ\u00edvocos e alguns erros. Uma vez que, cada um deles, tem direito ao seu ponto de vista e as quest\u00f5es colocadas poder\u00e3o ser vistas por m\u00faltiplas facetas, cabe \u00e0 cr\u00edtica colocar o tema trabalhado na categoria correspondente. Parto da id\u00e9ia de que \u201cum ato de cr\u00edtica convoca os mesmos processos mentais de um ato de cria\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[7]\">[7]<\/a>, da\u00ed porque a dificuldade de enquadrar as escolhas dos temas e a forma de trabalh\u00e1-los at\u00e9 o seu produto final.<\/p>\n<p>Creio que a contemporaneidade com a cultura de massa traz complexidade e certa perplexidade, mas, como nos ensina Handlin<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[8]\">[8]<\/a>, \u201cos indiv\u00edduos e os acidentes\u201d s\u00f3 muito ligeiramente influenciam a evolu\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es t\u00e3o poderosas como a fam\u00edlia monog\u00e2mica, o pequeno fazendeiro, a igreja congregacionista ou a rep\u00fablica democr\u00e1tica; e os desenvolvimentos ocorridos em per\u00edodos muito longos \u2013 a industrializa\u00e7\u00e3o, a imigra\u00e7\u00e3o, o racionalismo e o romantismo \u2013 fazem desvios apenas ligeiros em resposta \u00a0a acidentes espec\u00edficos no trajeto<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[9]\">[9]<\/a>. Assim, \u00a0a cr\u00edtica hist\u00f3rica deve aclarar as escolhas, mas a verdade perseguida \u00e9 t\u00e3o somente a correspond\u00eancia de uma representa\u00e7\u00e3o com o seu objeto\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[10]\">[10]<\/a>. Diferentemente do fil\u00f3sofo, o historiador organiza a evid\u00eancia de atividades nas quais o elemento irracional tem ampla participa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode esquecer que em obras de pesquisa hist\u00f3rica o produto resultar\u00e1 das evid\u00eancias em si mesmas, e daquilo que o escritor e o leitor tomem como poss\u00edvel, concluam e acreditem.<\/p>\n<p>A evid\u00eancia \u00e9 ultra-perec\u00edvel por defini\u00e7\u00e3o, qualquer vest\u00edgio dela acelera todos os instrumentos de medida e agu\u00e7a as possibilidades de sublima\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso conferir nessa discuss\u00e3o, grande ou pequena, os restos de concretude, silogismos e situa\u00e7\u00f5es que nos chegam \u00e0s m\u00e3os. Todas elas devem ter caracter\u00edsticas apropriadas, pois \u00e9 tudo o que chegou at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resumo, h\u00e1 que se escolher a evid\u00eancia como guia e est\u00edmulo. Cada part\u00edcula dela cont\u00e9m um pouco de quem a fez e a criou. A compreens\u00e3o dela \u00e9 a resposta que gera o poder de empatia, que \u201ccomunica uma qualidade sin\u00e9rgica \u00e0 evid\u00eancia, de modo que as partes&#8230;, uma vez montadas com um todo florescem para a vida\u201d<a href=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/projetos_pesquisas_arquivos\/projetos_pesquisas_008.htm#[11]\">[11].<\/a>\u00a0A certeza do historiador ser\u00e1 a certeza de exaust\u00e3o da evid\u00eancia, independentemente do termo escolhido. O trabalho do historiador, particularmente, \u00e9 um ato de cr\u00edtica. Lendo, pensando, selecionando e escolhendo fontes, escrevendo, ele estar\u00e1 sempre avaliando a evid\u00eancia num processo cont\u00ednuo e \u00fatil de produ\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>CAUGHEY, John. Results of a Billion Recently Published. American History and Biography. Mississippi Valley Historical Review, 1952.<\/p>\n<p>HANDLIN, Oscar. A Verdade na Hist\u00f3ria. S\u00e3o Paulo: Ed. Martins Fontes, S\/D.<\/p>\n<p>MORIN, Edgard. Cultura de Massa no S\u00e9culo XX. Rio de Janeiro: Ed. Brasileira O esp\u00edrito do Tempo, 1972.<\/p>\n<p>TASTA, Axetos. Penseur de La Techniqu\u00e9. Ed. de Mineut, 1961.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo A multiplicidade das obras liter\u00e1rias e cient\u00edficas e o excesso de informa\u00e7\u00f5es da Cultura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1413,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[279],"tags":[],"class_list":["post-1411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1411"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1414,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411\/revisions\/1414"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1413"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}