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{"id":115,"date":"2014-02-09T11:29:30","date_gmt":"2014-02-09T11:29:30","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/2014\/02\/09\/o-que-e-de-fato-a-fortaleza-bela\/"},"modified":"2021-10-20T19:10:02","modified_gmt":"2021-10-20T19:10:02","slug":"o-que-e-de-fato-a-fortaleza-bela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2014\/02\/09\/o-que-e-de-fato-a-fortaleza-bela\/","title":{"rendered":"O Que \u00e9 de Fato a Fortaleza Bela"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">Meu entrevistado \u00e9 <strong>Paulo Roberto Pinto<\/strong>, nome liter\u00e1rio de Paulo Roberto Coelho Pinto, Professor\u00a0 Catedr\u00e1tico do Curso de Economia da Universidade Federal do Cear\u00e1, Bacharel e Licenciado em Filosofia, Bacharel e Licenciado em Pedagogia, Bacharel em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais pela UFC e Bacharel em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela mesma Universidade. Com livro premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1972, foi diretor do Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas desde a sua cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 o encerramento de seus trabalhos. Nessa condi\u00e7\u00e3o elaborou em Washington, junto \u00e0 OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos), o Projeto de Funcionamento\u00a0 do CETRED (Centro de Treinamento em Desenvolvimento Econ\u00f4mico), que funcionou inicialmente sob sua dire\u00e7\u00e3o. Igualmente coordenou a elabora\u00e7\u00e3o em New York junto \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Ford o Projeto de cria\u00e7\u00e3o do CAEN (Centro de Aperfei\u00e7oamento de Economistas do Nordeste) e depois transferido para a Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas. Superintendente da Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Estado do Cear\u00e1 (SUDEC), de 1971 a 1974. Secret\u00e1rio de Planejamento do Munic\u00edpio de Fortaleza, de 1975 a 1979. Foi ainda Presidente do Conselho Estadual de Economia e Presidente do Conselho Regional de Economia da 8\u00aa Regi\u00e3o (CORECON). Paulo Roberto \u00e9 ainda escritor e colaborador de v\u00e1rios jornais.<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Em primeiro lugar, agrade\u00e7o a sua colabora\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o desse documento de Hist\u00f3ria Oral\u00a0 \u00a0sobre a Cidade de Fortaleza para a\u00a0 Cordis, Revista Eletr\u00f4nica de Hist\u00f3ria Social da Cidade. Em segundo lugar gostaria que me dissesse\u00a0 o que \u00e9 para voc\u00ea a Fortaleza Bela, Slogan da 1\u00aa campanha de Luizianne Lins, reeleita ao cargo de prefeita . Vamos lembrar que hoje \u00e9 dia 07.10.2008.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto<\/strong>: Tenho uma vis\u00e3o real\u00edstica de como seria Fortaleza, se tivesse sido governada por prefeitos\u00a0que possu\u00edssem uma proposi\u00e7\u00e3o prospectiva de desenvolvimento urbano como ocorreu em Curitiba, sob a inspira\u00e7\u00e3o de Jaime Lerner. Minha concep\u00e7\u00e3o, pode parecer \u00e0 primeira vista quixotesca\u00a0e, de fato, ter-se-ia convertido numa realidade palp\u00e1vel e \u00fatil nos moldes pragm\u00e1ticos de Sancho Pan\u00e7a. Vale salientar n\u00e3o ser da atual administra\u00e7\u00e3o fortalezense a culpa de todas as mazelas\u00a0\u00a0e atormentantes da vida nesta cidade que bem poderia e deveria ser bela. Face a tantos desmandos atuais e passados no manejo da vida p\u00fablica local esse slogan Fortaleza Bela parece mais\u00a0\u00a0uma alto ironia que os dirigentes prefeiturais est\u00e3o a fazer a si mesmos e a sua c\u00e2ndida incompet\u00eancia no tocante \u00e0 atual administra\u00e7\u00e3o o pecado maior \u00e9 o da incompet\u00eancia. Explicando melhor, essa incompet\u00eancia decorre de que os quadros do Partido dos Trabalhadores s\u00e3o integrados, no geral, por\u00a0 \u00a0pessoas que mesmo tendo freq\u00fcentado\u00a0\u00a0 a\u00a0\u00a0 Universidade n\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0 o\u00a0\u00a0 fizeram com o intuito de\u00a0aprender, de aperfei\u00e7oar-se profissionalmente. O objetivo maior de todos eles era o de reunir-se\u00a0extra classe para tramar greves, passeatas, picha\u00e7\u00f5es de monumentos p\u00fablicos e outras formas de badernas. A prova \u00e9 que a maioria deles foi jubilada, pois repetidamente reprovados em seus cursos por anos sucessivos. N\u00e3o obstante, eram t\u00e3o criativos que chegaram a usar uma terminologia pr\u00f3pria bem caracter\u00edstica como \u201creunir-se para tirar resolu\u00e7\u00f5es\u201d.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara: <\/strong> Bom, tamb\u00e9m reconhe\u00e7o outras causas da situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica atualmente vivida por nossa cidade.\u00a0Lembro-me de\u00a0projetos criativos como o <em>Projeto da Lata<\/em>, que \u00a0meu \u00a0pai \u00a0Luis Rodrigues de Arag\u00e3o, \u00a0ajudou a \u00a0implementar\u00a0 na gest\u00e3o do General Cordeiro Neto. Tratava-se de aproveitar o trabalho\u00a0 dos presidi\u00e1rios nos cal\u00e7amentos de Fortaleza. Na sua opini\u00e3o, quais seriam as outras variantes \u00a0que se prendem \u00e0 administra\u00e7\u00f5es anteriores?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto<\/strong>: Quando exerci a Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Cear\u00e1 (SUDEC) e depois a Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Fortaleza na d\u00e9cada de 1970, tive a oportunidade\u00a0de insistir junto \u00e0s autoridades maiores para que se procurasse frear a incha\u00e7\u00e3o de Fortaleza. Elaborei inclusive um plano que estancaria em grande parte\u00a0 o fluxo desordenado de pessoas do interior para a Capital. Era um plano de concep\u00e7\u00e3o simples mas que dependia da a\u00e7\u00e3o governamental. Consistia em criar \u201cp\u00f3los ancilares \u201c em cidades estrat\u00e9gicas do interior do estado de modo a conter a onda migrat\u00f3ria do sert\u00e3o para a capital. A id\u00e9ia era criar, em cidades vocionadas como p\u00f3los regionais, uma estrutura capaz de atrair ind\u00fastrias, com\u00e9rcio e servi\u00e7os de molde a gerar empregos em cada regi\u00e3o, impedindo a migra\u00e7\u00e3o de levas para Fortaleza.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara: <\/strong> E quais seriam esses p\u00f3los al\u00e9m de Crato e Sobral?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto<\/strong>: Camocim, Crate\u00fas, que assim como Sobral est\u00e3o na Zona Norte do Cear\u00e1; Tau\u00e1 e Itapipoca no meio norte; Ic\u00f3, Quixad\u00e1, Iguatu e Baturit\u00e9, no centro; Crato que voc\u00ea j\u00e1 nomeou, Juazeiro\u00a0 e\u00a0 Barbalha no sul; e na zona jaguaribana Aracati e o bin\u00f4mio Limoeiro Russas. Dessa concep\u00e7\u00e3o de p\u00f3los somente floresceu o p\u00f3lo Barbalha, Juazeiro e Crato, fundamentalmente pela a\u00e7\u00e3o indutora da Universidade Federal do Cear\u00e1 por meio do projeto AZIMOV, concebido al\u00e9m\u00a0de mim, como diretor do Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas pelo magn\u00edfico reitor Martins Filho e\u00a0 por Jo\u00e3o Jos\u00e9 de S\u00e1 Parente. Conseguimos apoio da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0 dos\u00a0\u00a0 Estados Americanos) e da Universidade da Calif\u00f3rnia (USA), sob o comando do Professor Morris Azimov, para desenvolver no Cariri cearense um esfor\u00e7o de progresso regional. O \u00eaxito obtido na regi\u00e3o\u00a0 do Cariri foi \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o de que se tivesse sido implementada a estrat\u00e9gia de desconcentrac\u00e3o do desenvolvimento em Fortaleza, outra e bem melhor seria a situa\u00e7\u00e3o da cidade, hoje padecente de verdadeira \u201c macrocefalia incha\u00e7\u00e3o demo-social n\u00e3o cong\u00eanita mas end\u00eamica\u201d,\u00a0 no dizer inspirado do intelectual conterr\u00e2neo Caio L\u00f3scio Botelho, de tantas contribui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ao Cear\u00e1. S\u00e3o portanto, v\u00e1rios os fatores que contribu\u00edram para a agudiza\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica\u00a0da m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o da vida urbana em Fortaleza.Destacamos como causadoras diretas dos problemas, a inc\u00faria de uns e a m\u00e1 f\u00e9 de outros administradores, al\u00e9m da paix\u00e3o desenfreada de lucro\u00a0da maioria dos empres\u00e1rios, os quais somente pensaram na obten\u00e7\u00e3o desse lucro imediato sem vislumbre de proje\u00e7\u00f5es futuras.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara: <\/strong> Poderia enumerar exemplos concretos das suas afirma\u00e7\u00f5es?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto<\/strong>: Uma prova clara do que ora colocamos est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o do Porto do Pec\u00e9m, a 40 quil\u00f4metros\u00a0do Porto do Mucuripe. Trata-se de uma duplica\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria e um disperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos que poderiam ter uma melhor e mais adequada destina\u00e7\u00e3o. Neste caso, teria sido\u00a0\u00a0 mais\u00a0 racional projetar um porto adicional em Camocim, o qual serviria n\u00e3o apenas \u00e0 Zona Norte\u00a0\u00a0 mas como escoamento do vizinho Estado do Piau\u00ed. \u00c9 que o Porto de Parna\u00edba apesar da grande soma\u00a0de recursos nele investido n\u00e3o se viabilizou em face de sua localiza\u00e7\u00e3o em um Delta, com a descarga do rio aterrando a sa\u00edda da barra. Bem que o governo do Piau\u00ed em conjuga\u00e7\u00e3o com o do Cear\u00e1\u00a0 poderiam ter projetado a reativa\u00e7\u00e3o do Porto de Camocim, com a simples dragagem da foz do rio Corea\u00fa e a recupera\u00e7\u00e3o dos ancoradouros de um porto natural que j\u00e1 foi \u00e0 porta de sa\u00edda mar\u00edtima do Estado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>\u00a0Luciara:<\/strong> Historicamente, no que se refere a Camocim, a chamada costa leste- oeste, com caracter\u00edsticas\u00a0\u00a0\u00a0 especiais de correntes contr\u00e1rias, ventos fortes e formadores de dunas, facilitava o encalhe de embarca\u00e7\u00f5es, tornando a regi\u00e3o de dif\u00edcil acesso. O porto de Fortaleza foi tamb\u00e9m um s\u00e9rio problema \u00e0 atraca\u00e7\u00e3o de navios de m\u00e9dio e grande calado devido \u00e0s correntes e ventos respons\u00e1veis pelos chamados bancos de areia. Tratei desse tema na minha monografia de mestrado na USP, hoje esgotada,\u00a0\u00a0 \u201cA Ibiapaba\u00a0 do\u00a0 S\u00e9culo\u00a0 XVII\u00a0 e\u00a0 uma\u00a0 an\u00e1lise\u00a0 de\u00a0 suas condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas atuais\u201d. Sou tamb\u00e9m preocupada com a identifica\u00e7\u00e3o do que fazer com as disponibilidades dos recursos humanos e materiais que sobram na regi\u00e3o da Ibiapaba e em outras regi\u00f5es do Cear\u00e1.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Conhe\u00e7o o seu livro e lembro que ele integrou a cole\u00e7\u00e3o Estudos Cearenses e foi publicado\u00a0na gr\u00e1fica do irm\u00e3o do nosso querido e saudoso historiador Geraldo da Silva Nobre. Acontece\u00a0\u00a0que muitas raz\u00f5es pessoais interferem na tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas. No caso da op\u00e7\u00e3o por Pec\u00e9m,\u00a0ela deu-se simplesmente porque, segundo relatos de pessoas bem informadas, um pol\u00edtico muito\u00a0influente da \u00e1rea, quis valorizar extraordinariamente seus terrenos, anteriormente adquiridos\u00a0 nas\u00a0 proximidades.\u00a0 S\u00e3o\u00a0 coisas\u00a0 deste\u00a0 Brasil\u00a0 de m\u00e3e preta\u00a0 e pai Jo\u00e3o. Observe\u00a0 que\u00a0 as\u00a0 dificuldades geogr\u00e1ficas n\u00e3o seriam atualmente empecilhos para a localiza\u00e7\u00e3o de portos. Vou citar outro fato que testemunha a inc\u00faria dos nossos administradores. Veja a paralisa\u00e7\u00e3o\u00a0 do\u00a0 Metr\u00f4\u00a0 que\u00a0 deveria partir da Esta\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Tom\u00e9 at\u00e9 Pacatuba e que se encontra com sua constru\u00e7\u00e3o paralisada,\u00a0com apenas 43% de obras feitas, ap\u00f3s seu bomb\u00e1stico lan\u00e7amento h\u00e1 mais de dez anos, estrepitosamente instalada sua pedra fundamental, com ensurdecedor pipocar de foguetes e fogos de artif\u00edcio no melhor estilo liban\u00eas. Veja por igual a ponte sobre o Rio Coc\u00f3 ligando a Praia do Futuro ao Sabiaguaba que jaz inacabada, pela a\u00e7\u00e3o delet\u00e9ria de falsos ambientalistas defensores intransigentes do meio ambiente \u00e1vidos para aparecerem na m\u00eddia a qualquer pre\u00e7o, numa demonstrac\u00e3o de vaidade doentia. Como o nosso aparelho judici\u00e1rio supera a lentid\u00e3o das tartarugas ou dos bichos pregui\u00e7a devemos ter para frente mais uns dez anos at\u00e9 a solu\u00e7\u00e3o do impasse para prosseguimento das obras. Outro setor da cidade tamb\u00e9m prejudicado pelos indevidos protetores\u00a0\u00a0do meio ambiente \u00e9 a Praia de Iracema. A tradicional praia foi atingida por in\u00edqua a\u00e7\u00e3o judicial que impediu a recupera\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de tanto interesse tur\u00edstico. \u00c9 incr\u00edvel, mas a popula\u00e7\u00e3o deveria mobilizar-se para a constru\u00e7\u00e3o na Praia de Iracema do memorial Museu do Mar, cuja concep\u00e7\u00e3o foi entregue em Maquete \u00e0 Prefeitura de Fortaleza pelo genial arquiteto Oscar Niemeyer. H\u00e1 c\u00f3pia dessa Maquete exposta no OLHO em Curitiba (Pr), que \u00e9 tamb\u00e9m uma cria\u00e7\u00e3o de Niemeyer.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">Posso\u00a0 ainda\u00a0 citar\u00a0 outro exemplo\u00a0 de\u00a0\u00a0 inc\u00faria\u00a0 das administra\u00e7\u00f5es\u00a0 p\u00fablicas de nossa decantada Fortaleza de Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o, \u00e9 o caso da duplica\u00e7\u00e3o da rodovia que liga a cidade de Pacajus a Fortaleza, que \u00e9 o\u00a0 corredor\u00a0 de\u00a0 acesso\u00a0 mais importante desta Metr\u00f3pole, visto\u00a0 como parte da BR-116 que liga o Sul do nosso Pa\u00eds ao Nordeste. Ora, essa obra fundamental arrasta-se tamb\u00e9m por mais de dez anos e ainda n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00edda. Por tudo isso, observo que n\u00e3o se prenuncia dos mais alentadores o futuro de Fortaleza Bela.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Penso que o slogan Fortaleza Bela brotou dos versos do poeta Paula Ney no seu soneto de amor a Fortaleza.\u00a0 Lembro\u00a0 que\u00a0 ele\u00a0 escreveu\u00a0\u00a0 \u201cloura\u00a0 do\u00a0 sol\u00a0 e branca de luares entre verbenas e jardins Pousada\u201d. N\u00e3o sei se a mem\u00f3ria vai ajudar,mas \u00e9 bel\u00edssimo este ode a Fortaleza: l\u00e1 canta\u00a0 em ramo\u00a0\u00a0\u00a0 canto um passarinho, h\u00e1 pipilos de amor em cada ninho na solid\u00e3o dos verdes matagais.\u00c9 Fortaleza a terra de Iracema, o decantado e espl\u00eandido poema de alegria e beleza universais. Vale a pena conferir esse monumento Paula Ney. Mas, direto ao ponto, quero que me diga,\u00a0 o\u00a0 que seria, para voc\u00ea a Fortaleza Bela?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> De fato, \u00e9 bel\u00edssimo esse soneto. \u00c9 uma pena que t\u00e3o poucos cultuem literariamente a mem\u00f3ria da cidade. Respondendo\u00a0 a\u00a0 sua\u00a0 pergunta\u00a0 direi\u00a0 que\u00a0\u00a0 a Fortaleza Bela para ser realmente bela e n\u00e3o apenas demagogicamente assim considerada como agora acontece por artif\u00edcio da propaganda falaciosa,\u00a0 teria\u00a0 que\u00a0 assumir\u00a0 outras\u00a0 configura\u00e7\u00f5es,\u00a0 bem\u00a0 diferentes\u00a0 da realidade\u00a0 atual.\u00a0\u00a0 Essa Fortaleza Bela que pretendem nos impingir n\u00e3o passa de uma balela. N\u00e3o me direi saudosista, mas para ser efetivamente bela, Fortaleza deveria contar com mais ou menos oitocentos a novecentos mil habitantes, tal como na d\u00e9cada de 1970. Ela assim se enquadraria dentro dos par\u00e2metros estipulados por soci\u00f3logos e antrop\u00f3logos contempor\u00e2neos nas cidades \u201cMeio-Termo\u201d,\u00a0\u00a0\u00a0 ou seja, ideais para se morar. Para eles a partir de um milh\u00e3o de habitantes a conviv\u00eancia citadina come\u00e7a a complicar-se em maior ou menor escala, em qualquer lugar do mundo. Graus de escala consoantes a educa\u00e7\u00e3o do povo e aos rigores da lei penal vigente em cada pa\u00eds. No caso brasileiro a coisa se complica, por que a nossa legisla\u00e7\u00e3o criminal \u00e9 a mais indulgente e miseric\u00f3rdiosa do mundo. Ali\u00e1s, neste ponto, cabe lamentar a inseguran\u00e7a da cidade. Dia a dia vem aumentando a inseguran\u00e7a instalada em nossa sociedade, gra\u00e7as a a\u00e7\u00e3o delet\u00e9ria de outros demagosos \u00a0os\u201d Defensores de Direitos Humanos\u201d, \u00a0patrocinadores \u00a0intransigentes\u00a0 de \u00a0marginais\u00a0 \u00a0e assassinos que pululam por todos os quadrantes da cidade. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que o turismo nacional e sobretudo internacional est\u00e1 minguando a olhos visto em Fortaleza, face \u00e0 agressividade urbana crescente. \u00c9 que nenhum turista por mais audacioso que seja, mesmo aqueles com finalidade do abjeto\u00a0 turismo sexual vem correr risco de vida numa cidade em que pululam\u00a0\u00a0os\u00a0 criminosos a ponto de que a m\u00e9dia de assassinatos alcan\u00e7a a cifra di\u00e1ria de cinco ou seis v\u00edtimas, elevando-se nos fins de semana para quinze a vinte, conforme dados de divulga\u00e7\u00e3o de estat\u00edstica recente.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Creio que h\u00e1 a boa inten\u00e7\u00e3o das autoridades competentes numa a\u00e7\u00e3o firme no combate ao crime, embora o caso da \u201cRonda dos Quarteir\u00f5es\u201d esteja causando mal estar dentro da pr\u00f3pria pol\u00edcia por conta de quest\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o pouco menor do que a dos oficiais de carreira e dos privil\u00e9gios do desfrute de carros especiais com ar condicionado.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Era sobre isso que eu ia falar. O pior \u00e9 que nessa conjuntura inquietante as medidas tomadas foram eivadas de erros t\u00e3o grosseiros que beiram pela incompet\u00eancia ou pela desonestidade envolvidas no seu contexto. Refiro-me a recente aquisi\u00e7\u00e3o de carros para equipar a nossa Pol\u00edcia, em que a op\u00e7\u00e3o do Governo Estadual foi a de adquirir viaturas car\u00edssimas. Cada uma delas atingiu a cifra de cento e cinq\u00fcenta mil reais, quando a boa l\u00f3gica aconselharia a compra de carros por um ter\u00e7o desse valor, estes at\u00e9 equipados com blindagem a prova de balas, bem mais seguros para os policiais, ressaltando-se que tal op\u00e7\u00e3o permitiria triplicar a capacidade da decantada \u201cRonda dos Quarteir\u00f5es\u201d ainda com a vantagem adicional de tamb\u00e9m triplicar a admiss\u00e3o\u00a0\u00a0de agentes de seguran\u00e7a pelo Estado. Por adendo, os pequenos assaltos na Avenida Beira Mar, local da maior import\u00e2ncia como atrativo tur\u00edstico, os assaltos n\u00e3o diminu\u00edram. A ponto do nosso ex-governador Lucio Alc\u00e2ntara ter sido assaltado em pleno exerc\u00edcio de seu Cooper di\u00e1rio. Tudo isso sem mencionar os graves problemas da sa\u00fade p\u00fablica com hospitais sem o condizente atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o,\u00a0 bem como, sem a adequada expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Outro ponto a ser destacado \u00e9 o aumento da oferta de empregos e a retomada do respeito e a conserva\u00e7\u00e3o\u00a0dos lugares hist\u00f3ricos patrim\u00f4nio da cidade. \u00c9 preciso preservar pr\u00e9dios hist\u00f3ricos, evitando-se o que ocorreu com o Castelo do Pl\u00e1cido e F\u00eanix Caixeiral. O estado da Casa do Portugu\u00eas na Avenida Jo\u00e3o Pessoa, diz bem do desprezo daquilo que poderia ser uma atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Ent\u00e3o, de tudo que foi dito, concluo que a humaniza\u00e7\u00e3o da cidade deve ser como voc\u00ea j\u00e1 disse tanto em suas palestras, uma filosofia administrativa; uma necessidade b\u00e1sica. Com certeza o desordenado crescimento populacional \u00e9 um problema que na minha opini\u00e3o n\u00e3o deveria ser invocado como motivo de grandeza da cidade. Pelo que foi dito at\u00e9 aqui o fato de tornar-se uma \u201cgrande cidade\u201d gera dificuldades na \u00e1rea propriamente urbana e em outros significativos segmentos de\u00a0suas zonas fisiogr\u00e1ficas dependentes. Estou certa em pensar assim?<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Com efeito, Fortaleza tem experimentado, nos \u00faltimos anos, acentuadas taxas de expans\u00e3o demogr\u00e1fica em rela\u00e7\u00e3o ao cear\u00e1 como um todo. Isso torna evidente a sua condi\u00e7\u00e3o de centro catalizador de movimentos populacionais de vastas regi\u00f5es sob sua influ\u00eancia, abrangendo quasetodo o chamado Nordeste \u00c1rido. Dessa forma, o acelerado processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, decorre do car\u00e1ter aglutinador das atividades comerciais e industriais, gerando marcantes desequil\u00edbrios no espa\u00e7o urbano, principalmente no que se refere ao atendimento das necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida, o incha\u00e7o da cidade pede mudan\u00e7as na forma de agir da atual administrac\u00e3o municipal. H\u00e1 que se modificar do \u201ctratamento do espa\u00e7o pelo espa\u00e7o\u201d trocando-o\u00a0pelo \u201ctratamento do espa\u00e7o para o homem\u201d, aceitando a concep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 o homem o fim \u00faltimo de todos os esfor\u00e7os do desenvolvimento. Na minha vis\u00e3o, humanizar a cidade \u00e9 melhorar\u00a0a qualidade de vida e integrar as popula\u00e7\u00f5es marginalizadas ao processo de desenvolvimento urbano. Estamos em pleno processo p\u00f3s- elei\u00e7\u00f5es municipais de\u00a0 05 de outubro, e como a atual administra\u00e7\u00e3o prefeitural foi reconduzida, considero que para o bem da cidade bem que \u00a0seria desej\u00e1vel um sincero esfor\u00e7o de humaniza\u00e7\u00e3o visando o nosso\u00a0 futuro . Obviamente \u00a0a a\u00e7\u00e3o administrativa conducente ao objetivo delineado implica no estabelecimento de programas setoriais, mesmo atentando para a intercomplementariedade e integra\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es\u00a0e atividades urbanas. Elas passam por implanta\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pontos. Existe uma real necessidade de mais cal\u00e7ad\u00f5es no per\u00edmetro central da cidade, al\u00e9m da \u00a0urbaniza\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0da faixa litor\u00e2nea e constru\u00e7\u00e3o de vias de acesso, circula\u00e7\u00e3o e de apoio aos conjuntos habitacionais circunvizinhos de \u00e1reas pr\u00f3ximas ao litoral, sobretudo no Pirambu e Praia do Futuro. A urbaniza\u00e7\u00e3o das lagoas do Opaia e Parangaba, \u00e9 uma exig\u00eancia que se imp\u00f5e para a cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas de laser, destinadas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es suburbanas. Lembro aqui que a sa\u00fade come\u00e7a pela eleva\u00e7\u00e3o da produtividade do servi\u00e7o de limpeza p\u00fablica, definindo o mais eficiente esquema operacional, amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de coleta e melhor execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os auxiliares e constru\u00e7\u00f5es de novos aterros sanit\u00e1rios. Os protetores do Meio ambiente, isto sim deveriam encetar campanhas e apoiar o poder p\u00fablico na preserva\u00e7\u00e3o recupera\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das \u00e1reas verdes,mediante acionamento de mecanismos institucionais para implanta\u00e7\u00e3o de projetos de cria\u00e7\u00e3o de bosques e pra\u00e7as e recupera\u00e7\u00e3o das praias e preserva\u00e7\u00e3o de locais de interesse tur\u00edstico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Eu me contentaria mesmo com a preserva\u00e7\u00e3o do existente, tal como a preserva\u00e7\u00e3o da Igreja do Ros\u00e1rio, fechada por falta de seguran\u00e7a, templo religioso de maior tradi\u00e7\u00e3o na cidade e da pra\u00e7a General Tib\u00farcio da Frota, her\u00f3i da Guerra do Paraguai. Al\u00e9m disso, que n\u00e3o se repetissem fatos tristes como a demoli\u00e7\u00e3o de parte do Pal\u00e1cio do Governo, ali bem ao lado da Igreja do Ros\u00e1rio e da pra\u00e7a citada, num desmemoriamento coletivo da hist\u00f3ria do Cear\u00e1. De vez em quando, alguns lampejos acontecem, \u00e9 o caso da\u00a0 recupera\u00e7\u00e3o do\u00a0Passeio P\u00fablico onde tombaram o Padre Moror\u00f3, Carapinima, Azevedo Bol\u00e3o e outros m\u00e1rtires da Confedera\u00e7\u00e3o do Equador\u00a0 movimento precursor da Rep\u00fablica no Brasil&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Voc\u00ea esqueceu de mencionar nossa hero\u00edna do Cariri a brava Dona B\u00e1rbara de Alencar. Vamos ver quanto tempo dura a novidade do bonito Passeio P\u00fablico, em frente a outro monumento hist\u00f3rico que \u00e9 a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Fortaleza. Infelizmente nas necess\u00e1rias reformas o teto da Capela ,em seu interior, foi modificado, mas se conserva a bel\u00edssima imagem de NossaSenhora no altar- mor. A amplia\u00e7\u00e3o do acesso aos bens culturais pela expans\u00e3o da capacidade instalada da rede de ensino, consubstanciada na constru\u00e7\u00e3o, reaparelhamento e melhor utiliza\u00e7\u00e3o de unidades escolares, dando-se um novo impulso ao ensino, poderia modificar esse quadro. O tratamento do espa\u00e7o urbano considerando seus aspectos est\u00e9ticos, paisag\u00edsticos e funcionais, \u00e9 a forma ideal de se alcan\u00e7ar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida na cidade. A melhoria da infra-estrutura de transportes tamb\u00e9m poder\u00e1 ajudar nas visitas e divulga\u00e7\u00e3o das formas de acesso ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade. Os interesses educacionais desse ponto de vista podem funcionar como uma\u00a0 ponte entre aspectos t\u00e9cnicos e pol\u00edticos, em proveito das comunidades que alcan\u00e7aram relativos est\u00e1gio \u00a0de \u00a0evolu\u00e7\u00e3o \u00a0e \u00a0desenvolvimento.\u00a0 Ao\u00a0 esfor\u00e7o\u00a0 em\u00a0 prol\u00a0 do\u00a0 desenvolvimento,\u00a0 com a mobiliza\u00e7\u00e3o geral de todas as lideran\u00e7as, por meio de simp\u00f3sios, conclaves, semin\u00e1rios, cria\u00e7\u00e3o de sites de iniciativa do poder p\u00fablico e das entidades empresariais, buscamos as sa\u00eddas \u00a0para\u00a0\u00a0 o\u00a0 progresso que visa a melhoria moral, cultural e espiritual do homem. Particularmente, entendo o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica como um sacerd\u00f3cio inspirado em duas motiva\u00e7\u00f5es altru\u00edsticas.\u00a0A primeira deriva do esp\u00edrito c\u00edvico, que sempre comandou as minhas a\u00e7\u00f5es na vida p\u00fablica. A segunda \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que a caridade mais efetiva \u00e9 a que se traduz em esfor\u00e7os concretos pelo desenvolvimento integral das comunidades. O subdesenvolvimento, seja na zona rural ou na \u00e1rea urbana deve voltar-se para mudan\u00e7a das infra-estruturas,\u00a0\u00a0 visando\u00a0\u00a0 \u00e0\u00a0\u00a0 melhoria\u00a0\u00a0 das\u00a0\u00a0 condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, vivenciais e educacionais do homem formatando uma consci\u00eancia para o desenvolvimento que \u00e9 tamb\u00e9m uma tarefa de lideran\u00e7as pol\u00edticas e comunit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">\u00a0<strong>Luciara:<\/strong> Em linhas gerais, concordo plenamente com tudo que foi dito at\u00e9 aqui. Quero por\u00e9m aproveitar o fato de estar diante de um em\u00e9rito professor de planejamento e economia para que me fale sobre\u00a0 a problem\u00e1tica econ\u00f4mica de Fortaleza e de como a cidade funciona como p\u00f3lo do Nordeste \u00c1rido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Obrigado. Segundo a pr\u00f3pria metodologia da divis\u00e3o de Geografia do IBGE, a rede urbana brasileira est\u00e1 hierarquizada, quanto \u00e0 centralidade, em Centros de Primeira Ordem\u00a0\u00a0 que s\u00e3o\u00a0\u00a0\u00a0 as metr\u00f3poles nacionais, metr\u00f3poles regionais equipadas, metr\u00f3poles regionais sub-equipadas, \u00a0\u00a0e Centros de\u00a0 Segunda Ordem-Centros importantes com equipamentos irregulares e Centros de Terceira Ordem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A cidade de Fortaleza pertence\u00a0 ao\u00a0 grupo das\u00a0 metr\u00f3poles\u00a0 regionais\u00a0 sub-equipadas, juntamente com Salvador, Recife e Bel\u00e9m. Por outro lado, a grande \u00e1rea de influ\u00eancia de nossa cidade atinge todos os munic\u00edpios da \u00e1rea metropolitana Caucaia, Aquiraz, Eus\u00e9bio, Maracana\u00fa,\u00a0 Maranguape e Pacatuba e \u00a0ao \u00a0norte \u00a0Sobral, \u00a0bem \u00a0como \u00a0Parna\u00edba \u00a0e \u00a0Teresina \u00a0no \u00a0Piau\u00ed. Entretanto, nossa metr\u00f3pole sofre certa concorr\u00eancia de Recife, ela pr\u00f3pria dependendo de bens e servi\u00e7os de equipamentos funcionais existentes na capital pernambucana. Apesar\u00a0 do\u00a0 grande\u00a0 surto\u00a0 de\u00a0 desenvolvimento\u00a0 que\u00a0 ocorreu em Fortaleza nos \u00faltimos anos, ela ainda n\u00e3o se encontra totalmente equipada para desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es metropolitanas. Contudo, nossa cidade exerce um papel hist\u00f3rico, pol\u00edtico-administrativo e econ\u00f4mico da mais alta import\u00e2ncia regional. Seu crescimento urbano, por exemplo, se constitui h\u00e1 muito\u00a0 num\u00a0\u00a0 importante mercado para habilita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento das ind\u00fastrias de materiais de constru\u00e7\u00e3o\u00a0no interior do Estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Sem d\u00favida as novas constru\u00e7\u00f5es s\u00e3o a marca de Fortaleza, belos pr\u00e9dios com arquitetura moderna e inovadora. Penso que se fomenta o surgimento de uma mentalidade empresarial, levando a uma ado\u00e7\u00e3o progressiva de crit\u00e9rios de racionalidade. Voc\u00ea concorda?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Foi justamente o mercado dos incentivos fiscais o que estimulou o aparecimento de novas empresas e a reten\u00e7\u00e3o de renda que tradicionalmente se desviava para outras regi\u00f5es, o que fomentou essa mentalidade. Esta racionalidade est\u00e1 presente na ado\u00e7\u00e3o progressiva de crit\u00e9rios de racionalidade sim, mas o importante \u00e9 que isto acontece nas decis\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas tanto do setor privado como do setor p\u00fablico. Atualmente, Fortaleza pe um dos principais focos de irradia\u00e7\u00e3o dessa nova mentalidade na regi\u00e3o nordestina do Pa\u00eds. Isto acontece porque temos aqui a sede de duas das mais importantes ag\u00eancias de desenvolvimento regional, o Banco do Nordeste\u00a0do Brasil e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS. Al\u00e9m disso, temos os atrativos da cidade, como \u00e1rea residencial, e a expans\u00e3o de ofertas de servi\u00e7os, com novas\u00a0\u00a0\u00a0 possibilidades de consumo, induzindo a uma posi\u00e7\u00e3o importante de centralidade e, parcialmente, de difus\u00e3o de novos gostos e h\u00e1bitos mais modernos. Conta tamb\u00e9m o nosso Porto do Mucuripe, razoavelmente equipado, e a expans\u00e3o da infra-estrutura rodovi\u00e1ria contribuindo decisivamente\u00a0 para o aumento da zona de influ\u00eancia de Fortaleza no meio nordestino. Conseq\u00fcentemente isto facilita os fluxos comerciais que s\u00e3o da maior import\u00e2ncia para a cidade, cuja vida econ\u00f4mica depende deles em larga escala. Ainda, os fluxos econ\u00f4micos entre a Capital e os demais Munic\u00edpios tornaram-se mais intensos. Fortaleza \u00e9 tamb\u00e9m preponderante em termos econ\u00f4micos, no desempenho do papel de atra\u00e7\u00e3o no chamado meio norte, que compreende al\u00e9m do Cear\u00e1, o Rio Grande do Norte o Piau\u00ed e o Maranh\u00e3o. N\u00e3o tenho aqui nesse momento os dados demonstrativos do IBGE, mas eles mostram Fortaleza como a primeira entre as Capitais dessa regi\u00e3o pluri-estadual, superando de longe Natal, S\u00e3o Luis e Teresina, quanto ao valor de transformac\u00e3o industrial, vendas a varejo e valor dos t\u00edtulos descontados. Temos ent\u00e3o que Fortaleza \u00e9\u00a0 o terceiro p\u00f3lo de desenvolvimento nordestino. Do ponto de vista hist\u00f3rico econ\u00f4mico posso nomear quatro raz\u00f5es que t\u00eam contribu\u00eddo para o processo de crescimento urbano de Fortaleza. Princ\u00edpio pela concentra\u00e7\u00e3o do excedente do setor prim\u00e1rio por meio dos mecanismos de comercializa\u00e7\u00e3o, financiamento, arrecada\u00e7\u00e3o fiscal e beneficiamento industrial. Em segundo lugar,Fortaleza concentra os investimentos, sejam de cunho social, devido sobretudo ao setor p\u00fablico seja os de cunho estritamente lucrativo pertinentes ao setor privado. O desenvolvimento do setor terci\u00e1rio e da crescente diversifica\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os na Capital tem o impulso, inclusive,\u00a0\u00a0\u00a0 dos acr\u00e9scimos de renda, gerados pelas novas ind\u00fastrias. Por \u00faltimo posso citar o \u00eaxodo rural causa do pela estagna\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do campo, ao insucesso da incorpora\u00e7\u00e3o de terras, os n\u00edveis de crescentes de rendimento f\u00edsico e fatores de ordem institucional, al\u00e9m das secas e estiagens.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Penso que pode ser mencionado ainda o fator de urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada da Capital pela pr\u00f3pria aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es competitivas para intensificar o seu crescimento em ritmo proporcional de\u00a0 Fortaleza\u00a0 embora\u00a0 em\u00a0 algumas\u00a0 dela\u00a0 tenha se dado o desenvolvimento de uma necess\u00e1ria infra-estrutura&#8230;O que acha?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Certamente. Este crescimento de Fortaleza foi fruto tamb\u00e9m de um fluxo ben\u00e9fico de capital externo. Quando acumulou as fun\u00e7\u00f5es administrativas, portu\u00e1rias, comerciais e financeiras, Fortaleza constituiu-se no principal mercado do Estado do Cear\u00e1 e atraiu para si os investimentos de capitais p\u00fablicos e privados da regi\u00e3o. Vale salientar que isto n\u00e3o seria poss\u00edvel se a cidade n\u00e3o pudesse atender com um n\u00edvel razo\u00e1vel de servi\u00e7os, a elite comercial-agr\u00e1rio-financeira que dirigia a economia do Cear\u00e1 e, parcialmente, a de Estados vizinhos. Observe que a industrializa\u00e7\u00e3o refor\u00e7ou os mecanismos polarizadores de Fortaleza, a partir da segunda metade da d\u00e9cada de sessenta. Este surto de industrializa\u00e7\u00e3o aconteceu atrav\u00e9s dos instrumentos de\u00a0 incentivos fiscais e financeiros, via BNB e\u00a0 a\u00a0 Sudene. Esses incentivos, tiveram papel preponderante para os interesses metropolitanos, na medida em que inverteram ou atenuaram a tend\u00eancia \u00e0 fuga de recursos que come\u00e7aram a esbo\u00e7ar-se. Do ponto de vista da distribui\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0 no espa\u00e7o, Fortaleza det\u00e9m a maior concentra\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias de transforma\u00e7\u00e3o no e no\u00a0\u00a0 meio norte. S\u00e3o cerca de oitenta porcento das ind\u00fastrias do Cear\u00e1 localizando-se nos munic\u00edpios de Fortaleza e Maracana\u00fa. Agora, observe que apesar do grau de industrializa\u00e7\u00e3o da cidade, o setor industrial s\u00f3 absorve dezoito porcento da for\u00e7a de trabalho do munic\u00edpio. Com foco\u00a0no beneficiamento de produtos prim\u00e1rios o emprego industrial concentrou-se nos g\u00eaneros aliment\u00edcios, t\u00eaxtil de vesti\u00e1rios e cal\u00e7ados, que representam setenta e tr\u00eas porcento do valor da produ\u00e7\u00e3o e sessenta e quatro porcento do emprego no setor. Tenho boa mem\u00f3ria e sei que as atividades metal\u00fargicas, eletr\u00f4nicas e de transportes abrangem quinze porcento do valor da produc\u00e3o e quatro porcento do emprego. No setor de\u00a0 recursos\u00a0 minerais,\u00a0 temos\u00a0 a\u00a0 diatomita,\u00a0 argila, sal marinho e \u00e1gua mineral. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Andei folheando alguns levantamentos feitos para a elabora\u00e7\u00e3o de planos governamentais e vi\u00a0\u00a0 que quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do valor bruto\u00a0 da\u00a0 produ\u00e7\u00e3o\u00a0 e\u00a0 investimentos\u00a0 do\u00a0 setor industrial\u00a0do Estado destacam-se principalmente, os sub-setores de produtos alimentares, ind\u00fastria t\u00eaxtil, met\u00e1lica e\u00a0 qu\u00edmica. Pode falar sinteticamente sobre cada um deles?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Tudo bem. Vamos come\u00e7ar pelos produtos alimentares, ramo industrial que concorreu prioritariamente em rela\u00e7\u00e3o aos demais. Deixe-me conferir aqui essas anota\u00e7\u00f5es&#8230;Olhe, este sub-setor \u00e9 formado por 1788 unidades, das quais 1747 ou 94,80% s\u00e3o pequenas e 41 ou 5,29% s\u00e3o m\u00e9dias e grandes. S\u00e3o estas \u00faltimas que est\u00e3o ligadas ao beneficiamento de castanhas, produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leos e gorduras hidrogenadas, de massas aliment\u00edcias, doces, sucos de fruto e produtos\u00a0de pesca. Isto vem crescendo com os acenos do mercado externo que se apresenta com excelentes\u00a0 perspectivas. Vamos para a ind\u00fastria t\u00eaxtil, este sub-setor representa, em Fortaleza, o segundo maior ramo de atividade industrial. Este campo cresce em fun\u00e7\u00e3o dos fatores clim\u00e1ticos favor\u00e1veis, exist\u00eancia de m\u00e3o-de-obra abundante e a custos relativamente baixos e, fundamental\u00a0mente, de mat\u00e9ria prima suficiente para a montagem de um parque t\u00eaxtil sofisticado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara<\/strong>: Observe que a ind\u00fastria t\u00eaxtil realmente caminha juntamente com o setor de cal\u00e7ados para a sofistica\u00e7\u00e3o com as escolas de moda, est\u00edmulos \u00e0 profiss\u00e3o de modelo, constantes desfiles\u00a0 e estilistas como Lino Villaventura. Esta moda criada \u00a0no Cear\u00e1 est\u00e1 indo, paulatinamente ao exterior\u00a0com \u00a0suas rendas t\u00edpicas e bordados regionais&#8230;Alguns desses ramos de confec\u00e7\u00f5es de artigos de\u00a0 vestu\u00e1rio possuem hoje algumas empresas de m\u00e9dio e grande porte, algumas delas modernamente instaladas e dispondo de tecnologia atualizada. Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> \u00c0 medida que se d\u00ea\u00a0 a\u00a0 montagem\u00a0 do\u00a0 parque\u00a0 t\u00eaxtil\u00a0\u00a0 a ind\u00fastria de confec\u00e7\u00f5es ser\u00e1 diretamente beneficiada pois ela lhe fornecer\u00e1 os bens intermedi\u00e1rios necess\u00e1rios a sua exporta\u00e7\u00e3o. Quero lembrar que at\u00e9 1972, quase toda a mat\u00e9ria- prima utilizada pela ind\u00fastria de cal\u00e7ados foi adquirida no Sul do Pa\u00eds. Quando, em 1973, d\u00e1-se o in\u00edcio do funcionamento de um grande curtume, principiou-se o processo de altera\u00e7\u00e3o da estrutura de oferta de couros e peles curtidos. Isto facilitar\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es para a exporta\u00e7\u00e3o de cal\u00e7ados. N\u00e3o deixe que me perca, vamos voltar por ordemao exame dos sub-setores que voc\u00ea prop\u00f4s. No caso da ind\u00fastria qu\u00edmica sobressai-se o sub-ramo produtor de \u00f3leos e gorduras vegetais. A dinamiza\u00e7\u00e3o do setor prim\u00e1rio com as culturas oleaginosas , pode proporcionar a elimina\u00e7\u00e3o da capacidade ociosa desse grupo de ind\u00fastria. Vamos conferir os dados: o sub-setor possui 10,77% do volume de invers\u00f5es e contribui com 9,88% do valor bruto da produ\u00e7\u00e3o industrial. Temos ainda a examinar, as ind\u00fastrias metal\u00fargicas, sub-setor dependente direto do a\u00e7o e do ferro importados do Centro Sul, estando pois sujeito \u00e0 suas flutua\u00e7\u00f5es. O problema \u00e9 que al\u00e9m da disponibilidade de mat\u00e9ria prima, a expans\u00e3o desse campo requer eleva\u00a0dos investimentos alta tecnologia e mercado consumidor sofisticado. Al\u00e9m de tudo, os projetos requerem longos prazos na manuten\u00e7\u00e3o. Mesmo assim este sub-setor \u00e9 o terceiro mais importante\u00a0em volume de emprego e o segundo em valor de invers\u00f5es VBP gerado. Agora vamos aos n\u00fameros, no Cear\u00e1, as ind\u00fastrias metal\u00fargicas det\u00eam 8,35% das invers\u00f5es totais e geram 8,82% do valor bruto da produ\u00e7\u00e3o industrial.Falamos dos minerais n\u00e3o- met\u00e1licos, sub-setor que representa entre as empresas produtoras de bens intermedi\u00e1rios, o segundo maior ramo em emprego oferecido e o terceiro em volume de investimento e valor bruto da produ\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 impulsionado principalmente pelas ind\u00fastrias de cimento, de ladrilhos cer\u00e2micos e de azulejos. Quero ressaltar o padr\u00e3o de qualidade dos produtos colocando o Estado em p\u00e9 de igualdade com outros centros mais desenvolvidos do Pa\u00eds. \u00c9 este ramo de atividade um dos que mais absorvem mat\u00e9ria primas\u00a0\u00a0de origem local. O cimento, materiais cer\u00e2micos e cal s\u00e3o os principais produtos usados e constituem insumos da ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o. Sua demanda \u00e9 grande, sendo sempre superior \u00e0 capacidade de produ\u00e7\u00e3o das empresas. Esperamos num futuro pr\u00f3ximo a expans\u00e3o dos p\u00f3los t\u00eaxteis e coreiro para que se substitua a importa\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas para a ind\u00fastria de cal\u00e7ados e de artigos de vesti\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> E quanto \u00e0 expans\u00e3o comercial de Fortaleza Pauloroberto? A cidade \u00e9 tamb\u00e9m p\u00f3lo dominante no plano comercial, e exerce fun\u00e7\u00e3o polarizadora, junto aos munic\u00edpios cearenses e aos Estados vizinhos.\u00a0 Como a analisa?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Ora, as atividades do setor terci\u00e1rio vem no crescendo e se diversificam em ritmo acelerado, transformando Fortaleza em uma zona privilegiada de atividade terci\u00e1ria, nela concentrando a maior parte da for\u00e7a de trabalho.Foi esta fun\u00e7\u00e3o comercial que incrementou sobremaneira o crescimento da cidade. Este crescimento foi causado principalmente pela exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias primas ao exterior. Apesar de Fortaleza, ocupar na atualidade, o quarto lugar em grandeza populacional no Pa\u00eds, posi\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada em 2005, observe-se que nesse novo mil\u00eanio, a cidade experimentou a sua mais alta taxa de crescimento demogr\u00e1fico nos \u00faltimos 35 anos. Infelizmente\u00a0\u00a0os componentes humanos dessa migra\u00e7\u00e3o s\u00e3o, em sua maioria jovens desprovidos de condi\u00e7\u00f5es materiais e educacionais satisfat\u00f3rias o que tem gerado s\u00e9rios problemas. Isto se deve ao fato de que continuar\u00e1 a haver uma indu\u00e7\u00e3o n\u00e3o controlada no crescimento das popula\u00e7\u00f5es marginais, criando sempre necessidades maiores de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de infra-estrutura b\u00e1sica por parte\u00a0 do poder p\u00fablico. Tem mais, isto vem \u00a0a comprometer \u00a0o \u00a0n\u00edvel de\u00a0 desemprego existente.Tudo\u00a0 isso em seu conjunto ajuda a explicar a falta de desenvolvimento de um centro financeiro, decorrente da fun\u00e7\u00e3o comercial, entre n\u00f3s pouco desenvolvido como em outros centros urbanos do Nordeste, caso de Salvador e Recife. No setor terci\u00e1rio est\u00e1 a maior fonte de empregos em Fortaleza, tendo o \u00edndice de aglutina\u00e7\u00e3o no centro da Cidade e no bairro da\u00a0 Aldeota, de 70 a 80%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Corrigir os erros de planejamento p\u00fablico e evitar os problemas de incha\u00e7\u00e3o urbana, procurando ainda tornar a Cidade mais acolhedora e humana, sem contudo restringir o seu crescimento, me parece ser a ess\u00eancia da pergunta de como seria a Fortaleza Bela. O que acha?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Realmente, o poder p\u00fablico tem que priorizar o objetivo de evitar problemas de incha\u00e7\u00e3o urbana por meio do uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo no interior do Estado. Entristece saber do aumento dos \u00edndices de criminalidade na Grande Fortaleza e at\u00e9 mesmo nas maiores cidades do interior, fen\u00f4meno que se agudiza afinal em todo o Pa\u00eds, a ponto\u00a0 de\u00a0 ter\u00a0 a\u00a0 UNESCO\u00a0 registrado\u00a0 a\u00a0 cifra de 49.123 assassinatos no Brasil s\u00f3 em 2005 o que nos confere a lideran\u00e7a mundial na viol\u00eancia, superando as mortandades anuais verificadas nas Guerras do Vietn\u00e3, do Kosovo e do Iraque. Triste resultado da legisla\u00e7\u00e3o penal que vigora em nossa P\u00e1tria, ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 de1982, que estabeleceu uma legisla\u00e7\u00e3o tolerante, indulgente, e de falsa miseric\u00f3rdia protegendo aos delinq\u00fcentes e a inimputabilidade dos menores de 18 anos, hoje transformados em pontas-de-lan\u00e7a do tr\u00e1fico de drogas e dos crimes mais hediondo. <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">Em tese, tudo parece muito f\u00e1cil. Sabemos que toda prefeitura para cumprir o seu papel de ordenamento do processo de expans\u00e3o de sua \u00e1rea urbana, deve ter um plano diretor de desenvolvimento. Como fruto da nossa experi\u00eancia podemos afirmar que 85% das receitas da prefeitura\u00a0 de\u00a0 Fortaleza, s\u00e3o voltadas a assegurar as despesas de custeio, falo daquelas relacionadas com o pagamento do funcionalismo e aquisi\u00e7\u00e3o de material de consumo al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o dos diferentes servi\u00e7os p\u00fablicos frisando de forma especial as do Instituto Dr. Jos\u00e9 Frota voltado pata o \u00e2mbito da sa\u00fade e o Departamento de Limpeza P\u00fablica. Os 15% restantes do or\u00e7amento para investimento, inclui a amortiza\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas da gest\u00e3o anterior ficando, portanto, \u00f3bvio que o \u00fanico caminho a ser buscado \u00e9 carrear numer\u00e1rio de fontes externas para refor\u00e7ar o er\u00e1rio do munic\u00edpio.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">\u00a0\u00a0\u00a0 V\u00ea-se que \u00e9 indispens\u00e1vel a obten\u00e7\u00e3o de dinheiro dos \u00f3rg\u00e3os financiadores para realiza\u00e7\u00e3o de\u00a0 obras p\u00fablicas. E como poder\u00e1 ser isso perguntara voc\u00ea? Eu lhe respondo que a sa\u00edda \u00e9 a elabora \u00e7\u00e3o de projetos a serem encaminhados aos \u00f3rg\u00e3os financiadores. Este \u00e9 o \u00fanico meio vi\u00e1vel\u00a0\u00a0de levantar fundos o outro \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o desenfreada da arrecada\u00e7\u00e3o de tributos o que se sabe n\u00e3o ser poss\u00edvel. A minha sugest\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um Balc\u00e3o de Projetos composto por bons t\u00e9cnicos imbu\u00eddos de capacidade funcional para a elabora\u00e7\u00e3o de projetos a serem encaminhados\u00a0\u00a0 aos \u00f3rg\u00e3os financiadores, tentando concomitantemente v\u00e1rias fontes de financiamento.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Bom, observo que voc\u00ea chegou onde eu queria. Refiro-me a sugest\u00f5es v\u00e1lidas para que possa ser cumprido um Plano Diretor de Desenvolvimento. \u00c9 preciso inovar desde a elabora\u00e7\u00e3o e controle or\u00e7ament\u00e1rio at\u00e9 a id\u00e9ia de um desenvolvimento participativo que inclua a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Com prazer. Inicio pelo \u00a0problema da limpeza p\u00fablica o qual se n\u00e3o est\u00e1 todo solucionado, pelo acoleta do \u00a0lixo vem\u00a0 sendo conduzida\u00a0 com\u00a0 razo\u00e1vel\u00a0 regularidade, tendo\u00a0 mais que\u00a0 duplicado\u00a0 o n\u00famero de detritos s\u00f3lidos nos \u00faltimos anos. Tamb\u00e9m a campanha junto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o para ensacamento\u00a0 do lixo, o seu n\u00e3o acumulamento nas cal\u00e7adas e a proibi\u00e7\u00e3o de entulhos das constru\u00e7\u00f5es\u00a0como lixo domiciliar\u00a0 s\u00e3o importantes. Infelizmente faz-se necess\u00e1rio \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de multas\u00a0 pois\u00a0\u00a0nossa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 educada o suficiente para obedecer \u00e0s normas estabelecidas. Saliento que\u00a0 a quest\u00e3o da \u00e1gua e esgoto transcende \u00e0 esfera municipal, uma vez que se situa na compet\u00eancia CAGECE, \u00f3rg\u00e3o estadual que promete a constru\u00e7\u00e3o de um interlocutor e emiss\u00e1rio oce\u00e2nico, indispens\u00e1vel \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das nossas praias. Ainda com rela\u00e7\u00e3o a eletrifica\u00e7\u00e3o de ruas, notadamente \u00a0nos bairros mais afastados, o assunto escapa propriamente da a\u00e7\u00e3o da prefeitura, pois \u00a0a\u00a0 ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e1 a cargo da COELCE, hoje privatizada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">Agora, quero voltar a falar e sugerir mudan\u00e7as a serem introduzidas na importante Secretaria Municipal de Planejamento. Vejo como indispens\u00e1vel \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de trabalhos da maior utilidade para a administra\u00e7\u00e3o municipal. Uma prefeitura necessita dar satisfa\u00e7\u00f5es aos mun\u00edcipes e nortear-se para aferir o seu pr\u00f3prio desempenho. Vejo como obra permanente para avaliar\u00a0 o crescimento da cidade a publica\u00e7\u00e3o de um Boletim Estat\u00edstico de Fortaleza assim como uma Revista de Planejamento da Prefeitura para avalia\u00e7\u00e3o das obras administrativas e sociais e sua correspondente execu\u00e7\u00e3o. Incluo a\u00ed um Ement\u00e1rio Resumo da Legisla\u00e7\u00e3o Municipal\u00a0e\u00a0uma Consolida\u00e7\u00e3o das Estruturas Administrativas da Prefeitura Municipal de Fortaleza. Proponho a realiza\u00e7\u00e3o de um Diagn\u00f3stico dos Bairros de Fortaleza, para identificar as necessidades de servi\u00e7os a serem implantados nas diversas \u00e1reas da cidade. Sem d\u00favida, a quest\u00e3o do controle or\u00e7ament\u00e1rio mesmo como resultante de estudos amadurecidos reduzindo a a\u00e7\u00e3o dos imprevistos \u00e9 mut\u00e1vel . At\u00e9 mesmo nos pa\u00edses socialistas onde a planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00edgida os or\u00e7amentos s\u00e3o alterados por circunst\u00e2ncias conjunturais. O importante a\u00ed s\u00e3o os crit\u00e9rios e a preval\u00eancia do rigor t\u00e9cnico. Veja voc\u00ea, sem o ajustamento de um or\u00e7amento e controle or\u00e7ament\u00e1rio, tanto\u00a0\u00a0da receita arrecadada quanto dos gastos por fun\u00e7\u00e3o, ainda dos \u00f3rg\u00e3os do governo; dos gastos\u00a0 com pessoal e previd\u00eancia social e mais as transfer\u00eancias \u00e0 administra\u00e7\u00e3o indireta pouco se far\u00e1. Saliento tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do trabalho de equipe, pois pouco ou nada se faz na administra\u00e7\u00e3o\u00a0 p\u00fablica sem\u00a0 o trabalho de equipe. \u00c9 preciso dar um basta nas burocracias dificultosas e entravante. \u00c9 melhor trabalhar com uma equipe pequena, por\u00e9m altamente qualificada, do que\u00a0\u00a0 com um excesso de funcion\u00e1rios desqualificados. Claro que toda equipe tem que ter um l\u00edder que trabalhe com entusiasmo e com um componente psicol\u00f3gico dinamizador que \u00e9 a consci\u00eancia do dever. Sei que o desenvolvimento n\u00e3o \u00e9 e nunca ser\u00e1 um milagre do governo. Na sua ess\u00eancia, o desenvolvimento \u00e9 participativo e come\u00e7a dentro de cada um de n\u00f3s. \u00c9 preciso formar uma consci\u00eancia participativa que \u00e9 a for\u00e7a da geratriz do progresso.\u00a0 Vou\u00a0 tentar\u00a0\u00a0 exemplificar\u00a0 com\u00a0 o exemplo do bairrismo&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Falando\u2013se em bairrismo creio que o melhor exemplo \u00e9 a cidade de Sobral, Zona Norte do Estado. Da\u00ed vem a express\u00e3o \u201cUnited States of Sobral\u201d, tanta \u00e9 a exalta\u00e7\u00e3o que fazem a sua terra&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Tem raz\u00e3o. Esse bairrismo t\u00e3o malsinado n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o o entranhado amor \u00e0 terra\u00a0 natal e na minha opini\u00e3o isto tem feito a grandeza de comunidades como essa. Existem outras\u00a0 \u00e9 o caso de Campina Grande na Para\u00edba, Feira de Santana na Bahia, Pelotas no Rio Grande do Sul, Mossor\u00f3 no Rio Grande do Norte, Campinas em S\u00e3o Paulo e Campos no Estado do Rio. De Norte a Sul o bairrismo tem funcionado de forma ben\u00e9fica a impulsionar o progresso que vaimais al\u00e9m de uma consci\u00eancia de desenvolvimento para se transformar numa m\u00edstica do desenvolvimento. Neste momento em que a conjuntura econ\u00f4mica internacional come\u00e7a a fazer sentir de modo forte os seus efeitos \u00e9 necess\u00e1rio uma mobiliza\u00e7\u00e3o entre companheiros, contendores e mesmo advers\u00e1rios. Dentro desse quadro o que vale \u00e9 buscar as solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e vi\u00e1veis para os problemas comuns \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Temos que trabalhar na base da pir\u00e2mide social, distribuindo o ensino em todos os setores, desenvolvendo a tecnologia, retirando o m\u00e1ximo da produtividade humana, expandindo a a\u00e7\u00e3o polarizadora da cidade. Uma cidade cada vez melhor \u00e9 uma cidade\u00a0 mais organizada, mais desenvolvida e mais humana. No espectro de todas essas considera\u00e7\u00f5es est\u00e1 o bin\u00f4mio desenvolvimento\/justi\u00e7a social.\u00a0 Este conflito entre pa\u00edses super desenvolvidos, pa\u00edses em vias de desenvolvimento e pa\u00edses subdesenvolvidos permeia as grandes cidades gerando dilemas. Parto da id\u00e9ia de que se o homem deseja tranq\u00fcilidade e paz para sua auto-realiza\u00e7\u00e3o, enriquecimento e prosperidade, as na\u00e7\u00f5es precisam alicer\u00e7ar-se em estruturas econ\u00f4micas e sociais que garantam a sua pr\u00f3pria continuidade e sustenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> \u00c9 da\u00ed que surge a concep\u00e7\u00e3o do desenvolvimento integral, pressupondo, em \u00faltima an\u00e1lise, o celebrado desenvolvimento com justi\u00e7a social?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Isto mesmo Luciara. Para explicar isto vou usar meus dons professorais, mas n\u00e3o vou me deter na explica\u00e7\u00e3o pormenorizada de cada uma das express\u00f5es, at\u00e9 porque elas s\u00e3o suficientemente conhecidas e discutidas por todos. Quando aludimos a desenvolvimento \u00e9 claro que estamos pensando na sua integralidade, numa abrang\u00eancia global da contextura econ\u00f4mica, cultural, pol\u00edtica e t\u00e9cnica, pois dificilmente poderia ocorrer, e isoladamente o desenvolvimento de cada um desses setores. At\u00e9 porque a vida nacional \u00e9 um conjunto formado e alimentado por todos esses componentes que citei. Sem sombra de d\u00favida, em sentido estrito, a medida do desenvolvimento\u00a0pode\u00a0ser aferida mais nitidamente por valores econ\u00f4micos. Sob esse \u00e2ngulo, o desenvolvimento\u00a0\u00a0 pode ser entendido como um processo pelo qual, em termos nacionais, o crescimento da produ\u00e7\u00e3o de\u00a0 bens e servi\u00e7os \u00e9 maior que o crescimento populacional da sociedade produtora. No curso desse\u00a0 racioc\u00ednio se a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os \u00e9 um resultante da combina\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra, recursos f\u00edsicos e capital, admiti-se que o desenvolvimento se acelera na medida do aumento da produtividade. Vale dizer que o total da produ\u00e7\u00e3o, dividido pelo total da popula\u00e7\u00e3o, nos oferece as produ\u00e7\u00e3o <em>per capita<\/em>, da\u00ed se evoluindo para a renda <em> per capita<\/em>. Assim, quanto maior a produtividade da m\u00e3o-de-obra, maior ser\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o <em>per capita<\/em> e o n\u00edvel do seu crescimento refletir\u00e1 o n\u00edvel do desenvolvimento. Neste passo, quero fazer algumas aprecia\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar vou me referir ao \u00edndice fornecido pela rela\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o total e a popula\u00e7\u00e3o total. Considero que o fato de tal rela\u00e7\u00e3o ser grande ou pequena \u00e9 a te certo ponto irrelevante. Veja, se de um lado temos a produ\u00e7\u00e3o, de outro temos o consumo e o investimento. A soma desses dois elementos \u00e9 portanto igual \u00e0quela. Dentro desse bojo fica a pergunta \u201cpara quem produzir\u201d? Ningu\u00e9m ignora que a participa\u00e7\u00e3o dos membros da popula\u00e7\u00e3o no consumo ser\u00e1 decorr\u00eancia de suas rendas. Contudo,\u00a0o\u00a0 total de renda poder\u00e1 gerar distor\u00e7\u00f5es ou desajustes com elevada concentra\u00e7\u00e3o da renda na m\u00e3o de poucos, evidenciando a marginaliza\u00e7\u00e3o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica e de seus benef\u00edcios. Eis porque se faz preciso recorrer de forma complementar a outros \u00edndices\u00a0 para se conceber o desenvolvimento numa express\u00e3o mais ampla. Vou citar alguns: aumento da popula\u00e7\u00e3o alfabetizada versus popula\u00e7\u00e3o total; aumento do consumo <em>per capita<\/em> de calorias; aumento da vida m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o observando o crescimento de idosos no nosso meio ,al\u00e9m do aumento <em>per capita<\/em> de energia e de diversos bens e servi\u00e7os. Teoricamente esses \u00edndices de crescimento material devem ser acompanhados de revisionamento nas rela\u00e7\u00f5es entre os grupos sociais e as institui\u00e7\u00f5es, sem o que o desenvolvimento ser\u00e1 destitu\u00eddo de maior conte\u00fado social e obviamente tender\u00e1 ao seu pr\u00f3prio desvirtuamento. Ali\u00e1s, teoricamente para ser bem claro \u00e9 uma refer\u00eancia \u00e0 necessidade de transforma\u00e7\u00e3o das mentalidades&#8230;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Voc\u00ea tem raz\u00e3o e as ci\u00eancias humanas se aperceberam de que \u00e9 imposs\u00edvel reduzir o objeto\u00a0 de\u00a0 seus estudos a uma pretensa objetividade deixando escapar tanto do que mais caracteristicamente apresenta o ser humano. O homem \u00e9 agente e n\u00e3o paciente, mas mesmo assim como j\u00e1 assinalaram todos os grandes historiadores sociais como Braudel, Lefebvre, Marc Bloch, Lucien Febvre,e Vitorino Godinho, a mentalidade \u00e9 resistente a mudan\u00e7as e o concreto coletivo, \u00e9 um concreto social, embora em graus diferentes. E com todo o seu peso o social est\u00e1 no centro&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Cert\u00edssimo. Como administrador e economista percebi desde cedo a necessidade de complementar minha forma\u00e7\u00e3o com leituras sobre Hist\u00f3ria e Sociologia. Na minha vis\u00e3o, o processo de\u00a0desenvolvimento reflete muito mais uma atitude social do que o simples desenvolvimento econ\u00f4mico. Em derradeira an\u00e1lise fica-se observando que a produtividade da m\u00e3o-de-obra e o aumento da renda <em>per capit\u00e3<\/em> s\u00e3o efeitos de uma causa fundamental: mudan\u00e7as sociais que propiciam o rompimento com certos h\u00e1bitos usos e costumes rotineiros. O conceito de desenvolvimento engloba o processo de crescimento acelerado das diversas express\u00f5es do Poder Nacional objetivando o bem comum. Explicitamente, o conceito de desenvolvimento implica no desenvolvimento do Homem como seu sujeito e objeto. Estamos pois pensando no sentido moral que deve nortear\u00a0 todo o esfor\u00e7o humano para progredir. L\u00f3gico que a estrutura econ\u00f4mica gera e condiciona uma estrutura pol\u00edtica conseq\u00fcente. Da\u00ed as cr\u00edticas que se ouve sobre democracia aut\u00eantica em um pa\u00eds subdesenvolvido. Para n\u00e3o ir muito longe, basta verificar-se que o liberalismo econ\u00f4mico, a fisiocracia, trouxe como conseq\u00fc\u00eancia o liberalismo pol\u00edtico institu\u00eddo pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e os movimentos semelhantes que floresceram no mundo ocidental na segunda metade do s\u00e9culo XVIII. Com a nova modifica\u00e7\u00e3o da nova estrutura econ\u00f4mica dos pa\u00edses ocidentais, ap\u00f3s a Primeira Grande Guerra e a Crise da Grande Depress\u00e3o de 1929,\u00a0com o estabelecimento de uma estrutura econ\u00f4mica baseada no intervencionismo nos moldes da teoria Keynesiana, claro est\u00e1 que haveria de alterar-se tamb\u00e9m a estrutura pol\u00edtica da sociedade n\u00e3o mais subordinadas aos c\u00e2nones liberais da <em>belle \u00e9poque<\/em> . Modifica\u00e7\u00f5es ainda mais profundas aconteceram na estrutura econ\u00f4mica das democracias capitalistas ap\u00f3s a Segunda Grande Guerra. Todos observamos uma tend\u00eancia cada vez mais crescente para a estatiza\u00e7\u00e3o de setores estrat\u00e9gicos da produ\u00e7\u00e3o empresarial. Este fen\u00f4meno alterou\u00a0 profundamente a estrutura pol\u00edtica dos pa\u00edses ocidentais, pois como j\u00e1 disse, ha uma intera\u00e7\u00e3o, uma interdepend\u00eancia entre a esfera econ\u00f4mica e a \u00f3rbita pol\u00edtica. O resultado de tudo isso no plano pol\u00edtico,foi uma tend\u00eancia manifesta para uma maior concentra\u00e7\u00e3o de poderes nas m\u00e3os do poder executivo, passando os legislativos a perda de uma parcela de sua fun\u00e7\u00e3o legisferante\u00a0para\u00a0atuarem mais como f\u00f3rum de debates comunit\u00e1rios e pol\u00edticos, sendo-lhes acrescentado\u00a0\u00a0\u00a0 uma nova faceta de \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Com esta nova crise que se anuncia profunda e global teremos, com certeza, novas e significativas mudan\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara<\/strong>: Ent\u00e3o, \u00e9 a\u00ed que se d\u00e1 o advento da democracia social&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Verdade&#8230; Verifica-se pois, que a velha estrutura da chamada\u201d liberal democracia\u201d, foi extremamente alterada e revisionada em todos os pa\u00edses capitalistas, marcando uma tend\u00eancia definida no sentido do estabelecimento desse novo modelo que se convencionou chamar de democracia social. Dentro desse contexto, n\u00e3o mais se aceita o conceito de liberdade intoc\u00e1vel, pois foi esse exagero que conduziu dentro mesmo da democracia liberal \u00e0 \u201c explora\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0do homem pelo homem\u201d. Em nome dessa falsa igualdade de todos perante a lei, formula\u00e7\u00e3o meramente te\u00f3rica, gerou-se na g\u00eanesis do capitalismo, o esmagamento do economicamente\u00a0mais fraco pelo economicamente mais forte e essas tens\u00f5es sociais violentas deram lugar ao surgimento dos sindicatos, das leis trabalhistas e dos contratos coletivos de trabalho em substitui\u00e7\u00e3o ao aviltante contrato individual de trabalho, tudo isso como forma de prote\u00e7\u00e3o aos assalaria dos. Na inger\u00eancia progressiva do Estado nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas como mecanismo regulador das tens\u00f5es sociais vem gerando novos tipos e m\u00e9todos de relacionamento pol\u00edtico, passando-se a ter em mira muito mais o interesse social do que os dispositivos arcaicos e te\u00f3ricos do sistema liberal. N\u00e3o se pode admitir a exist\u00eancia de liberdade aut\u00eantica sem justi\u00e7a social, assim como n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a social efetiva sem liberdade. Cabe uma indaga\u00e7\u00e3o que sempre fiz a mim mesmo: o que representa a liberdade para um flagelado, para um mendigo, se ele n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de exercit\u00e1-la? Percebo que os interesses do capital e dos indiv\u00edduos s\u00f3 podem subsistir at\u00e9 onde n\u00e3o venham aferir o interesse da coletividade, pois \u00e9 para a comunidade e para\u00a0\u00a0o homem que se faz o desenvolvimento dentro da concep\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e crist\u00e3. A justi\u00e7a social e tribut\u00e1ria, em todos os pa\u00edses desenvolvidos do Ocidente \u00e9 o mecanismo corretivo\u00a0das distor\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do sistema capitalista. O imposto sobre a renda \u00e9 instrumento v\u00e1lido de\u00a0 corre\u00e7\u00e3o no plano da distribui\u00e7\u00e3o da riqueza individual, enquanto os incentivos fiscais funcionam como reguladores dos desn\u00edveis de desenvolvimento inter-regionais. Ainda n\u00e3o utilizamos, a exemplo da Inglaterra e da Su\u00e9cia o gravame elevado para os bens sup\u00e9rfluos e artigos de luxo, enquanto se estabelece al\u00edquotas m\u00ednimas para os g\u00eaneros de primeira necessidade. J\u00e1 utilizamos outros mecanismos como amplia\u00e7\u00e3o e melhoria da Previd\u00eancia Social, os programas de constru\u00e7\u00e3o de casas populares, a assist\u00eancia rural, a aposentadoria do homem do campo, o Bolsa\u00a0 fam\u00edlia, a assist\u00eancia social, o combate ao latif\u00fandio com o INCRA, enfim outros instrumentos que est\u00e3o sendo utilizados pelos governos brasileiros desde a revolu\u00e7\u00e3o militar de 1964.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Pelo que entendi, a plena realiza\u00e7\u00e3o da democracia com justi\u00e7a social necessita, antes de tudo de desenvolvimento. Acontece que para suprir certos vazios, nesse est\u00e1gio de progresso desej\u00e1vel o governo bem pode atuar com maior rigor no controle da disciplina coletiva. O que acha?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Esta disciplina coletiva \u00e9 vital e tem o fim de propiciar \u00e0 comunidade expectativas estimulantes de desenvolvimento em ambiente de paz social. \u00c9 o que se faz hoje na China, onde a pena\u00a0 de morte pune os assassinos e os pol\u00edticos desonestos.H\u00e1 uma s\u00e9rie de componentes que conduzem a uma democracia social aut\u00eantica. Componentes que geram muitos dilemas nos quais se debate o governo na tentativa de elabora\u00e7\u00e3o efetiva e concreta de modelo brasileiro de democracia social pr\u00f3prio. Tudo come\u00e7a com a elabora\u00e7\u00e3o do conceito de Autoridade e as limita\u00e7\u00f5es da liberdade frente aos interesses coletivos. A democracia e o desequil\u00edbrio moderno na concep\u00e7\u00e3o de Autoridade levam aos extremos de excesso e defici\u00eancia dessa mesma autoridade. \u00c9 preciso eliminar o falso antagonismo entre Liberdade e Autoridade e as solu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de equil\u00edbrio entre Autoridade e a Liberdade devem ser tomados, em face do interesse social. O pr\u00f3prio princ\u00edpio de autodefesa da democracia passa pela regula\u00e7\u00e3o ou grada\u00e7\u00e3o da Liberdade e da Autoridade. N\u00e3o existe um modelo estandardizado de democracia e nem se pode confundir o conceito de democracia com o conceito de liberalismo. Temos que tomar cuidado com esta mescla de conceitos, pois ela s\u00f3 pode subsistir pela ignor\u00e2ncia de uns, a demagogia de outros e a m\u00e1\u00a0 f\u00e9 de tantos que pretendem confundir os esp\u00edritos pregando uma liberdade excessiva que enseja\u00a0a anarquia e o caos trazendo clima prop\u00edcio ao advento do totalitarismo. A nossa democracia tem que ser adequada a nossa realidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social e cultural. A democracia\u00a0 americana \u00e9 diversa da inglesa, que difere da francesa, que diverge da alem\u00e3 ou da sueca. N\u00e3o temos que macaquear nada, nossa democracia tem que ser cabocla, tupiniquim, adequada a nossa pr\u00f3pria conjuntura. Ainda falam que n\u00e3o temos democracia, mas quem quer que viagem pelo mundo verifica que em poucos paises se respira tanta liberdade como no Brasil. E tudo naturalmente sujeito ao princ\u00edpio da liberdade com responsabilidade. O que devemos aspirar\u00a0 na constru\u00e7\u00e3o do modelo pol\u00edtico brasileiro \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o aqui e em termos definitivos de uma aut\u00eantica democracia social. Com partidos que corporifiquem programas e doutrinas capazes de\u00a0 representar a comunidade brasileira preservando valores morais e crist\u00e3os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Luciara:<\/strong> Falamos tanto num ir e vir de assuntos vinculados ao tema central de nossa pretendida Fortaleza Bela que para encerrarmos a nossa produtiva entrevista voc\u00ea tecesse considera\u00e7\u00f5es sobre, como do ponto de vista filos\u00f3fico, o conceito de beleza tem um sentido amplo e integrativo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> \u00c9 verdade, \u00e9 verdade. Bom retomemos ao tema da cidade. Quanto a elas s\u00e3o concebidas e Fortaleza n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o,\u00a0 como reuni\u00e3o de seres humanos e essa acep\u00e7\u00e3o de formosura global envolve n\u00e3o apenas os aspectos meramente pict\u00f3ricos, mas os seres humanos que nelas vivem numa contextura imaterial. Isso mesmo. E porque? Pelo fato de que as cidades, como conglomerados de pessoas t\u00eam sua individualidade caracter\u00edstica. Uma alma pr\u00f3pria que define a configura\u00e7\u00e3o de sua vida, da vida imanente das rela\u00e7\u00f5es e do comportamento de sues habitantes no\u00a0dia a dia.\u00a0 Por isso, quando visitamos as cidades encontramos peculiaridades especiais, t\u00edpicas\u00a0 de cada regi\u00e3o e de cada povo. A beleza pode ficar desfigurada em face de condi\u00e7\u00f5es vivenciais inadequadas para as pessoas que nela vivem ou a visitam. Era o caso, por exemplo de Hong Kong no nosso entender a segunda cidade mais bela do mundo em termos pict\u00f3ricos. Ali se respirava tenso ao tempo da domina\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica em face da benevol\u00eancia das leis inglesas para com os criminosos. Ap\u00f3s a sua devolu\u00e7\u00e3o \u00e0 China e em face do rigor da legisla\u00e7\u00e3o penal chinesa as na puni\u00e7\u00e3o aos criminosos, a tranq\u00fcilidade reverteu a cidade e em conseq\u00fc\u00eancia ao uso-fruto de sua beleza global.\u00a0 Isto falta \u00e0s grandes cidades brasileiras, para dar-lhes o sentido de beleza integral. Este \u00e9 o caso espec\u00edfico de Fortaleza que dia a dia mais se deteriora, pela incid\u00eancia de\u00a0 crimes e de bandidagem. N\u00e3o sei se voc\u00ea conhece um livro do historiador e pesquisador em literatura m\u00e9dica, Luiz Mir. Falo do livro Guerra Civil \u2013 Estado e Trauma, que ele publicou em 2004 usando cifras fornecidas pelo IBGE e pela UNESCO. J\u00e1 em 2002 a taxa de homic\u00eddios alcan\u00e7ava 86,7 por grupo de 100.000 jovens na faixa et\u00e1ria de 15 a 24 anos, maior que na Cro\u00e1cia\u00a0 e Eslov\u00eania na \u00e9poca em guerra, maior do que no Kosovo e agora no Iraque. Embora o Rio de Janeiro, a mais bela cidade do mundo, seja o Estado com o maior coeficiente de mortes violentas, o seu crescimento no per\u00edodo dos \u00faltimos 20 anos foi de 22,2%. O maior crescimento\u00a0\u00a0foi de Mato Grosso com a grande varia\u00e7\u00e3o de 129,6%, seguido do Amap\u00e1 com 103% e o Cear\u00e1 com 82%. O jornal Di\u00e1rio do Nordeste, em sua edi\u00e7\u00e3o de 21.01.2008, divulgou que existem 51.000 foragidos da justi\u00e7a no Cear\u00e1. O Brasil \u00e9 o 5\u00ba em um <em>hanking<\/em> de 67 pa\u00edses com as maiores taxas de homic\u00eddio de jovens na faixa dos 15 aos 24 anos e de acordo com a UNESCO esses n\u00fameros v\u00eam se agravando. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 legitimou formula\u00e7\u00f5es ut\u00f3picas inspiradasnos modelos escandinavos altamente desenvolvidos. Esta \u201cConstitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3\u201d, demag\u00f3gicamente proclamada de forma delirante e et\u00edlica por Ulisses Guimar\u00e3es, instituiu o advento do C\u00f3digo de menores que tornou os cidad\u00e3os abaixo de 18 anos inimput\u00e1veis criminalmente. Um absurdo pois n\u00e3o podem esses menores de 18 anos ser processados e sim transferidos para escolas correcionais, mas podem votar a partir de 16 anos. Esse privil\u00e9gio esdr\u00faxulo levou a que\u00a0os chefes de gangs de assassinos, principalmente, distribuidores de drogas utilizem esses menores como pontas-de-lan\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o de entorpecentes e na pr\u00e1tica de crimes hediondos. Esse perfil sinistro do Brasil alcan\u00e7a em cheio a t\u00e3o demagogicamente decantada Fortaleza Bela, merecedora de melhores governos e de elite bem mais preparadas para o exerc\u00edcio da administrac\u00e3o p\u00fablica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">\u00a0Professor Paulo Roberto quero agradecer a gentileza e prontid\u00e3o com que atendeu ao meu convite. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">A profundidade do seu conhecimento \u00e9 not\u00f3ria e reconhecida dentro e fora do Estado do Cear\u00e1. Quero felicit\u00e1-lo, inclusive, pela mais recente homenagem que lhe foi tributada pela C\u00e2mara\u00a0 de Vereadores de Fortaleza, o t\u00edtulo de cidad\u00e3o dessa cidade por quem tanto tem trabalhado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\"><strong>Paulo Roberto:<\/strong> Obrigado, disponha sempre e creia que esta data 07 de outubro de 2008 vai ser importante para mim, pois me envaidece o reconhecimento dos meus pares da Universidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">Luciara Silveira de Arag\u00e3o e Frota \u00e9 historiadora, jornalista e especialista em Hist\u00f3ria Oral pela FGV\u2013 RJ e UFF\u2013RJ. \u00c9 mestra e doutora pela USP<\/span><\/strong><strong>\u2013<\/strong><strong><span style=\"color: #000000; font-family: Tahoma;\">SP na \u00e1rea de Hist\u00f3ria\/Ci\u00eancias Humanas e p\u00f3s-doutorada em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade de Buenos Aires e p\u00f3s-doutorada em Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica e Administrativa pela UnB\u2013DF com bolsa da CAPES . Foi professora da PUC\u2013SP e \u00e9 professora titular da UnB\u2013DF tem livros e artigos publicados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos nacionais e internacionais \u00a0e\u00a0 coordena o NEHSC Fortaleza.<\/span><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu entrevistado \u00e9 Paulo Roberto Pinto, nome liter\u00e1rio de Paulo Roberto Coelho Pinto, Professor\u00a0 Catedr\u00e1tico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2225,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115\/revisions\/2225"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}