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{"id":112,"date":"2010-02-03T21:38:35","date_gmt":"2010-02-03T21:38:35","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/2010\/02\/03\/resenha-do-livro-o-protestantismo-a-maconaria-e-a-questao-religiosa-no-brasil\/"},"modified":"2021-10-20T19:27:27","modified_gmt":"2021-10-20T19:27:27","slug":"resenha-do-livro-o-protestantismo-a-maconaria-e-a-questao-religiosa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2010\/02\/03\/resenha-do-livro-o-protestantismo-a-maconaria-e-a-questao-religiosa-no-brasil\/","title":{"rendered":"Resenha do livro: O protestantismo, a ma\u00e7onaria e a quest\u00e3o religiosa no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span>Neste importante estudo, Davis Gueiros Vieira, PhD em Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica pela American University (Washington, DC) e professor aposentado da Universidade de Bras\u00edlia, registra de forma esclarecedora a participa\u00e7\u00e3o dos protestantes na chamada Quest\u00e3o Religiosa, resumidamente entendida como conflito entre cat\u00f3licos ultramontanos e a ma\u00e7onaria na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Partindo de 1850, o autor apresenta os antecedentes dos fatos que, sem d\u00favida alguma, foi o mais duro conflito entre a Igreja e o Estado do s\u00e9culo XIX. A presente obra foi fruto de dez anos de pesquisa para a tese de doutorado defendida em 1973 (p.11), destacando-se pelo forte car\u00e1ter emp\u00edrico. A apresenta\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 feita por ningu\u00e9m menos que Gilberto Freyre que, em 1978 afirma:<\/span><br \/><span>Sob essa perspectiva estaria ocorrendo uma cientifiza\u00e7\u00e3o do estudo hist\u00f3rico: isto \u00e9, do seu m\u00e9todo ou dos seus m\u00e9todos. Dos modos de pesquisa. Dos de ordena\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o do material reunido. Mas sem que essa relativa cientifiza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos venha importando no rep\u00fadio ao estudo hist\u00f3rico como literatura ou como arte. (p.8)<\/span><br \/><span>Baseando-se em documentos como os dos Anais da C\u00e2mara e do Senado, do Arquivo Nacional, da Biblioteca Nacional, do National Archives (Washington) e do Archivio Segreto Vaticano (Roma), al\u00e9m de outros arquivos de institui\u00e7\u00f5es religiosas no Brasil e no exterior, David G. Vieira nos mostra como a Igreja Cat\u00f3lica estava em uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria no per\u00edodo da Quest\u00e3o Religiosa. Politicamente enfraquecida pelo \u201cuso e abuso do direito do padroado\u201d, economicamente dependente de \u201cc\u00f4ngruas mesquinhas\u201d e com um clero \u201cenvolvido em pol\u00edtica\u201d e sendo acusado de \u201cviolador do celibato\u201d (p.27), a Igreja teve que enfrentar a amea\u00e7a de invas\u00e3o protestante, a ma\u00e7onaria e o Estado. A priori Vieira apresenta duas hip\u00f3teses para a Quest\u00e3o Religiosa. A primeira, baseada na tese de Dom Ant\u00f4nio de Macedo Costa e do Arcebispo da Bahia, Dom Manuel Joaquim da Silveira, \u00e9 a de que \u201cgrupos religiosos americanos&#8230; formavam a vanguarda treinada e consciente do imperialismo americano\u201d com interesses na Amaz\u00f4nia (p.11); a segunda \u201cpresumia ter havido uma conspira\u00e7\u00e3o liberal, de \u00e2mbito universal, para destruir a Igreja Cat\u00f3lica romana e que a ma\u00e7onaria fora utilizada como arma para este fim\u201d (p.11). David G. Vieira investiga e descarta tais hip\u00f3teses. Para ele a Quest\u00e3o Religiosa foi provocada por v\u00e1rios fatores, entre eles a luta pelos direito de culto dos n\u00e3o cat\u00f3licos e a defesa de seus direitos civis, al\u00e9m da consolida\u00e7\u00e3o do liberalismo.<\/span><br \/><span>O autor dedica grande parte da obra ao estudo dos v\u00e1rios grupos protestante estabelecidos no Brasil no s\u00e9culo XIX. Considerados uma \u201cesp\u00e9cie de enigma\u201d pelo fato de serem heterog\u00eaneos, dividiam-se em: luteranos, anglicanos, metodistas, congregacionais e presbiterianos. Com ideologias diferentes, esses grupos, por serem minorit\u00e1rios, uniram-se entre si e tamb\u00e9m com outros grupos n\u00e3o cat\u00f3licos em defesa do direito de culto no Brasil.<\/span><br \/><span>Dividida em quatorze cap\u00edtulos, a obra tem pelo menos cinco dedicados aos principais mission\u00e1rios protestantes e sua a\u00e7\u00e3o no Brasil. Nos cap\u00edtulos tr\u00eas e quatro o autor nos apresenta uma consider\u00e1vel biografia de James Cooley Fletcher, americano, protestante e \u201cexpositor das Sagradas Escrituras\u201d (p.81) que fez muitas amizades importantes no Imp\u00e9rio, inclusive com D Pedro II. A id\u00e9ia de progresso, t\u00e3o cara \u00e0 maioria dos intelectuais do per\u00edodo, era frequentemente associada ao protestantismo, por isso Fletcher est\u00e1 sempre ligado aos ma\u00e7ons e liberais conhecidos como \u201camigos do progresso\u201d (p.83). Al\u00e9m de Fletcher, o autor dedica o cap\u00edtulo seis ao congregacional Robert Reid Kalley. Conhecido como \u201cm\u00e9dico her\u00e9tico calvinista que estava \u2018pervertendo\u2019 o povo de Madeira\u201d, Kelley foi perseguido pela \u201chorda do populacho&#8230; encabe\u00e7ada pelo Governador\u201d da Ilha e saiu de l\u00e1 disfar\u00e7ado de \u201cuma senhora idosa e doente\u201d (p.114), vindo depois para o Brasil, onde tamb\u00e9m foi duramente perseguido. Os cap\u00edtulos oito e nove s\u00e3o dedicados ao escoc\u00eas Richard Holden, ministro episcopal que agiu no Par\u00e1 e na Bahia publicando textos b\u00edblicos e serm\u00f5es em jornais. Uma rea\u00e7\u00e3o interessante \u00e0s publica\u00e7\u00f5es de Holden foi a elaborada pelo Bispo do Par\u00e1, Dom Ant\u00f4nio Macedo Costa, que em 1861 fez circular uma Pastoral \u201canti-protestante\u201d advertindo seus vig\u00e1rios contra o \u201cmonstro da heresia\u201d e suas \u201cfalsas b\u00edblias\u201d (p.182). Mais tarde o mission\u00e1rio destacou em seu di\u00e1rio que o bispo considerou que ele \u201c[Holden] estava perdendo tempo em Bel\u00e9m, pois que o povo do Par\u00e1 n\u00e3o pensava. \u201cNem mesmo seus cl\u00e9rigos pensavam e ele estava perplexo sem saber o que fazer com eles\u201d, assim registrou o escoc\u00eas.\u201d (p.185)<\/span><br \/><span>Tavares Bastos, deputado liberal, amigo de Fletcher e considerado o \u201cap\u00f3stolo do progresso\u201d (p.95) tamb\u00e9m recebe aten\u00e7\u00e3o especial no cap\u00edtulo cinco. O autor nos apresenta v\u00e1rios sub &#8211; cap\u00edtulos onde trata de personagens que foram importantes para a ma\u00e7onaria, o protestantismo e a defesa do catolicismo ultramontano, essas pequenas biografias certamente causam bastante inc\u00f4modo para quem n\u00e3o pretende se aprofundar no tema, em fun\u00e7\u00e3o de constitu\u00edrem-se interrup\u00e7\u00f5es \u00e0 narrativa. Por\u00e9m s\u00e3o fundamentais para entender principalmente o protestantismo, tema ainda hoje pouco explorado pela historiografia.<\/span><br \/><span>Vieira nos mostra como a dita Quest\u00e3o Religiosa foi bastante mais ampla do que a falta de entendimento entre os bispos de Olinda e Par\u00e1 e a ma\u00e7onaria, o autor apresenta o tema como o confronto entre o liberalismo e o ultramontanismo no Brasil. Dentro deste quadro, os liberais e ma\u00e7ons foram vistos pelos ultramontanos como aqueles que pretendiam \u201cprotestantizar\u201d o Brasil (p.373). Para influenciar a imigra\u00e7\u00e3o, os liberais colocaram em quest\u00e3o temas irredut\u00edveis para o catolicismo como o casamento civil e a liberdade de culto, imprescind\u00edveis para o favorecimento da vinda daqueles considerados como \u201ca ra\u00e7a mais apropriada para n\u00f3s [brasileiros]&#8230; laboriosa, empreendedora, e perseverante\u201d (p.234).<\/span><br \/><span>Tratando majoritariamente da inser\u00e7\u00e3o dos protestantes no Brasil e seus principais expoentes, a presente obra tornou-se um marco para o estudo do protestantismo brasileiro do s\u00e9culo XIX. Dificilmente encontraremos trabalhos sobre esse per\u00edodo e tema (ainda que sejam pouco estudados pela historiografia atual) em que esta obra n\u00e3o conste na bibliografia. Com exce\u00e7\u00e3o das obras oficiais das igrejas protestantes apresentadas, O Protestantismo a ma\u00e7onaria e a quest\u00e3o religiosa no Brasil \u00e9 uma das poucas, sen\u00e3o a \u00fanica que nos apresenta esse grupo que tanto cresce em nosso pa\u00eds, de uma maneira emp\u00edrica e resultante de pesquisas s\u00e9rias. Analisando os trabalhos publicados sobre o tema e a import\u00e2ncia dada \u00e0 obra de David Gueiros pode-se destacar O celeste porvir de A.G Mendon\u00e7a, al\u00e9m das in\u00fameras teses e disserta\u00e7\u00f5es, a exemplo da tese de doutorado da Professora Elizete da Silva na Universidade de S\u00e3o Paulo em 1998 que trata dos anglicanos e batistas na Bahia.<\/span><a name=\"_ftnref1\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=6968416182657085682#_ftn1\" title=\"\">[1]<\/a><span>\u00a0Por fim, d\u00e9cadas depois de sua publica\u00e7\u00e3o, a obra de Vieira continua sendo um importante marco para o estudo do protestantismo. Apesar do t\u00edtulo do livro ser muito mais abrangente, pode-se afirmar que poderia se resumir a um t\u00edtulo que enfatizasse a inser\u00e7\u00e3o protestante em nosso pa\u00eds. Por esse motivo, tal obra se constitui como leitura indispens\u00e1vel \u00e0queles que pretendem aprofundar-se no tema.<\/span><br \/><span>_______________________________________________________________<\/span><br \/><a name=\"_ftn1\" href=\"http:\/\/www.blogger.com\/post-create.g?blogID=6968416182657085682#_ftnref1\" title=\"\">[1]<\/a><span>Ant\u00f4nio Gouv\u00eaa Mendon\u00e7a. O Celeste Porvir: a inser\u00e7\u00e3o do protestantismo no Brasil. 3. ed. S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2008. 376pp. e Elizete da Silva. Cidad\u00e3os de outra p\u00e1tria: anglicanos e batistas na Bahia (Tese de doutorado, Universidade de S\u00e3o Paulo, 1998). 427pp<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste importante estudo, Davis Gueiros Vieira, PhD em Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica pela American University (Washington,<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros-e-resenhas-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=112"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2231,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/112\/revisions\/2231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}