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{"id":1036,"date":"2016-07-04T23:38:00","date_gmt":"2016-07-04T23:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1036"},"modified":"2021-10-20T18:15:48","modified_gmt":"2021-10-20T18:15:48","slug":"palido-ponto-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2016\/07\/04\/palido-ponto-azul\/","title":{"rendered":"P\u00e1lido Ponto Azul"},"content":{"rendered":"\r\n<p>Quase invis\u00edvel, n\u00e3o mais do que um gr\u00e3o de areia, perdido em meio \u00e0 poeira estelar, manifesta ares de paz. Nosso min\u00fasculo planeta circula em torno de um sol secund\u00e1rio, na f\u00edmbria de uma gal\u00e1xia formada por 100 bilh\u00f5es de estrelas, a Via L\u00e1ctea, conhecida por sua extraordin\u00e1ria beleza. Mesmo que impressionante pare\u00e7a, \u00e9 apenas uma entre um bilh\u00e3o de outras do cosmo conhecido no aglomerado de mundos e s\u00f3is.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>N\u00e3o se trata de cen\u00e1rio ficcionista, das hist\u00f3rias de Flash Gordon, mas mostra que as criaturas terrenas, por mais que penetrem fundo no espa\u00e7o sideral, jamais encontrar\u00e3o o seu fim. Muitos segredos h\u00e3o de ser desvendados, gera\u00e7\u00f5es do porvir, certamente, conhecer\u00e3o criaturas de outros sistemas. Como disse Duncan Forgan, astrof\u00edsico da Universidade de Edimburgo, na Esc\u00f3cia: \u201cH\u00e1 civiliza\u00e7\u00f5es inteligentes fora da Terra e elas poderiam estar presentes em at\u00e9 quase 40 mil planetas\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>Os extraterrestres, se dotados de intelig\u00eancia superior, observam-nos e s\u00e3o cientes da mis\u00e9ria e crueldades cometidas pelo homo sapiens. J\u00e1 n\u00e3o estariam revoltados com tantos horrores? No Brasil, ficariam pungidos com a viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o, falta de escolas e hospitais, com as \u201cprimeiras p\u00e1ginas\u201d dos peri\u00f3dicos expondo pacientes amontoados nos \u201ccorred\u00f4metros\u201d. Na mesma p\u00e1gina, o jornal noticia que uma socialite americana \u201cs\u00f3 tira selfie quando est\u00e1 perfeita\u201d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>O culto \u00e0 imagem reflete a sociedade imag\u00e9tica, agitada na obscuridade e no vazio, embora consciente e respons\u00e1vel por seus desmandos e dramas. Esquecido n\u00e3o fica o sanguin\u00e1rio califado isl\u00e2mico, decapitando e crucificando crist\u00e3os, crimes que empalideceriam o Coliseu Romano. Imensos s\u00e3o os progressos materiais; maiores ainda as priva\u00e7\u00f5es e a mis\u00e9ria, g\u00eanese de todas as formas da debacle humana.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>O Hubble aponta o gr\u00e3o de areia, este magneto orquestrado no equil\u00edbrio da infinitude do universo. N\u00e3o seria um espet\u00e1culo suficiente para sustar nossas ambi\u00e7\u00f5es guerreiras? Por que n\u00e3o priorizar recursos para o bem da humanidade? Afinal, somos, aqui, meros h\u00f3spedes, em breve estada, o presente n\u00e3o passa de um instante. O segundo que flui j\u00e1 \u00e9 pret\u00e9rito. Nada representa embeber-se na soberba da falsa superioridade do proselitismo arrogante. Estes pensam realizar v\u00f4os de \u00e1guia, v\u00e3o \u00e0s alturas e na queda despenam-se como galinhas assustadas tornando ao poleiro.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Telesc\u00f3pios sondam os c\u00e9us, pesquisas espaciais intensificam-se, mas em parte alguma o Universo encontra limite: \u00e0 medida que mundos suceder\u00e3o a mundos, s\u00f3is a s\u00f3is; e, continuamente, legi\u00f5es de astros se multiplicam a ponto de confundir-se na poeira cintilante dos abismos c\u00f3smicos. Olhos voltam-se \u00e0 ab\u00f3bada celeste e o homo sapiens, apesar da sua insignific\u00e2ncia e limita\u00e7\u00e3o, segue em sua busca. Ora, se n\u00e3o conhece nem mesmo as profundezas dos oceanos, n\u00e3o se inspira aplicar recursos na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e de incur\u00e1veis mol\u00e9stias, como ousa explorar o universo financiando-se da trag\u00e9dia de seu semelhante?<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>Num programa de pesquisa especial da NASA, a Voyager captou imagens da Terra, fotografando a superf\u00edcie do &amp;quot;p\u00e1lido ponto azul&amp;quot;, dele distando 6,4 bilh\u00f5es de quil\u00f4metros, evidenciando o nosso pouco valor no mundo desconhecido. Dif\u00edcil \u00e9 entender que haja, na part\u00edcula anil, disc\u00f3rdias, fome, renhidas disputas por seus espa\u00e7os, poder e dinheiro num infinito etc\u00e9tara. Quando aqui nenhuma coisa nos sust\u00e9m: viemos do p\u00f3 e a ele voltaremos; nascemos nus, e nus morreremos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>Jamais se viu, e nunca se ver\u00e1, uma transportadora especializada em mudan\u00e7as de riquezas terrenas para o plano superior. Nada se leva do gr\u00e3o vivo azul, aos olhos de Gagarin, e n\u00e3o se sabe at\u00e9 quando ele baloi\u00e7ar\u00e1, neste palco, sob a ilumina\u00e7\u00e3o deslumbrante das estrelas e a orquestra\u00e7\u00e3o da lei gravitacional.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>E, aqui, no bailado do mundo neoliberal, as pessoas se despersonalizam e se mecanizam cada vez mais, atra\u00eddas pela maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros, ao passo que o humanismo, primaz atributo das realiza\u00e7\u00f5es humanas, decai de import\u00e2ncia. O individualismo selvagem, almas estreitas permanecem insens\u00edveis \u00e0 dor e ao sofrimento humano. Sentencia o prov\u00e9rbio: \u201cTudo nasce, cresce e morre; tudo passa e o tempo corre\u201d. Vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos de cidades, outrora formigueiros humanos, hoje s\u00e3o ru\u00ednas des\u00e9rticas calcinadas pelo sol.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>Despotismos, soberanos, tiranos, dominadores, presentes nos fastos da Hist\u00f3ria, hoje, sequer ind\u00edcios de p\u00f3, tiveram seus nomes esquecidos no tempo. De tal sorte, ru\u00edram as grandezas dos imp\u00e9rios e seus esplendores: aqueles s\u00e3o os mesm\u00edssimos de hoje.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><br \/>(*) Paulo Maria de Arag\u00e3o &#8211; Advogado e professor &#8211; Membro do Conselho Estadual da OAB-CE &#8211; Titular da Cadeira n\u00ba 37 da ACLJ.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase invis\u00edvel, n\u00e3o mais do que um gr\u00e3o de areia, perdido em meio \u00e0 poeira<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":1395,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[280],"tags":[],"class_list":["post-1036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-e-comunicacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1036"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2215,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036\/revisions\/2215"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1395"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}