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{"id":1024,"date":"2020-04-01T23:06:00","date_gmt":"2020-04-01T23:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/?p=1024"},"modified":"2021-01-26T22:55:01","modified_gmt":"2021-01-26T22:55:01","slug":"historia-coordenadas-e-questionamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/2020\/04\/01\/historia-coordenadas-e-questionamentos\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria: Coordenadas e Questionamentos"},"content":{"rendered":"\r\n<p>Luciara Silveira de Arag\u00e3o e Frota.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Profa. Titular. Funda\u00e7\u00e3o Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><a href=\"http:\/\/Hist\u00f3ria: Coordenadas e Questionamentos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-1424 size-medium\" src=\"https:\/\/nehscfortaleza.com\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/site-kenndy-color-157x300.jpg\" alt=\"\" width=\"157\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/site-kenndy-color-157x300.jpg 157w, https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/site-kenndy-color-537x1024.jpg 537w, https:\/\/nehscfortaleza.com.br\/home\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/site-kenndy-color.jpg 564w\" sizes=\"(max-width: 157px) 100vw, 157px\" \/><\/a>O historiador trabalha metodologicamente pela condi\u00e7\u00e3o de exames de vest\u00edgios e de constata\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias, mat\u00e9ria prima da Hist\u00f3ria. A reconstru\u00e7\u00e3o do passado, em suas s\u00e9ries de acontecimentos e situa\u00e7\u00f5es, o refazer desse tecido com uma hip\u00f3tese pr\u00f3pria, fruto de uma base documental, geram um pedido de di\u00e1logo entre o historiador e o documento .O desafio dessa apreens\u00e3o do passado nos remete a nomes,\u00a0 correntes historiogr\u00e1ficas, filosofias\u00a0 e\u00a0 teorias que a respaldam at\u00e9 o presente, fornecendo a explica\u00e7\u00e3o do homem e clarificando toda cria\u00e7\u00e3o duradoura.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Palavras chave: \u00a0\u00a0Hist\u00f3ria. Teoria. Historiografia. Ci\u00eancias Sociais<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0Sempre que falamos ao passado e pensamos no homem e nas formas de progredir da humanidade, nos reportamos aos restos encontrados, vest\u00edgios, evid\u00eancias, temos um tipo de seria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, um tempo de obras e a\u00e7\u00f5es onde se embute o progresso. Bem sabemos que o mundo t\u00e9cnico, em seu sentido estrito, desde os utens\u00edlios conservados at\u00e9 as m\u00e1quinas e a tecnologia moderna n\u00e3o representa uma s\u00edntese do mundo instrumental humano, pois o saber se estratifica a partir de tudo o que ele pensa, comunica e expressa, somando-se como um todo adquirido em sua trajet\u00f3ria. \u00c9 a escrita o instrumento decisivo que se \u00faltima e mais tarde, o advento da imprensa. As tradi\u00e7\u00f5es orais, o desejo de perpetuar e divulgar o que se pensa torna-se um caminho para livros e aberturas de bibliotecas rumo a aventura do conhecimento .Este saber se torna dispon\u00edvel ,um tipo de fatia do mundo instrumental\u00a0 de teorias e t\u00e9cnicas com o selo dos sinais codificados numa \u201c aventura t\u00e9cnica irrevers\u00edvel, todo pensamento novo se serve de maneira instrumental dos pensamentos antigos e trabalha na ponta da hist\u00f3ria\u201d.(\u00a0 1\u00a0\u00a0 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Em tantos s\u00e9culos observamos o percurso do homem dando continuidade a sua subsist\u00eancia numa s\u00e9rie de registros e aprendizagem cont\u00ednua. Do ponto de vista da metodologia, temos os segmentos da Hist\u00f3ria que denominamos, hist\u00f3ria das inven\u00e7\u00f5es, hist\u00f3ria das t\u00e9cnicas humanas, hist\u00f3ria do progresso humano, na tentativa de entender\u00a0 estas composi\u00e7\u00f5es em sentido amplo e m\u00faltiplo compreendendo que nela se mesclam produ\u00e7\u00f5es de homens comuns e \u00a0de g\u00eanios\u00a0\u00a0 das mais variadas culturas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 1 )\u00a0 RICOEUR, Paul. Hist\u00f3ria e Verdade, SP: Forense 1968, p.8.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0Trata-se da unicidade na Hist\u00f3ria que torna comum os inventos, apagando muita vez os seus autores.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Mesmo quando a mem\u00f3ria das t\u00e9cnicas, das ci\u00eancias, do poder, conserva essas lembran\u00e7as, mencionando-se crises, problemas e solu\u00e7\u00f5es encontradas, elas se situam \u00a0como uma preserva\u00e7\u00e3o do que foi feito, tal como uma revis\u00e3o poss\u00edvel em via de ser incorporada a novas propostas e hip\u00f3teses que venham a despontar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Observar \u00a0o conhecimento da condi\u00e7\u00e3o do homem nos induz a refletir sobre um tipo de experi\u00eancia moral e espiritual que diz de perto ao capital humano\u00a0 e que se capitaliza como um tesouro e se espelha na arte, nos monumentos, nas liturgias, nos livros de cultura, formando um mundo \u00e0 parte inserido no todo, fornecendo pontos de apoio como objetos e personifica\u00e7\u00e3o de coisas que nos s\u00e3o exteriores. Faz-se preciso distinguir o plano das decis\u00f5es, dos acontecimentos, o come\u00e7o e o recome\u00e7o dos homens e mesmo seu fechamento \u00e0s experi\u00eancias vividas, as que nos deixam no plano das evid\u00eancias, os grandes e pequenos feitos que formaram a tradi\u00e7\u00e3o. Mesmo quando a abstra\u00e7\u00e3o desses atos e acontecimentos isolam o movimento da tradi\u00e7\u00e3o, isto n\u00e3o anula a motiva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica atuando como um fen\u00f4meno cumulativo que s\u00f3 pode ser diminu\u00eddo ou desfazer-se em ruinas do temporal por eventuais incidentes catastr\u00f3ficos da Hist\u00f3ria. Observe-se que o ac\u00famulo de vest\u00edgios nem sempre vinculam o homem as suas obras, nem \u00a0\u00a0invalidam o reconhecimento do progresso acumulado; um progresso que diz respeito ao esp\u00edrito an\u00f4nimo do homem, ao dinamismo das suas cria\u00e7\u00f5es, em meio as civiliza\u00e7\u00f5es que surgem e desaparecem. Este conjunto experimental de saberes, espiritualidade e obras de cultura, multiplicam as rela\u00e7\u00f5es humanas em suas v\u00e1rias fases, aproximando-as entre si.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ora, o que haver\u00e1 de mais fr\u00e1gil do que uma visita do historiador ao passado? A reconstitui\u00e7\u00e3o da imagem do homem constitui-se a realidade da cultura, mesmo sem a consist\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou dos aparatos econ\u00f4micos, pois apreendemos por meio dela uma realidade objetiva. O legado transmitido pelo homem na literatura, direito, artes, s\u00e3o todas elas imagens carreadas pela cultura e assim incorporadas em monumentos, estilos e todo tipo de obras, fornecendo uma vis\u00e3o de mundo que toma corpo e prospera como parte do material necess\u00e1rio a sua reconstitui\u00e7\u00e3o na pena do historiador. S\u00e3o fontes que ele deve trabalhar para esculpir uma hist\u00f3ria mais al\u00e9m da abstra\u00e7\u00e3o, e que ultrapassa as obras humanas, rumo aos caminhos de uma hist\u00f3ria concreta onde se privilegiam os acontecimentos e as decis\u00f5es reconhecendo-lhe um \u00a0sentido global. \u00a0Isto \u00a0refor\u00e7a o\u00a0 fato de uma obra de arte poder ser um ve\u00edculo de \u00a0comunica\u00e7\u00e3o porque \u201c mesmo quando n\u00e3o \u00e9 a face humana\u00a0 que se representa o que se veicula \u00e9 ainda uma representa\u00e7\u00e3o do homem; pois a imagem do homem n\u00e3o \u00e9 apenas o \u00a0\u00a0retrato do homem , \u00e9 tamb\u00e9m\u00a0 conjunto das proje\u00e7\u00f5es\u00a0 do seu olhar sobre as cousas; nesse sentido, uma natureza morta \u00e9 uma imagem do homem\u201d ( 2 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Este di\u00e1logo com o passado- cujo homem \u00e9 o centro &#8211; \u00e9 em princ\u00edpio um di\u00e1logo sem resposta, pois como j\u00e1 nos disse o pr\u00f3prio Ricoeur, a condi\u00e7\u00e3o primeira do di\u00e1logo \u00e9 a que o outro responda, situando assim a Hist\u00f3ria como aquele setor da comunica\u00e7\u00e3o sem reciprocidade. Temos assim um conhecimento inicial por vest\u00edgios e buscamos a constata\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias que nos confirmem as expectativas de estar no caminho certo. Os acontecimentos fazem a realidade da Hist\u00f3ria, sustentam a sua racionalidade e respectivamente lhe d\u00e3o sentido. S\u00e3o como centros organizadores, como tal centros que irradiam significa\u00e7\u00f5es. Em torno desse centro volteiam os anseios da Hist\u00f3ria, do que quer e se pode encontrar. Em \u00faltima an\u00e1lise podemos dizer que ela busca explicar o homem. O passado distante n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o seu passado, assim como a dist\u00e2ncia temporal &#8211; vinculada ao fato &#8211; \u00e9 o outro homem que permanece na mem\u00f3ria coletiva. A Hist\u00f3ria \u00e9\u00a0 eivada de tentativas de encontro e de explica\u00e7\u00e3o que se expressa pelas manifesta\u00e7\u00f5es das mais diversas culturas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Na tentativa de examinar e selecionar fontes, elucidar problemas, o\u00a0 historiador estabelece m\u00e9todos para esquadrinhar o passado, obrigando-se a refletir, a definir-se ante as indaga\u00e7\u00f5es que\u00a0 surgem em seu mister, na busca de entender o homem e seu legado como agente de mudan\u00e7as. Seu interesse pelo passado, pelo homem apreendido no seu devir temporal, permite-lhe ver o entrela\u00e7amento das v\u00e1rias manifesta\u00e7\u00f5es e vertentes do pol\u00edtico, do econ\u00f4mico e do social fornecendo-lhe o ampliar da vis\u00e3o hist\u00f3rica e a interpreta\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias. A hist\u00f3ria social \u00a0\u00e9 o campo apropriado, pois \u00a0como quer Albert Soboul, nos Annales, ela tem toda a Hist\u00f3ria, inclusive a mais tradicional dela faz parte,\u00a0 independente \u00a0de \u00a0que \u00a0surja \u00a0muito ligada ao pol\u00edtico e ao econ\u00f4mico. A predomin\u00e2ncia da intepreta\u00e7\u00e3o, dando primado ao econ\u00f4mico, pode se revelar inconsistente, al\u00e9m de n\u00e3o excluir o fato de que os acontecimentos podem ter explica\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 2 )\u00a0 RICOEUR.Op.cit.p.121.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0Por sua vez, a escolha deles e das suas explica\u00e7\u00f5es pode enfraquecer a pr\u00f3pria factualidade daquilo que ele escreve, se perder de vista que uma leitura completa dos acontecimentos n\u00e3o pode desprezar as rea\u00e7\u00f5es do social e nem excluir as iniciativas e a vontade dos homens, individualmente ou em grupo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Isto n\u00e3o invalida o reconhecimento da acelera\u00e7\u00e3o do progresso t\u00e9cnico, seja a revolu\u00e7\u00e3o industrial ou a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica recente. Ao mesmo tempo em que novos dom\u00ednios s\u00e3o conquistados pelo homem, surge em paralelo, aos variados e m\u00faltiplos movimentos \u00a0caracter\u00edsticos\u00a0 do devir humano, o primado do econ\u00f4mico, o aceleramento das mass- m\u00eddias parecendo\u00a0 captar e revelar a pobreza dos fins. Percebe-se que a elei\u00e7\u00e3o dos meios faz esquecer v\u00e1rios direitos que os fins precisam urgentemente recuperar. A intricada \u00a0disputa de poderes sublinha o conflito de esferas competitivas entre o pol\u00edtico e o econ\u00f4mico podendo levar a uma redu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos e a uma perda da autonomia da Hist\u00f3ria, pois nem sempre ser\u00e1 f\u00e1cil atingir, apreender o acontecimento. A informa\u00e7\u00e3o que o historiador pode fornecer d\u00e1 uma vis\u00e3o da profundidade dessas mudan\u00e7as em curso\u00a0 e abre oportunidades para a reflex\u00e3o e a compreens\u00e3o, bem mais do que a partir da interpreta\u00e7\u00e3o de equa\u00e7\u00f5es ou de uma atua\u00e7\u00e3o marcada como um artigo de f\u00e9. Significa dizer que a atua\u00e7\u00e3o do historiador n\u00e3o se liga a relev\u00e2ncia imediata e que o uso da Hist\u00f3ria estimulando o racioc\u00ednio a partir das analogias, pode levar a muitas tomadas de consci\u00eancia, in\u00e9ditas e s\u00fabitas, algumas imprevis\u00edveis, podendo reencaminhar e reorientar o devir humano, levando a resultados surpreendentes..<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Cabe aqui uma reflex\u00e3o sobre o acontecimento, cuja observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o dispensa os n\u00edveis mais simples, algumas vezes, ao n\u00edvel individual na descoberta desse acontecimento social, inova\u00e7\u00e3o \u201cem que se pode encontrar por vezes o germe das transforma\u00e7\u00f5es humanas fundamentais \u201c( 3).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A no\u00e7\u00e3o do acontecimento leva assim \u00a0ao papel do indiv\u00edduo na Hist\u00f3ria. Nesta perspectiva, n\u00e3o parece razo\u00e1vel sobrestimar a import\u00e2ncia do acontecimento, dado que o ser humano \u00e9 social e individual e em separado do que o precede e do que se seguir\u00e1, carece de significa\u00e7\u00e3o absoluta. \u00a0Constatar o acontecimento n\u00e3o \u00e9 de per si suficiente, pois \u00e9\u00a0 importante perceber a sua g\u00eanese e a sua causalidade, enquanto \u201cavaliar\u00a0 um<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 3)\u00a0 CRUBELLIER. Maurice. Col\u00f3quio de Saint Cloud-Sorbonne in A Hist\u00f3ria Social-\u00a0 Problemas , Fontes e M\u00e9todos. Lisboa: Cosmos, 1967. Discuss\u00e3o p\u00f3s- palestra, p.63.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0acontecimento \u00e9 estimar as chances que tem de se produzir\u201d.(\u00a0 4 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Vilar nos diz que o conceito do acontecimento, as interrela\u00e7\u00f5es entre acontecimento e Hist\u00f3ria e os la\u00e7os entre o question\u00e1vel conceito de micro e macro \u2013 hist\u00f3ria, deixam claro que \u201c&#8230;os tr\u00eas m\u00e9todos empregados na hist\u00f3ria social ,an\u00e1lise das estruturas, estudo das conjunturas, descri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o permitem apreender diretamente o acontecimento\u201d (\u00a0 5 ).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ele indaga se ser\u00e1 poss\u00edvel ao historiador o supor na pr\u00f3pria medida em que se indicam as transforma\u00e7\u00f5es e identificam a sua g\u00eanese, que \u00a0nem todos os atos \u201cvolunt\u00e1rios e inovadores s\u00e3o acontecimentos, pois precisam antes manifestarem efic\u00e1cia e serem aceitos como tais pelos que os cercam. Considera que na pr\u00e1tica, o ato eficaz, mesmo \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0inovador, n\u00e3o ter\u00e1 acolhida. A proposta \u00e9 distinguir o acontecimento, no sistema e na sociedade, que n\u00e3o quebra totalmente a sua coer\u00eancia interna, e o acontecimento como sinal de passagem de um sistema ao outro, de um tipo de sociedade a outro tipo de sociedade.\u201d ( 6\u00a0 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sabemos dos registros da mem\u00f3ria coletiva demostrando as mais variadas depend\u00eancias humanas, desde as restri\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, poderio dos seus senhores e escassas possibilidades de sobreviv\u00eancia relativas a sua sa\u00fade e a resultados das press\u00f5es demogr\u00e1ficas. Eles nos contam dos gostos e costumes revelando aspectos da vida privada e comercial.\u00a0 Ao longo do tempo, suas conquistas sociais obtiveram o direito ao descanso e ao lazer, vencendo as transforma\u00e7\u00f5es em curso da economia, levando ao reconhecimento da for\u00e7a das ideias na hist\u00f3ria humana, poderosa por for\u00e7a dos seus impulsos, para efetuar o processo de transforma\u00e7\u00e3o que podem modificar as estruturas de que nos fala Braudel. \u00a0Neste caso, a estrutura social, considerada por ele como um conjunto org\u00e2nico de rela\u00e7\u00f5es e de coer\u00eancias, simultaneamente econ\u00f4micas, sociais e psicol\u00f3gicas, que o tempo mal enfraquece e transmite muito lentamente\u00a0 ( 7 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(4 ) BLOCH. Marc . Apologia da Hist\u00f3ria e o of\u00edcio do historiador ,R J: Zahar. 2001,p167.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(5) LEFEBVRE. George. Un\u00a0 Colloque pour l\u2019 \u00e8tude des structures sociales,Paris: Annales 1957, p. 99.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(6) VILAR. Pierre, Histoire sociale\u00a0 et philosophie de l\u2019histoire. Caderno 47,1964.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(7) LABROUSSE. Ernest. INTRODU\u00c7AO de A Hist\u00f3ria Social, problemas, fones e m\u00e9todos Lisboa Cosmos, 1967.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A escola hist\u00f3rica francesa, ao que parece, a mais antiga e mais profundamente social de todas as escolas hist\u00f3ricas do mundo, abre ao historiador, o caminho das investiga\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas em todas as dire\u00e7\u00f5es. \u00a0Labrousse nos fala que uma nova hist\u00f3ria social come\u00e7a com uma hist\u00f3ria econ\u00f4mica renovada e uma sociologia em pleno progresso. Salienta ser, o objeto dessa hist\u00f3ria , para al\u00e9m do estudo dos grupos sociais e das suas rela\u00e7\u00f5es, o estudo entre o econ\u00f4mico, o social e o mental e endossa o ponto de vista de George Lefebvre quando afirma que as\u00a0 inova\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0 t\u00e9cnicas pressup\u00f5em um contato das ideias, sejam quais forem,\u00a0 mantem sempre uma rela\u00e7\u00e3o com a estrutura social do tempo e por conseguinte, com a economia que contribuiu para a criar.( 8 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Para a Escola dos Annales, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil caracterizar um acontecimento como motor, pois a hist\u00f3ria se faz ao n\u00edvel do quotidiano no plano da estrutura. Quanto ao historiador precisa ainda evitar o crivo moral e psicol\u00f3gico do acontecimento e o n\u00e3o condescender a uma hist\u00f3ria moralizante e subjetiva , mais uma das tarefas que a ele se imp\u00f5e. Isto sem esquecer o que \u00e9 pr\u00f3prio da Hist\u00f3ria,\u00a0 o conter , ela pr\u00f3pria, uma farta trama de fatos e acontecimentos sem que esta trama tenha necessariamente um dia posterior, o dia seguinte, que \u00a0na sua singularidade, pode trazer consequ\u00eancias poss\u00edveis e infindas. Nesta singularidade, a Hist\u00f3ria busca ra\u00edzes tamb\u00e9m.\u00a0 Uma busca que equivale e que \u00e9 um un\u00edssono entre os adeptos dos Annales \u201co mostr\u00e1-la no tempo, na dura\u00e7\u00e3o, ato elementar pelo que o porqu\u00ea \u00e9 substitu\u00eddo pelo como, e pode, no conte\u00fado desse \u00faltimo encontrar a sua resposta\u201d (9) em consequ\u00eancias poss\u00edveis e infindas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Braudel enuncia no primeiro cap\u00edtulo do seu livro Hist\u00f3ria e Ci\u00eancias Sociais\u00a0 ( 10 ) a exist\u00eancia de uma crise geral das ci\u00eancias do homem, todas esmagadas pelos seus pr\u00f3prios progressos, mesmo que isso seja devido \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos e \u00e0 necessidade de um trabalho coletivo, cuja organiza\u00e7\u00e3o inteligente ainda est\u00e1 por se estabelecer. Assim, de uma forma direta ou indireta, todas se veem afetadas pelos progressos das mais \u00e1geis dentre elas, ao mesmo tempo em que lutam contra um humanismo retr\u00f3grado, j\u00e1 \u00a0incapaz de lhe servir de \u00a0apoio ou refer\u00eancia.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(8) LABROUSSE. Idem. Ibidem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 9 ) BRAUDEL. Fernand. .Hist\u00f3ria e Ci\u00eancias Sociais, RJ,\u00a0 Ed Presen\u00e7a 1976, p 7.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 10 )BRAUDEL op cit. p.9.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Naturalmente o problema em foco \u00e9 o como elas superar\u00e3o as dificuldades, se em in\u00fateis lutas a respeito de suas delimita\u00e7\u00f5es fronteiri\u00e7as correndo risco de incorrer em falsos dilemas e falsos problemas. Alguns pesquisadores de modo isolado tentaram organizar e articular aproxima\u00e7\u00f5es, como Claude L\u00e9vi Strauss, tentando agrupar a antropologia estrutural para os processos de lingu\u00edstica, \u201cos horizontes da hist\u00f3ria inconsciente e o imperialismo juvenil das matem\u00e1ticas qualitativas\u201d ( 11\u00a0 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 fato conhecido que Braudel reconhece essa realidade, de quando as ci\u00eancias sociais se imp\u00f5em umas \u00e0s outras nem sempre percebem a intromiss\u00e3o de territ\u00f3rio feita, na cren\u00e7a de continuar dentro dos seus pr\u00f3prios limites. Depois, talvez essas circunst\u00e2ncias alarguem o solo das descobertas quando a economia descobre a sociologia e \u201ca hist\u00f3ria-talvez a menos estruturada das ci\u00eancias do homem\u00a0 -aceita todas as li\u00e7\u00f5es que lhe oferece a sua m\u00faltipla vizinhan\u00e7a e esfor\u00e7a-se p\u00f4r as repercutir (&#8230;..)\u00a0 Mas de momento urge nos aproximarmos uns dos outros. ( 12\u00a0 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nos Estados Unidos, esta aproxima\u00e7\u00e3o surge sob a forma de investiga\u00e7\u00f5es coletivas a respeito das \u00e1reas culturais do mundo atual; de fato, as\u201d international areas studies\u201d s\u00e3o, antes do mais nada , o estudo por uma equipe de Social Science dos monstros pol\u00edticos da atualidade: China, \u00cdndia, R\u00fassia, Am\u00e9rica Latina e Estados Unidos. Imp\u00f5e-se conhec\u00ea-los. Por isto \u00e9 imprescind\u00edvel, devido a essa coloca\u00e7\u00e3o em comum de t\u00e9cnicas e conhecimentos, que nenhum participante permane\u00e7a, como na v\u00e9spera, cego e surdo ao que dizem, escrevem ou pensam os outros<strong>\u201d ( \u00a013 \u00a0\u00a0<\/strong>).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como outras ci\u00eancias, a Hist\u00f3ria sofre mudan\u00e7as e interpreta\u00e7\u00f5es a renovam .\u201dA ideia de que os acontecimentos, poderiam ser suprimidos na vis\u00e3o de\u00a0 Braudel e das Escola dos Annales n\u00e3o \u00e9 importante para a nova hist\u00f3ria, segundo a qual, pelo contr\u00e1rio, tudo \u00e9 acontecimento.\u201d De fato , o que Braudel nos fala \u00e9 sobre ultrapassar o acontecimento, o tempo breve que o cont\u00e9m, o do periodismo essas tomadas de consci\u00eancia dos contempor\u00e2neos r\u00e1pidas, em dia, cujos tra\u00e7os nos devolvem, t\u00e3o vivo, o calor dos<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 11 ) BRAUDEL Idem. Ibidem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 12 ) BRAUDEL. Idem. Ibidem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(13)FROTA. Luciara. Hist\u00f3ria e Historiadores num mundo de conhecimentos, SP, Express\u00e3o e Arte, 2012 .p.130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>acontecimentos e das exist\u00eancias passadas\u201d (14\u00a0\u00a0 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A Hist\u00f3ria e a historiografia\u00a0 ap\u00f3s a\u00a0 s\u00f3lida contribui\u00e7\u00e3o de historiadores marxistas. Recebe a inova\u00e7\u00e3o da\u00a0 Hist\u00f3ria Nova ou Nova Hist\u00f3ria, fruto dos herdeiros dos Annales, corrente historiogr\u00e1fica mais ou menos correspondente \u00e0 sua terceira gera\u00e7\u00e3o. Embora com \u00a0proposta te\u00f3rica\u00a0 nascida \u00a0junto com a revista, a \u00a0Nova \u00a0Hist\u00f3ria Francesa, \u201c nova inclusivamente em rela\u00e7\u00e3o aos trabalhos de Fernand Braudel e \u00e0 escola da revista Annales. Segundo Pierre Nora, nova tamb\u00e9m \u201cporque p\u00f5e em causa o pr\u00f3prio lugar do observador, do historiador, deixando de \u00a0falar\u00a0 sob um ponto de vista absoluto &#8211; Deus, o progresso da humanidade, a luta de classes- tendo, pelo contr\u00e1rio, de justificar a urg\u00eancia e a necessidade dos seus trabalhos\u201d. \u00a0(15 ) \u00a0Citando Michael Foucault como um bom exemplo da mudan\u00e7a de \u00a0objetos da Hist\u00f3ria, ela sai do estudo dos grandes homens e das \u00a0grandes \u00a0s\u00ednteses e passa a Hist\u00f3ria dos povos e das mentalidades. Esta renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o se liga s\u00f3 ao estudo das \u00e9pocas contempor\u00e2neas, mas na hist\u00f3ria antiga, na ideia que temos dos Hititas, dos Gregos e dos Romanos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Muitos s\u00e3o os problemas, ambi\u00e7\u00f5es e dificuldades dessa proposta de hist\u00f3ria e essa renova\u00e7\u00e3o inovadora\u00a0 produz discurso sobre a sua fun\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio funcionamento do discurso cr\u00edtico e a incorpora\u00e7\u00e3o de ferramentas que ajudem a esclarecer como vivem os homens no dia a dia. Uma novidade na historiografia atual, falar do homem desconhecido, daqueles ausentes de celebridade, dos quais nunca se fala nem se ouve a voz.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nessa \u00f3tica, podemos falar da Hist\u00f3ria Oral que surge nos Estados Unidos, depois na Gr\u00e3- Bretanha e, mais tarde na Fran\u00e7a, sobretudo depois de 1975, sob denomina\u00e7\u00f5es variadas sem esquecer que propriamente em termos de Hist\u00f3ria, \u201c o recurso aos testemunhos orais \u00e9 antigo. J\u00e1 em sua \u00a0Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, Michelet\u00a0 \u00a0p\u00f5e na palavra do povo o pr\u00f3prio fundamento da tradi\u00e7\u00e3o nacional. No p\u00f3s-guerra, em 1948, Allan Nevis da Universidade de Columbia, acrescentou as fontes orais captadas junto a testemunhos da Hist\u00f3ria, aqueles que j\u00e1 constavam\u00a0 de arquivos impressos e escritos. No Brasil, onde \u00e9 comum o descaso pelos arquivos p\u00fablicos e particulares, um grupo formado por profissionais da UnB, UFF\/RJ e Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas R\/J trouxe uma equipe de professores americanos e mexicanos para formar ali, os primeiros profissionais na \u00e1rea,<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(14)\u00a0 BRAUDEL. Op Cit., p130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(15) ARI\u00c9S. Philippe, Michael de Certeau, Le Goff, Le Roy Ladurie e Paul Veyne A Hist\u00f3ria uma Paix\u00e3o Nova -Mesa Redonda\u00a0 in A Nova Hist\u00f3ria, Lisboa: edi\u00e7\u00f5es 70 S\/d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>num Curso de Especializa\u00e7\u00e3o envolvendo universidades como Paran\u00e1, Santa Catarina, Cear\u00e1 e Rio Grande do Sul. Coube a PUC\/SP o primado da Hist\u00f3ria Oral no Brasil como mat\u00e9ria do curr\u00edculo de p\u00f3s -gradua\u00e7\u00e3o, com o nome de Documenta\u00e7\u00e3o Oral, sob a gest\u00e3o\u00a0\u00a0 geral de coordenador Joel\u00a0 Martins e na de Hist\u00f3ria, Yvone Dias Avelino. De qualquer forma, o valor da incorpora\u00e7\u00e3o desses testemunhos nada representaria n\u00e3o fora a proposta de atrav\u00e9s desta forma t\u00e9cnica atingir-se pela pr\u00e1tica a etnol\u00f3gica retrospec\u00e7\u00e3o de um revisionismo que tem como prop\u00f3sito fazer construir uma Hist\u00f3ria com nova base, dando a palavra a representantes de minorias culturais.\u201d\u00a0 ( 16\u00a0 )\u00a0 \u00a0\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Esta hist\u00f3ria n\u00e3o nega autonomia\u00a0 ao historiador como um ordenador dos acontecimentos e reconhece o fato de que a \u201cmass m\u00eddia\u201d ao \u00a0trazer a ele um tipo de monop\u00f3lio da hist\u00f3ria\u00a0 pode implicar numa concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de hist\u00f3ria, mas de ci\u00eancia . Constitui a identidade na sua \u00eanfase, como no passado, a oposi\u00e7\u00e3o a determinados setores do historicismo e do positivismo da sua \u00e9poca: oposi\u00e7\u00e3o ao historicismo n\u00e3o como um todo e sim ao que se chama hist\u00f3ria historizante. (\u00a0 17\u00a0\u00a0 ). Pregar a cientifica\u00e7\u00e3o do pensamento e do estudo humano a fim de obter resultados claros, objetivos e corretos, o positivismo acreditava no ideal distante da neutralidade cientifica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Observamos que independente das mudan\u00e7as, ao longo do tempo, se escreva sobre a hist\u00f3ria, onde o singular \u00e9 um e se faz objeto, o que ela expressa \u00e9 a consci\u00eancia e o tratamento do fato singular. Nos limites do seu material fragment\u00e1rio a Hist\u00f3ria descobre o fazer e os acidentes do fazer. Assim, \u201catr\u00e1s do sinal, descobre o ato e os gestos que comp\u00f5em o ato. A confiss\u00e3o diacr\u00f4nica desemboca no trabalho profundo e, at\u00e9 ent\u00e3o misterioso da alma coletiva. Epis\u00f3dios, constitui\u00e7\u00e3o de vocabul\u00e1rio ou de discurso de qualquer forma que seja, muta\u00e7\u00f5es lentas, impulsos abortados s\u00e3o outros tantos elementos de que se poderia chamar de vias de comunica\u00e7\u00e3o, atalhos, entre a fixa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos sinais e a gesta\u00e7\u00e3o silenciosa. Tornando vivas as op\u00e7\u00f5es e suas obras, a hist\u00f3ria empresta voz ao g\u00eanio profundo do grupo humano, revela o seu trabalho interior, \u00a0mostra o\u00a0 coletivo em sua afirma\u00e7\u00e3o de existir, e o equipamento do mundo que lhe daria, ao mesmo tempo,\u00a0 a sua certeza e, como as certezas guardam limites, a sua promessa de ultrapassagem\u201d.(18)<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(16) FROTA, Luciara. Documenta\u00e7\u00e3o Oral e Mem\u00f3ria das Secas ( Estudos) Bras\u00edlia &#8211; Senado Federal, 1984, p17.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(17) DUPRONT. Alphonse, A religi\u00e3o : Antropologia Religiosa in Hist\u00f3ria : Novas Abordagens,\u00a0 p. 104.(18 ) DUPRONT. Alphonse, Op. cit.p 103<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Nos referimos ao contato singular e individual da Hist\u00f3ria com o seu objeto, impl\u00edcito na dura\u00e7\u00e3o do tempo, como se fosse um contato de participa\u00e7\u00e3o. Gerando o conhecimento do singular d\u00e1 inteligibilidade ao difuso, ao mesmo tempo que fornece \u00e9 a mesma realidade hist\u00f3rica na trama dos seus acontecimentos. Termina-se por verificar que a Hist\u00f3ria fornece uma explica\u00e7\u00e3o do existir humano e clarifica toda dura\u00e7\u00e3o criadora. Temos que nas condi\u00e7\u00f5es de pesquisa e produ\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, o historiador pode descobrir, no interior da sele\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos adotados, an\u00e1lise e limites que o norteiam e que se enra\u00edzam no passado anterior ao que elegeu como tema. A sele\u00e7\u00e3o e elucida\u00e7\u00e3o da historiografia que elegeu \u00e9, portanto, a chave por meio da qual se abrir\u00e1 o conjunto de evid\u00eancias na heran\u00e7a do que lhe ocupa. Seus limites j\u00e1 tra\u00e7ados poder\u00e3o nesse momento alargar-se: analisar os o que obteve, os postulados sobre os quais se assentam, os procedimentos que adota, constitui um passo decis\u00f3rio propondo determinar as diferen\u00e7as com rela\u00e7\u00e3o ao seu prop\u00f3sito inicial.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Como filha do seu tempo, n\u00e3o se pode negar a conflu\u00eancia de correntes de interpreta\u00e7\u00e3o as mais diversas asseguradas pela heterogeneidade dos pressupostos. De uma parte, influ\u00eancias liter\u00e1rias, religiosas e filos\u00f3ficas, mas nada imperme\u00e1vel a corre\u00e7\u00f5es de rota. Na Idade M\u00e9dia, os livros sobre filosofia de \u00c9tienne Gilson teciam coment\u00e1rios sobre o vi\u00e9s ideol\u00f3gico, com o uso de recursos impl\u00edcitos a um princ\u00edpio organizador ligado numa rede de rela\u00e7\u00f5es de grande homogeneidade unificando os fen\u00f4menos daquela \u00e9poca.\u00a0\u00a0 A obra de Gilson foi marcante e ela \u00e9 uma das resultantes da import\u00e2ncia concebida \u00e0 quest\u00e3o da mentalidade e as no\u00e7\u00f5es de influ\u00eancia ao se estabelecer uma comunidade de sentido. Mais tarde, Lucien Febvre, debru\u00e7ado em novos problemas, censura em Gilson a falta de outras constata\u00e7\u00f5es sobre o capitalismo mercantil do s\u00e9culo XVI. ( 19).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A posi\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria do catolicismo no \u00edntimo de uma sociedade secularizada, sem se pretender colocar a diminui\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de um sistema de poder sobre a pesquisa cient\u00edfica, estabelece uma decad\u00eancia de valores e contribui para o surgimento de uma disjun\u00e7\u00e3o do cient\u00edfico com a significa\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica da pr\u00e1tica religiosa e mesmo com os valores tradicionais.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A hist\u00f3ria econ\u00f4mica e social dos \u00faltimos anos, viu-se alimentada por modelos de an\u00e1lise marxista e rapidamente confrontada pelos variados problemas oriundos da estratifica\u00e7\u00e3o<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 19 ) FEBVRE. Lucien. Combats pour l\u00b4histoire,\u00a0 Paris: A. Collin, pp. 284-287<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>s\u00f3cio- profissional como as rela\u00e7\u00f5es pr\u00e9-industriais. Colocando a luta de classes como for\u00e7a motriz da Hist\u00f3ria e gerou uma revolu\u00e7\u00e3o na perspectiva de vis\u00e3o sobre hist\u00f3ria e historiador. Finalmente, no marxismo, a hist\u00f3ria \u00e9 o elemento \u00fatil de uma pr\u00e1xis transformadora de mundo que tem como meta o futuro. Trata-se, pois de uma filosofia pragm\u00e1tica da Hist\u00f3ria. Os estudos frequentes sobre antagonismos sociais levam em \u00a0dire\u00e7\u00e3o a indaga\u00e7\u00f5es sobre consci\u00eancia de classes em todas as \u00e9pocas, e em seguida, ao estudo das prioridades entre n\u00edveis de cultura e grupos sociais. As v\u00e1rias pesquisas sobre temas similares demonstram a dificuldade do trabalho do historiador com a formula\u00e7\u00e3o e liga\u00e7\u00e3o de conceitos vinculantes entre infraestrutura e superestrutura. O simples reconhecimento dessa dificuldade n\u00e3o revela sen\u00e3o o postular de uma necessidade de explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. N\u00e3o significa o mesmo que definir e estabelecer o tipo de rela\u00e7\u00e3o entre os dois diferentes n\u00edveis.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Despido de um aparato que lhe permita a explica\u00e7\u00e3o do todo hist\u00f3rico, como lhe conviria, fosse pela interven\u00e7\u00e3o ou significado de um fator compreens\u00edvel e determinante, o historiador verifica os seus \u00a0graus da impossibilidade mesmo sem renunciar \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o da totalidade. Nas armadilhas do seu trabalho, ele se debru\u00e7a sobre temas que n\u00e3o lhe respondem a inquieta\u00e7\u00e3o, algumas delas ligadas \u00e0 quest\u00f5es de capital e trabalho, sociedade e ideologia. Sem d\u00favida, as quest\u00f5es abertas pelos m\u00e9todos estruturais podem tornar aleat\u00f3rios\u00a0 a coloca\u00e7\u00e3o de alguns fen\u00f4menos. \u00c9 a interdisciplinaridade acenada pela Escola dos Annales quem pretende dar alguma resposta plaus\u00edvel, levando o historiador a lugares at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos, mas preconizados por ela, tais como, a an\u00e1lise dos mitos, o estudo das linguagens, o esbo\u00e7o de uma arqueologia sobre a investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O interesse de Braudel por disciplinas vizinhas est\u00e1\u00a0 sempre sublinhado em seus escritos \u00a0a partir do reconhecimento de que outras disciplinas ligadas ao estudo do homem s\u00e3o vizinhas pr\u00f3ximas e \u00fateis ao historiador. Todos esses fatos, voltados\u00a0 \u00e0s tentativas de aproxima\u00e7\u00e3o com outras ci\u00eancias s\u00e3o importantes a partir dos registros sobre a fragilidade do conhecimento\u00a0 moderno quando tentou compor entre soci\u00f3logos estruturais oriundos dos anos 50 e antrop\u00f3logos behavioristas dos anos 70, posi\u00e7\u00f5es de encorajamento para compor o suprimento de uma coes\u00e3o \u00e0s vezes expressa numa linguagem comum.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A interdisciplinaridade n\u00e3o afastou a Hist\u00f3ria de crises. Alguns se questionaram\u00a0 ao ler que a semi\u00f3tica acolhida como ci\u00eancia, de forma mais recente que a Hist\u00f3ria, produziu interessantes descobertas e nomes como Umberto Eco, para n\u00f3s de crescente familiaridade. Eco come\u00e7ou a sua carreira com trabalhos como Arist\u00f3teles e Thomas de Aquino. Trabalhou tamb\u00e9m com cultura de massa, televis\u00e3o, romances populares, al\u00e9m de arte e literatura. Ele \u201ctraz \u00e0 baila a quest\u00e3o de estrutura de mundos, que \u00e9 preciso esclarecer e postula mundos poss\u00edveis constru\u00eddos por um conjunto de indiv\u00edduos providos de propriedades, a\u00e7\u00f5es\u00a0 e um curso de acontecimentos que nunca t\u00eam total autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao mundo real , mesmo no caso das narra\u00e7\u00f5es de fic\u00e7\u00e3o cientifica ou das narrativas fant\u00e1sticas\u2019 (20)\u00a0 .<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0 \u00a0\u00a0Para o historiador interessado nas coordenadas do seu trabalho \u00e9 importante o construto cultural, o\u00a0 mundo dos seus textos, dentre outras \u00a0alternativas, mas quando os corpos \u00a0docentes das Universidades de Chicago\u00a0 e Col\u00fambia dispuseram a Hist\u00f3ria dentro \u00a0do dom\u00ednio das Ci\u00eancias Sociais, essa aloca\u00e7\u00e3o foi conveniente aos economistas, cientistas\u00a0 pol\u00edticos e soci\u00f3logos visto que grande parte deles envolvia-se com o passado em busca de dados para os seus trabalhos. Para os historiadores pareceu uma forma de promover os seus interesses utilizando um arcabou\u00e7o te\u00f3rico j\u00e1 pronto, ao mesmo tempo em que promovendo a sua disciplina tamb\u00e9m promoviam a si mesmos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sem d\u00favida, o conhecimento englobado nas disciplinas denominadas ci\u00eancias sociais n\u00e3o podem ser dispensadas, bem como os pertinentes pelo conjunto de disciplinas afeitas a \u00e1rea de humanidades. .N\u00e3o cabe ao historiador somente participar de parte de fatias do conhecimento, nem mesmo sob a justificativa de deposit\u00e1rio de um conjunto de t\u00e9cnicas que podem vir a beneficiar pesquisas futuras. A alternativa de independ\u00eancia seria a mais plaus\u00edvel para poder\u00a0 fornecer resultados \u00e0s tarefas pr\u00f3prias do historiador. Sempre plaus\u00edvel devem ser as conex\u00f5es com as formas de pr\u00e1tica existentes, como entre a pol\u00edtica e o sistema produtivo, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, arte e progresso. Os elos significativos podem ser produtos de estudo, ou ent\u00e3o podem significar erros de omiss\u00e3o ou de comprometimento anterior levando a resultados alheios ao progresso que se pretende. As supostas conveni\u00eancias se mostraram inconvenientes, ponto que requer algumas considera\u00e7\u00f5es como a natureza especializada da investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica necessitar de certa inicia\u00e7\u00e3o, de fato inerente a a\u00e7\u00e3o investigativa. Sabemos que a denominada especializa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da hist\u00f3ria n\u00e3o tem\u00a0 valor isoladamente, al\u00e9m de assinalar-se\u00a0 que a sua contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o possui, por \u00f3bvio, a capacidade de absor\u00e7\u00e3o do conhecimento<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(20) RALLO. Elizabeth. M\u00e9todos de Cr\u00edticas Liter\u00e1rias, S P: Martins Fontes,2005, p. 202.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>hist\u00f3rico. O historiador fornece a outras ci\u00eancias do homem uma perspectiva enriquecedora sob a \u00f3tica da raz\u00e3o, permitindo\u00a0 hip\u00f3teses e refer\u00eancias mais bem trabalhadas, \u00a0refletindo melhor a atua\u00e7\u00e3o humana nas situa\u00e7\u00f5es especificas da hist\u00f3ria vivida naquele momento e daquela maneira .<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0Estabelecer at\u00e9 que ponto as formas de sociabilidade triunfam nos grupos, pode levar a indaga\u00e7\u00e3o de at\u00e9 que ponto se pratica uma hist\u00f3ria serial ou uma hist\u00f3ria quantitativa no universo das pesquisas apresentadas, esbo\u00e7o e a insinua\u00e7\u00e3o das curvas, ritmos diversos e \u00a0rupturas s\u00e3o um conjunto de desafios \u00e0 espera do historiador. Os seus pr\u00f3prios progressos lhe colocaram armadilhas no percurso, embora seja f\u00e1cil constatar que para os que querem pesquisas quase in\u00e9ditas, n\u00e3o h\u00e1 falta de material bruto nos arquivos.\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0A par da escolha tem\u00e1tica, pode-se constatar um fato real. A escolha do tema \u00e9 guiada por um interesse pr\u00f3prio e se inspira numa interpreta\u00e7\u00e3o que precede o objeto de nossa escolha fazendo ressurgir, no decorrer da pesquisa, os tra\u00e7os de um percurso subjetivo. A busca de fontes segue ao encontro de trabalhos mais antigos que somam e enriquecem o conhecimento do historiador. Ele se beneficia do conjunto de linguagem apresentada pelos textos, informa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises recebidas, transmiss\u00e3o de cren\u00e7as e a certeza de que algu\u00e9m como ele, pensou no passado daquela maneira. \u00c9 dessa leitura e dessa an\u00e1lise do historiador que flui a coer\u00eancia interna, ideias e palavras, guiadas por uma estrutura intr\u00ednseca, pois o resultado ao nosso alcance \u00e9 uma evid\u00eancia, o final de uma pista seguida dantes por outrem. \u00a0A reflex\u00e3o que o toma como testemunho n\u00e3o pode pretender esgotar o seu sentido. Por outro lado, o historiador segue \u00a0perseguindo a sua linha independente de inten\u00e7\u00e3o, diversa, mesmo que complementar a que se limita aos interesses pr\u00f3prios e respondidos de outra interroga\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00c9 evidente que todos os modos de pesquisa e interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se equivalem., pois sabe-se que em mat\u00e9ria de fontes, independentemente de suas divis\u00f5es, algumas surgir\u00e3o como menos fecundas e menos esclarecedoras. Isto pode ajudar a demonstrar um grau maior de pertin\u00eancia, pois os crit\u00e9rios na elabora\u00e7\u00e3o dos assuntos n\u00e3o t\u00eam a simplicidade de uma f\u00f3rmula. \u00a0\u00a0Certo \u00e9 que cada vez mais que se alcan\u00e7a o resultado\u00a0 proposto pelo objetivo temos um ponto de chegada mais pr\u00f3ximo de uma totalidade, de nos permitir ver a composi\u00e7\u00e3o dos elementos e as rela\u00e7\u00f5es que o constituem historiador percebe que o objetivo alcan\u00e7ado serve a outras aproxima\u00e7\u00f5es , mesmo que no momento elas pare\u00e7am fora de alcance A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 livre para quem se aproximou de um resultado, o fruto de uma reconstitui\u00e7\u00e3o escrupulosa e que leva a uma palavra convincente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar das muitas fontes dispon\u00edveis em Hist\u00f3ria e dos muitos \u00a0esfor\u00e7os concebidos para fazer falar restos e documentos, o texto, como fonte, parece exercer uma atra\u00e7\u00e3o maior sobre o historiador. Alguns consideram ser o texto, em geral, o que melhor apoia as dificuldades dos temas de estudo, por mais facilmente nos d\u00e1 uma resposta forte e incisiva, insinua\u00a0 encurtar a dist\u00e2ncia que dele nos separa, al\u00e9m de parecer convidar \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do que fala a sua obra. Ele \u00e9 importante refer\u00eancia no trabalho e est\u00e1 sempre disposto a corroborar ou n\u00e3o com o que dele dizemos. Quem o cita se obriga a dedicar-lhe a maior aten\u00e7\u00e3o. Localizado, oferece \u00a0recurso permanente de retorno ao que se leu, pois \u00e9 um objeto dispon\u00edvel. Ele parece perguntar se foi convenientemente observado, compreendido, e se sua an\u00e1lise interna, da forma como se usa numa an\u00e1lise de texto, n\u00e3o limitou o uso e se n\u00e3o houve desconsidera\u00e7\u00e3o aos dados externos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A interdisciplinaridade \u00a0j\u00e1 referida, proposta pelos Annales e pela \u00a0recente Hist\u00f3ria Nova, pode levar ao uso de l\u00ednguas diversas na interpreta\u00e7\u00e3o de textos e isto se constitui num maior desafio: o de funcionar como um agente de passagem, manifestando a integridade de uma mensagem, de uma cita\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o deve sofrer altera\u00e7\u00f5es. Starobinski nos aconselha sobre a liberdade com que pretendemos escolher \u201cos nossos objetos e os nossos m\u00e9todos, s\u00f3 o podemos fazer recorrendo a linguagem e aos instrumentos que nos transmitiu a Hist\u00f3ria\u201d. ( 21\u00a0\u00a0 )\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0As \u00a0dificuldades est\u00e3o sempre no caminho do historiador comprometido com a seriedade do seu objeto e pedem, em alguns casos, conhecimentos mais espec\u00edficos sobre artes, pol\u00edtica, migra\u00e7\u00f5es, geografia, ,antropologia, entre tantos que requisitam alargamento de\u00a0 dom\u00ednios. No emaranhado das fontes \u00a0dispon\u00edveis, o fio condutor, o que \u00a0tem para gui\u00e1-lo \u00e9 \u00a0a boa e velha evid\u00eancia como nos assevera Handlin no seu tradicional estudo sobre \u00a0a \u00a0a verdade na Hist\u00f3ria.( 22)<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(21) HANDLIN. Oscar. A Verdade na Hist\u00f3ria, S.P, Martins Fontes\/ Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1982, Op Cit..p129.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(22)\u00a0 STAROBINSKI, Jean in\u00a0 A literatura: o texto e o seu int\u00e9rprete &#8211; Hist\u00f3ria : Novas Abordagens, pp130-143.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sem d\u00favida, a contribui\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria e sua import\u00e2ncia, frente ao conhecimento\u00a0 evicissitudes humanas podem passar pela lingu\u00edstica hist\u00f3rica, permitindo, a exemplo de outras contribui\u00e7\u00f5es, o apelo silencioso ou exaltante de nossos dias\u00a0 quando se recorre \u00e0 Hist\u00f3ria , para compreender\u00a0 s gesta\u00e7\u00e3o das profundidades do de atos coletivos , os atos humanos\u00a0 das mais diversas naturezas. Funde-se na Hist\u00f3ria os v\u00e1rios tempos, a vida do tempo, do que pode ser tecido com a linearidade\u00a0 das continuidades hist\u00f3ricas. Elas marcam ritmos e per\u00edodos sem nenhuma homogeneidade\u00a0 percebida .Mensurar o tempo, periodizar o tempo s\u00e3o sempre dif\u00edceis desafios. An\u00fancios, acontecimentos,\u00a0 mudan\u00e7as sociais, crispa\u00e7\u00f5es internas, tudo posto num tempo absorvido pelo nivelamento hist\u00f3rico, o suceder do homem na Hist\u00f3ria. A vida na dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o parece sens\u00edvel a medidas, mas \u00e9 plena de tens\u00e3o ultrapassando a si pr\u00f3pria na inquieta\u00e7\u00e3o e na busca de uma domina\u00e7\u00e3o do futuro \u00c9\u00a0 preciso reconhecer que a descri\u00e7\u00e3o da historiografia pode ser a \u00fanica forma de tornar intelig\u00edvel\u00a0 o combate pelo exerc\u00edcio do poder e da sua busca por vencer o tempo, imaginando as contra\u00e7\u00f5es e perspectivas humanas\u00a0 da exist\u00eancia coletiva da dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A Hist\u00f3ria d\u00e1 contribui\u00e7\u00f5es evidenciais, a partir do acontecimento que comp\u00f5e a sua \u00a0trama. .A converg\u00eancia dos documentos pode permitir o estabelecimento de varia\u00e7\u00e3o e continuidade e destaca o individual na profundidade da cria\u00e7\u00e3o coletiva . Na verdade, o trabalho\u00a0 feito nesta profundidade\u00a0 da cria\u00e7\u00e3o coletiva\u00a0 \u00e9 um pouco o que a Hist\u00f3ria faz e o seu sentido e linguagem, numa coer\u00eancia aproximativa.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0As sequencias hist\u00f3ricas, os limites do seu fragment\u00e1rio destacam o modo de fazer a Hist\u00f3ria \u00a0e o seu entorno .O conjunto dos elementos do discurso, transforma\u00e7\u00f5es lentas, caminhos de comunica\u00e7\u00e3o em plena abertura, atalhos entre a gesta\u00e7\u00e3o silenciosa e a fixa\u00e7\u00e3o dos sinais, numa forma de fixar as op\u00e7\u00f5es, revelando o\u00a0 trabalho interior\u00a0 da Hist\u00f3ria e o trabalho coletivo\u00a0 do grupo numa afirma\u00e7\u00e3o do existir humano.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Muito dif\u00edcil para a maioria dos historiadores \u00e9 o confronto com os remanescentes de suas atividades passadas. Essa rela\u00e7\u00e3o com o mundo de conhecimento onde elevada montanha de letras e ideias dilu\u00eddas no papel ou na telinha do computador, foram geradas\u00a0 por profissionais das mais variadas proced\u00eancias e nacionalidades, expressam\u00a0 e registram seus experimentos coloca a cada um deles numa rela\u00e7\u00e3o bem diversa com o mundo do conhecimento. Aqueles emaranhados de fontes refletidas em relat\u00f3rios e tratados formais, as anota\u00e7\u00f5es de experimentos, esbo\u00e7os de pintura, m\u00faltiplas anota\u00e7\u00f5es nas margens, rascunhos e mais rascunhos de projetos e pensamentos oriundos da mente humana atestam que em determinado momento aqueles restos tomaram forma e eram defin\u00edveis. Esses elementos s\u00e3o todas formas de reconstru\u00e7\u00e3o do passado, expandindo, de forma vertical ou horizontal, a soma de evid\u00eancias que lan\u00e7a luz sobre novos problemas e equaciona luz sobre solu\u00e7\u00f5es. Apesar de na maioria dos casos, as t\u00e9cnicas usuais serem adequadas e suficientes para avalia\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias hist\u00f3ricas, elas tamb\u00e9m s\u00e3o registros e as localiza\u00e7\u00f5es de tempo e lugar, bem como o car\u00e1ter de seus autores fornecer\u00e3o os ajustes quando se passa ao plano de avalia\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias \u00fateis. ( 23)\u00a0 A incorpora\u00e7\u00e3o de novas t\u00e9cnicas. o advento e dissemina\u00e7\u00e3o dos computadores\u00a0 e as facilidades de acesso \u00e0 Internet, a uma rede mundial informativa requerem que os historiadores\u00a0 estejam nela inclusos para facilidade das suas pesquisas e comodidade de seus trabalhos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Naturalmente, \u00a0muito se espera da Hist\u00f3ria e do trabalho do historiador, como uma certa objetividade, uma abertura retificando o grupamento da hist\u00f3ria oficial das sociedades tradicionais amealhadas sobre o seu passado. A objetividade em constru\u00e7\u00e3o, como pretendia Marc Bloch, permite fases como a observa\u00e7\u00e3o, no pleno sentido da palavra, pois observa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pressup\u00f5e s\u00f3 o fato, al\u00e9m da\u00a0 a cr\u00edtica e a an\u00e1lise hist\u00f3rica. Nesta linha, temos o pioneirismo de estudiosos brasileiros, como a historiadora da Universidade de S\u00e3o Paulo, Fernanda Pacca no uso de computadores no seu projeto Leviat\u00e3 ligado ao uso de computadores na Hist\u00f3ria, proposto em conjunto com o tamb\u00e9m historiador Davi Gueiros Vieira, da Universidade de Bras\u00edlia, um avan\u00e7o significativo\u00a0 na \u00e1rea de documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica voltada para a documenta\u00e7\u00e3o\u00a0 da C\u00e2mara e do Senado.( 24 )<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0O fato de o historiador n\u00e3o poder se colocar em face do seu objeto do passado n\u00e3o desqualifica a import\u00e2ncia do vest\u00edgio nem \u00e9 um\u00a0 dem\u00e9rito para a Hist\u00f3ria. A reconstru\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de acontecimentos do passado com base documental, sup\u00f5e perscrutar, faz\u00ea-lo falar, aliada a hip\u00f3tese de trabalho do historiador, elevando o vest\u00edgio a fato hist\u00f3rico. \u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(23) WRIGHT. Fernanda Pacca de Almeida. Computadores: uma nova experiencia na Hist\u00f3ria. Notas da Palestra. Senado Federal ,.Bras\u00edlia 2000. Apoia-se tamb\u00e9m na Escola do\u00a0 Presentismo e no conceito de evid\u00eancia nomeado por Handlin.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(24) A historiadora Fernanda Pacca de Almeida Wright ( USP) e o historiador David Gueiros Vieira, (UnB) , ambos de forma\u00e7\u00e3o norte-americana, ,j\u00e1\u00a0 falecidos, deixaram excelentes trabalhos hist\u00f3ricos como, respectivamente Desafio Americano \u00e0 Preponder\u00e2ncia Brit\u00e2nica no Brasil e o cl\u00e1ssico Hist\u00f3ria do Protestantismo no Brasil, N.A.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0\u00c9 a sua interven\u00e7\u00e3o\u00a0 que produz o documento e ao construir-se, configura-se numa atividade met\u00f3dica, a cr\u00edtica .As informa\u00e7\u00f5es dadas pelos historiadores fornecem uma vis\u00e3o aprofundada, abrindo as possibilidades para melhora da compreens\u00e3o de determinados assuntos, convidando para uma melhor aprecia\u00e7\u00e3o dos fatos .<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os usos da Hist\u00f3ria podem ser m\u00faltiplos. Empolgados\u00a0 com o mercado sequioso por uma hist\u00f3ria desmoralizante e voltada para ridicularizar algumas das suas mais nobres personagens, alguns dos que se rotulam historiadores, escrevem\u00a0 a chamada\u00a0 contra hist\u00f3ria\u00a0\u00a0 irrestrita e voltada para um p\u00fablico esfaimado e\u00a0 descrente dos seus pr\u00f3prios valores de coer\u00eancia intelectual. N\u00e3o falo aqui dos esfor\u00e7os para imitar o suspense dos romances ou das licen\u00e7as tomadas por alguns romances hist\u00f3ricos, alguns precedidos tamb\u00e9m de pesquisa hist\u00f3rica, como o recente romance sobre a vida da Imperatriz\u00a0 Elizabete ,da \u00c1ustria-Hungria, de Alison Pataki. Refiro-me\u00a0 ao equipamento de repeti\u00e7\u00e3o usado, por declara\u00e7\u00f5es pouco cautelosas sobre assuntos hist\u00f3ricos complexos como a Guerra do Paraguai, com a finalidade de pretensamente desmistificar figuras do imp\u00e9rio e militares como o Duque de Caxias. Certamente, os historiadores sabem que n\u00e3o \u00e9 sua tarefa a reprodu\u00e7\u00e3o exata dos fatos, pois n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio da sua disciplina o ressuscitar, o reviver integral do passado. A ele cabe \u00a0apenas interligar, recompor um eixo retrospectivo. O esfor\u00e7o inteligente renuncia a coincid\u00eancias, analisa e apresenta resultados de an\u00e1lise\u00a0 com base na explica\u00e7\u00e3o serial dos fen\u00f4menos de cunho econ\u00f4mico, pol\u00edtico ou cultural entre outros. Decerto, lendo ou escrevendo o historiador\u00a0 imerge \u201c num ato de cr\u00edtica, pois ele est\u00e1 sempre avaliando a evid\u00eancia. Todo aquele que falha como cr\u00edtico, falha tamb\u00e9m como criador\u201d ( 25 ). Sabemos que os que os escrevem , sejam homens ou mulheres, tomam a decis\u00e3o com base no interesse, tend\u00eancias ou expectativa de lucro. Ao faz\u00ea-lo, empregam uma f\u00f3rmula a produzir um resultado almejado. Isto tamb\u00e9m pode explicar que nem sempre a Hist\u00f3ria serve a fins imediatos. No passado mergulham, buscando a legitimidade da constru\u00e7\u00e3o dos seus mitos e fantasias, ou mesmo de ambos, certamente n\u00e3o por meio dos caminhos leg\u00edtimos de uma Hist\u00f3ria escrita pelo credenciamento da responsabilidade dos\u00a0 historiadores. Observemos a quem serve a desconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\u00a0 e o exagero de uma hist\u00f3ria midi\u00e1tica e pobre .Escrever a Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma permiss\u00e3o para ciar falas ou, como todos sabemos, tamb\u00e9m n\u00e3o o \u00e9 para inventar o passado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Composi\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica s\u00e3o processos cont\u00ednuos. O \u201cregistro liter\u00e1rio de um encontro com a \u00a0evid\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 ponto preciso a partir do qual a pesquisa termina e a composi\u00e7\u00e3o<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(25) BLOCH. Marc. Apologia da Hist\u00f3ria, p.130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>come\u00e7a. Desde a primeira montagem de palavras no papel , e atrav\u00e9s das repetidas revis\u00f5es que moldam a ora\u00e7\u00e3o aos fatos, a luta para abordar a verdade sugere -exige-\u00a0 material mais abundante, melhor e mais depurado. \u00c9 a montagem da \u00faltima linha que traz consigo\u00a0 n\u00e3o a certeza de estar certa, mas a certeza de ter exaurido a evid\u00eancia\u201d.\u00a0 ( 26 )\u00a0 O \u00a0historiador \u00a0de nossos dias pode dispor de instrumentos pouco acess\u00edveis no passado. Adentrar num campo de pesquisa j\u00e1 percorrido por outro significa que sob as mais variadas bases podemos usufruir dos guias constru\u00eddos pelas pesquisas anteriores. \u00c9 um processo triangular em aux\u00edlio aos pesquisadores posteriores nos saltos de imagina\u00e7\u00e3o que ele precisa efetuar quando necessita de um retorno ao examinar \u00a0evid\u00eancias de um passado remoto<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>.Sempre \u00fatil ao historiador \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia e os usos da Hist\u00f3ria\u00a0 Pode ser que estudos desapaixonados sobre temas apaixonantes possam resultar melhores do que o que se possa sugerir sobre paradoxo. Alguns desses estudos podem ter o cond\u00e3o de propiciar\u00a0 a compreens\u00e3o de momentos pol\u00edticos turbulentos como os que vivemos neste momento. Isto n\u00e3o torna o diferir em termos de orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, prefer\u00eancia de tema, diversidade do enfoque, bem como quanto\u00a0 a qualidade do trabalho \u00e9 louv\u00e1vel evitar a dist\u00e2ncia da verdade apesar de que isto possa representar pouco sucesso.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Podemos verificar que algumas dessas verdades n\u00e3o resistiriam ao teste das evid\u00eancias se elas n\u00e3o estiverem reduzidas a um meio certeiro para entrar na lista dos mais procurados e vendidos da semana. Algumas vezes os cuidados devem se estender aos cen\u00e1rios sem a necessidade de uma altera\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica para situar mais desfavoravelmente um personagem real .A significa\u00e7\u00e3o do homem na Hist\u00f3ria deve sempre evidenciar um sentido de tempo e lugar em que ocorrem os acontecimentos sem o desvinculamento do papel exercido e das circunst\u00e2ncias do momento hist\u00f3rico vivido onde se insere a sua a\u00e7\u00e3o. O afrouxamento\u00a0 generalizado das formas e maneiras no trato da narrativa n\u00e3o deve diminuir a import\u00e2ncia e o valor da racionalidade e da coer\u00eancia. Procurar a verdade ainda legitima os valores de uma sociedade sensata e\u00a0 deve continuar norteando o historiador preocupado com o seu of\u00edcio.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Ainda se espera da Hist\u00f3ria e dos historiadores\u00a0 uma apreens\u00e3o do passado , como algo distante\u00a0 de uma for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica com o pano de fundo manipul\u00e1vel por seus testemunhos. Uma a\u00e7\u00e3o construtiva\u00a0 de primeira ou segunda m\u00e3o talvez pudesse trazer o<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(26) HANDLIN. Oscar. Op. Cit. p.129.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>historiador, antes de tudo um homem moderno, \u00e0 realidade de que n\u00e3o \u00e9 de melhor sabor\u00a0 o gosto pelo relativismo. As inven\u00e7\u00f5es e a imagina\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes podem ser venenosas e nem sempre vemos a tempo o que \u00e9 lesivo para a Hist\u00f3ria. Isto vai bem mais al\u00e9m do mister do historiador, oscilando entre a boa e a m\u00e1 subjetividade, diante da responsabilidade de reflex\u00e3o e de discernimento que lhe cabe.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Sempre em processo de fazer-se, a\u00a0 Hist\u00f3ria tem a fun\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a num mundo de mudan\u00e7as\u00a0 mantendo um di\u00e1logo sempre aberto, preservando a sua autonomia e o seu valor. Nem sempre se poder\u00e1 introduzir uma inten\u00e7\u00e3o fraterna nos debates que ela gera. De qualquer modo, \u00e9 nesse sentido justamente que o ambiente vital da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 perpassado por ela, a luz de todos os debates.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>H\u00e1 como um segundo n\u00edvel de leitura, quando se d\u00e1 a passagem da hist\u00f3ria abstrata onde s\u00e3o consideradas s\u00f3 as obras dos homens, a uma hist\u00f3ria com crises , decis\u00f5es, ascens\u00f5es\u00a0 quedas e decad\u00eancia , quando ele \u201cse revela\u00a0 na acumula\u00e7\u00e3o das suas pegadas, (,,,,)uma Hist\u00f3ria concreta, onde existem os acontecimentos\u201d. ( 27\u00a0 ).De fato, ela permeia reflex\u00f5es sobre o devir humano\u00a0 e est\u00e1 sempre insepar\u00e1vel\u00a0 das percep\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, sociais e pol\u00edticas\u00a0 das rela\u00e7\u00f5es entre os homens e dos pressupostos de ordem cultural subjacente.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Espelhando-me no pref\u00e1cio de Jacques Le Goff\u00a0 \u00e0 Apologia da Hist\u00f3ria, onde diz esfor\u00e7ar-se por ser o disc\u00edpulo p\u00f3stumo de Marc Bloch, verifico \u00a0que a sua legitimidade da Hist\u00f3ria, o problema epistemol\u00f3gico da Hist\u00f3ria , al\u00e9m de um problema intelectual e cient\u00edfico, \u00e9 um problema c\u00edvico e moral. Para ele, a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental sempre esperou muito da sua mem\u00f3ria e introduzindo o par Hist\u00f3ria-mem\u00f3ria, colocou \u00a0a mem\u00f3ria\u00a0 como uma das mat\u00e9rias primas da Hist\u00f3ria, mas sem se identificar com ela. Essa aten\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria \u00e9 para o Ocidente .heran\u00e7a da antiguidade e do cristianismo e nela pode est\u00e1 o conhecimento de si mesmas. Bloch define ser\u00a0 a Hist\u00f3ria uma busca, portanto escolha, e seu objeto n\u00e3o \u00e9 o passado. A pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de que o passado enquanto tal possa ser objeto de ci\u00eancia lhe surge absurda. Seu objeto \u00e9 o homem, ou melhor os homens, e mais precisamente os homens no seu tempo. Ele tamb\u00e9m nos ensina\u00a0 ( 28)\u00a0 que\u00a0 a \u00a0ci\u00eancia decomp\u00f5e o real apenas a fim de melhor observ\u00e1-lo, gra\u00e7as\u00a0 a um jogo de fogos cruzados cujos raios constantemente se combinam e interpenetram. O perigo come\u00e7a quando cada projetor pretende ver tudo sozinho ;quando cada canto do saber \u00e9 tomado por uma p\u00e1tria.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(27) BLOCH. March.,\u00a0 Op. cit.p.130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(27) BLOCH. March.,\u00a0 Op. cit.p.131.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(28) BLOCH, Op cit. P.131.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>NOTAS<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 1 )\u00a0 RICOEUR, Paul. Hist\u00f3ria e Verdade, SP: Forense 1968, p.8.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 2 )\u00a0 RICOEUR.Op.cit.p.121.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0( 3)\u00a0 CRUBELLIER. Maurice. Col\u00f3quio de Saint Cloud-Sorbonne in A Hist\u00f3ria Social-\u00a0 Problemas , Fontes e M\u00e9todos. Lisboa: Cosmos, 1967. Discuss\u00e3o p\u00f3s- palestra, p.63.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(4 ) BLOCH. Marc . Apologia da Hist\u00f3ria e o of\u00edcio do historiador ,R J: Zahar. 2001,p167.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(5) LEFEBVRE. George. Un\u00a0 Colloque pour l\u2019 \u00e8tude des structures sociales,Paris: Annales 1957, p. 99.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(6) VILAR. Pierre, Histoire sociale\u00a0 et philosophie de l\u2019histoire. Caderno 47,1964.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(7) LABROUSSE. Ernest. INTRODU\u00c7AO de A Hist\u00f3ria Social, problemas, fones e m\u00e9todos Lisboa Cosmos, 1967.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(8) LABROUSSE. Idem. Ibidem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 9 ) BRAUDEL. Fernand. .Hist\u00f3ria e Ci\u00eancias Sociais, RJ,\u00a0 Ed Presen\u00e7a 1976, p 7.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 10 )BRAUDEL op cit. p.9.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 11 ) BRAUDEL Idem. Ibidem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>( 12 ) BRAUDEL. Idem. Ibidem.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(13)FROTA. Luciara. Hist\u00f3ria e Historiadores num mundo de conhecimentos, SP, Express\u00e3o e Arte, 2012 .p.130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(14)\u00a0 BRAUDEL. Op Cit., p130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(15) ARI\u00c9S. Philippe, Michael de Certeau, Le Goff, Le Roy Ladurie e Paul Veyne A Hist\u00f3ria uma Paix\u00e3o Nova -Mesa Redonda\u00a0 in A Nova Hist\u00f3ria, Lisboa: edi\u00e7\u00f5es 70 S\/d.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(16) FROTA, Luciara. Documenta\u00e7\u00e3o Oral e Mem\u00f3ria das Secas ( Estudos) Bras\u00edlia &#8211; Senado Federal, 1984, p17.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(17) DUPRONT. Alphonse, A religi\u00e3o : Antropologia Religiosa in Hist\u00f3ria : Novas Abordagens, Paris : Gallimard, 1976. p. 104.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(18)DUPRONT. Alphonse. Op. cit. P.104<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(19 ) FEBVRE. Lucien. Combats pour l\u00b4histoire,\u00a0 Paris: A. Collin, pp. 284-287.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(20) RALLO. Elizabeth. M\u00e9todos de Cr\u00edticas Liter\u00e1rias, S P: Martins Fontes,2005, p. 202.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(21) HANDLIN. Oscar. A Verdade na Hist\u00f3ria, S.P, Martins Fontes\/ Editora Universidade de Bras\u00edlia, 1982, Op Cit..p129.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(22)\u00a0 STAROBINSKI, Jean in\u00a0 A literatura: o texto e o seu int\u00e9rprete &#8211; Hist\u00f3ria : Novas Abordagens, pp130-143.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(23) WRIGHT. Fernanda Pacca de Almeida. Computadores: uma nova experiencia na Hist\u00f3ria. Notas da Palestra. Senado Federal ,.Bras\u00edlia 2000. Apoia-se tamb\u00e9m na Escola do \u00a0Presentismo e no conceito de evid\u00eancia nomeado por Handlin.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(24) A historiadora Fernanda Pacca de Almeida Wright ( USP) e o historiador David Gueiros Vieira, (UnB) , ambos de forma\u00e7\u00e3o norte-americana, ,j\u00e1\u00a0 falecidos, deixaram excelentes trabalhos hist\u00f3ricos como, respectivamente Desafio Americano \u00e0 Preponder\u00e2ncia Brit\u00e2nica no Brasil e o cl\u00e1ssico Hist\u00f3ria do Protestantismo no Brasil, N.A.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>\u00a0(25) BLOCH. Marc. Apologia da Hist\u00f3ria, p.130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(26) HANDLIN. Oscar. Op. Cit. p.129.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(27) BLOCH. March.,\u00a0 Op. cit.p.130.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>(28) BLOCH, Op cit. P.131.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luciara Silveira de Arag\u00e3o e Frota. Profa. Titular. 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